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domingo, outubro 24, 2010

Terras raras



Este artigo {Rare and Foolish} levou-me a este tema {Rare earth element} e fez-me lembrar o saudoso Dune. Mas a ideia de sino-Harkonnens faz-me tremer...

terça-feira, março 17, 2009

Twisted

Isto aqui é mesmo verdade. Por aqui também é motivo para indagação. Aqui a resposta também ainda não chegou. Eu junto-me ao grupo e, para além de não perceber qual a verdadeira intenção, logo qual o interesse, do Twitter, pergunto-me – porquê a cena dos 140 bytes/caracteres? Não podiam ser menos? Faz-me lembrar as palavras do fascista do Steve Jobs, que quando indagado acerca do desinteresse da Apple em competir com o Kindle respondeu «people don't read anymore». Porque será?

Além do mais, se o Twitter fosse a ferramenta oficial como é que o Daniel me faria relembrar os sons desses comunas dos idos de 80?

Ah, e este post tem exactamente 551 caracteres. Toma!

terça-feira, fevereiro 17, 2009

May the Lucas Arts be with you...

Estava eu a preparar-me para mandar umas achegas ao debate de ontem à noite {sim, esse; porque se as segundas são da Fátima, as terças são dos bloggers...} quando, ao passar pelo Nascer do Sol, me deparei com algo bem mais importante, bem mais intenso, bem mais premente. Falo das memórias que o Lourenço ali partilhou connosco acerca da sua relação {amorosa?, poderei aventar} com o jogo Monkey Island e a sua respectiva evolução ao longo dos anos. E de como essas memórias despertaram em mim outras aventuras similares, algumas delas também na companhia do "pirata" Guybrush, mas essencialmente aquelas vividas com dois dos pares mais geniais da história dos jogos de computadores {aviso já que sou leigo na matéria; acredito que possa haver outros tão intensos como estes, mas estes eu conheço-os e bem}, isto é, com a parelha Manny Calavera e Meche {do absurdamente genial Grim Fandango} e com a parelha Ben e Maureen {do seminal Full Throttle}. Corriam os meados dos anos 90 e a Lucas Arts brindava-nos com estes maravilhosos jogos, onde o texto era rei, os enigmas {alguns bem lixados} eram o pico da actividade, os gráficos, bem, eram o que eram e o som era do melhor, autêntica banda sonora. Só estes ingredientes {só uma equipa muito boa por detrás da coisa} poderiam ajudar a ultrapassar aqueles ecrãs estupidamente convexos, aqueles discos rígidos diminutos que carburavam juntamente com placas gráficas limitadas e nos permitiam entrar pela noite dentro, sem descansar enquanto não descobríssemos como enxotar aqueles malditos pombos do terraço do arranha-céus. Belos momentos. Obrigado Lourenço.

Grim Fandango trailer.


Full Throttle trailer.



PS - Foda-se, será possível que eu tivesse usado a palavra seminal lá atrás? Damn!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Alquimia

The Pirate Bay, Vuze {formerly Azureus}, P2P, BitTorrent, Opensubtitles, AVI, DIVX, SRT, Subtitle Creator, Btjunkie e tantos outros estão a mudar a minha vida. Não esquecendo, naturalmente, todos esses seeders e leechers por esse mundo fora. O meu bem-hajam desde já! Os caprichos cinéfilos, a pesquisa elaborada, a procura mais estranha, a "formação" da criança mais velha, o revisitar velhos momentos e emoções, tudo isto agora é mais possível, mais certo, mais ali à distância de um click. E isso é bom, muito bom. Razão tinha o meu amigo Rui ao afirmar que eu só tinha de colocar os meus padrões de qualidade um pouco de lado e tirar o maior proveito da coisa. Foi o que fiz, é o que estou a fazer; só tenho de me controlar um pouquinho {como sempre, de resto} que isto parece já estar a começar a perder o pé... Feitas as contas, toda esta monstruosa base de dados de película transmutada em bits digitais acabou por matar um blog que eu cá tenho. Mas eu não me importo, pois na realidade cheira-me que ele sempre foi um nado-morto...

segunda-feira, outubro 13, 2008

The best show on television, period.

Fartei-me de esperar por alguém que me ouvisse. Já papei a first season, estou na second season e a third season espera por mim, ali em cima da mesa. As duas primeiras vieram via Pirate Bay {you're the man, ingekul!} enquanto a terceira veio via Amazon. Ainda não pensei o que fazer em relação às fourth e fifth seasons, mas não perdem pela demora.

