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quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Gentrificação

A gentrificação mete-me nojo. A palavra, o processo, o motivo. É um termo tão abjecto que, mal o oiço, só me lembro de Endlösung. Hoje descobri {aqui} este pequeno documentário sobre o fim anunciado do Bairro da Luz em São Paulo. Triste.








"Die Jugend Marschiert", década de 1930.

domingo, setembro 12, 2010

Sete dias em solo belga; pequenas notas soltas...



1. Eu gosto do Sol e do céu azul. E de uma banhoca salgada no Atlântico. Mas sempre que vou lá acima sinto sempre que trocava tudo isso por aqueles céus. Ninguém tem aqueles céus da Flandres. Nem aquele fresco, aquela chuvinha. E tudo o que vem por acréscimo.
2. Isto é, os bares, os interiores, o quentinho, as cervejas, os cafés e os chás, os broodjes. As passas, os frutos secos. Os queijos. Os confortos.
3. A qualidade de vida, o luxo de se poder ter calma na vida {eles não se irritam... eles não se desviam... eles não sorriem...}, a certeza de que aquilo funciona {o nível de sofisticação e de eficiência da empresa que alugava bicicletas em Gent era assustador...}. Apesar da qualidade na vida, e dos fenomenais céus!, e embora me tivesse acontecido trocar o nome de uma pelo nome da outra, a Bélgica pouco tem em comum com a Holanda.
4. Os belgas são estranhos. Parecem doentes. Do foro psiquiátrico. Parecem personas divididas. Fendidas. Fracturadas. Não parecem ser capazes da felicidade. E não é do tempo, e da chuva, e do frio... Não, é mesmo outra coisa qualquer lá deles. {E é óbvio que generalizo...}
5. A pedofilia está escancarada diariamente nos jornais. Os bispos, os padres, os cardeais. E as vítimas. Slachtoffers.
6. Também a hipótese da divisão do país em dois inunda as páginas dos diários. Na rua não se sente. Como se tal divisão não fosse nada, comparada com a outra divisão já mencionada...
7. Não me parece que queira voltar à Bélgica. Gent encheu-me as medidas. Muito. Mas sinto que Gent é uma excepção. Bom, talvez, um dia, as Ardenas...
8. Brussel é Brussel. Não presta. {O Museu Magritte não foi mau de todo...}
9. Brugge é Brugge. Um cartão postal. {Dá para passear de bicicleta, o que já não é mau de todo...}
10. A bicicleta está longe de ser considerada e respeitada por todos {mais uma grande diferença em relação ao vizinho de cima}. Mas a liberdade proporcionada por duas rodas, pedais e correias de transmissão está lá. E é divinal. Ó se é.
11. E as cervejas? Bebi uma dúzia delas, mas não explorei ao máximo, nem ao mínimo, a coisa. Não esquecer que fiz férias em família, como pai de família. Conheço tão bem os parques infantis em Gent e arredores como as cervejas belgas em geral. São cerca de 350 variedades. Eu fiquei-me por uma mão cheia delas. Todas boas, algumas especiais. Acima de tudo a Piraat {triple beer, 10 graus, não experimentar beber mais de 3 seguidas...}. A Orval segue-a de perto. A fiel Hoegaarden mantém-se, bom, fiel.
12. O Manteca é o local ideal para uma cerveja, um cigarro e dois dedos de conversa. Tudo embebido em meia-luz e sonoridade jazística. Uma cidade que tem um Manteca tem tudo.
13. As crianças não são só slachtoffers... As crianças até aos 12 anos de idade não pagam comboio, não pagam museus, não pagam isto nem aquilo, em alguns restaurantes até 10% de desconto têm... Sabe bem ver isto posto em prática. Não é condescendente, é responsável e entusiasmante. As crianças belgas têm uma autonomia {assim à primeira vista} muito interessante e intensa.
14. Os gentenaars {a malta do Norte em geral} vivem a cidade de um modo muito especial e intenso. A cidade é deles e eles sabem-no. Cuidam dela e ela cuida deles.
15. Também eles, os belgas, têm o leão rampante! Gosto do leão rampante!

quinta-feira, agosto 26, 2010

Update



As minhas férias – mas o que são as minhas férias??? – continuam um misto de obras, praia, A8, a filha mais velha a tatuar {hena, meus amigos} uma flor na anca, almoçar e jantar fora {o que eu sinto saudades de cozinhar, meus Deus...}, mais A8, a filha mais nova a ficar mais velha {o speed a que o faz é lindo, irrepetível e mágico; uma espécie de raio verde!}, dormir na mãe, mergulho divinal no frio Atlântico, ainda e sempre a A8, e pó, muito pó... Nada mal, heim? Eu não me queixo, sério. Só o Glorioso me arrelia...

