E depois admiram-se que surjam, aqui e ali, e aqui, e ali, e ainda lá, ali mesmo, não vêem? {hão-de ver...}, uns tipos, ou ainda outros, que só tenham vontade de gritar {e enquanto for a gritar, tudo bem...}
O povo anda apavorado com os desaires da economia-farol. E com as manobras incompreensíveis de uns tantos irmãos {já foram os Dalton, já foram os Metralha e agora são os Lehman} nesses mercados sinistros que supostamente nos fazem bem. E o povo, enquanto espera pela queda, ou não, da segunda peça {esta do efeito-dominó é de morrer a rir}, o povo lá vai tentando completar o habitual esgar {com que encara a vida em geral} com mais um esgar habitual {aquele com que perpetua a sua própria morte em leasing}, num «enquanto há vida há esperança» desesperado. E quando não há vida? Mas, antes, cegueira? Bolas, a mim parece-me simples. Caramba, os tipos devem ser mesmo imbecis. Eu se estivesse estado lá estes anos todos, tinha certamente lido correctamente o painel. Há que saber lê-lo, pois é no painel que estão valores. Os valores faciais, atenção, não os morais {hã?; que é isso?; dá para trocar por milhas aéreas?}. E nas entrelinhas aprende-se sempre muito. Não tenham dúvidas disto.
E esta, sim, é aquela melodia que lançamos ao ar quasi religiosamente, todos os dias, ao cair do dia e ao levantar da noite. Uma Julia para uma Júlia...
"Julia Florida", de Agustin Barrios Mangore, interpretada por David Russell
Update — Um enorme obrigado ao Luís por ter trazido esta Julia Florida até nós!
Daqui a dois meses, mais coisa menos coisa, a minha segunda filha abrirá os seus pequenos e virgens olhos para este mundo terreno. E com ela, bem do alto do seu cucuruto ainda molinho até às plantas dos pés encarquilhados, virá até ao seio familiar o sonoro nome de Júlia. Esta foi a escolha dos pais, será por ele que responderá, será ele que unirá os mais diversos ares/humores da miúda. Mas pensam, porventura, que Júlia tem sido um nome pacífico, que a escolha de Júlia tem arrancado {e não esperam todos os pais por isso?} grandes aplausos e encómios? Nada disso. Tem sido mais ais e uis do que outra coisa... Durante uns tempos ainda andei banzado. Como podia tanta gente torcer o nariz perante semelhante escolha por parte dos progenitores? E a par da suspeita vinha sempre a referência à Júlia Florista!... A Júlia Florista para aqui, a Júlia Florista para ali, sempre presente o raio da criatura, fosse uma tia, uma empregada, uma avó, uma bisavó, a comentar o nome da criança vindoura. Mas quem era, é, a Júlia Florista? Nada mais do que a alma de um típico faduncho lisboeta. Bom, fui ao soulseek {e como viver sem o soulseek?, pergunto eu} e saquei o dito fado, para sempre celebrizado por, quem mais?, Amália. Aí tudo fez sentido. Ao ouvir a letra daquele fado apercebi-me de como, apesar de já ter passado cerca de meio século sobre uma certa Lisboa e uma certa Júlia {a Florista}, ainda hoje a «chinela no pé» e o «ar de ralé» fazem mossa nas projecções dos ideais familiares de sucesso e nas ambições e aspirações a uma vida acima sabe-se lá do quê.
Pois nós, cá por casa, temos ouvido com enorme prazer o dito faduncho e aqui vos deixo esta preciosidade gravada no Grupo Desportivo da Mouraria em, pasmem-se!, Agosto passado. Numa tanto deliciosa e engraçada quanto bizarra e confrangedora versão interpretada por mais uma Júlia {Lopes} e uma Joana Veiga. A não perder! Aquele bater de pé no chão de madeira, bem lá no final, é genial.
E para não ficarem de certo modo defraudados, aqui fica a notável versão da grande Amália Rodrigues.
Eu gostava, a sério que gostava, de embarcar nesta barcaça da esperança que é a candidatura, e eventual eleição, de Obama como próximo Presidente dos EUA. Mas não consigo. E porquê? Bom, porque, e não esqueçamos o essencial, ele vai {porque vai, não vai?} ser eleito Presidente dos EUA. O pessoal fala dele, e da esperança que ele vende, como sendo alguém de bem, alguém em quem possamos confiar, alguém de quem possamos esperar coisas boas e reveladoras. Esperar isto tudo, e mais alguma coisinha, do Presidente dos EUA?! O pessoal endoideceu? O lugar é sinistro por natureza. E só lá cabe alguém sinistro, dúbio e encarneirado. Mas como o pessoal está tão desenfreadamente assustado, cansado, desesperado e revoltado {ao ponto de para alguns até o Pato Donald ser voto viável...} o pessoal vai-se estampar. Ai vai, vai. Ou pensam que o tipo vai iluminar a Pennsylvania Avenue todinha até ao Capitólio? E depois do Hill o mundo! Deve ser, deve. Cheira-me que o pessoal à custa de tanto desespero vai é encher-se de mais um totó. Por vezes, chego mesmo a pensar se seria possível colocar desesperos à parte e, numa de racional, tentar perceber se McCain seria ou não {e eu acho que acho que não...} uma opção mais viável e lúcida. E se ele fosse? Já repararam o erro que tudo isto pode ser? O facto é que eu olho para os dois e aquele que mais me enerva é Obama. Aquele que mais me parece produto do mais puro branding é Obama. Aquele que mais cheira a corporation friendly é Obama. Aquele que menos parece surpreender é Obama. E isso não é bom, pois não? Mas sabem o que é mesmo mau? É que, pudesse eu, provavelmente votaria no tipo...
