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sexta-feira, novembro 11, 2011

Quando já não houver chamas, mas apenas brasas...

É deixar cair, meus caros, é deixar cair. Um após o outro. Sem neuras. Até ao momento em que os "mercados" não vão ter mais ninguém a quem emprestar, de tanto recusarem. Nesse dia vão abrir a porta para ver o que se passa, para tentar perceber por que razão já ninguém bate mais à porta, e nós entraremos. E nos sentaremos todos à mesa. E brindaremos. E riremos de tanta parvoíce. De tanta inveja. De tanta ganância. De tanto ódio. E a isso se chama Amor.

quarta-feira, julho 20, 2011

Bons alemães



Também os há. Sempre os houve. E no dia em que se celebram {será?; e alguém celebra coisas destas?} os 67 anos passados sobre o atentado de Julho de 1944, deixo uma sugestão de serão. É ir ao Vuze e sacar o magnífico The Restless Conscience {1992}, de Hava Kohav Beller. É uma experiência muito boa. Garanto-vos. Gute Nacht!

sábado, janeiro 29, 2011

I had a dream last night

Imaginem que a Revolução de Jasmim tunisina leva ao desmoronamento do império de Mubarak, que daqui a onda segue rumo a Argel, deixando o califado de Khadafi de rastos, indo ainda roer por completo o reinado totalitário marroquino e, trabalhando no outro extremo do Mediterrâneo, ainda tem tempo e oportunidade para renovar regimes e vontades políticas em países como o Líbano, a Síria, a Jordânia, a Turquia... Eu imaginei isto ontem à noite. E vi, no final da tempestade, Israel, esse bastião da "democracia", facínora, envergonhada, isolada, finalmente vergada perante os seus próprios gestos. Talvez então...

sexta-feira, outubro 15, 2010

Portughole



Hoje de manhã vi algo que julgava estar já condenado à extinção {algo a que eu não assistia há muito}. Puro engano. Aquela típica imagem/descrição do país {de um certo país} com que cresci parece que ainda teima em persistir. Eram cinco. Cinco homens de colete reflector a abrir um buraco {na realidade, um buraquinho!} num passeio da Ferreira Borges. Um abria o buraquito, os outros quatro olhavam. As gajas, claro. De vez em quando um {dos mais novos, que nisto a idade é posto} dos que galavam dava um passo à frente, substituía o que estava no centro da roda e a custo, entre bocas várias, lá dava mais umas pauladas na terra. Mas o buraco é {parece ser} contínuo. E sendo somente um a cavar...

Por outro lado fez-se luz finalmente quanto aos cinco escudos azuis com as cinco pintas brancas... Nada mais {os escudos azuis} do que quatro papalvos observando um outro papalvo a cavar. E como cada português tem Portugal dentro de si {caramba, é ou não é isto um país de poetas?!} lá estão mais {as pintas brancas} quatro papalvos observando um outro papalvo a cavar dentro de cada um de nós. O português tem a {rara} capacidade de observar o cavar da sua própria sepultura enquanto a cava ele próprio. Cavamos a nossa própria sepultura ao assistirmos ao cavar da nossa própria sepultura. Como assistimos ao cavar da nossa própria sepultura só nos resta ajudar a cavar a nossa própria sepultura. Confuso? Malta, isto não é tão fácil como parece. E só um a cavar?! Vá lá, dêm aí uma ajudinha...

quinta-feira, março 04, 2010

Copinhos de leite...

Por razões profissionais tenho andado ultimamente às voltas com centenas de páginas de paleio sobre o 5 de Outubro e a Implantação da República. São cerca de 800 páginas escritas na primeira pessoa por alguns dos ilustres cidadãos, para não lhes chamar gandas'cromos, que nesses dias andaram aos tiros e à espadeirada pelas ruas da capital. Mais do que as intrigas, mais do que a bandalheira, sinceramente até mais do que a insistente pergunta «mas como é que estes tipos conseguiram alguma vez levar isto em diante e instaurar a dita República?!», o que mais me choca, no sentido de surpreender, o que mais me diz deste povo tonto e fracote é que, não um, não dois, não três, mas vários, vários mesmo, desses tipos, valorosos combatentes, a uns e dados momentos da contenda, achavam por bem, a fim de sossegar o espírito e o estômago, tragar uns copitos de... leite!


Aguardentes disto ou daquilo, vinho branco ou tinto, cerveja morna ou fria, traçados, rascantes, distilações caseiras, múltiplas opções poderiam ter regado as bocas sedentas daqueles combatentes. Mas... nada disso. A escolha fiel e segura era o leite. Decididamente, isto só faz lembrar, 100 anos depois, o notável «Come antes uma peça de fruta, que te faz melhor, rapaz».




