O pardal tailandês escolheu a Holanda. O polvo alemão escolheu a Espanha. Cada cabeça, sua sentença. Pois, para mim, não restam muitas dúvidas, a Holanda ganha. Vence. Pelo modo como as coisas andam, são eles, aqueles holandeses que lá para baixo foram, quem estão mais preparados, estimulados, mentalizados, esfomeados, estigmatizados, para cumprir com a função. A Espanha joga mais, no sentido de dar prazer a quem assiste? Sem sombra de dúvidas! Mas isso hoje não interessa, pois não? Ou já interessa novamente? Que me lembre – não me lembro! –, nunca o campeão foi aquela equipa que mais encantou. É como se fosse condição necessária... Miséria. Assim, a Holanda vai ganhar. Vai sofrer, vai fazer sofrer, vai tremer, vai colocar tudo no nervo, vai jogar feio, sujo até, vai fazer o que tem de ser feito. A Espanha {ainda} anda deslumbrada consigo mesma. A Holanda está convencida, cheia de si.
Embora esteja totalmente convencido de que a Espanha vai perder, bom, sempre há aquele 1% que nos diz que tudo é possível. Seria interessante, à falta de melhor termo, que a Espanha nos provasse, finalmente, a todos, que dá para ganhar campeonatos do mundo sem mudar o estilo em favor do cinismo. Sem atraiçoar toda uma cultura e um modo de viver o futebol. Se me dissessem — sei lá, um polvo, não, um esquilo num parque londrino –, que caso a Espanha ganhasse, e a lição final espelhada nessa vitória fosse essa, e que a Holanda a aprenderia humildemente, abnegadamente, eu até que apoiava a Espanha... O silêncio, contudo, é alarmante. Prefiro, pois, esperar, torcer, gritar, para que a Holanda ganhe o raio da taça. E que finalmente alguém ganhe o que Cruijff nunca ganhou. E que cosam a estrela nas camisas. E que se calem para sempre. E que se aprenda então que não vale a pena sofrer desta maneira.
PS — "A Holanda vai ganhar" não é bem o mesmo que "a Espanha vai perder", pois não? Tenho de pensar melhor nisto...
Há 12 anos