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quarta-feira, junho 06, 2012

Faltam 2 dias...


E enquanto esperamos, aqui fica um interessante texto sobre os realizadores de futebol franceses e de como andam a matar o jogo...

quinta-feira, março 17, 2011

Ciranda de Pedra

Quem tem memórias recônditas, tão enigmáticas quanto inexplicavelmente saborosas, da telenovela Ciranda de Pedra {1981}, ponha a mão no ar. Por favor, alguém se acuse. Alguém diga que não estou sozinho...



É certo que tinha a maléfica Frau Herta {!}, mas que mais tinha aquela telenovela, por que raio me apareceu hoje à frente, assim sem mais nem menos?



Ah, os meus queridos amigos brasileiros estão de fora do inquérito...

terça-feira, setembro 28, 2010

O Amor é...



A todos aqueles que eu "viciei" nas sessões do Dr. Paul Weston, façam o favor de não acharem que já viram {ouviram} tudo. Quando acabarem a segunda temporada do In Treatment, e enquanto aguardam pelo final da terceira, deliciem-se com este Big Love. Mais uma da HBO, desta vez com a vantagem de já cá estarem fora todas as quatro temporadas {2006-2010}. É só sacar da net e curtir, enroscados no sofá, o frio que se aproxima. Não vou adiantar muito {ainda só vou no quinto episódio...}, apenas digo que se passa no Utah e envolve poligamia, religião, consumo desenfreado, caçadas com lobos de dentes arreganhados, bombas de gasolina poeirentas, shitty jobs, armas e dinheiro... ah, e {já mencionei?} poligamia.

{Além de que é uma óptima oportunidade para rever os grandes Harry Dean Stanton e Grace Zabriskie!}

sábado, julho 24, 2010

Gosh, I'm in love with this guy...



Este tipo tira-me do sério.
Grande John Mahoney.
Grande Walter.

sábado, julho 17, 2010

In Treatment



Uma vez mais a HBO não deixa um tipo descalço. Aqui em casa {acabadas que estão cinco temporadas de Grey's Anatomy... sim, amamos muito a nossa filha mais velha!} já só temos tempo para isto. Pequenos episódios de 25 minutos, um psicanalista, quatro pacientes e a própria psicanalista do psicanalista... em verdadeiros mano-a-mano de parlapiê... Muito bom!

quarta-feira, abril 28, 2010

Luto



Esta noite o futebol morreu um pouquinho mais. A vergonha é tanta, mas tanta. Em Camp Nou assistiu-se hoje ao mais deplorável espectáculo. Mourinho, no final, a correr sozinho, de dedo em riste, é dos mais tristes momentos que um relvado {e que relvado era o de hoje à noite, senhores} presenciou. Não tenho memória de alguma vez ter assistido a um treinador correr assim, ainda por cima por tão pouco. Miserável. O futebol não é isto. O futebol não é um homem a correr sozinho, de dedo em riste. O homem se sente prazer em bater recordes que comece a escalar montanhas. Mas quem o veria então? Ver Eto'o a funcionar como defesa, não ver um único ataque coerente em 90 minutos, ver Valdez estacionado na linha do meio-campo, ver Milito centrar para uma grande área deserta de companheiros, ver as estatísticas {a dada altura eram 455 passes vs. 59 passes!}, não é ver futebol. Serão poucos todos os adjectivos pejorativos para caracterizar esta noite. Mas o que se viu hoje que valesse a pena? Apenas e somente isto. A classe, a calma e o profissionalismo com que 11 jogadores {jogadores!} de futebol encararam aquela ingrata tarefa. A {aparente} tranquilidade que mostraram naqueles derradeiros minutos é algo que só dignifica o futebol. É aquilo que há-de ser lembrado para sempre, desta noite. A "vitória" de Mourinho há-se ser sempre isso, a "vitória" de Mourinho. De mais ninguém.

