terça-feira, março 31, 2009

De útrás a kreppa é só um instantinho...

Belíssima reportagem de João Moreira Salles sobre a recente perda da inocência da Islândia, e dos islandeses, e da sua atribulada aventura financeira, cultural e social. Uma história absolutamente fantástica, que daria sem sombra de dúvida um belíssimo romance {e não páro de pensar que Michel Tournier seria ideal para tal empresa}.

Ah, claro, e onde é que se pode ler tal peça de jornalismo à maneira? Na Piauí, como não podia deixar de ser. Vale mesmo a pena. É só seguir o link. A Piauí actualmente exige registo no site para se poder ler certos artigos, mas é gratuito e vale bem o esforço.

quinta-feira, março 26, 2009

WWWOOOOOOOOOOOOOWWWWW!!!!!!!!













O cunhadão trouxe-me um CD com buédacenasbuédaloucas lá dentro, mas estes é que me estão a encher as medidas!!! Quero ver!!! No final de Maio passam por Madrid e Barcelona. será possível que ninguém os traga até cá?!? Pleeeeaase! Vá lá...

{Crystal Antlers – myspace}

domingo, março 22, 2009

Safa!

Angelina Jolie, Madonna, Marilyn Monroe, Ava Gardner, Grace Kelly, Sophia Loren. Tudo tipas que ilustraram, languidamente, lascivamente, elegantemente, badalhocamente, as últimas entradas da rubrica "Eu hoje acordei assim..." desse blog inexplicável que dá pelo nome de Bomba Inteligente. É por tal que não deixa de ser extremamente curioso, para não dizer altamente desonesto, ouvir {agora mesmo, na Rádio Europa} a senhora Quevedo lançar postas de pescada contra a pretensa perda de moral da sociedade contemporânea, vergada que está perante o aspecto, os looks vários, enfim, a ditadura da imagem. Ele há cada uma...

sexta-feira, março 20, 2009

Ó pai, ó pai...

É impressão minha ou este ano o Dia do Pai ganhou uma dimensão anormalmente grande? A quantidade de blogs {alguns tão insuspeitos que até me surpreenderam...} que por aí fora fizeram questão de assinalar o dito dia é imensa. O ano passado este dia passou, mais ou menos, ao lado. Há dois atrás, não me dei ao trabalho de averiguar, mas suspeito que ainda mais em claro ficou. Explicação possível? Deve ser da crise... {já se sabe que quando a coisa aperta só resta o pai}. Ou será da histeria em torno do bicentenário de Darwin?


Pequena nota: Eu sou o que se poderia considerar um filho desnaturado. Nunca liguei muito a sério a este dia, bem pelo contrário; este ano até o deixei passar... Mas uma coisa é certa. Como não pensar no meu pai diariamente quando olho para a "minha" Júlia e só o vejo a ele, e à mãe dele, e ao pai dele?

quarta-feira, março 18, 2009

The Virgin Prunes

Esta conversa à volta dos Easterhouse – dos quais, diga-se em abono da verdade, nunca gostei muito; devo tê-los ouvido intensamente durante um mês ou dois à conta do camarada Alvim... – levou-me, inexplicavelmente?, a uma outra banda, essa sim, também dos idos de 80 {acabaram em 1986} mas da qual gostei muito, muito, muito. The Virgin Prunes, uma daquelas bandas que terei sempre pena de nunca ter visto em concerto. Mas, que se dane, sempre temos o YouTube...













Mas o melhor mesmo é um dos múltiplos comentários que se podem encontrar no YouTube – «my mom loved them in high school and she went to one of there concerts and they spit on her and kick her in the face haha»

terça-feira, março 17, 2009

Twisted

Isto aqui é mesmo verdade. Por aqui também é motivo para indagação. Aqui a resposta também ainda não chegou. Eu junto-me ao grupo e, para além de não perceber qual a verdadeira intenção, logo qual o interesse, do Twitter, pergunto-me – porquê a cena dos 140 bytes/caracteres? Não podiam ser menos? Faz-me lembrar as palavras do fascista do Steve Jobs, que quando indagado acerca do desinteresse da Apple em competir com o Kindle respondeu «people don't read anymore». Porque será?

Além do mais, se o Twitter fosse a ferramenta oficial como é que o Daniel me faria relembrar os sons desses comunas dos idos de 80?

Ah, e este post tem exactamente 551 caracteres. Toma!

Osmose?