Mas uma coisa é certa, caros amigos. Todas as expectativas foram não só comprovadas como amplamente superadas. The Wire é, pura e simplesmente, do melhor que tenho visto em televisão; e olhem que já muita televisão passou por estes olhinhos. Dos vários textos, aqui e ali, que já tinha lido sobre a série, a conclusão mais comum, para além dos contínuos elogios, era a de que a série estava decalcada da realidade com uma eficiência considerável. O trabalho de campo, a investigação e a entrega aos assuntos abordados tinham sido levados muito a sério, quase parecendo, em certos momentos, mais um documentário do que uma série televisiva. A malta da rua, os agentes dos narcóticos e os dos homicídios, os estivadores, a Lei, todos eles representavam crivelmente a realidade. A ideia, diz Simon David algures, era que um qualquer estivador de um qualquer porto norte-americano que visse a série se identificasse automaticamente com Sobotka. O mesmo aconteceria com um qualquer McNulty que, do balcão de um bar qualquer, desse uma espreitadela para a televisão em mute, lá no canto. O mesmo já não diria de qualquer dealer afro-americano de uma qualquer esquina, pois essas tribos fazem ponto de honra em se diferenciar umas das outras. Mas os afro-americanos de Baltimore revêm-se certamente; um Omar ou um Wee-Bey não serão difíceis de encontrar.

A série é, por vezes, muito pouco série, pois tem uma dimensão muito própria, uma noção de ritmo pouco usual, onde a acção por vezes se arrasta ou se demora em pormenores ou diálogos que noutros formatos, e para outros públicos, não se aguentaria. A cidade, a rua, os vários segmentos da sociedade, estão definidos e presentes em The Wire de uma forma muito interessante; a própria forma como no site da HBO o elenco da série é apresentado é testemunha disso. Tal como o é a própria forma como a série foi pegando nestes segmentos, nestas instituições da city life {e lembro-me do sticker de Bunk que diz "I love city life"...}, a Rua, a Polícia, a Lei, a Escola, os Media, e as foi distribuíndo pelas várias, cinco {acabou este ano nos EUA}, épocas em que a série se desenrolou. Esta noção de proximidade com a realidade, esta veia documental, parece que deve muito à mini-série que a precedeu, The Corner — que acabei agora mesmo de ripar para um DVD, que segue por sua vez para fila de espera... —, trabalho que abordava apenas a rua, a esquina, e os "mitras" que a habitam. The Wire e, presumo, The Corner, em suma, o trabalho de David Simon e da sua equipa fazem-me lembrar, em certos momentos, o trabalho de Studs Terkel, esse incontornável e incansável divulgador do average american e das suas histórias e hábitos, o que é sempre bom.

E já referi que o cenário onde a acção se desenrola é a cidade de Baltimore? Eis outra das boas marcas de qualidade da coisa, Baltimore. Quem se lembraria de Baltimore? Bom, os carolas por detrás da escrita da série, que são de lá. O que torna a coisa ainda mais perfeitinha, convenhamos. Não há cá New York, nem Chicago, nem San Francisco, nem Las Vegas, nem Miami, nem LA. Não, os locais são mesmo estes aqui.

E quem quiser ler um pouco mais, pode fazê-lo aqui {só para assinantes...}, aqui, aqui e aqui. E volto a divulgar essa bela conversa entre David Simon e Nick Hornby.

segunda-feira, outubro 06, 2008

hélix + ptéryks

Desde sempre que este objecto, este animal de reino invulgar, este rotor assanhado, este amontoado de metal e coragem, me fascina. Se bem me lembro não devia ter mais de 5 ou 6 anos quando vi o primeiro helicóptero da minha vida. Foi num ambiente de concurso hípico {creio que em Vidago} e era um Alouette da Força Aérea, já batido pelo tempo e pela guerra, sem grande aura, mas que me impressionou deveras. Mais tarde, tenho memórias de um que tive para brincar. Numa escala bem à maneira, dava para pegar-lhe por uma pega que, com um gatilho, accionava as pás {fazendo em simultâneo o seu som característico; como eu adorava aquele som...} e com outro botão disparava rockets contra inimigos invisíveis. Claro, já mais tarde, também não fui insensível aos disparatados encantos do Blue Thunder {1983} e, ainda mais tarde, às misérias impostas pelas "valquírias" do Coronel Kilgore. Recentemente, não fiquei imune ao poder que emana de semelhantes bichos, ao ver um documentário no National Geographic {ou coisa que o valha...} sobre a linha de montagem do Apache que serve actualmente no Iraque. Mas hoje li uma das mais belas definições, inspirações, pensamentos sobre o assunto. Sobre essa dimensão estranha, onde forças contrárias, onde energias sobrehumanas desafiam as leis da natureza, e criam um estado fremente de sofrimento necessário à elevação. Hoje, ao ler estas palavras, senti o helicóptero tão próximo do ser humano...

«O helicóptero é um bicho que voa sem querer voar, porque ele tem tantos desgastes que é como se ele quisesse se autodestruir o tempo todo.» {Élson Sterque, Helipark}

{Vale bem a pena clicar na imagem, de modo a ampliá-la e poder desfrutar a fascinante complexidade destes bichos...}

quinta-feira, setembro 25, 2008

É lindo, é lindo, é lindo, é lindo, é lindo!