domingo, abril 25, 2010

Cromos

Quem me conhece sabe que eu sou muito crítico, bastante, demais, em relação a Portugal. E que não perco uma oportunidade para malhar, diminuir e arruinar este país, os portugueses, a loserfonia, a mediocridade nacional. Sempre que posso. Isto não vale grande coisa, e não vale a pena escondê-lo. É {muito provavelmente} verdade que se é mais feliz não acreditando nisso, encolhendo os ombros e vivendo de acordo com os hábitos do resto da maralha. Mas... nem sempre é fácil, ou possível, ou exequível. Mas quem me conhece também sabe que quando há que reconhecer valor também o faço, e com prazer, e com vigor, e muito exagero, God knows how I love superlatives! E ontem, uma vez mais, me apercebi que há coisas que este país faz, produz, cria e alimenta como nenhum outro. O mitra, o mangas, o burlão, o city dweller, o cromo, o agarrado, o bêbado. E o que dizer desta capacidade lusitana de mesclar humor com sordidez? Poucos países constroem estes personagens como Portugal. Atenção que não estou a ser cínico. Não estou. Isto é, de facto, um elogio. Reconheçamos, pois, o que de bom fazemos. Gratidão.

Isto a propósito do excelente documentário que apanhei ontem à noite na RTP2, de seu nome Esta Rua É Minha, de Gonçalo Mégre. Muito agradável surpresa.



PS - Ah, parece que o Márinho tem um blog...

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Mitos urbanos {#1}

O homem da direita não é o homem da esquerda. O homem da esquerda não é o homem da direita. Metam isto nas vossas cabeças de uma vez por todas. Safa!

terça-feira, janeiro 20, 2009

Some notes on the Obama's inaugural...

1. Sim, papei a cerimónia de uma ponta à outra. Em directo, na BBC, para que conste. Há sempre uma primeira vez... Mas não é assim tão grave, é como fazermos a bela da directa para assistirmos à cerimónia da entrega dos Oscars ou assistirmos ao primeiro episódio do Big Brother. É tudo showbizz, nada mais.

2. Há oito anos atrás, no rescaldo do falhanço Gore/Lieberman, após as insólitas recontagens da Florida, quem diria que esse povo burro, estúpido, tonto e tão ridicularizado por esse mundo fora seria o mesmo que hoje faz história... Pois é, a memória é curta. Muita gente devia estar neste momento a pedir perdão aos norte-americanos pelos insultos. A não ser que eles continuem a ser um povo estúpido por ter eleito Obama... Decidam-se.

3. Acima de tudo, uma palavra é devida por muitos a Bush, pois sem Bush nada feito. Sem oito anos de Bush parece-me óbvio que Obama nunca teria sido eleito.

4. Um pastor evangelista de vómito a anteceder o juramento de Biden. E ainda há quem se atreva a falar de {e atacar} nações e povos fundamentalistas, daqueles que misturam "perigosamente" Deus e Política...

5. Um discurso miserável por parte de Obama. Pobre, pobre, pobre. Nada de interessante ali se esgravata. Já o contrário... E não podia discordar mais quando ele afirma que os EUA não têm nada de pedir perdão por perseguirem o seu estilo de vida, seja lá a quem for. Ai têm, têm... E hão-de percebê-lo, mais tarde ou mais tarde.

6. Curioso o facto de o juramento do Vice-Presidente e o do Presidente serem tão distintos. O Presidente jura: I do solemnly swear (or affirm) that I will faithfully execute the office of President of the United States, and will to the best of my ability, preserve, protect and defend the Constitution of the United States. Já o Vice-Presidente jura: I do solemnly swear (or affirm) that I will support and defend the Constitution of the United States against all enemies, foreign and domestic; that I will bear true faith and allegiance to the same; that I take this obligation freely, without any mental reservation or purpose of evasion; and that I will well and faithfully discharge the duties of the office on which I am about to enter. So help me God. Mais vital aquela jurada por Biden {e Cheney antes dele}, não? Como se o Vice-Presidente fosse mais importante, não é?

7. A limusina que transportou Obama até ao Capitólio é um Humvee e chama-se {tão engraçadinhos que nós somos...} The Beast... E ele sentou-se nela? Não exigiu nova viatura? Como se não chegasse o mau gosto, quer da viatura quer do epíteto, é um mau começo para quem promete fazer frente ao aquecimento global e pretende promover a criação de novos combustíveis.