As personagens do post anterior fizeram-me lembrar as mesas do poder fotografadas há uns anos por outra artista/fotógrafa holandesa, de seu nome Jacqueline Hassink. Lembrei-me dessas mesas porque não deixo de pensar em como serão as reuniões de direcção da Ordem dos Notários... lol. E de como olho para essas mesas com o mesmo fascínio com que olho estes tabeliães. Pessoas e objectos sofrerão as mesmas alterações quando expostas a cenários e ambientes de poder?


Este filminho não revela nem um centésimo da força das fotografias de Hassink, nem mostra o resto do interessantíssimo projecto, mas é o que há...

segunda-feira, março 16, 2009

Tabeliães

Preciso de um documento autenticado por um notário. Dou uma vista de olhos na internet a ver se há uma lista dos notários em Lisboa. Vou dar com o website da Ordem dos Notários. E descubro que a Rineke Dijkstra deu mais uma saltada a Portugal...



Estas fotografias dos membros da direcção da Ordem dos Notários não estão, pasmem-se, ou talvez não, assinadas; não são, claro está, da Rineke Dijkstra mas são um assombro. Adoro-as pura e simplesmente.

PS — Ah, e cliquem nelas, por favor; explorem-nas ao máximo.

sábado, março 14, 2009

ZÁS, SMAS, PÁS

Ouvir a Ana afirmar, na televisão, que trabalhar no atendimento ao público nos SMAS lhe fez muito bem, sim senhora, foi algo de muito interessante.

domingo, março 08, 2009

Some people never go crazy. What truly horrible lives they must lead.

Poucos filmes podem gabar-se de resistir desta maneira a 22 anos de vida. Esta história toda em redor do The Wrestler fez-me querer rever esse long time no see que é Barfly. Vi-o {há 22 anos...} com o camarada Serafim, na sala 3 do King, munidos de uma garrafa de aguardente de figo {caseira, feita pelo pai de um colega nosso}, e saímos para a luz assassina de um fim de tarde de Verão, Avenida de Roma abaixo, com uma das mais estranhas bebedeiras da minha vida. É estupendo como passados 22 anos este filme continua fresco, honesto, bem disposto, com uma energia rara. Diálogos do caraças, ambientes à maneira {as rajadas de luz de cada vez que alguém entra nos bares são geniais!}, um Rourke do melhor, um par de pernas como não há muitos {e fossem só as pernas... long live Faye!}, o irmão do Stallone {lindo!} e o grande Jack Nance; sem dúvida, o melhor Schroeder de todos. Grande filme.


PS – Bom, é verdade que não há grande pachorra para a lamechice à volta da tontinha da editora de poesia, a Tully Sorensen. Mas, ainda assim, um grande filme.

Mitos urbanos {#2}

Não se iluda quem acha que é um sinal positivo o facto de Portugal ser o 4.º país da União Europeia com as menores desigualdades entre homens e mulheres ao nível dos valores salariais. Tal não significa que a igualdade é maior, apenas significa que os homens portugueses são, regra geral, mal pagos.

quarta-feira, março 04, 2009

Olha, olha, a minha primeira corrente...

Finalmente, uma corrente atravessou-se no meu caminho. Esta eu já conhecia, tem já algum tempo, mas por fim deu volta tal que me bateu à porta. Ora bem, boa, eis então a 5.ª frase completa, da página 161, do livro mais à mão, a saber, Os Irmãos Himmler {Katrin Himmler, 2005}.

«Alguns meses mais tarde compraram uma casa em Berlim Dahlem, onde a família viveu durante os anos seguintes.»

E lanço a corrente aos seguintes blogs: Il Miglior Fabro, The Ressabiator, Animais Domésticos e Histórias do Brasil e Stalker {que é para internacionalizar a coisa...}.

domingo, fevereiro 22, 2009

O Amor é...

Esta discussão em redor do casamento entre pessoas do mesmo sexo tem sido muito interessante. A mim agrada-me este tipo de situação em que a discussão de um tema, de uma causa fracturante como alguns gostam tanto de afirmar, não nos deixa em paz durante uns tempos. No sentido em que enquanto o tema é debatido vão sendo levantadas questões íntimas, que nos confrontam com preconceitos que desconhecíamos {em nós e nos outros}, que nos fazem questionar ideias e posições tidas como certas {ou erradas}. E queremos, e procuramos, respostas. E depois há coisas que lemos e ouvimos e que nos fazem confusão, que nos fazem torcer o nariz.

