domingo, fevereiro 22, 2009

Ainda Sócrates...

«Agora, eu não acredito em vitória. Nem em sucesso. É tudo especulação. Nós somos frágeis, somos fracos, somos carentes. Todos nós. Existem sobrevidas. Mas a maior parte da vida é de carência, sofrimento, dor, de ir buscar um monte de coisa que a gente não conquistou. E conquistar não quer dizer ganhar, não quer dizer ter sucesso. Conquistar é aquilo que lhe dá prazer, que lhe faz bem, que lhe dá felicidade. Eu não acredito nesse discurso da sociedade contemporânea, tudo voltado para a Ilha de Caras. Falsidade do caralho. Mostram coisas muito bonitas, muito ricas. Se você pegar a maior parte das pessoas que tiram foto naquela revista, elas não estão em casa. Na casa delas é muito mais difícil. A vida é muito maior do que o sucesso. A vida é real, cara. A casa delas é que vale, é onde elas choram.»

É por estas e por outras que este tipo é um senhor com S grande! Mais outras numa gostosa entrevista dada por Sócrates à revista Boemia.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Sócrates Brasileiro

Ontem foi o aniversário deste "barbas", de seu nome Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Desde já os meus parabéns {mesmo que atrasados} a esse grande homem que ajudou a mudar a minha vida para sempre. Mal eu sabia... Apetece-me relembrar as minhas próprias palavras {escritas aqui em Junho do ano passado, por ocasião do Euro2008} a propósito desse capitão barbudo e do escrete canarinho de 1982.

«A primeira selecção que apoiei foi a do Brasil de Sócrates e companhia. Era forçoso que assim fosse, pode dizer-se, uma vez que o meu primeiro Mundial foi o de 1982, o do Naranjito, em Espanha. Foi nesse ano que acompanhei com algum interesse {difícil saber o quanto}, pela primeira vez, um acontecimento desta natureza. O Euro de 1980 {em Itália} e o Mundial de 1978 {na Argentina} passaram-me ao lado, mas o Naranjito cativou-me {e como não?} e despertou-me para esta realidade dos países, com exércitos de 11, em grupos de 4 e depois em eliminatórias a doer, todos com um único objectivo, o de erguer a taça. Bom, as regras eram estas e estavam entendidas, mas faltava-me algo. Torcer por alguém. Portugal não estava lá {embora figure na caderneta dos cromos de então...}, mas eu queria na mesma jogar aquele jogo. Logo, era preciso torcer por outro alguém. E o Brasil pareceu-me a solução óbvia, ou possível, ou alguém mo suspirou? E naquela altura, do alto dos meus 11 aninhos, eu convenci-me de que aquela era uma turma especial. Fiquei hipnotizado. Não sei se era o azul e o amarelo, se a barba do Sócrates {eu diria que é impossível ficar indiferente a um jogador de barba...}, se era aquele ar doidão do Falcão, se a magia do Zico, mas aqueles eram decididamente os meus tipos. Para quem, como eu, começava naquele momento a admirar aqueles duelos colectivos, aquelas guerras pacíficas {ou nem tanto}, aquele Brasil era a escolha óbvia. E naquele fatídico jogo frente a Paolo Rossi {nunca um hat-trick, numa altura em que nem sequer sabia que tal coisa existia, me soube tão mal...} eu saboreei o amargo da derrota, a injustiça injustificável. Foi um baptismo terrível. Ali começava a minha devoção ao mundo da bola e ali eu chorei pela primeira vez por causa de um resultado de um jogo de futebol. Encontrava-me de férias no hotel da Torralta {o amarelinho; o mesmo amarelinho do escrete...} na serra da Estrela com o meu pai, nunca me esquecerei. Vi o jogo dentro do hotel, numa televisão na sala de estar, em silêncio, angustiado. Terminado o jogo, fui dar uns toques de bola, na relva, lá fora, com o meu pai. Sempre em silêncio. Aguentando em surdina algo de muito estranho para mim. Até que rebentei e chorei como a criança que era. É isto que guardo daquele que foi, provavelmente, o melhor escrete canarinho de sempre. A minha primeira selecção, como as primeiras escolhas?, foi efémera e amarga...»

A fotografia e a indicação do seu aniversário foram prestadas pelo botequim imaginário do Bruno Ribeiro. O meu agradecimento e o conselho geral de lá darem uma saltada, que valerá sempre a pena.

Mitos urbanos {#1}

O homem da direita não é o homem da esquerda. O homem da esquerda não é o homem da direita. Metam isto nas vossas cabeças de uma vez por todas. Safa!