8. Ou muito me engano ou não vai faltar muito para o surgimento de novos slogans, tipo Yes, We Thought We Could ou ainda Time for Disappointment.

9. Vão ser 4 anos muito interessantes.

10. No fundo, no fundo, a tomada de passe de Obama foi como a comida norte-americana, foi como os cenários dos talkshows norte-americanos, como a construção e mediação imobiliária norte-americana, como a ida à Lua {dizem alguns...}, como as mamas das boazonas norte-americanas, ou seja, fake, fake, fake...

domingo, janeiro 18, 2009

— People can change, and I'm changing.
— You're not changing, Janine, you're just losing weight.



Pequena jóia dessa muito interessante e saborosa série/telefilme/filme/seriado da HBO que dá pelo nome de Empire Falls. Recheada de bons actores {tiro aqui novamente o chapéu a Paul Newman!}, cheia de histórias obscuras e gente retorcida, repleta desses deliciosos desentendimentos que ocorrem por vezes entre entre o passado e o presente de uns e de outros. Tudo passado num Maine absolutamente deslumbrante quanto misterioso e, mesmo, perigoso. Poder e submissão, com algum amor e misoginia pelo meio e mais um pouco de manipulação e desvio. Lovely, portanto.

quarta-feira, outubro 15, 2008

The F word...



Momento alto, altíssimo, da first season. De mestre.

Ikea for all...

Tenho ali um beliche Mydal, por montar, a olhar para mim. Nem sei bem por onde começar. Quero dizer, saber sei que o manual é claro, clarinho. A empresa é que é do caraças. Mas se o cabrão do bêbado do Jimmy McNulty conseguiu montar o dos rapazes dele, eu hei-de consegui montar o das minhas meninas!



Parece que muito depende do tipo de scotch que se usa...

segunda-feira, outubro 13, 2008

The best show on television, period.

Fartei-me de esperar por alguém que me ouvisse. Já papei a first season, estou na second season e a third season espera por mim, ali em cima da mesa. As duas primeiras vieram via Pirate Bay {you're the man, ingekul!} enquanto a terceira veio via Amazon. Ainda não pensei o que fazer em relação às fourth e fifth seasons, mas não perdem pela demora.

Mas uma coisa é certa, caros amigos. Todas as expectativas foram não só comprovadas como amplamente superadas. The Wire é, pura e simplesmente, do melhor que tenho visto em televisão; e olhem que já muita televisão passou por estes olhinhos. Dos vários textos, aqui e ali, que já tinha lido sobre a série, a conclusão mais comum, para além dos contínuos elogios, era a de que a série estava decalcada da realidade com uma eficiência considerável. O trabalho de campo, a investigação e a entrega aos assuntos abordados tinham sido levados muito a sério, quase parecendo, em certos momentos, mais um documentário do que uma série televisiva. A malta da rua, os agentes dos narcóticos e os dos homicídios, os estivadores, a Lei, todos eles representavam crivelmente a realidade. A ideia, diz Simon David algures, era que um qualquer estivador de um qualquer porto norte-americano que visse a série se identificasse automaticamente com Sobotka. O mesmo aconteceria com um qualquer McNulty que, do balcão de um bar qualquer, desse uma espreitadela para a televisão em mute, lá no canto. O mesmo já não diria de qualquer dealer afro-americano de uma qualquer esquina, pois essas tribos fazem ponto de honra em se diferenciar umas das outras. Mas os afro-americanos de Baltimore revêm-se certamente; um Omar ou um Wee-Bey não serão difíceis de encontrar.