Nada tenho contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se o Governo de Sócrates o aprovar, tudo bem. Se Pacheco Pereira e os seus amiguinhos levaram em diante o infâme referendo, também. Levanto-me e vou votar {a favor, note-se}. Se do casamento decorrer a adopção {como, de resto, deve decorrer}, na boa. Adoptem. Se querem saber, até com o maior medo dos opositores – falo, claro está, da extinção a longo prazo da populaça {absurdo dos absurdos} – eu não tenho problemas. Extinga-se. Quem disse que temos de ficar por aqui eternamente?

Mas tenho questões, ai tenho, tenho. E estas prendem-se com duas situações, a saber, o casamento poligâmico e o casamento incestuoso. [Aliás, antes mesmo de entrar pelo assunto dentro, permitam-me a sugestão de que daqui em diante se substitua o termo "casamento incestuoso" por "casamento entre familiares". Porque se se entende {e eu passei a entender} que se deve falar de "casamento entre pessoas do mesmo sexo" e não de "casamento homossexual", então... Casamento entre familiares it is.] Mais, também não consigo entender o argumento {que é, de resto, utilizado para rebater a comparação com estas duas outras formas de casamento} de que a homossexualidade é uma "orientação sexual" e não uma "opção sexual". Em suma, uma questão identitária. Como tal, diferente da poligamia e do incesto.

Eu vi o "Prós & Contras" de uma ponta à outra {pela primeira vez, note-se}, tenho andado pela blogosfeira, oiço e leio aqui e ali, acompanho por alto a discussão. E fui notando que havia ali algo de comum a eles todos {os apoiantes do casamento entre pessoas do mesmo sexo} no discurso, nos conceitos que abordavam, até no modo como os defendiam. Como se tivessem lido o mesmo manual antes de iniciarem os debates, como se estivessem todos afinados por uma mesma bitola. Havia ali uma concordância {para além do tema propriamente dito, claro está} que me soava estranha. Pois há uns dias atrás, o MVA deu-me a perceber a origem de tal metrónomo ao mencionar e postar o parecer jurídico "Um símbolo como bem juridicamente protegido" de Pedro Múrias {descarregar aqui}. Estava encontrado o cerne da coisa, desta estranheza. Era este o documento, a palavra. Saquei-o da net e li-o. Como não tenho problemas com a questão de fundo, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e as suas consequências, absti-me de ler atentamente as questões legais, jurídicas, etc. da questão e centrei-me praticamente naquilo que dizia respeito às minhas dúvidas, isto é, aquilo que no parecer são denominadas por analogias inevitáveis. Note-se, desde já, a ausência de uma analogia inevitável, mas aqui "esquecida", que é a do casamento poligâmico. Mas atentemos às outras {e todas as citações são do citado parecer}.

1.ª analogia
«A semelhança entre a «questão» do casamento civil e a «questão» do casamento entre pessoas do mesmo sexo sugere, é claro, uma outra analogia. Uma eventual supressão do casamento civil, hoje, quiçá num «regresso às origens» da figura, seria uma amputação gratuita de um direito fundamental. A negação do casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma amputação idêntica. Entre o surgimento do casamento civil e o do casamento gay ou lésbico há, entretanto, a diferença histórica de mais de um século. O que foi político e, inclusive, revolucionário, é agora assente e constitucional. O casamento homossexual é apenas o último estádio do casamento civil.»
Como se pode pretender, assim tão peremptoriamente, que este seja o último estádio do casamento civil? Parece-me extremamente abusivo. Além de redutor. Não há nada mais além?

2.ª analogia
«Mais importante é a analogia entre a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a proibição do casamento entre pessoas de raças diferentes. A homologia dos argumentos históricos e possíveis e das explicações aceitáveis chega aos pormenores mais ínfimos. Em ambos os casos, a proibição resulta, sociologicamente falando, de um preconceito estabelecido e de uma atitude de distinção opressiva de grupos de pessoas. O racismo, num caso, a homofobia, no outro.»

«Por seu lado, o racismo e a homofobia são em si mesmos homólogos absolutos. São sistemas de opressão com um passado e algum presente de violência extrema, estruturados, na sua forma prototípica, através da identificação indelével de grupos de pessoas consideradas piores e repugnantes.»

Se o argumento anterior me parecia abusivo e redutor, este parece-me mesmo absurdo e causa-me estupor. Comparar sexo {sexo, relações e apetites sexuais; não é género} e raça/etnia vai além da minha compreensão. Estão mesmo a falar sério?


