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quarta-feira, setembro 24, 2008
Ainda o defensor da grande pátria...
Apercebi-me no outro dia do que tanto me agrada em Hugo Chávez. Não são as boutades, nem os afrontamentos verbais ao Señor Peligro aka Mister Danger. Não são os ideais de esquerda, muito menos quando aplicados e ao serviço da visão da grande pátria em que, ele, Hugo "Bolivar" Chávez será o farol a mirar. Nem é o "Aló Presidente". Nem é o facto de ele ser muito mais inteligente e interessante do que a maior parte das pessoas está disposta a admitir. Também não é a profusão do vermelho. Não. O que verdadeiramente me agrada em Hugo Chavez é ele tornar visível aquilo que muitas vezes teima em permanecer invisível. Isto é, a falta de tolerância, a falta de bom senso, a falta de honestidade, por parte da Europa, dos EUA, do Ocidente esclarecido {presume-se}. A arrogância e a ignorância com que o Ocidente fala e aborda as questões venezuelanas, para não dizer mundiais {no sentido "do resto do mundo"}, são candidamente expostas pelos discursos de Chávez. Não pelas suas palavras, não pelo seu programa e conteúdo, mas antes pelas reacções às suas palavras. Não pelos seus gestos e grimaces, mas antes pelo asco e pela repulsa que despoletam. Porquê tanto ódio e tanta desconfiança perante o outro, aquele outro? Essa, sim, é a pergunta intrigante. Mais do que os porquês e comos da eleição de semelhante personagem. O abuso de poder, a idiotice desbragada, a prepotência, a falta de sentido das mais elementares noções de civilidade, e tantas outras falhas que usualmente lhe apontam, bom, eu descubro tudo isso e todas elas nos seus detractores. No fundo, o que Chávez me diz constantemente é «mira alrededor, Carlos». E eu olho, se olho.
terça-feira, setembro 16, 2008
E os ouvidos também...
E depois admiram-se que surjam, aqui e ali, e aqui, e ali, e ainda lá, ali mesmo, não vêem? {hão-de ver...}, uns tipos, ou ainda outros, que só tenham vontade de gritar {e enquanto for a gritar, tudo bem...}
VAYANSE AL CARAJO, CIEN VECES!
segunda-feira, novembro 26, 2007
Chávez (4)
.
O ponto, de resto, é muito simples: é cada vez mais difícil distinguir a democracia de outros regimes; é cada vez mais importante fazê-lo.
Nem mais. Mas será que está cada vez mais difícil distinguir a democracia de outros regimes devido às qualidades estranhas/inteligíveis/codificadas desses mesmos regimes, ou será, antes, que não as lemos, não as traduzimos, porque elas dão demasiado trabalho, ou mesmo porque elas colocam em cheque as nossas próprias democracias, as nossas próprias noções de Democracia? Ao longo dessa "discussão" que o Pedro Magalhães diz andar por aí, não raras vezes se menciona a definição de Democracia como sendo a voz/vontade do povo. Então, e a ser verdade o que dizem, porque não aceitam Chávez e o seu Governo? Ele é a expressão da vontade do povo. O povo que, às cegas por uma abusiva campanha mediática, e posto a salvo pelas televisões satélite e pela internet, saíu às ruas e desmascarou o golpe de direita. E recolocou Chávez em Miraflores. Pela segunda vez! Querem mais Democracia, isto é, vontade do povo, do que isto? Contudo...
Quantos países europeus aceitariam ser governados por uma clique oriunda de uma empresa privada de exploração de petróleo? Pois. Quantos países europeus aceitariam que a Direita do seu país instrumentalizasse um canal de televisão em seu favor? Pois. A deputada que no outro dia deu umas estaladas a um pivot de televisão é inaceitável, senão mesmo idiota? É. Mas e o que dizer de Fernando Ruas (que, diga-se, continua na vida política activa) que há pouco tempo incitava ao apedrejamento de certos funcionários públicos? Afinal também há idiotas por aqui. O Chávez é pouco fiável, aconselhável, um desastre? Pode ser que sim. Mas o nosso anterior Primeiro-Ministro não o era também? Personagens desastrosos e momentos tortuosos todas as Democracias os têm. Se nós (Ocidente) os podemos ter porque não os venezuelanos?
O ponto, de resto, é muito simples: é cada vez mais difícil distinguir a democracia de outros regimes; é cada vez mais importante fazê-lo.
Nem mais. Mas será que está cada vez mais difícil distinguir a democracia de outros regimes devido às qualidades estranhas/inteligíveis/codificadas desses mesmos regimes, ou será, antes, que não as lemos, não as traduzimos, porque elas dão demasiado trabalho, ou mesmo porque elas colocam em cheque as nossas próprias democracias, as nossas próprias noções de Democracia? Ao longo dessa "discussão" que o Pedro Magalhães diz andar por aí, não raras vezes se menciona a definição de Democracia como sendo a voz/vontade do povo. Então, e a ser verdade o que dizem, porque não aceitam Chávez e o seu Governo? Ele é a expressão da vontade do povo. O povo que, às cegas por uma abusiva campanha mediática, e posto a salvo pelas televisões satélite e pela internet, saíu às ruas e desmascarou o golpe de direita. E recolocou Chávez em Miraflores. Pela segunda vez! Querem mais Democracia, isto é, vontade do povo, do que isto? Contudo...