A série é, por vezes, muito pouco série, pois tem uma dimensão muito própria, uma noção de ritmo pouco usual, onde a acção por vezes se arrasta ou se demora em pormenores ou diálogos que noutros formatos, e para outros públicos, não se aguentaria. A cidade, a rua, os vários segmentos da sociedade, estão definidos e presentes em The Wire de uma forma muito interessante; a própria forma como no site da HBO o elenco da série é apresentado é testemunha disso. Tal como o é a própria forma como a série foi pegando nestes segmentos, nestas instituições da city life {e lembro-me do sticker de Bunk que diz "I love city life"...}, a Rua, a Polícia, a Lei, a Escola, os Media, e as foi distribuíndo pelas várias, cinco {acabou este ano nos EUA}, épocas em que a série se desenrolou. Esta noção de proximidade com a realidade, esta veia documental, parece que deve muito à mini-série que a precedeu, The Corner — que acabei agora mesmo de ripar para um DVD, que segue por sua vez para fila de espera... —, trabalho que abordava apenas a rua, a esquina, e os "mitras" que a habitam. The Wire e, presumo, The Corner, em suma, o trabalho de David Simon e da sua equipa fazem-me lembrar, em certos momentos, o trabalho de Studs Terkel, esse incontornável e incansável divulgador do average american e das suas histórias e hábitos, o que é sempre bom.

E já referi que o cenário onde a acção se desenrola é a cidade de Baltimore? Eis outra das boas marcas de qualidade da coisa, Baltimore. Quem se lembraria de Baltimore? Bom, os carolas por detrás da escrita da série, que são de lá. O que torna a coisa ainda mais perfeitinha, convenhamos. Não há cá New York, nem Chicago, nem San Francisco, nem Las Vegas, nem Miami, nem LA. Não, os locais são mesmo estes aqui.

E quem quiser ler um pouco mais, pode fazê-lo aqui {só para assinantes...}, aqui, aqui e aqui. E volto a divulgar essa bela conversa entre David Simon e Nick Hornby.

sexta-feira, outubro 03, 2008

!!! GLORIOSO !!!

Dou-me conta que o meu último post da série !!! GLORIOSO !!! já data de há uns bons 10 meses atrás. Só para verem por onde páram os meus níveis de blackout, blackin e blackallaround... Mas ontem foi notável, foi muito bom mesmo, muito saboroso. Grande casa, grande jogo, grandes golos. A vida é bela novamente.

Mas o mais marcante da noite de ontem foi a estréia da, já mística, já espétaclar, já sucesso garantido, Benfica TV. Ontem nasceu para o mundo lusófono, qual quê, para o mundo global, para esse universo de 44 milhões de benfiquistas {juro que foi esse o número avançado pelo canal...} o primeiro canal televisivo clubístico nacional. E tal como eu suspeitava cumpriu com tudo o que implicitamente prometeu. Ou seja, mau grafismo, má infografia, má coordenação entre os jornalistas, por vezes até má qualidade do sinal, mau som. Mas que interessa isso? Pouco, naturalmente. O Benfica é gigante, ponto final. Tudo o mais é possível e irrelevante. Mas o melhor, e garanto-vos que foi toda uma vida à espera disto, o melhor mesmo da Benfica TV é o relato do jogo. O relato, o comentário, o apontamento, a sugestão, do homem de serviço, ao serviço, o grande Zé Carlos. Atentem, Zé Carlos!!! Não podia chamar-se melhor. Perfect timing, devo dizê-lo. Só assim em jeito de apanhado geral, e sacadas de memória, deixo aqui uns exemplos de algumas das tiradas.

«Quem faz queixinhas vai para o Inferno.» [enquanto um italiano se queixava ao árbitro da demora em fazer o lançamento]
«Aqui não há funfuns nem gaitinhas.»
«Calem-se. Calemo-nos. Ouçamos o Inferno da Luz...»
«Será que os italianos ainda pensam ser possível marcar dois golos? Nuuuuunca.»
«Acabaram-se as pipocas.» [estava o jogo praticamente no fim]

Eu, que sempre fui adepto da imprensa politizada, estou com a Benfica TV, estou com o Zé Carlos. Imparcialidade é para professores, políticos e gurus. Aqui, no glorioso mundo da bola, não há funfuns nem gaitinhas. E é mesmo assim, o Benfica é o maior e ponto final. O que me anda a arreliar é que acho que não vou ter paciência para migrar da Zon para o Meo... Chatice.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Aos tipos que decidem estas coisas...

!?!?!?!?!?!?!?!
PARA QUANDO EM PORTUGAL
A SÉRIE TELEVISIVA
THE WIRE
!?!?!?!?!?!?!?!