3.ª analogia
«A analogia é invocada pelos opositores do casamento homossexual no sentido de que, tal como a proibição do incesto é constitucionalmente válida, também a proibição do casamento homossexual assim seria. Por outras palavras, se a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo fosse inconstitucional, teríamos de concluir pelo absurdo de também a proibição do incesto o ser.»

«O incesto promove juízos negativos sobre actos, só mediatamente sobre as pessoas que os praticam, ao contrário do racismo e da homofobia. Simetricamente, mas mais importante, um afecto incestuoso não é uma condição identitária, ao contrário da raça e da orientação sexual. A orientação sexual, como a etnia, identifica cada pessoa como membro de um grupo socialmente distinto e permanece, tendencialmente, ao longo de toda a vida dessa pessoa. Faz parte daquilo a que cada um chama a sua natureza. A autocensura de um amor incestuoso corresponde ao juízo de que se comete um erro; a autocensura de um amor homossexual corresponderia ao juízo de que se é um erro.»

Outra vez a raça e o sexo... E esta implicação com o termo orientação como sendo antípoda do termo opção. Orientação, orientação, orientação. A mim parece-me nitidamente uma opção. Mais levada a sério, mais levada levianamente, mas sempre opção. Eu conheço pessoas que viviam uma relação heterossexual e passaram a viver uma relação homossexual. Conheço pessoas que viviam uma relação homossexual e passaram a viver uma relação heterossexual. E quando falo em viver uma relação, falo em viver debaixo do mesmo tecto, partilhar a cama, as refeições e as contas ao fim do mês. Até os filhos. Nunca vi, ou soube, ou consigo imaginar sequer, casos semelhantes implicando a raça/etnia... Mas depois vem o parecer jurídico e reforça a ideia de... natureza!? Tipo "não tenho palavras, é mais forte do que eu...»? E o que será isso do grupo socialmente distinto? Terá um alimentação também ela distinta, tipo a comida kosher dos judeus? Sinceramente, não entendo.

«O incesto é tema literário e académico, não é objecto de perseguições organizadas nem bandeira de movimentos reivindicativos.»
Tema literário e académico? Não foi em tempo a homossexualidade entendida nestes termos? Não aprendemos nada? Os polígamos e familiares enamorados deste mundo não estão organizados em movimentos reivindicativos? Porque será...? Bom, é como diz o parecer: «Não se discute o casamento entre pessoas no mesmo sexo na Arábia Saudita, nem na Inglaterra vitoriana. Numa sociedade em que a identidade homossexual e as relações amorosas homossexuais forem vistas como a mais natural das coisas, tal como a identidade e as relações amorosas heterossexuais, o casamento para ambos os grupos será um produto esperável.» {substitua-se "homossexual" por "polígamo", p. ex.}

Volto a lembrar que uma quarta analogia, a do casamento poligâmico, foi deixada de lado pelo parecer. Continuo sem saber porquê. Bom, até percebo. É verdade que os movimentos LGBT não têm que andar a defender os interesses e as lutas de outros grupos e movimentos {inexistentes, latentes ou em vias de organização}. É verdade. Mas também seria desejável que não os segregassem de modo a poderem levar as suas causas avante. Não aceitar que a poligamia e o casamento entre familiares possam ter a ver com esta discussão é errado e pouco honesto.

De modo a finalizar a minha posição e as minhas dúvidas, eis novamente as palavras do parecer: «A importância do casamento é a ligação indissociável deste, na cultura que temos, aos factores emocionais decisivos referidos ao longo do parecer. A limitação do acesso ao casamento é a supressão de uma possibilidade de sucesso emocional. A proibição do casamento homossexual viola, pois, o direito ao livre desenvolvimento da personalidade e o art. 26.º, n.º 1, da Constituição». É por acreditar que o que interessa aqui é o tal sucesso emocional e o tal livre desenvolvimento da personalidade, e por acreditar que o amor toma as formas mais díspares, que não posso concordar com o "afastamento" do casamento entre familiares e do casamento poligâmico da discussão. São formas de relacionamento amoroso tão legítimas quanto as que estão agora em debate. Desde que – e friso sempre e com convicção estas duas condições inatacáveis – se verifique que as partes são {1} maiores de idade e que estão {2} de livre vontade na relação. Verificadas estas condições, o que poderá obstar ao casamento de duas {ou mais} pessoas, do mesmo ou de sexos diferentes?

