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sexta-feira, março 18, 2011

Recibo Verde me confesso...

Há já uns bons tempos que os Recibos Verdes andam pela rua da amargura. Alvo fácil de ataques constantes, de todos os quadrantes. Porque são isto, porque são aquilo, é uma injustiça, é um descalabro, uma falcatrua. Mas deviam ter mais cuidado com esses ataques, pois há quem se sinta incomodado com a situação. Eu, por exemplo. Não continuem, por favor, a insistir no erro de meter tudo no mesmo saco. Há que separar as águas. Nem tudo é igual. Nem tudo é ilegal. Se querem atacar as injustiças laborais, tudo bem, contem comigo. Atacar a Precariedade, sim senhor, vamos a isso. Mas daí a generalizar e a declarar guerra aos Recibos Verdes... Sinceramente, a mim chateia-me esta situação de todos os dias ouvir dizer mal dos Recibos Verdes. Há quem seja Recibo Verde com muito prazer. Eu sou. Foi a melhor coisa que me aconteceu. Deixem os Recibos Verdes em paz! Ataquem antes os Recibos Verdes Falsos, ataquem a Precariedade. Deixem os Recibos Verdes seguir o seu caminho. Tem sido, de resto, um caminho muito interessante. Agora até já são electrónicos... E não se esqueçam de colocar, muito importante!, o Falso no final. Ah, e já agora, não se esqueçam igualmente do e a seguir ao i, no meio de Precariedade... ;)


Já foi azulado, esverdeado, em escudos, em euros, com as mais variadas taxas e isenções,
e agora até é electrónico... mas continua a ser feio, feio, feio. 


quarta-feira, maio 28, 2008

Como não tenho nada para oferecer, vendo-me.

Mas nem tudo são coisas boas... {ainda estou a vibrar, desde ontem... wada, wada, wada} Não. Também há cenas tristes... Esta cidade está à venda. Já repararam? Nao há rua em Lisboa que não ostente miseravelmente uma ou duas plaquitas informando (quem?, pergunto-me) de que aquele andar, aquela cave, aquela loja, se encontra à venda. Não há nada mais triste do que uma cidade vazia e praticamente sem interesses, nada mais triste excepto uma cidade vazia e praticamente sem interesses que, ainda por cima, acha que é vendável, que alguém quer comprar... Este país, que já foi de merceeeiros, é agora um país de agentes da Remax {atenção, podia ser outra qualquer}. Eu bem os vejo, ali em frente, da minha janela, todos excitados com a perspectiva de irem colocar mais uma plaquinha. Saem pela fresquinha, lavadinhos, o odor do cigarro e do café misturados ainda presente, nos seus Smarts enfeitados. Estas plaquinhas que aqueles tipos engravatados à la Rui Santos vêem como a face visível de um incrível negócio a mim só me parecem as lápides de um qualquer cemitério. Esta cidade está-se a tornar num gigantesco cemitério. Como eu dizia ainda há pouco, há cenas tristes.


Fui agora mesmo à janela ver se via um agente certificado e vi, antes, um par de andorinhas pura e simplesmente deliciosas a sobrevoar as copas das árvores da avenida. Uma cidade vazia e praticamente sem interesses que, apesar de tudo, ainda mantém umas quantas andorinhas em jogos e floreados não está perdida de todo...

quarta-feira, março 19, 2008

Não se pode pedir mais...

Ler as memórias do marechal Soult enquanto se ouve as obras completas para cravo de Rameau, eis um belíssimo dia de trabalho sob um céu cinzento e chuvoso.