quinta-feira, janeiro 31, 2008

Briljant!

E como hoje faz anos a koningin deixo aqui dois dos seus súbditos, achados agora mesmo totalmente por acaso (como se o acaso existisse...). Um "jardineiro" e um "fotógrafo". A morte, a decomposição, o castanho, a dor, tudo numa mescla chamada vida. Brilhantes!

Piet Oudolf
(ver um interessante artigo do NYT aqui)

Erwin Olaf
(ver catálogo na galeria que o representa aqui)

«Hum, hum, e qual é o n.º da porta...?»

Ontem passei no 4.º D e deparei-me com este post superinteressante. Hoje voltei lá e topei que os contributos são já numerosos, e que só aumentam o interesse. Engraçado como algo que sempre achei (na realidade, não se pensa lá muito nisso, pois não?) ser tão pacífico, algo que imaginaria ter 3 ou 4 modelos, é afinal um mundo de soluções. A solução japonesa, essa então, parece-me mesmo à japonês, ou seja, uma loucura pegada. Eu cá sei muito bem quem não desejaria ser carteiro no Japão...

Pretige verjaardagen!

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Esta senhora faz hoje 70 anos de idade. Como hoje também é dia de Anauel, estão ambos de parabéns!

Foto retirada do site oficial da casa real holandesa. © RVD

Ó Português... mas quihorrô... ai, ai, ai...

O meu amigo Serafim, quem sabe incomodado com o tom do desabafo do post anterior, e como gosta de defender os desgraçadinhos... lol, ou se na mesma tónica, não percebi bem, enviou-me esta gravação do Tom Zé em 1968. Pois, para mim, apenas vem dar música ao argumento. Além do mais, só me lembra, com um misto de saudade e de raiva, um certo português que tem uma quitanda bem no Largo dos Guimarães em Santa Teresa, no Rio de Janeiro... Ah, portuga de um raio! E como eu gostava de poder deixar aqui uma foto dele e da sua quitanda... Vocês iam ver...








[Para quem tem Firefox e não vê/ouve nada aqui em cima é favor clicar aqui...]

terça-feira, janeiro 29, 2008

E não se pode "fechá-los" a todos?

Como já quase não compro jornais, há muito que não vejo telejornais e, de alguma maneira, ganhei alergia ao Gato Fedorento, não dei na altura por esta situação (e já lá vão muitos, muitos meses!). Mas hoje dei de caras com estes filminhos (deprimentes). Um verdadeiro, o outro parodiando o original. O primeiro é o Portugal do costume (só não vê quem não quer; se as bandeirinhas estão à janela alguém as pôs lá...), o segundo uma rábula bastante boa do Ricardo Araújo Pereira, fazendo, por vezes, lembrar o nonsense do saudoso Mário Viegas ou mesmo o E Não Se Pode Exterminá-lo? do Jorge Silva Melo. Quem não viu, deve ver. Há sempre uma primeira vez.





Como se vê o problema não está no fecho dos centros de saúde (como, de resto, e um pouco para meu espanto, parece ser a tónica do segundo filme). O problema está mesmo é nos Portugueses. No seu analfabetismo crónico, na sua ignorância endémica. Mas como esses não dá para fechar, não há outra solução senão aturá-los. Aturarmo-nos uns aos outros, eis a nossa sina. E ainda dizem mal do Sócrates, o que mais nos atura...


Pequena correcção – Afinal este episódio não tem meses, mas sim dias. Os meses que eu tinha lido, erradamente, referiam-se à data de adesão ao Youtube por parte do tipo que tinha postado o filme... Assim sendo, já não me sinto tão mal por não ter dado conta disto tudo, assim sendo acredito que tal não me passaria despercebido... infelizmente, claro.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

FREE MAGENTA !

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Se isto não fosse tão triste, tão idiota, tão inaceitável, tão desesperadamente demente, até que dava para rir. E anda a malta, aqui no burgo, preocupada com o facto de as bolas de berlim passarem a vir embrulhadas individualmente...

[clicar na imagem para ir ao site da Lava Design e tentar perceber um pouco melhor a história. Tem uma versão em inglês.]

domingo, janeiro 27, 2008

A 8 (não, não é a autoestrada...)

Já não são 7, nem 10, nem 11. Afinal são 8. E assim vai a vidinha...