É exigida uma rectificação. Afinal também houve lugar a libações. «Vim descendo para o acampamento, e pelo caminho reparei em diversos grupos de rapazolas que se entregavam a libações dentro das barracas, não se importando com os tiros que rebentavam por cima das nossas cabeças; entrei numa e confesso que não dei o tempo por mal empregado, pelo que gozei, chegando a rir com vontade dos chistes que ali dentro se diziam; dois rapazes, os tipos mais farsantes e excêntricos que em minha vida tenho encontrado, estavam por detrás do balcão dizendo chalaças e oferecendo vinho, sem exigirem dinheiro por ele. Tudo aquilo nos pertencia, podíamos fumar, comer e beber de graça.» Assim, sim.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

You can run but you cannot hide...

Bom, mas para não deixar o princípio do post anterior assim sem conclusão, sim, também eu concordo com que pessoas do mesmo sexo possam casar civilmente {e civilizadamente} neste país ou em qualquer outro. Mas, sim, também {?} eu acho que tal passo abre, como não pode deixar de abrir {e ontem já se falou nisso}, caminho ao casamento entre familiares ou à poligamia, ou ainda a quaisquer outras formas ainda mais "estranhas" e "bizarras" de duas {ou mais} pessoas se amarem que se possam imaginar. Assim é e assim deve ser. Desde que as premissas ontem apontadas como fundamentais sejam observadas {ser-se maior de idade e estar-se de livre vontade nessa relação} nada obsta à realização de qualquer forma de relação amorosa. Seja ela qual for e presumindo-se que realização aqui signifique casamento. Pena é que os defensores do sim de ontem não o tenham mencionado. Percebe-se que não o tenham feito {a luta é dura e renhida}. Mas é pena. Pois trazia mais verdade à discussão {o que é sempre bom} e talvez lhes desse um pouco mais da perspectiva da posição de quem se opõe. Isto porque a repulsa que muitos defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo possam sentir {e muitos a sentirão certamente} pelo casamento de um irmão com uma irmã {por exemplo} é basicamente a mesma que as pessoas que protestavam ontem à noite sentem pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo. Pois. Talvez então D.O. perceba o que os faz correr...


PS - Mas gostei muito, como não poderia deixar de ser, de ouvir MVA. Começou muito bem, com um discreto mea culpa, e acabou magnífico, sem hesitações, claro como a água – ou é a igualdade ou não é nada! Nem mais.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Can they...?

Amanhã começaremos a observar se a Obamerica vai mesmo começar a mudar ou se, à semelhança da Janine {ver post anterior}, apenas vai começar a perder peso... Embora, a mim, me cheire mesmo mais é a facelifting. A ver vamos.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Obama

Não me consigo emocionar com a eleição de Obama. Primeiro, porque o cargo é sujo por natureza e é ele que agora o preenche. É por isso legítimo perguntarmo-nos se será bom vermos alguém que estimamos e em quem depositamos esperança ocupar {é mais ser ocupado...} tal cargo. Além do mais, não acredito que Obama, só por si, chegue para limpar o cargo de tamanha herança {veremos quem se segue na lista de nomeações}. Segundo, porque aquilo que para muita gente parece ser já uma grande, enorme, vitória {black power!? mas andam a brincar?}, a eleição, para mim, é apenas o início. A coisa começa agora, ou não? Ou acham que acabou? O tipo já está eleito e nós já podemos dormir descansados? Não creio. Porque, terceiro, mais do que saber se ele é preto, ou se acabou, como se diz aqui, com a Guerra Civil norte-americana {está bem, está}, o que me interessa realmente saber é se ele é inteligente, competente, civilizado e honesto e, por conseguinte, saber: se ele vai anular o infame Patriot Act {é o vais}; se ele vai fechar Guantanamo e julgar em tribunais civilizados os seus detidos {deve ser, deve}; se ele vai finalmente classificar o waterboarding como uma forma de tortura e bani-la de uma vez por todas; se ele vai deixar de atacar países como tem sido, infelizmente, a tradição {mas essa vem de longe, não é?}; se ele vai deixar de se imiscuir nos assuntos internos dos mais variados países a sul do seu próprio país {ai, a tentação...}; se ele vai fazer algo de concreto para evitar que as corporations continuem a envenenar, nas mais variadas frentes, os seus próprios concidadãos {e muitos outros por tabela}; se ele sabe verdadeiramente ler as várias comunidades e sentimentos afro-americanos e, sabendo-o, representá-las e dar um passo em direcção ao apaziaguamento da brutal guerra racial que por lá se desenrola; se ele vai afirmar um dia legalize it! e reforma a DEA de uma vez por todas; se ele vai fazer a tal diferença no processo israelo-palestiniano {ou o sonho é só ao nível interno?; aqui já crescem dúvidas...}; se ele vai dar a mão à palmatória e admitir e corrigir o gigantesco erro que foi, e continua a ser, a invasão, bombardeamento e o infeliz dia-a-dia iraquiano; se ele vai, acima de tudo {e porque tudo é business, tudo é showbizz e ele sabe-o melhor que ninguém...}, pontapear nos tomates todo e qualquer CEO aldrabão, ganancioso e fora-da-lei. São muitos ses, caramba. E é por todas as respostas a estas interrogações estarem ainda tão longe, e por eu não acreditar que Obama tenha coragem, capacidade, oportunidade, suporte para as fornecer, que continuo sem conseguir emocionar-me com o homem e a sua eleição. Para mim, Obama é mais um porteiro contratado para abrir as portas desse enorme edifício que dá pelo nome de corporation. E, vistas bem as coisas, não há nada assim de tão histórico em contratar um preto para porteiro...