Quantos países europeus aceitariam ser governados por uma clique oriunda de uma empresa privada de exploração de petróleo? Pois. Quantos países europeus aceitariam que a Direita do seu país instrumentalizasse um canal de televisão em seu favor? Pois. A deputada que no outro dia deu umas estaladas a um pivot de televisão é inaceitável, senão mesmo idiota? É. Mas e o que dizer de Fernando Ruas (que, diga-se, continua na vida política activa) que há pouco tempo incitava ao apedrejamento de certos funcionários públicos? Afinal também há idiotas por aqui. O Chávez é pouco fiável, aconselhável, um desastre? Pode ser que sim. Mas o nosso anterior Primeiro-Ministro não o era também? Personagens desastrosos e momentos tortuosos todas as Democracias os têm. Se nós (Ocidente) os podemos ter porque não os venezuelanos?
quinta-feira, novembro 22, 2007
Chávez (3)
Chavez: Inside the Coup (2003), documentário de Kim Bartley e Donnacha O'Briain.
Há já uns meses que tento comprar este documentário mas não anda fácil. Nem no eBay (em bootleg version) se encontra actualmente. No Youtube, pelo contrário, embora difícil, encontra-se disponível em várias partes. Aqui ficam as possíveis (faltam 2 partes; prometo completar se possível). Aconselho vivamente, pois, que visionem os vídeos abaixo.
parte 1
parte 2
parte 3
parte 4
parte 5
(em falta; é pena, pois nesta, pelo que me contaram, assiste-se a uma interessante reunião do Governo golpista na qual fica escancarada a falta de legitimidade e responsabilidade democrática por parte do mesmo)
parte 6
parte 7
(em falta; o final do documentário)
Posto isto, só apetece dizer que só não vê quem não quer ver. Todas as recentes reacções e discussões acerca de Chávez e da Venezuela são reféns da falta de uma visão ampla e aberta à diferença, talvez da falta de um pensamento mestiço (aqui). Sim, estamos reféns das nossas ideias e ideais de Democracia. Como criadores da mesma (achamos nós) saímos em sua defesa à semelhança das bandas que saiem em defesa da sua música querendo com isso, e por isso, cercear a partilha de mp3 e afins. Democracia com royalties? Isso é um absurdo! Que olhemos para a Venezuela, ou outros locais por aí fora, e não nos revejamos, não nos identifiquemos, isso não deve ser um problema. Se o é, talvez esteja na altura de olharmos para nós próprios e identificarmos a razão pela qual não conseguimos deixar parte considerável do planeta viver em paz, ou em guerra se tal for a vontade. Nós (e está na altura de dizer, para os mais distraídos, que nós é o chamado Ocidente) aceitamos com muita dificuldade outros modelos de governação, outras dinâmicas de viver a vida, e isso é triste e redutor. Para nós mesmos. Olhando o documentário irlandês facilmente dá para ver que não sabemos (não queremos saber) da missa a metade. Mas a metade que nos servem basta?
[O meu agradecimento a kbcmighty pelos vídeos / Thanks to kbcmighty for the videos]
Há já uns meses que tento comprar este documentário mas não anda fácil. Nem no eBay (em bootleg version) se encontra actualmente. No Youtube, pelo contrário, embora difícil, encontra-se disponível em várias partes. Aqui ficam as possíveis (faltam 2 partes; prometo completar se possível). Aconselho vivamente, pois, que visionem os vídeos abaixo.
parte 1
parte 2
parte 3
parte 4
parte 5
(em falta; é pena, pois nesta, pelo que me contaram, assiste-se a uma interessante reunião do Governo golpista na qual fica escancarada a falta de legitimidade e responsabilidade democrática por parte do mesmo)
parte 6
parte 7
(em falta; o final do documentário)
Posto isto, só apetece dizer que só não vê quem não quer ver. Todas as recentes reacções e discussões acerca de Chávez e da Venezuela são reféns da falta de uma visão ampla e aberta à diferença, talvez da falta de um pensamento mestiço (aqui). Sim, estamos reféns das nossas ideias e ideais de Democracia. Como criadores da mesma (achamos nós) saímos em sua defesa à semelhança das bandas que saiem em defesa da sua música querendo com isso, e por isso, cercear a partilha de mp3 e afins. Democracia com royalties? Isso é um absurdo! Que olhemos para a Venezuela, ou outros locais por aí fora, e não nos revejamos, não nos identifiquemos, isso não deve ser um problema. Se o é, talvez esteja na altura de olharmos para nós próprios e identificarmos a razão pela qual não conseguimos deixar parte considerável do planeta viver em paz, ou em guerra se tal for a vontade. Nós (e está na altura de dizer, para os mais distraídos, que nós é o chamado Ocidente) aceitamos com muita dificuldade outros modelos de governação, outras dinâmicas de viver a vida, e isso é triste e redutor. Para nós mesmos. Olhando o documentário irlandês facilmente dá para ver que não sabemos (não queremos saber) da missa a metade. Mas a metade que nos servem basta?
[O meu agradecimento a kbcmighty pelos vídeos / Thanks to kbcmighty for the videos]
quarta-feira, novembro 21, 2007
terça-feira, novembro 20, 2007
Chávez
Eu gosto de Hugo Chávez. Gosto de tipos que despertam ódios e rancores como aqueles a que tenho assistido recentemente. Um tipo que chateia àquele ponto o Rei de Espanha (que não passa de um idiota, convenhamos) só pode ter piada. E poder. E tomates. Aliás, toparam o tamanho dos mesmos durante a conversa com o Primeiro-Ministro Sócrates, hoje à tarde, em São Bento? Aquilo sim, eram uns tomates e tanto! Aquela visão era mesmo perturbante... Que se lixe o Bourbon, viva Chávez! E, sim, ele tem razão quando diz que o Rei não está habituado a muita coisa...
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