Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Gentrificação

A gentrificação mete-me nojo. A palavra, o processo, o motivo. É um termo tão abjecto que, mal o oiço, só me lembro de Endlösung. Hoje descobri {aqui} este pequeno documentário sobre o fim anunciado do Bairro da Luz em São Paulo. Triste.








"Die Jugend Marschiert", década de 1930.

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Pantera Negra

São 70 anos! É muito ano. Se colocados, lado a lado, com os 108 anos do Glorioso, ainda pesam mais. Dois colossos. Os dois de parabéns.




"The Invisible Mountain", The Invisible Mountain, Horseback, 2009.



{E não esquecer que há 8 anos atrás morria, neste mesmo dia, em pleno relvado, perante os nossos olhos, Miklós Fehér. RIP.}

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Xalela



Será mesmo preciso dizer mais algo?

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

Terça-feira, Janeiro 17, 2012

KYLESA

Daqui a dois dias bem que podia ser assim. Mesmo sem o "Scapegoat" {como é que é possível!?!?!}. E desde que a senhorita Laura Pleasants vá de cor-de-rosa {New York Dolls, lindo!}, claro está. E desde que a desvitalização do meu molar amanhã corra tranquilamente, ainda mais claro está...

Domingo, Janeiro 01, 2012

2012!

Sábado, Dezembro 31, 2011

2012?

Vila Viçosa



Vila Viçosa tem a extraordinária capacidade de nos entregar à luz com o mesmo à-vontade com que nos coloca perante a ausência da mesma. Mais do que a famosa refracção deste Alentejo calcinado, é esta dualidade, esta oscilação, que mais me fascina. De um momento para o outro a luz implacável do Sol {mesmo na última semana do ano} dá lugar à penumbra mais inesperada. As salas e salões do Paço Ducal acrescentam tons de preto aos múltiplos brancos {incluíndo certos azuis} das vielas lá fora. O desfilar do mármore é serenamente interrompido pela luz coada e modular dos interiores {do restaurante "Ouro Branco", por exemplo}. Pontos de luz intensa, branca, partindo de um céu azul vibrante, perfuram o casulo gélido e obscuro que é o entrelaçado de salas e torreões do Castelo. Vila Viçosa diz-nos uma coisa, mas mostra-nos outra. Ou mostra-nos uma coisa e diz-nos outra, não sei bem. Será isso o ser-se viçoso?

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Um ano entre linhas...



Comecei 2011 a ler o The Bell Jar e acabei 2011 a ler o The Catcher in the Rye. Foi, portanto, um belo ano, o de 2011. A sério. Belíssimo ano! Não podia começar, nem acabar, melhor. Bless you Plath, bless you Salinger.

You don't say...

Domingo, Dezembro 04, 2011

Óbito

19 de Fevereiro, 1954 – 04 de Dezembro, 2011

 
  «A primeira selecção que apoiei foi a do Brasil de Sócrates e companhia. Era forçoso que assim fosse, pode dizer-se, uma vez que o meu primeiro Mundial foi o de 1982, o do Naranjito, em Espanha. Foi nesse ano que acompanhei com algum interesse {difícil saber o quanto}, pela primeira vez, um acontecimento desta natureza. O Euro de 1980 {em Itália} e o Mundial de 1978 {na Argentina} passaram-me ao lado, mas o Naranjito cativou-me {e como não?} e despertou-me para esta realidade dos países, com exércitos de 11, em grupos de 4 e depois em eliminatórias a doer, todos com um único objectivo, o de erguer a taça. Bom, as regras eram estas e estavam entendidas, mas faltava-me algo. Torcer por alguém. Portugal não estava lá {embora figure na caderneta dos cromos de então...}, mas eu queria na mesma jogar aquele jogo. Logo, era preciso torcer por outro alguém. E o Brasil pareceu-me a solução óbvia, ou possível, ou alguém mo suspirou? E naquela altura, do alto dos meus 11 aninhos, eu convenci-me de que aquela era uma turma especial. Fiquei hipnotizado. Não sei se era o azul e o amarelo, se a barba do Sócrates {eu diria que é impossível ficar indiferente a um jogador de barba...}, se era aquele ar doidão do Falcão, se a magia do Zico, mas aqueles eram decididamente os meus tipos. Para quem, como eu, começava naquele momento a admirar aqueles duelos colectivos, aquelas guerras pacíficas {ou nem tanto}, aquele Brasil era a escolha óbvia. E naquele fatídico jogo frente a Paolo Rossi {nunca um hat-trick, numa altura em que nem sequer sabia que tal coisa existia, me soube tão mal...} eu saboreei o amargo da derrota, a injustiça injustificável. Foi um baptismo terrível. Ali começava a minha devoção ao mundo da bola e ali eu chorei pela primeira vez por causa de um resultado de um jogo de futebol. Encontrava-me de férias no hotel da Torralta {o amarelinho; o mesmo amarelinho do escrete...} na serra da Estrela com o meu pai, nunca me esquecerei. Vi o jogo dentro do hotel, numa televisão na sala de estar, em silêncio, angustiado. Terminado o jogo, fui dar uns toques de bola, na relva, lá fora, com o meu pai. Sempre em silêncio. Aguentando em surdina algo de muito estranho para mim. Até que rebentei e chorei como a criança que era. É isto que guardo daquele que foi, provavelmente, o melhor escrete canarinho de sempre. A minha primeira selecção, como as primeiras escolhas?, foi efémera e amarga...»

