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sexta-feira, outubro 15, 2010

Portughole



Hoje de manhã vi algo que julgava estar já condenado à extinção {algo a que eu não assistia há muito}. Puro engano. Aquela típica imagem/descrição do país {de um certo país} com que cresci parece que ainda teima em persistir. Eram cinco. Cinco homens de colete reflector a abrir um buraco {na realidade, um buraquinho!} num passeio da Ferreira Borges. Um abria o buraquito, os outros quatro olhavam. As gajas, claro. De vez em quando um {dos mais novos, que nisto a idade é posto} dos que galavam dava um passo à frente, substituía o que estava no centro da roda e a custo, entre bocas várias, lá dava mais umas pauladas na terra. Mas o buraco é {parece ser} contínuo. E sendo somente um a cavar...

Por outro lado fez-se luz finalmente quanto aos cinco escudos azuis com as cinco pintas brancas... Nada mais {os escudos azuis} do que quatro papalvos observando um outro papalvo a cavar. E como cada português tem Portugal dentro de si {caramba, é ou não é isto um país de poetas?!} lá estão mais {as pintas brancas} quatro papalvos observando um outro papalvo a cavar dentro de cada um de nós. O português tem a {rara} capacidade de observar o cavar da sua própria sepultura enquanto a cava ele próprio. Cavamos a nossa própria sepultura ao assistirmos ao cavar da nossa própria sepultura. Como assistimos ao cavar da nossa própria sepultura só nos resta ajudar a cavar a nossa própria sepultura. Confuso? Malta, isto não é tão fácil como parece. E só um a cavar?! Vá lá, dêm aí uma ajudinha...

sábado, maio 29, 2010

Óbito

17 de Maio, 1936 – 29 de Maio, 2010



Palavras para quê?

terça-feira, maio 04, 2010

Tragédia

Passados já dois dias após o jogo no Porto e depois de visionadas imagens atrás de imagens, planos atrás de planos, zooms atrás de zooms, entrevistas atrás de entrevistas, análises atrás de análises, comentarices atrás de comentarices, ele eram bolas alvas pousadas na relva, ele eram adeptos raivosos a gritar impropérios a Jesus {sacrilégio!}, ele eram os cânticos ofensivos {e olhem que não é um sector, é o estádio inteiro}, ele era o Luisão a levar com um isqueiro {acreditam que ele acabou multado?}, ele era o excelente golo do Belluschi, ela era isto e aquilo... Pois a mim apenas uma imagem me ficou na retina, a do desespero da realidade. Explico melhor.

Primeiro acto. Mesmo no cair da primeira parte, Bruno Alves finta a defesa vermelha, eleva-se superiormente e mete o primeiro golo na baliza do Glorioso. O resto é sabido {que essas imagens estão em todo lado}, era a raiva, o coração, a garra, o ódio, a emoção nele espelhados. A boca escancarada, os músculos retesados até ao máximo, rodeado dos colegas. Uma cena heróica. Tinham marcado 1 golo ao Glorioso e festejavam como se estivessem a ganhar a Champions. Tudo bem. É delirante, mas tudo bem.

Segundo acto. Mesmo no cair do pano, após o apito final do árbitro, a câmara assenta novamente em Bruno Alves e filma o vão. Cabisbaixo, numa lentidão estranha, limpando o suor à camisa, Bruno Alves mostra-nos {e estas, sim, são imagens que não estão em todo o lado...}, em todo o seu esplendor, a dura realidade. De que o esforço de pouco valeu. De que, no fundo, o terror, a vitória, as bolas de golfe, os 3 golos, a verborreia, de nada valeram. Aqueles 4 dedos em riste, há uns meses atrás, no Algarve, falam mais alto naquele momento na cabeça de Bruno Alves. Dizem-lhe que, sim, são 4, mas não vão ser 5.

Já uma vez aqui tinha abordado esta dualidade tão característica do FCP. Esta esquizofrenia clubística. O antagonismo como plâncton predilecto de um monstro já difícil de controlar. Tragicamente cheira-me que isto não vai parar por aqui. Como poderia?

segunda-feira, maio 03, 2010

Too much f***** input...

Via Vidro Duplo. Nem digo mais nada. Vão lá e gritem. A plenos pulmões.

quarta-feira, abril 21, 2010

Ó meu Deus...

... ao que isto chegou.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

De feelings destes está o Inferno cheio...


