Adoro isto. Adoro, adoro, adoro. Descobri isto via 4.º D. Já passei horas em frente a isto, inserindo os urls do pessoal que eu gramo {e dos que não gramo...} em busca de emoção, vibração e sei lá que mais. E de sentido. Isto não tem grande sentido, mas é irresistível. Certamente que tem uma grande teoria por detrás, certamente que para muitos as leituras são possíveis e inúmeras {até que os invejo}, mas para mim é "apenas" sensorial. Wow!

Os exemplos seguintes correspondem aos meus urls na grande rede. Mas não se fiquem pelas belas imagens, vão até lá, pois isto com movimento é muito mais poderoso.

ANAUEL


Es Lebe Unser Geheimes Deutschland


1971. The Ultimate Biopic


O Ar do Lisboeta


www.carlosvieirareis.com


myspace


quinta-feira, julho 17, 2008

La Zona

Enquanto ainda anda por aí tudo em amenas {ou não tão amenas assim...} cavaqueiras sobre as virtudes {ou os defeitos} de Tropa de Elite, eu deito uma acha nessa fogueira político-filosófica-crítico-de-cinema-quando-me-apetece-e-a-globalização-é-uma-treta e, vai daí, aconselho vivamente o filme La Zona {e uma vez mais, ufa, agradeço ao companheiro Ribas...}. A sugestão parece-me válida, pois ambos os filmes e respectivos realizadores parecem ter tantas similitudes que eu diria mesmo corresponderem às duas faces de uma mesma moeda, a do jovem realizador esquerdalho sul-americano {ui, bem sei que um é mexicano, logo...; mas ainda assim}. Atenção, nada de mal com isso, antes pelo contrário. Adiante. Os dois filmes são do mesmo ano {2007}, ambos os senhores têm à data três filmes realizados {o Tropa de Elite de Padilha é o seu terceiro filme; Plá já se encontra a realizar o seu terceiro}, ambos devem pertencer à mesma geração {mas não cosegui comprovar isto} e para ambos estes são o seu primeiro filme "a sério" {sendo que Rodrigo Plá começou por uma curta-metragem e Padilha por um documentário} deixando antever mais e bons filmes nm futuro próximo. Aliás, cá para mim, se Padilha pode vir a ser o próximo Meirelles, parece-me também óbvio que Plá pode muito bem vir a ser o próximo Iñárritu.

Mas o que tem La Zona de tão especial? Bom, "La Zona" é um bairro residencial altamente fortificado algures na cidade do México {presumo}. Uma cidade dentro da cidade, rodeada de favelas a perder de vista, e simultaneamente bem fora da cidade, e da realidade do mundo. Ali se vive um dia-a-dia asséptico, controlado, climatizado e feliz. Até ao dia em que a contaminação {como eu odeio esta palavra...; mas vai surgir inevitavelmente} toma lugar... Não digo mais {seria spoiler} mas digo que um dos méritos do La Zona é deslocar, e de uma maneira incómoda o suficiente, e isso é bom, não é?, o foco da nossa atenção da favela para o condomínio, do "bandido" para o economista/professor/arquitecto, da rua suja e putrefacta para a alameda florida e asfaltada, do caos urbano para o caos sensorial. E fá-lo bem, muito bem. Se Padilha vai em cima da relação policial/bandido e fá-lo na realidade das favelas cariocas {que, acredito, devam ser mais acessíveis que as mexicanas}, Plá parte para cima da relação classe média-alta consigo mesma e no inferno em que ela própria escolheu viver. Um filme a ver.

Depois também vi, nos extras, a primeira experiência de Rodrigo Plá, El Ojo en la Nuca {2001}, uma curta bem esgalhada, com um jovem Gael G. Bernal, sobre as consequências da repressão militar no Uruguai. Dá para ver um pouco de Montevideo, que parece ser um estranho lugar {mas um bom estranho...}.



O trailer é uma merda, eu sei; é mais uma similitude com Tropa de Elite...

terça-feira, junho 10, 2008

O 2-0 visto pelo próprio...

Desde que o Europeu de Futebol começou que tenho passado aqui diariamente. A BBC disponibiliza, em formato virtual, os golos do momento. Vale a pena dar lá um salto e ver o golo de Sneijder, visto do seu ponto de vista. É muito bom.

sábado, abril 26, 2008

Sistemas de Transportes

E por falar nas paragens de autocarro de Mário Moura (ver post anterior), nem de propósito dou de caras com uma muito interessante (sobretudo pelos links, pelas múltiplas direcções em que nos pode levar) e, diga-se, extenso artigo de Gordon Ross no City of Sound.