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

A Morte da Perdiz {uma novela radiofónica}

Belíssimo momento de rádio, hoje ao princípio da noite na TSF. Repete daqui a meia hora, ao início de sexta-feira. Ou então directamente aqui, na fonte, a qualquer hora.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Óbito

Kathleen Byron
11 de Janeiro, 1921 – 18 de Janeiro, 2009



Como foi aqui que me dei conta da morte da sister Ruth, faço então minhas as simples mas certeiras palavras de Luís Miguel Oliveira — «Não sei se são mais admiráveis os actores que espalharam a sua imortalidade por cinquenta filmes se aqueles que a concentraram apenas num. Como Kathleen Byron, a freira alucinada do Black Narcissus.»

Lenin

Fantástico!
{mais aqui}

You can run but you cannot hide...

Bom, mas para não deixar o princípio do post anterior assim sem conclusão, sim, também eu concordo com que pessoas do mesmo sexo possam casar civilmente {e civilizadamente} neste país ou em qualquer outro. Mas, sim, também {?} eu acho que tal passo abre, como não pode deixar de abrir {e ontem já se falou nisso}, caminho ao casamento entre familiares ou à poligamia, ou ainda a quaisquer outras formas ainda mais "estranhas" e "bizarras" de duas {ou mais} pessoas se amarem que se possam imaginar. Assim é e assim deve ser. Desde que as premissas ontem apontadas como fundamentais sejam observadas {ser-se maior de idade e estar-se de livre vontade nessa relação} nada obsta à realização de qualquer forma de relação amorosa. Seja ela qual for e presumindo-se que realização aqui signifique casamento. Pena é que os defensores do sim de ontem não o tenham mencionado. Percebe-se que não o tenham feito {a luta é dura e renhida}. Mas é pena. Pois trazia mais verdade à discussão {o que é sempre bom} e talvez lhes desse um pouco mais da perspectiva da posição de quem se opõe. Isto porque a repulsa que muitos defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo possam sentir {e muitos a sentirão certamente} pelo casamento de um irmão com uma irmã {por exemplo} é basicamente a mesma que as pessoas que protestavam ontem à noite sentem pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo. Pois. Talvez então D.O. perceba o que os faz correr...


PS - Mas gostei muito, como não poderia deixar de ser, de ouvir MVA. Começou muito bem, com um discreto mea culpa, e acabou magnífico, sem hesitações, claro como a água – ou é a igualdade ou não é nada! Nem mais.

May the Lucas Arts be with you...

Estava eu a preparar-me para mandar umas achegas ao debate de ontem à noite {sim, esse; porque se as segundas são da Fátima, as terças são dos bloggers...} quando, ao passar pelo Nascer do Sol, me deparei com algo bem mais importante, bem mais intenso, bem mais premente. Falo das memórias que o Lourenço ali partilhou connosco acerca da sua relação {amorosa?, poderei aventar} com o jogo Monkey Island e a sua respectiva evolução ao longo dos anos. E de como essas memórias despertaram em mim outras aventuras similares, algumas delas também na companhia do "pirata" Guybrush, mas essencialmente aquelas vividas com dois dos pares mais geniais da história dos jogos de computadores {aviso já que sou leigo na matéria; acredito que possa haver outros tão intensos como estes, mas estes eu conheço-os e bem}, isto é, com a parelha Manny Calavera e Meche {do absurdamente genial Grim Fandango} e com a parelha Ben e Maureen {do seminal Full Throttle}. Corriam os meados dos anos 90 e a Lucas Arts brindava-nos com estes maravilhosos jogos, onde o texto era rei, os enigmas {alguns bem lixados} eram o pico da actividade, os gráficos, bem, eram o que eram e o som era do melhor, autêntica banda sonora. Só estes ingredientes {só uma equipa muito boa por detrás da coisa} poderiam ajudar a ultrapassar aqueles ecrãs estupidamente convexos, aqueles discos rígidos diminutos que carburavam juntamente com placas gráficas limitadas e nos permitiam entrar pela noite dentro, sem descansar enquanto não descobríssemos como enxotar aqueles malditos pombos do terraço do arranha-céus. Belos momentos. Obrigado Lourenço.

Grim Fandango trailer.


Full Throttle trailer.



PS - Foda-se, será possível que eu tivesse usado a palavra seminal lá atrás? Damn!

A/c da Alexandra

Fantasias envolvendo o Harvey Keitel são sempre de encorajar. Podem dar muito errado ou podem dar muito certo... mas nunca se devem deixar passar ao lado.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Life is great. Without it you'd be dead.