É impressão minha ou podia ter havido mais bom senso? O BES colou-se à onda do "I Got a Feeling" de Queirós e dos Black Eyed Peas. Ok, esperava-se algo do género. É fatela, mas ou era o BES ou era o Continente ou era a Sagres, ou seria quem fosse. Mas a frase-chave que acompanha a campanha televisiva do BES – «O BES tem um feeling. Tem um feeling que este ano em África vai ser o ano da nossa selecção» – é vergonhosa. Este ano em África!?! Não vos cheira a mofo esta coisa do «este ano em África»? O campeonato do mundo vai ocorrer na África do Sul, caros senhores. Trata-se de um país, não de um continente. Tem hino, parlamento e forças armadas, não é um desígnio, não faz parte da África cor-de-rosa. Aquela cena do Minho até Timor já foi, meus caros. Tenham juízo! Como é que uma coisa destas ainda passa? Será possível este feeling ainda andar por aí?!


Ah, a campanha, e presume-se que a autoria de tão abjecta frase, é da autoria da BBDO.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Moeda ao ar














Dois braços. O mesmo homem. Duas faces da mesma moeda. A má moeda? Muito provavelmente. A famosa "garra" dos jogadores do FCP tem este outro lado. "Vestir a camisola" também é isto. "Comer a relva" pode ter várias interpretações. Há que ter cuidado. É toda uma cultura, toda uma linguagem, todo um programa. Que passa, claro, por negar o inegável. Pela fuga em frente. É uma tristeza, é o que é.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Óbito

Kathleen Byron
11 de Janeiro, 1921 – 18 de Janeiro, 2009



Como foi aqui que me dei conta da morte da sister Ruth, faço então minhas as simples mas certeiras palavras de Luís Miguel Oliveira — «Não sei se são mais admiráveis os actores que espalharam a sua imortalidade por cinquenta filmes se aqueles que a concentraram apenas num. Como Kathleen Byron, a freira alucinada do Black Narcissus

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Life is great. Without it you'd be dead.

Gummo. Sicko. Wacko. Psycho. Jesus. Pain. Hatred. Whoooa! Pervert. Bitch. Butch. Faggot. Kill. Arian blood. Jobless. Deadend. Time. Glue. Tape. Bullet. Laugh. Godforsaken shithole. Laugh. Tornado. Laugh. Incest. Kill. Bestiality. Slayer. Crime. Liquor. Disease. Pestilence. Bugs. Niggas? Well, you know, I just don't lik'em. Poison. Blow me. Bacon. Youth. Geriatrics. Dementia. Garbage. Sugar. Smokes. Petrol. Gas. Drunk and Drive. Midnight Hour. Voyeur. Tap dancer. Fascinating. Intoxicating. Horrifying. Life changing. Puta filme, dir-se-ia nos trópicos.



Nem que fosse pelo prazer de rever Linda Manz. Já não a adolescente revoltada de Out of the Blue, mas antes uma spaced out mom que faz sapateado com um par de sapatos quatro números acima numa cave cheia de desespero {e um filho incapaz de lhe devolver um sorriso}.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Ausländer Raus!


«Mas como a bola é ominipresente e omnipotente, acabo por escrever sobre os euros oriundos dos negócios escuros de leste que a partir de ontem parecem valer mais do que os euros dos papalvos lusitanos. Pois, parece que o homem se vai pirar a seguir ao Euro2008 para terras de Sua Majestade. Estou mortinho por vê-lo aguentar-se à brocha com aquela imprensa cocksucker {esta ele já deve saber dizer...} a morder-lhe as canelas a propósito de toda e qualquer decisão {ou não decisão} que o brasileiro fascista protagonizar. Só mesmo um russo novo-rico e ignorante e um clube pequeno como o Chelsea para acharem que isto vai dar bom resultado...» {lido aqui mesmo em 12 de Junho de 2008; mas esta, na realidade, era fácil de adivinhar...}

domingo, fevereiro 01, 2009

Em descanso...

Neura. Está frio. Está chuva. Está vento. Está amarelo, dizem. Está umas dores do caraças ali bem na base da coluna vertebral. Está o socratismo abalado. E olhem que me custa mais isso que as referidas dores... Está entregue, é o que está. Está para balanço. Em poisio. Mas eu volto.


Valha-nos o Pedro!

sexta-feira, dezembro 19, 2008

E agora?

Hoje, ao ler isto, apeteceu-me dizer, pensar, que finalmente alguma justiça tinha sido feita. Mas não é possível, pois não? A dimensão da coisa foi tão grande, tão sinistra, tão telúrica, que ver Theoneste Bagosora atrás das grades para todo o sempre de pouco adianta à história.

terça-feira, dezembro 02, 2008

A little comfort...