Picadeiro

Hoje, depois de uma belíssima aula em cima do Aladino (em mais um baptismo bem sucedido), ao preparar-me para me ir embora, desloquei-me ao interior do picadeiro para depositar o meu stick e, ali, sozinho, perante um picadeiro vazio, de areia revolta (ainda (ou já) com uma ou duas aulas em cima), mas vazio, cheiros e emoções passadas, bem distantes, memórias vivas de um tempo em que menino pisei picadeiros entretanto esquecidos, vieram, em catadupa, à minha presença. Ali, hoje de manhã, um domingo. Um picadeiro vazio ostenta uma poderosa camada de história, luz e som que poucos locais (quando vazios) ostentam. Na realidade, um picadeiro vazio é algo que não existe. Um picadeiro é um ser vivo(*) que se exercita quando cheio e que retoma energias quando vazio, mas sempre, sempre respirando e marcando o tempo. Quando vazio, retira-se, introspecto, e mantém-se em vigília. Quando penetrei nele hoje de manhã, ele sobresaltou-se ligeiramente e iniciou um processo de sussurros. Falou comigo e eu escutei-o. É difícil não ouvir o silêncio de um picadeiro, um silêncio composto de luz (se o corpo humano é 70% de água, um picadeiro é 70% de luz), de insterstícios (da madeira? de outra matéria?), de movimento quasiperpétuo, circular, em serpentina, a passo, a riso (ou choro). E se um picadeiro em descanso tiver (como hoje teve), aqui e ali, como que a marcar um tempo ou um ritmo, como se de um metrónomo dos seus sinais vitais se tratasse, o chilrear feliz e cristalino de um pardal, bem, aí tanto melhor. Bênçãos!


(*) A propósito desta noção de um espaço ser como um ser vivo e de necessitar de momentos de acção e de descanso, vêm-me à memória as excelentes palavras do arquitecto paisagista holandês Dirk Sijmons sobre a Arena (estádio actual do Ajax), e que não resisto a transcrever (do livro Brilliant Orange, de David Winner). «"The old Ajax stadium was too small and it was not a beauty by any standard [...] But it was nice and cozy. And it was built for football rather than for making money. [...] ... the Arena is not a home. They play there on a Sunday. But then there is a Rolling Stones concert. Then a big congress. Then the unveiling of the new Mitsubishi space-car. Then, after seven days, Ajax are allowed to go and play football again. [...] This Dutch multi-functional obsession of making money with the same building in many ways [...] that kind of thing... It is a very brilliant idea, of course, but it squeezes the life out of what a football stadium is. A stadium has to rest between matches too. It should wait empty for a week before the game, before the next flow of people arrives. A stadium somehow needs to meditate."» Nem mais.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Ausência?

A minha bruxa preferida espantou-se (num comentário ao meu post anterior) por eu estar há já cinco dias (ela contou-os!), que são já sete, sem escrever nada... E, adianta ainda, espera que tudo esteja bem comigo, por estas bandas. Está tudo maravilhoso, bruxinha, como sempre! Mas têm sido dias atarefados, e muitas têm sido as razões pelas quais me ausento. Para ti e para quem por aqui passe, que fique bem claro que não me enfado, antes exulto com as agitadas horas passadas entretanto. Além de que eu tinha avisado! O principal motivo de ausência, verdadeiro rival à altura, têm sido As Benevolentes... Sim, com elas tenho traído os meus leitores... Preteridos que são nos dias que correm pelas aventuras de Max Aue... Todos os meus momentos livres têm sido dedicados ao Hauptsturmführer. Por outro lado, mudanças de instalações de atelier estão na ordem do dia e aproximam-se velozmente. Para não mencionar mudanças na própria actividade do atelier... umas portas parecem fechar-se, outras abrem-se livremente. Engraçado como as coisas respiram! Finalmente, acho que o prazer que senti quando aquelas curiosas sinergias bloguísticas (e tudo começou aqui...) se manifestaram foi tão intenso e interessante que, quais baterias, me permitiu manter-me arredado destas lides indefenidamente. Bloggers haverá que devem exultar com a quantidade de comentários aos seus posts (tipo, menos de 10 comentários é um mau registo...), quem sabe até já almejei tais recordes e os invejei. Mas aprendi que o verdadeiro motor, a verdadeira recompensa desta actividade não é o número de comentários, porventura nem os comentários, mas sim os posts que se complementam, numa de ping-pong, um surge aqui, outro responde ali, um descobre o outro e aponta um outro ainda. Muito mais interessante! Não tanto o centrar das energias num post específico e criar ali um campo de debate (por vezes, demasiadas vezes, de batalha) mas antes o reunir de vários blogs, de vários posts por esse mundo fora, em volta de uma ideia, de uma tonalidade, de uma curte, de uma referência. Já me tinha acontecido algo de parecido antes, com o The Ressabiator e com o Reactor, e aconteceu defitivamente com o Stalker (este, curiosamente, também está calado desde dia 15...). Boa onda!

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Contemplai os lírios do campo... (se fecharem bem os olhos e olharem com atenção até que os vêem...)

No rescaldo de tantos ultra-infra-super-curious-sounds regresso aos Growing e deixo aqui uma pastagem verde para se passearem...