Sábado, Dezembro 03, 2011

"Grupo da Morte"

No Europeu de 2004, a Holanda ficou no grupo da Alemanha, da República Checa e da Lituânia.
No Mundial de 2006, a Holanda ficou no grupo da Argentina, da Costa do Marfim e da Sérvia.
No Europeu de 2008, a Holanda ficou no grupo a Itália, da França e da Roménia.
Todos estes grupos foram, na altura, considerados o "grupo da morte". A Holanda está, pois, mais do que habituada ao chamado "grupo da morte".

No Europeu de 2012 {Ucrânia/Polónia}, a Holanda ficou no grupo da Dinamarca, da Alemanha e de... Portugal. Ter Portugal no chamado "grupo da morte" adiciona, de facto, nova densidade, novo sentido, ao termo "morte".

Tanto a Dinamarca como a Alemanha adversários de longa data da Holanda, com rivalidades há muito firmadas {no caso da Alemanha basta lembrar 1974, 1988 e, bem, há 15 dias atrás... :( }, mas apesar de tudo bem equilibrados. Já com Portugal...

Vejamos. Frente à Dinamarca, em 30 jogos, contam-se 12 vitórias, 10 empates e 8 derrotas. Frente à Alemanha, em 37 jogos, contam-se 10 vitórias, 13 empates e 14 derrotas. Mas frente a Portugal, em 10 jogos, a Holanda ganhou 1, empatou 3 e perdeu 6. Se isto não é mau, não sei o que seja. Desde o jogo nas Antas, sob chuva torrencial, em Outubro de 1990 – o primeiro jogo de sempre entre as duas selecções – até ao jogo de Junho de 2006, ainda hoje {tristemente} lembrado como a "batalha de Nuremberga" – o último jogo entre as duas selecções até à data – o saldo tem sido francamente negativo para o lado laranja. Não são só as derrotas em si, mas as derrotas que foram. Dessas 6 derrotas: a última eliminou a Holanda nos oitavos-de-final no Mundial de 2006; a penúltima eliminou a Holanda nas meias-finais do Europeu de 2004; e a antepenúltima {com a ajuda de um terrível empate a 2} não qualificou a Holanda para o Mundial de 2002. Não são jogos banais. São jogos decisivos. E Portugal tem levado sempre a melhor.

Mas, parafraseando o meu avô {em contexto absurdamente distinto}, «Isto vai!».

Sexta-feira, Dezembro 02, 2011

I'm loving it, I'm loving it, I'm loving it...

Acabo de descobrir este novo projecto liderado por Jonathan Wilson {o autor desta bela obra}. Quem grama a trama e o drama sobre a grama, não deve perder a oportunidade. Puta revista!