Nos pequenos momentos {que não têm sido lá muitos} em que consigo resgatar resquícios daquilo a que cá em casa chamamos de "vida própria" ainda consegui iniciar, e dar alguma espécie de continuidade, ao The Naked and the Dead do falecido Norman Mailer. E, como se isso servisse de conforto..., lá vou pensando, noite adentro, quatro da manhã que podiam ser onze da noite ou mesmo, quem sabe?, dez da manhã, que se eu penso que isto das noites mal dormidas é difícil, o que pensar de estar desterrado, seminu e apavorado, a milhares de quilómetros de casa, cheirando mal e picado por bichos vários, sob a metralha e na vã esperança de se manter vivo até ao fim do dia? Sim, isso é difícil. Isto, é apenas divertido; é o que é.

terça-feira, setembro 23, 2008

Terça-feira de manhã, no café Ertilas

O tipo é grande, meio que disforme, um tanto ou quanto badalhoco, fumador tingido, com toques de Orson Welles. Fica para ali, na mesa do lado, a beber cafés e a tresler jornais, revistas, livros, cartas, catálogos e publicidade. E, pormenor estranho, sempre que tosse despoleta algo nele que o faz mandar umas tiradas para o éter. Umas saem em português, outras em línguas estrangeiras. Hoje apanhei estas duas.

«Deus nos dê juízo até ao fim dos nossos dias, que a Morte é santa. Além do mais, o juízo é cada vez mais como o dinheiro. Está cada vez mais mais mal distribuído.»

«Não há nada pior do que um inteligente a fazer-se passar por idiota para impressionar uma plateia de idiotas que se fazem passar por inteligentes.»

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quarta-feira, setembro 03, 2008

Trompe les sens...



Atentem bem na imagem acima. Olhem bem para ela, primeiro de relance, depois com mais atenção. O que vêem? Quem anda por aí pelas ruas já deparou certamente com vários mupis propagandeando semelhante campanha da Toshiba {na realidade a imagem dos mupis não é bem esta; esta apanhei-a na net e depois dei-lhe uns retoques no Photoshop de modo a aproximá-las}. Mas não é a Toshiba, nem a campanha, nem os computadores que aqui me interessam. Não. É mesmo a imagem. {...} Até tenho medo de vos contar o que aqui me traz... Bom, aqui vamos. Desde o primeiro momento em que pus os meus olhos nos ditos mupis que ando a bater mal. Sabem o que vejo, insistentemente, quando olho para esta imagem? Vejo uma mulher-a-dias, de joelhos, de costas, pernas afastadas a baixo dos joelhos, esfregando um chão de madeira, no meio de uma certa desarrumação de objectos {o quarto de um teenager?}, curvada, exausta! {...} Eu avisei... quão estranho é isto?! Estou em curto-circuito total. Se soubessem o tempo que demorei a retirar dali a mulher-a-dias e colocar ali aquilo que lá está realmente, uma mochila, bem, não imaginam... Ainda hoje, agora mesmo, quando olho para a campanha da Toshiba o que vejo é a dita senhora.

Precisarei eu de ajuda psiquiátrica? Estarei só neste tormento? Haverá por acaso {já quis acreditar que sim...} por aí alguém que também tenha tido tal alucinação? Custa-me a crer que só eu esteja assim perdido... Não tivesse eu regressado agora mesmo de umas, diria que estou a precisar umas boas férias... E quando eu me ponho a congeminar que, pior ainda, isto só pode ser resultado de uma plano maquiavélico {nem quero imaginar os porquês...} de certos publicitários e seus clientes engravatados...? Como se se tratasse de um tromp l'oeil do Demónio... Bom, aí, sei que estou praticamente perdido... Isto é deveras assustador. Ou estarei mesmo só, e exclusivamente, a ficar velho?! Dass...

domingo, agosto 24, 2008

Raios partam o Trocadilo!!!

E a Estamira?!? O que dizer, fazer, escrever, pensar, após ver-se Estamira?!? Oh, raios, estou seco... preso, baralhado... sei que quero falar algo, não sei bem o quê, nem como...

sábado, agosto 23, 2008

Wir Waren Wie Brüder

E se em vez do inglês fosse antes falado o alemão?
E se em vez de Toccoa fosse antes o vale de Salzach?
E se em vez de Currahee eles subissem antes ao Torrener Joch?
E se em vez da Easy Company do 506.º fosse antes a SS-Gebirgs-"Nord"?
E se em vez do major R. Winters fosse antes o SS-Hauptsturmführer Gottlieb Renz?
E se em vez de "Bill" Guarnere fosse antes o Johann Voss?
E se em vez da quasi-xaropada do génerico inicial fosse antes o Ich hatt' einen Kameraden?

Ui, era lindo não era? Para quando uma série televisiva nestes moldes? Dificilmente acontecerá, eu sei. Mas que seria bem interessante, lá isso seria. Então não? Bom, chega de delírios...