Green Pasture by Growing
[para quem tem Firefox e não consegue ver/ouvir nada aqui em cima...]

quarta-feira, janeiro 16, 2008

L'Affaire Realité

Já tínhamos topado, graças ao Stalker, e durante a curious blog synergy, que o L'Affaire Tournesol estava cheio de referências às experiências alemãs com os infrasons. Ficámos também a saber da existência do livro German Research in World War II, de Leslie E. Simon (e não é que ele existe mesmo!), e daí partimos para a procura do mesmo. E verificamos que não só o livro e o autor existem, como a capa que consta no L'Affaire Tournesol também ela copia a realidade! Bom, há uma ligeira alteração. Uma pequena suástica que, no processo, desaparece. Compreende-se. Tamanha dedicação à realidade podia cair mal...

Interesting Parallels

Security is about preventing adverse consequences from
the intentional and unwarranted actions of others
. What this
definition basically means is that we want people to behave
in a certain way
... and security is a way of ensuring that
they do so. Bruce Schneier, Beyond Fear


A simpler way of thinking about Interaction Designers is
that they are the shapers of behavior. Interaction Designers...
all attempt to understand and shape human behavior. This is
the purpose of the profession: to change the way people behave.
Jon Kolko, Thoughts on Interaction Design


(Italic emphases are original; bold emphases are mine)

It’s interesting to see such similar language used in two fields which are rarely seen as related. But they are, of course: they are about human interaction with technology. To some extent, security - certainly the design of countermeasures - may be a rigorous, analytical subset of interaction design, just as interaction design is a subset of the intersection of technology and psychology. Designers in one field ought to be able to learn usefully from those in others.
Interaction design is not commonly defined as Jon Kolko does above - it was reading that specific quote on his website which persuaded me to buy his book - but it’s pretty close to the idea of design with intent.

Sacado do Architectures of Control. Wise. Spooky.

Une Boîte en Or

Isto deve ser bom, muito bom.

Ver aqui e aqui.

Pena que o Natal já passou...

terça-feira, janeiro 15, 2008

Curious blog synergy

Simon Crab chama-lhe uma curious blog synergy, eu chamo-lhe uma cena do caraças! Ora vejam.

10 de Janeiro
Simon Crab fala, no Stalker, dos early warning devices.

11 de Janeiro
Eu menciono [aqui] o post dele e pergunto-me se aquilo não é lindo então o que será? Aproveito também para ilustrar [aqui] as diferenças entre os vários aparelhos, de acordo com as suas nacionalidades, e para elogiar a estética japonesa. Ainda nesse dia, o meu amigo Alvim comenta, com propriedade, que um deles (o alemão) figura num dos livros do Tintim.

13 de Janeiro
Após consultar os meus livros do Tintim, dou razão [aqui] ao Alvim (de facto, o Ceptro de Ottokar tem um early warning device) e aproveito para dar mais um passo e menciono o infrasound device que é mencionado noutro livro do Tintim, O Caso Girasol.

14 de Janeiro
Simon Crab escreve [aqui] sobre... infrasound devices!!!

15 de Janeiro
Quando me preparo para escrever sobre esta estranha sucessão de posts, dou uma saltada ao Stalker e, BAAAM!, Simon Crab adiantou-se e apercebeu-se da tal curious blog synergy, dando sequência e informação adicional à dica aqui lançada sobre os tais infrasound devices do livro do Tintim.

Se isto não é lindo, então, pergunto-me eu novamente, o que será?!?

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Hanna Reitsch



Há já muito tempo que me apetecia escrever algo sobre esta mulher. Ela é a prova viva que mesmo as personagens mais hediondas — e, em parte, ela foi-o — também conseguem ser charmosas, avassaladoras nas suas peculiaridades, determinantes na escrita da História, elegantes nas acções e vigorosas na passada das mesmas. Hanna Reitsch (1912-1979) foi tudo isto. Uma mulher dos diabos, uma mulher do aparelho, uma fervorosa entusiasta do movimento nacional socialista, uma espécie de Leni Riefenstahl da aeronaútica, uma amazona movida a querosene.
Esta mulher foi, muito provavelmente, a última pessoa (do eixo, claro) a operar um aparelho aeronáutico sobre o espaço aéreo de uma Berlim a ferro e fogo, poucos dias antes do fim. Num voo histórico, no comando de um Fieseler Fi 156 Storch, Hanna Reitsch entrou em Berlim para levar Ritter von Greim a uma última reunião com Adolf Hitler. Após a reunião, ao que consta, Greim e Reitsch demonstraram o forte desejo de permanecerem até ao fim no bunker, tendo sido finalmente dissuadidos pelo próprio führer) a partirem o quanto antes. E como a palavra do führer era para cumprir, lá foi novamente Hanna Reitsch sobrevoar, na maior das dificuldades e perigos, uma Berlim em agonia...

Deixo aqui vinte e poucos minutos de uma longa e fantástica história. O tipo no Youtube não permite o embed dos filmes, por isso, ficam os links.

1.ª Parte
http://www.youtube.com/watch?v=utWz_e1BFu4

2.ª Parte
http://www.youtube.com/watch?v=W9brBjsdAAU

3.ª Parte
http://www.youtube.com/watch?v=xG-CnQDLMKI