E, sim, por vezes, os golos são mesmo sobrevalorizados. Um adolescente {no caso, Gabriele Marcotti; ver número dois da revista}, sozinho em casa, de joelhos no chão da sala, agitando-se freneticamente, para a frente e para trás, olhos fechados, ouvindo o relato dos penalties do ItáliaxArgentina em 1990 vale tanto {ou mesmo mais} que o golo do Schillaci no ItáliaxUruguai desse mesmo torneio.

Terça-feira, Novembro 22, 2011

Sexta-feira, Novembro 11, 2011

Quando já não houver chamas, mas apenas brasas...

É deixar cair, meus caros, é deixar cair. Um após o outro. Sem neuras. Até ao momento em que os "mercados" não vão ter mais ninguém a quem emprestar, de tanto recusarem. Nesse dia vão abrir a porta para ver o que se passa, para tentar perceber por que razão já ninguém bate mais à porta, e nós entraremos. E nos sentaremos todos à mesa. E brindaremos. E riremos de tanta parvoíce. De tanta inveja. De tanta ganância. De tanto ódio. E a isso se chama Amor.

Quarta-feira, Outubro 19, 2011

À atenção do sr. Gaspar...

Dá cá 1, toma lá 1.027...



Eu percebo perfeitamente que aquele pessoal ali para os lados de Gaza não se possa dar ao luxo de recusar trocas destas, os tempos não estão fáceis, mas a meu ver isto é uma absoluta vergonha. Para uns e outros parece ser uma alegria, as televisões e os jornais fazem grandes parangonas, as famílias e as brigadas agradecem, mas eu só tiro uma única conclusão: para quem tivesse dúvidas, uma vida israelita vale, de facto, 1.027 vidas dos "outros". Triste miséria...


{Os números assim por extenso não têm o mesmo impacto {é clicar, senhores, é clicar} que ao vivo e a cores, pois não?}

Segunda-feira, Outubro 17, 2011

Obaço



Este homem é um anormal. Um perigo. Uma besta. Um filho-da-puta. Um criminoso. Tenho {grandes} amigos que se incomodam {visivelmente} quando {quando} me expresso nestes termos. A mim incomoda-me {imenso} que a eles lhes incomode assim tanto. Não consigo entender onde lhes toca esta minha agressão. Work in progress as usual...

Se é pelos termos, se é por mim, bom, caramba, sim, por vezes exagero, so what? Se é pela personagem, e imagino que seja {fosse o Putin, um Bokassa da vida ou o Alberto João Jardim e não se incomodariam tanto}, então não entendo mesmo. E olhem que nem é pessoal. É mesmo o cargo. Não há presidentes dos EUA bons. Period.

Domingo, Outubro 16, 2011

Quanto valem 99% de 99%?

O mais trágico no meio disto tudo é que me parece que o real problema não está no 1%. Mas sim nos 99%. Mais concretamente nos 99% dos 99%. Se é indesmentível que 1% dos 100% andam a escavacar o planeta, também me parece inegável que apenas 1% dos 99% se dão conta disso. Daí o termo trágico inicial. Bem podemos {sim, passe a imodéstia, aqui considero-me 1%ista} pregar, gritar, apedrejar, escrever, sair à rua, cuspir, indignar, que os 99% dos 99% continuam adormecidos. Inquietos, mas adormecidos. Ínsones. Dolentes. Com apenas a força de vontade de 1% dos 99% e com a "ajuda" dos 99% dos 99% vai ser difícil... Mas como dizia o meu avô {em contexto absurdamente oposto}, «Isto vai!».

Sexta-feira, Outubro 14, 2011

15 de Outubro



Amanhã a indignação sai à rua. Eu nunca alinhei com os indignados da vida. Chateiam-me os indignados deste país, porque geralmente passam por poetas. Mas a poesia não choraminga. Com os precários também não vou à bola. Há que ter cuidado com as palavras. E geralmente escrevem muito mal. Aos esquerdalhos conheço-os bem. Sim, do pêcê ao bloco gritam e defendem as ditas causas. Muitas merecem mesmo quem as grite e as defenda, é certo. Mas o grau de organização, muitas vezes a raiar o terrorismo, sempre tão maniqueísta, não me move. No fundo, para ser sincero, não tenho tido o hábito, a pachorra, a vontade, o impulso, das passeatas. Muito menos com estas companhias. Porque um saco de batatas será sempre um saco de batatas. E muita batatada surge sempre nestas ocasiões. E a batata engorda... E porque não consigo estar contra. E estar contra é condição. E é tão fácil estar contra. Só que faz muito mal à saúde, vos garanto.