Ainda Sócrates...

«Agora, eu não acredito em vitória. Nem em sucesso. É tudo especulação. Nós somos frágeis, somos fracos, somos carentes. Todos nós. Existem sobrevidas. Mas a maior parte da vida é de carência, sofrimento, dor, de ir buscar um monte de coisa que a gente não conquistou. E conquistar não quer dizer ganhar, não quer dizer ter sucesso. Conquistar é aquilo que lhe dá prazer, que lhe faz bem, que lhe dá felicidade. Eu não acredito nesse discurso da sociedade contemporânea, tudo voltado para a Ilha de Caras. Falsidade do caralho. Mostram coisas muito bonitas, muito ricas. Se você pegar a maior parte das pessoas que tiram foto naquela revista, elas não estão em casa. Na casa delas é muito mais difícil. A vida é muito maior do que o sucesso. A vida é real, cara. A casa delas é que vale, é onde elas choram.»

É por estas e por outras que este tipo é um senhor com S grande! Mais outras numa gostosa entrevista dada por Sócrates à revista Boemia.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Sócrates Brasileiro

Ontem foi o aniversário deste "barbas", de seu nome Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Desde já os meus parabéns {mesmo que atrasados} a esse grande homem que ajudou a mudar a minha vida para sempre. Mal eu sabia... Apetece-me relembrar as minhas próprias palavras {escritas aqui em Junho do ano passado, por ocasião do Euro2008} a propósito desse capitão barbudo e do escrete canarinho de 1982.

«A primeira selecção que apoiei foi a do Brasil de Sócrates e companhia. Era forçoso que assim fosse, pode dizer-se, uma vez que o meu primeiro Mundial foi o de 1982, o do Naranjito, em Espanha. Foi nesse ano que acompanhei com algum interesse {difícil saber o quanto}, pela primeira vez, um acontecimento desta natureza. O Euro de 1980 {em Itália} e o Mundial de 1978 {na Argentina} passaram-me ao lado, mas o Naranjito cativou-me {e como não?} e despertou-me para esta realidade dos países, com exércitos de 11, em grupos de 4 e depois em eliminatórias a doer, todos com um único objectivo, o de erguer a taça. Bom, as regras eram estas e estavam entendidas, mas faltava-me algo. Torcer por alguém. Portugal não estava lá {embora figure na caderneta dos cromos de então...}, mas eu queria na mesma jogar aquele jogo. Logo, era preciso torcer por outro alguém. E o Brasil pareceu-me a solução óbvia, ou possível, ou alguém mo suspirou? E naquela altura, do alto dos meus 11 aninhos, eu convenci-me de que aquela era uma turma especial. Fiquei hipnotizado. Não sei se era o azul e o amarelo, se a barba do Sócrates {eu diria que é impossível ficar indiferente a um jogador de barba...}, se era aquele ar doidão do Falcão, se a magia do Zico, mas aqueles eram decididamente os meus tipos. Para quem, como eu, começava naquele momento a admirar aqueles duelos colectivos, aquelas guerras pacíficas {ou nem tanto}, aquele Brasil era a escolha óbvia. E naquele fatídico jogo frente a Paolo Rossi {nunca um hat-trick, numa altura em que nem sequer sabia que tal coisa existia, me soube tão mal...} eu saboreei o amargo da derrota, a injustiça injustificável. Foi um baptismo terrível. Ali começava a minha devoção ao mundo da bola e ali eu chorei pela primeira vez por causa de um resultado de um jogo de futebol. Encontrava-me de férias no hotel da Torralta {o amarelinho; o mesmo amarelinho do escrete...} na serra da Estrela com o meu pai, nunca me esquecerei. Vi o jogo dentro do hotel, numa televisão na sala de estar, em silêncio, angustiado. Terminado o jogo, fui dar uns toques de bola, na relva, lá fora, com o meu pai. Sempre em silêncio. Aguentando em surdina algo de muito estranho para mim. Até que rebentei e chorei como a criança que era. É isto que guardo daquele que foi, provavelmente, o melhor escrete canarinho de sempre. A minha primeira selecção, como as primeiras escolhas?, foi efémera e amarga...»

A fotografia e a indicação do seu aniversário foram prestadas pelo botequim imaginário do Bruno Ribeiro. O meu agradecimento e o conselho geral de lá darem uma saltada, que valerá sempre a pena.