Mas o melhor do documentário da Cristiana Grumbach {ver post anterior} foi a descoberta, num extra do DVD, desse fantástico personagem que é Riachão {de seu nome Clementino Rodrigues}. Ainda não explorei a sua música, mas adorei a cena do homem. E esta cartinha aqui em baixo é deliciosa!
Há uns dias vi esse documentário brasileiro que dá pelo nome de Morro da Conceição {2005} de Cristiana Grumbach. Assistente e discípula e amiga de Eduardo Coutinho, Cristiana tem já todos os seus defeitos nomeadamente o dos planos longos e disparatados, aquele lirismo deslocado, mas não vou dizer muito mal pois se não for Coutinho e os seus a fazerem disto ninguém o fará... Mas o que é isto? Isto é ir aos sítios mais esquecidos, marginais, em vias de, e filmar o que lá se passa. Sentar na frente de pessoas que ninguém se dá ao trabalho de conhecer e deixá-las falar por uns momentos. Pode nem ser grande coisa. Mas é sempre saboroso. Coutinho fê-lo uma vez com Edifício Master {2002} e Cristiana fá-lo agora com Morro da Conceição, esse belo e raro bairro carioca {que não posso deixar de visitar da próxima vez...}, ali entre a Candelária e o porto, esquecido, onde o tempo parece parado, tal como os portugueses que por lá restam...
É tão bom ter a oportunidade de poder ter um amigo que, de passagem por Lisboa, nos possa, por breves instantes, retirar deste torpor europeu onde aninhados nos embalamos, e nos possa falar de cidades que têm nomes improváveis, como Quito, que mais parecem saídas de romances distantes, onde o verde e o azul e a terra se misturam de maneiras que já esquecemos. Valeu Marcelo!
«Que o designer seja firme perante as suas convicções e temeroso perante as incertezas; que evite toda a prática não fiável. Deve ser amável com o cliente, respeitoso com os seus colegas, sensato nos seus prognósticos. Que seja humilde, digno, educado e piedoso; que não seja ganancioso com o dinheiro; que seja remunerado de acordo com o seu trabalho, os meios do cliente, a complexidade do caso e a sua própria dignidade.»
Isto é notável. São palavras do senhor Milton Glaser. E é exactamente aquilo que eu faço no meu dia-a-dia. E não estou a não ser humilde...
No outro dia disse {aqui} mal do Paul Newman e agora, passados alguns dias de mal-estar {não dá para dizer assim tão mal do homem, pois não?}, redimo-me e tiro-lhe o chapéu. A propósito do muito interessante Hud {1963} que vi recentemente no canal Hollywood. Ascoroso deluxe. Cinco estrelas.
Mas olha Inês, só para não te desapontar, que eu sei que agora ficaste um pouco mais interessada no mundo da bola {lol}, ficas a saber que o novo seleccionador da Holanda é o sr. Bert van Marwijk. Que se vista melhor que o sr. Marco van Basten e que traga a taça em 2010 são os meus votos. E a avaliar pelas fotografias, tem tudo para ser um winner... lol
Recentemente descobri que uma amiga minha de longa data {embora não nos vejamos regularmente} tinha um blog. Dei lá uma saltadela e depois linkei-a no meu blogroll dos amigos. Como seria de esperar, ela deu pela linkagem e decidiu passear no Anauel. A princípio não percebeu quem geria os destinos de semelhante jardim {ainda para mais tratando-se de uma amizade...} e esse desconhecimento baralhou-a. Mas quem seria a tipa? Sim, que a minha amiga não tinha dúvidas que se tratava de um blog de uma mulher. Mas uma tipa um tanto ou quanto doida, apercebeu-se mais tarde, ao deparar-se com um número largo de posts sobre bola... Acredito que as postagens sobre a guerra e o sangue e o metal sueco também a tenham baralhado um tanto ou quanto... Bom, feitas as contas, percorridas algumas áleas {palavra linda!}, a minha amiga lá acabou por perceber quem era o jardineiro e aqui o jardineiro só tem a acrescentar que é um prazer poder ser confundido/encarado/tomado por uma mulher. Sinal de que o trabalho anda a ser feito.
!?!?!?!?!?!?!?! PARA QUANDO EM PORTUGAL A SÉRIE TELEVISIVA THE WIRE !?!?!?!?!?!?!?!
Por favor, senhores executivos, what's the big fucking deal?, decidam-se, encham-se de coragem e deixem-nos curtir a série. Pleeeease! Há gente já com dores de tanto esperar...
The Wire {site oficial} The Wire {wiki} The Wire {entrevista de Nick Hornby a David Simon, criador do The Wire}
Engraçado como basta Federer deixar de ser o numero uno e passar a sofrer um pouco com as derrotas e as vitórias sofridas, para se tornar um jogador imediatamente mais interessante. Hoje à tarde deu grande prazer ver o jogo frente a Andreev, coisa rara em jogos com Federer. Mas, tal como se diz aqui, «a five-set battle reminds Roger Federer of the joy of tennis». Tipos perfeitos, perfeitos, perfeitos, dão-me arrepios de indiferença. Realmente, agora que abandonámos tempos recentes de recordes e de distâncias e fasquias cronometradas ao milímetro, só me dá vontade de exaltar os que vêm a seguir, aqueles que sabem um pouco mais para além do sabor do ouro. Hoje, os olhos de Federer eram já outros.