P.S. — Ainda bem que este blog apenas é lido por amigos, conhecidos e desconhecidos civilizados. Se não fosse assim ainda me arriscava a ter de ler comentários deste nível aqui. É certo que o tipo esticou-se mas ter de ler «Ó meu granda camafeu ignorante...» {Barack anónimus, lol} não deve ser fácil.

terça-feira, julho 22, 2008

Filmes em português

Sempre que vejo filmes brasileiros faço por me convencer de que me encontro a ver não filmes brasileiros mas, antes, filmes em português, numa escandalosa e horrrenda tentativa de usurpação, numa derradeira esperança de que o cinema português se reflicta, partilhe e vibre também um pouco às custas desse primo afastado que lhe escreve, de vez em quando, do outro lado do Atlântico. Nos últimos dias banhei-me um pouco mais nesse mar que é o cinema brasileiro. De uma assentada foram três Arnaldos Jabor, um Joaquim Pedro de Andrade e um exercício da mais pura propaganda espírita.


Toda Nudez Será Castigda {1973}, Eu Sei Que Vou Te Amar {1986} e Eu Te Amo {1981} foram os Jabor em causa. Toda Nudez Será Castigada é pura e simplesmente genial, do ponto de vista do guião, um texto original de Nelson Rodrigues, esse mestre dos amores truculentos. O filme cumpre, não desapontando o belíssimo texto que tem como base e chega mesmo a ter cenas muito boas mesmo. Certos momentos aqui e ali do Rio dos anos 70 e toda a cena decorrida dentro da cela prisional {por muito deslocada que possa parecer em relação ao tom do resto do filme} valem bem o filme; mesmo que numa cópia um tanto ou quanto manhosa {a que eu vi, pelo menos}. Um Paulo Porto muito bom, uma Darlene Glória sofrível e um fantástico Hugo Carvana {numa hilariante cena} também ajudam à festa. E, claro está, o melhor do filme, o ladrão boliviano! E mais não digo...

Eu Sei Que Vou Te Amar foi o segundo momento e, bem, hum..., quase me fez deitar tudo a perder... Não há pachorra, senhores. De tal maneira que até seguiu em andamento rápido, para a frente, até ao finalzinho do DVD só mesmo para ver se eles se matavam um ao outro no fim... Booooriiiiing!


Mas o Eu Te Amo, bem, esse, é uma pedra, uma doideira bem à maneira, um filmaço. Louco, louco. Nudez {de Paulo César Peréio, Sónia Braga e Vera Fischer} do princípio ao fim numa cornucópia de filmagens homevideo, luzes fluorescentes, sacanagem com frutas tropicais à mistura, negócios e amores falidos, facas apontadas à genitália; tudo remisturado numa fenomenal penthouse sobre a lagoa Rodrigo de Freitas. Tudo muito à la Brian de Palma meets Coppola?... e estou a pensar no Dressed To Kill e no One From The Heart {sendo que este é posterior...}. Maybe. Mas está muito bom, sim senhor. Um bom Jabor. Tenho ali ainda o Opinião Pública e o Tudo Bem para ver; que é para ver para onde vai pender o fiel da balança...


Depois vieram Os Inconfidentes {1972}, de Joaquim Pedro de Andrade, o homem por detrás de dois grandes filmes brasileiros – Garrincha, Alegria do Povo {1962} e Macunaíma {1969}. Que neste caso nos narra uma interessante abordagem ao episódio histórico de revolta contra o jugo lusitano por parte do famoso Tiradentes e seus compadres. História de gente cheia de ideais e de sonhos futuros que os troca num ápice por uma garantia de mais umas respirações nesta terrena existência. Em plena ditadura e cheio de plenas referências. Aposto que foi censurado até mais não e por muito tempo. A ver. Esteticamente muito interessante.

Ah, é verdade, falta a peça propagandística espírita... Bom, só tenho uma palavra para vosotros: Joelma, 23.º Andar. Delirante!