Por favor, senhores executivos, what's the big fucking deal?, decidam-se, encham-se de coragem e deixem-nos curtir a série. Pleeeease! Há gente já com dores de tanto esperar...

The Wire {site oficial}
The Wire {wiki}
The Wire {entrevista de Nick Hornby a David Simon, criador do The Wire}

sexta-feira, agosto 22, 2008

Band of Brothers


E eu, quando ando chateado com a Vida, sabem o que faço? Revejo pela enésima vez a série televisiva Band of Brothers! Bizarro? Talvez. Mas é das melhores coisas que alguma vez se realizaram sobre o cenário europeu da WWII e a mim sabe-me bem que se farta. Kapow!, mais Kapow! mais um Feuer! de vez em quando... Hmmm, lindo!

Desta vez deu-me para ir cheirar no YouTube e descobri esta pequena pérola que são os depoimentos de cinco dos ditos brothers numa sessão patrocinada pelo American Veterans Center. As partes em que "Buck" Compton "desmente" as filmagens são deliciosas... «I don't wanna be a curmudgeon, I just wanna be honest with you...» Lol. Aqui ficam os filmes.


{In Part 1, the men recall training at Camp Toccoa, Georgia, and the story behind "Currahee!"}


{In Part 2, the men recall training under Capt. Herbert Sobel and their parachute into Normandy on the "Night of Nights": D-Day.}


{In Part 3, the men recount battling in France, 1944.}


{In Part 4, the men remember Operation Market Garden, and the celebration in Eindhoven.}


{In Part 5, the men recall the bitter cold of Bastogne, and Buck Compton explains the real meaning of Band of Brothers.}


{In Part 6, the men continue their discussion on Bastogne, and remember the end of the war, and taking Hitler's "Eagle's Nest."}


{In Part 7, the men answer questions from the audience about the war, their fellow paratroopers, and the book and mini-series that made them famous.}

quinta-feira, junho 26, 2008

Mais perspectivas...

Os jogos de futebol são um pouco como os filmes... devem ser vistos e revistos, várias vezes. A meu ver um jogo de futebol não se esgota no momento em que ocorre. Aliás, um jogo de futebol nunca é apenas e somente um jogo de futebol... Num jogo de futebol podem ver-se comportamentos humanos, dinâmicas de grupo, "fezadas" grupais, auto-imagens de sucesso, desejos inconcialiáveis, momentos únicos das histórias dos povos. Até a nós próprios nos podemos ver ali reflectidos... Por isso, quando possível, devemos rever os grandes jogos da nossa vida.

Ontem à noite revi grande parte do recente Holanda-Rússia, no Eurosport. A primeira conclusão foi a de que a Holanda não jogou assim tão mal como eu imaginava {e porque imaginava eu tal coisa, veremos já a seguir...}. Por um lado, isto abona um pouco mais a favor dos russos, pois afinal não bateram em ceguinhos...; por outro, comprova que foi a total falta de eficácia holandesa no último toque, no remate, no desvio para a rede, a par do que já aqui mencionei, os dois motivos fortes para o desaire. A Holanda massacrou mesmo em certos momentos. Mas não foi feliz. E contudo quem me lê neste momento, e viu o jogo então, não reconhece nada disto... Porque, e aqui entra a segunda conclusão {e a explicação para o recurso à imaginação ser tão frequente...}, a maior parte das pessoas vê os jogos com os ouvidos. Estamos em frente ao televisor, vemos os tipos a esfalfarem-se no relvado, mas onde estamos mesmo concentrados é nos comentários, nas observações, nas resenhas do que é suposto estarmos a ver... Bizarro, não é? Mas é verdade. E se ao vermos um jogo estivermos em grupo, cervejas à mistura, confusão geral, ainda menos objectivos somos e ainda mais destes paliativos nos socorremos. Porque eu, ontem, ao ver o jogo na Eurosport vi outro jogo, e em muito, apercebi-me, devido aos novos comentadores e respectivos comentários. No sábado passado eram os tipos da TVI, agora eram os da Eurosport. Aqueles tipos do Eurosport {e nem está em questão a qualidade de uns e de outros; embora estes sejam muito melhores...} tornaram possível outra leitura do jogo. Mas a grande questão é porque terão estes tipos, os comentadores, tamanha interferência, importância, na nossa percepção do jogo? Porque não conseguimos neutralizá-los? Como fazê-lo? E na impossibilidade de os neutralizar como fazer de modo a escolhê-los? Pagava para saber...