Gummo. Sicko. Wacko. Psycho. Jesus. Pain. Hatred. Whoooa! Pervert. Bitch. Butch. Faggot. Kill. Arian blood. Jobless. Deadend. Time. Glue. Tape. Bullet. Laugh. Godforsaken shithole. Laugh. Tornado. Laugh. Incest. Kill. Bestiality. Slayer. Crime. Liquor. Disease. Pestilence. Bugs. Niggas? Well, you know, I just don't lik'em. Poison. Blow me. Bacon. Youth. Geriatrics. Dementia. Garbage. Sugar. Smokes. Petrol. Gas. Drunk and Drive. Midnight Hour. Voyeur. Tap dancer. Fascinating. Intoxicating. Horrifying. Life changing. Puta filme, dir-se-ia nos trópicos.



Nem que fosse pelo prazer de rever Linda Manz. Já não a adolescente revoltada de Out of the Blue, mas antes uma spaced out mom que faz sapateado com um par de sapatos quatro números acima numa cave cheia de desespero {e um filho incapaz de lhe devolver um sorriso}.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

The Happening

Digam lá o que disserem, e muito têm dito, uma coisa é certa – estivesse Hitchcock vivo {ou tivesse ele nascido mais tarde} e era algo de muito parecido com isto {para não dizer precisamente isto} que ele teria filmado. Este fotograma acima poderia muito bem ser retirado de um filme dele. Não há muitos {não me lembro de mais nenhum...} realizadores que possam ser considerados como a personificação {reencarnação?} de Alfred Hitchcock. Shyamalan pode. Só isto bastaria.

A grande questão é – tendo tanto de bom, tendo tanto de absolutamente intenso e perturbador, tendo tanto de tão incrivelmente bem filmado, tendo tanto de som, imagem e respiração tão bem misturados, tendo tanto de grandes momentos, grandes imagens, grandes stills {a jeffwallização no seu melhor!} , porque, então, não é o The Happening {2008} um grande filme? Tipo, um grande filme mesmo. Atrevo-me a pensar que pela simples razão de Shyamalan não ter tido a coragem {que, de resto, também Hitchcock alguma vez teria...} de matar toda a gente no final. Aquele filme pedia o desastre total, a ausência de tréguas. Houve ali certamente muito compromise. É pena. Perdeu-se um grande filme.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Alquimia

The Pirate Bay, Vuze {formerly Azureus}, P2P, BitTorrent, Opensubtitles, AVI, DIVX, SRT, Subtitle Creator, Btjunkie e tantos outros estão a mudar a minha vida. Não esquecendo, naturalmente, todos esses seeders e leechers por esse mundo fora. O meu bem-hajam desde já! Os caprichos cinéfilos, a pesquisa elaborada, a procura mais estranha, a "formação" da criança mais velha, o revisitar velhos momentos e emoções, tudo isto agora é mais possível, mais certo, mais ali à distância de um click. E isso é bom, muito bom. Razão tinha o meu amigo Rui ao afirmar que eu só tinha de colocar os meus padrões de qualidade um pouco de lado e tirar o maior proveito da coisa. Foi o que fiz, é o que estou a fazer; só tenho de me controlar um pouquinho {como sempre, de resto} que isto parece já estar a começar a perder o pé... Feitas as contas, toda esta monstruosa base de dados de película transmutada em bits digitais acabou por matar um blog que eu cá tenho. Mas eu não me importo, pois na realidade cheira-me que ele sempre foi um nado-morto...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Não flanempoastrarás!

Como eu entendo o Alexandre...

A minha sugestão é Flanempoastrar.
Ex.: «Ontem flanempoastrei com o Júlio e divertimo-nos imenso!».
A fusão forçada de flanar {Rua Garrett oblige}, empoar {estão sempre tão bonito(a)s} e castrar {aquilo que sempre acontece aos tipos que calmamente pretendem ir ver as novidades na secção dos DVDs}.

Mais. Proponho a quem por aqui passe {na falta de caixinha de comentários por aqueles lados...} que contribua com sugestões.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Ausländer Raus!


«Mas como a bola é ominipresente e omnipotente, acabo por escrever sobre os euros oriundos dos negócios escuros de leste que a partir de ontem parecem valer mais do que os euros dos papalvos lusitanos. Pois, parece que o homem se vai pirar a seguir ao Euro2008 para terras de Sua Majestade. Estou mortinho por vê-lo aguentar-se à brocha com aquela imprensa cocksucker {esta ele já deve saber dizer...} a morder-lhe as canelas a propósito de toda e qualquer decisão {ou não decisão} que o brasileiro fascista protagonizar. Só mesmo um russo novo-rico e ignorante e um clube pequeno como o Chelsea para acharem que isto vai dar bom resultado...» {lido aqui mesmo em 12 de Junho de 2008; mas esta, na realidade, era fácil de adivinhar...}

Sieg Heil!

E não há por aí nenhum zarolho maneta que coloque uma pasta armadilhada ao pés deste tipo?