sábado, junho 20, 2009

Massa adiposa

No último ano, mais coisa menos coisa, ganhei uma pança. Ou será apanhei? Calhou-me? Apanhou-me? Seja como for, também não é bem uma pança, talvez uma pancinha. É mais que um pneu, mas não atinge ainda proporções dramáticas. Será aquilo a que as mulheres geralmente se referem como sendo a barriga, «ganhei uma barriga»? O facto é que altera-me o sentido da prumada. Afasta-me das minhas t-shirts, ao afastá-las de mim, do meu umbigo. Cria-me ali em baixo uma camada de ar que não reconheço, um espaço estranho, um vazio que eu não criei. E o que dizer daquele reflexo nas montras, nos passeios? É melhor não dizer nada... E pesa-me na coluna, caramba. Mas o mais chato mesmo é ela não falar comigo. Não sei o que quer de mim, não sei o tenho a aprender com ela. Só me lembro do talk-to-me-i'm-bored do Seinfeld, mas do que se trata mesmo é de um silêncio chato, chato. E não me serve o argumento da idade, da vida sedentária, da falta de exercício dos últimos tempos. Muita gente vegeta para aí em vidas desregradas e, contudo, mantém a "forma". Não, ela está aí porque tem algo a dizer. Mas não a oiço. Estou incapaz de a ouvir. Eu não a odeio, mas, de facto, também não a quero ali. E não querer aqui uma coisa que aqui está, regra geral, dá asneira. Estranheza. De momento.