Mas como dizia, e bem, o meu amigo Gonçalo no outro dia, amanhã não há como não sair. Mesmo contrariado, mesmo sabendo que muito disparate vai ser gritado ao horizonte, não há como não sair. Vou lixado com as desigualdades, vou entristecido com a falta de respeito e consideração de cima para baixo, vou inquieto com a falta de energia e de mundo deste triste país que dá pelo nome de Portugal, vou a pensar nas falcatruas e em como elas teimam em persistir, vou piurço com o facto de má gestão e a fraca qualidade dos políticos portugueses terem como consequência evidente uma redução significativa no erário familiar, e vou com este enorme incómodo na mente {perdoem-me, bem sei que é bizarro, mas não me sai da cabeça}, aquele que me diz que mais de metade do pessoal que ali vou encontrar amanhã ainda há uma semana atrás chorava e velava um dos mais bem sucedidos CEOs do mundo... Há coisas do arco-da-velha. Mas vou. Tenho de ir. Não há como não ir.

Segunda-feira, Setembro 19, 2011

Quinta-feira, Setembro 15, 2011

Een kunstmatige berg...?!


{adoraria ver isto tornado realidade, um dia... via Pruned}

Domingo, Setembro 11, 2011

Lengalenga

Eu onzedesetembro,
Tu onzedesetembras,
Ele(a) onzedesetembra,
Nós onzedesetembramos,
Vós onzedesetembrais,
Ele(a)s onzedesetembram...

Quarta-feira, Agosto 31, 2011

Sad, but true...

«As I drive around the country, I meet strangers and we talk of war. We list the ways each war defined its generation in a particular way, how some wars seemed righteous, others felt shameful, and other wars are just abstract blips in our news feed. Each war. Because we’re always fighting somewhere. Today I think America is defined by the way in which its citizens ignore its wars.»

From the always amazing blog Big American Night.

Sábado, Agosto 20, 2011

A8

Backinbusiness...

Sábado, Julho 30, 2011

A8

Vazembóra...

Domingo, Julho 24, 2011

Lengalenga

Eu expludo,
Tu explodes,
Ele(a) explode,
Nós explodimos,
Vós explodis,
Ele(a)s explodem...

Ai, ai, ai, ai, eu não sou o teu capacho...



Paul Revere and the Raiders


The Monkees


The Merton Parkas


The Vicious White Kids


Minor Threat


Cryptic Slaughter


"(I'm Not Your) Steppin' Stone" (wiki)

Quinta-feira, Julho 21, 2011

Westerns from the seventies

Mais precisamente 3. Mais concretamente de 1972, todos. Provavelmente, o melhor ano {tendo em conta o volume} em matéria de westerns. Sem sombra de dúvida, a melhor década. Obras-primas dos anos setenta como Pat Garret and Billy the Kid ou The Hired Hand ou Giù la Testa, todos eles elevados a filmes de culto, não têm lugar aqui. Não, hoje apenas há lugar para westerns obscuros, daqueles que ficarão para sempre à espera. Não percam a oportunidade. É mergulhar no maravilhoso mar dos torrents e dedicar o fim-de-semana que aí vem à poeira, ao mau whiskey, à pradaria, ao cuspo em barda, ao tziiiiing-tziiiiing e a uma belas de umas frases bem ditas, aqui e ali, ao som dos grilos.

The Culpepper Cattle Co. {1972}, de Dick Richards.

Dirty Little Billy {1972}, de Stan Dragoti.

Bad Company {1972}, de Robert Benton.



Quarta-feira, Julho 20, 2011

Bons alemães



Também os há. Sempre os houve. E no dia em que se celebram {será?; e alguém celebra coisas destas?} os 67 anos passados sobre o atentado de Julho de 1944, deixo uma sugestão de serão. É ir ao Vuze e sacar o magnífico The Restless Conscience {1992}, de Hava Kohav Beller. É uma experiência muito boa. Garanto-vos. Gute Nacht!