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sexta-feira, novembro 11, 2011

Quando já não houver chamas, mas apenas brasas...

É deixar cair, meus caros, é deixar cair. Um após o outro. Sem neuras. Até ao momento em que os "mercados" não vão ter mais ninguém a quem emprestar, de tanto recusarem. Nesse dia vão abrir a porta para ver o que se passa, para tentar perceber por que razão já ninguém bate mais à porta, e nós entraremos. E nos sentaremos todos à mesa. E brindaremos. E riremos de tanta parvoíce. De tanta inveja. De tanta ganância. De tanto ódio. E a isso se chama Amor.

sábado, fevereiro 19, 2011

Fenómeno

Quando é que uma pessoa {por exemplo} passa a acreditar que 5 milhões {por exemplo} de dólares {por exemplo} já não chegam e começa a perseguir 10, 15, 50, 250 milhões? Esse momento interessa-me deveras. Devia ser estudado, filmado, romanceado, etnografado.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Bradley Manning é mais irresponsável que a Haliburton?

Como é possível que haja gente {gente série e insuspeita} a agitar a bandeira do medo, do risco, do perigo, da irresponsabilidade, da segurança, nesta questão das novas fugas de informação?! Haverá maior perigo, maior irresponsabilidade, maior risco, do que aqueles representados por aqueles que nos {e viva a globalização!} representam?! Muitas dúvidas, tenho muitas dúvidas...

sábado, maio 01, 2010

Desta maneira «bós'ides todos p'los ares»...

Parece que já voam pedras lá em cima. São garrafas cheias de tinta azul. São milhares de bolas de golfe encomendadas no Decathlon lá do sítio. É propriedade alheia vandalizada. São tiros para o ar. É o costume, é mais do mesmo, infelizmente.

O meu único desejo. E digo-lo com muita honestidade. Que amanhã o Benfica não seja campeão. Que seja roubado escandalosamente e perca não ganhe o jogo. Que venha para baixo incólume e que seja campeão para a semana, em casa, junto de quem o ama. E que do jogo de amanhã só reste a vergonha. E que a festa vermelha não fique suja com a miséria alheia. A ideia de ver misturadas as emoções próprias da festa vermelha e do ódio azul repugna-me. A César o que é de César, a cada um o que lhe pertence. Ao Benfica a honra de ser uma vez mais Campeão Nacional. Ao FCP a responsabilidade de uma vez mais perder a oportunidade de crescer, de se engrandecer, de se lavar.

quinta-feira, março 11, 2010

Oh, la, la, ça c'est super...








«ViderParis is a series of computer altered images of the streets of Paris. All traces of life are removed from the images: vegetal, urban furnishings, pedestrians, cars, etc. All the buildings are sealed with sheets of concrete up to the second floor. The series of images are programmed to project randomly from a computer software.»

Vider Paris {1998-2001}, de Nicolas Moulin.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

E um pouquinho de comedimento, não existe?

E olhem que não é insensibilidade minha... Não é, a sério. Pensem bem, se fixarmos o número de mortes na Madeira em 40*, ficamos a saber que é mais ou menos o mesmo número de mulheres que morrem todos os anos vítimas de violência doméstica em Portugal. E que estes 40 são cerca de 18 vezes menos que os que morrem todos os anos nas estradas em Portugal. E que são alguns milhares de vezes menos que os que morreram no Haiti recentemente. Ou 150 vezes menos que as vítimas do 9/11. Ou 112 vezes menos que os que caíram no Iraque desde 2003 {apenas soldados da coligação, claro está... que os danos colaterais, esses...}. Ou 5700 vezes menos do que aqueles que foram levados pelas águas no Tsunami de 2004. Por outro lado, a cobertura noticiosa e as manifestações de pesar constantes são quase idênticas, senão maiores, às ocorridas em alguns dos casos acima referidos. Tudo bem, é verdade que não podiam ter tratamentos proporcionais... Se o Haiti mereceu, com as suas centenas de milhar de vítimas, 1 mês inteirinho de televisão, a Madeira teria então direito a uns míseros 10 minutinhos... Claro que isto seria incomportável e desonesto. mas um pouco mais de comedimento e de relativismo não fariam mal a ninguém. É que para mim é um pouco incompreensível esta relação que os portugueses têm com os mortos. Sinceramente, até nem acho que seja uma coisa portuguesa. É provável que seja geral. Mas não deixa de ser enervante. Quando um morto vale mais que outro morto. Não deveriam valer todos o mesmo? Parece que não. {Aliás, note-se que na própria página da Wikipédia dedicada ao 9/11 a tabela que lista os mortos exclui os terroristas... http://en.wikipedia.org/wiki/September_11_attacks}

Esta coisa de um morto valer mais que outro morto tem, sobretudo, a ver com com a questão da proximidade. Que proximidade é esta, de resto, parece ser a chave do problema. Mas que é uma bizarra concepção de proximidade, lá isso é. Se já estivémos um dia a passear ao pé das Twin Towers, quando vemos, em directo, as ditas torres a cair sentimos a coisa ampliada {só porque um dia andámos por lá, como tantos outros dias, como tantas outras pessoas?}. Se já fomos de férias à Madeira e por lá bebemos umas margueritas, sentimos a coisa ampliada {só porque lá é bonito, como em tantos outros lugares?}. Neste caso da Madeira, a proximidade ainda tem outra vertente, não só já lá estivémos a passear como eles, os madeirenses, são cidadãos do nosso país... Isto não faz sentido nenhum, mas é o que acontece. Mas o mais incómodo nesta história na relação da proximidade com os lutos é que quando esta se torna decididamente visível, inadiável, ou seja, quando a morte está mesmo próxima de nós, reverte-se a orientação e a tendência passa a ser a fuga. Já pensaram bem? Vejam só. Se morrem 40 pessoas na Madeira, sentimos pesar, falamos disso com toda gente, fica tudo em polvorosa. Se morre um de nós, aqui na família ou num círculo mais próximo, é tudo «shhh, shhh, shhh...», «e as crianças vão ao funeral?», «ai,  ai, nem pensar...», «deixa-me cá meter mais uma pastilha dessas no bucho...», «dizemos-lhes depois, mais tarde», «o melhor é esquecer...». Se isto não é estranho, o que será estranho?





* Parece que nem nisto aqueles tipos conseguem acertar...

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Meter medo ao medo

O que é isso do feel secure?!. O que é sentir-se seguro, o sentimento de segurança? Balelas, digo eu.

«You can make a big list and you will be surprised how many fears are there, and still you are alive! There are infections all around, diseases, dangers, kidnapping, terrorists. And such a small life. And finally there is death, which you cannot avoid — your whole life will become dark. Drop the fear. Fear was taken up by you in your childhood, unconsciously. Now consciously drop it and be mature», diz o Osho.