Porque no sábado a Rússia era um portento, uma pérola do futebol europeu, uma potência que só na final pararia. Ontem ao rever o jogo já não foi nada disso que vi. Vi antes uma cambada bem organizada, fisicamente dura e apostada única e exclusivamente no contra-ataque. E hoje, o que se viu? Bom, isso e uns três golos sem resposta...

E agora, que já não há Turquia nem Rússia? E, sobretudo, que já só há Alemanha {valha-nos Deus, diz o Sr. Manel} e Espanha {cruzes canhoto, devolve a Dona Emília}. Como ficam, com quem ficam, as apetências, as fabulações, os devaneios dos portugueses? Acabou-se, não é? Que comecem, então, os fogos florestais.

quarta-feira, junho 25, 2008

Perspectivas...

O curioso dos momentos mencionados nos dois posts anteriores é o timing, daí o serem tão interessantes. Dava mesmo a sensação que, caso o jogo tivesse mais 5 horas de duração, a cada observação feita com a intenção de diminuir a Alemanha, esta marcaria mais um golo. Totalmente confrangedor.

Mas estas observações que referi não foram casos isolados. Não. O tipo {o da TVI mesmo; que o L. Sobral até tentava dar crédito aos alemães; ele sabe mais... muito mais} esteve o jogo todo a fazer o jogo dos turcos. É impressionante a falta de objectividade desta gente. Uma vez Portugal fora da competição, estes bizarros personagens vestem a pele da equipa mais fogacheira, mais improvável, mais "raçuda", mais sortuda, mais desequilibrada e mais mal preparada das que seguem em frente, isto é, a mais parecida com Portugal. Porque é disso que se trata, não é? Portugal é uma espécie de Turquia e a Turquia é uma espécie de Portugal. A grande diferença é que Portugal já "enganou" a União Europeia há mais tempo... A grande semelhança é que ambas perdem com a Alemanha... e pelo mesmo resultado.

Note-se que o tipo da TVI não é, também ele, um caso isolado. Não. Desde quinta-feira passada que é notório que uma grande parte dos portugueses está {estava} com a Turquia, e que a outra parte está {ainda} com a Rússia. É esta a sina dos pequenos. Escolher alianças fracas. Só não consigo bem perceber com que vero sentido. Se numa de empatia pura e simples, tipo "estar com os mais fracos". Se numa de estando pela Turquia, torcendo para que a Turquia ganhe o torneio, os portugueses garantem que o campeão foi, ao menos, vencido por Portugal. Ha ha ha. Ou se mesmo por vingança básica e primária {e inclino-me mais para esta versão}, tipo "a Alemanha ganhou-nos e agora estamos por qualquer um que a derrote".

Uma sondagem da Newcom Research afirma que metade dos holandeses está, desde sábado, com a Rússia. Conseguiriam estar os portugueses pela Alemanha até ao fim? Bom, é verdade que esta pergunta é muito difícil... Pela Alemanha só mesmo os alemães, não é? Brutos dum catano! Aqueles tipos são uns gestores em calções... Raios os partam!

Minuto 89, Alemanha-Turquia

A Alemanha marca o terceiro golo, aquele que provavelmente a levará para a final... E no preciso momento em que o imbecil da TVI afirma que esta Alemanha é cinzenta... Eu não disse? O homem é mesmo estúpido... É o que dá observar jogos de futebol com o coração... Porque hoje somos todos turcos, não é? Santa ignorância...

Minuto 76, Alemanha-Turquia

Klose marca o segundo golo da Alemanha, aquele que certamente os colocará na final. E no preciso momento em que o imbecil da TVI afirma categoricamente que esta Alemanha é muito fraca, muito isto, muito aquilo... Santa pachorra! E eu ainda fico a ver isto...