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Life is great. Without it you'd be dead.

Gummo. Sicko. Wacko. Psycho. Jesus. Pain. Hatred. Whoooa! Pervert. Bitch. Butch. Faggot. Kill. Arian blood. Jobless. Deadend. Time. Glue. Tape. Bullet. Laugh. Godforsaken shithole. Laugh. Tornado. Laugh. Incest. Kill. Bestiality. Slayer. Crime. Liquor. Disease. Pestilence. Bugs. Niggas? Well, you know, I just don't lik'em. Poison. Blow me. Bacon. Youth. Geriatrics. Dementia. Garbage. Sugar. Smokes. Petrol. Gas. Drunk and Drive. Midnight Hour. Voyeur. Tap dancer. Fascinating. Intoxicating. Horrifying. Life changing. Puta filme, dir-se-ia nos trópicos.



Nem que fosse pelo prazer de rever Linda Manz. Já não a adolescente revoltada de Out of the Blue, mas antes uma spaced out mom que faz sapateado com um par de sapatos quatro números acima numa cave cheia de desespero {e um filho incapaz de lhe devolver um sorriso}.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

«Devolver o rio aos lisboetas.»

Ciclicamente surge-nos esta expressão aos ouvidos, aos olhos. Na imprensa, na rádio, na televisão. Desde sempre que a oiço, surgindo a propósito do negócio dos contentores, da generosidade do POZOR, de um projecto megalónomo, de uma nova licença de um novo restaurante/museu/concessionário automóvel, whatever. Garanto-vos que nunca a entendi. Mais, que sempre me irritou solenemente. Que treta é essa de devolver o rio aos lisboetas? Quando é que eles o viveram realmente? Em que época de ouro? E quando é que foram espoliados de semelhante valor? Deve ter sido um trauma espectacular! De tal ordem que ainda hoje tal vaticínio salvífico se mantém — havemos um dia de devolver o rio aos lisboetas. Ah, dream on, dream on. Mas a expressão e a quimera lá vão persistindo. Ano após ano. Década após década. Século após século.
Pois bem, desta vez foi no Público do último dia do ano de 2008 que ela se fez sentir. Era grande o artigo sobre o caos que grassa nessa zona nobre da cidade que é o intervalo entre a Praça do Comércio e o Cais do Sodré. Que era Feios, Porcos e Maus, que era Kusturica, que era uma vergonha. Que está repleta de indigentes que ali acampam e secam os seus trapos ao ar livre {Aldeia da Roupa Branca reloaded, topam?}, que tem fogareiros improvisados, que não é segura. Que não é modo de tratar aquela zona da cidade. Pois bem, malta. Primeira chamada à realidade — há 37 anos, pelo menos, que aquela zona da cidade é assim, suja, feia, inóspita e desagradável. Sempre mal tratada, sempre habitada por tipos suspeitos. Lembram-se do café que servia a antiga estação fluvial, o Wagon-Lit, ou lá o que era? Lembram-se? Aquilo era pura e simplesmente intragável, infecto. E quantos anos não esteve aquilo para ali, aberto, ao serviço? Para não falar de um posto de gasolina que por lá andou, logo a seguir, anos a fio, entaipado, envergonhado. Dava muito jeito, sim senhor, mas era uma vergonha tê-lo ali. Se calhar, ainda lá está... E o Tolan? Sim, aquele tabuleiro ali à beira-rio, tão digno da cidade, ficará para a história como a plateia dos mirones do espectáculo da remoção do Tolan! Lembram-se? Eu estive lá, com o resto dos papalvos... {e não estive sozinho, que estas fotografias não são minhas...} Segunda chamada à realidade — já vos passou pela cabeça que agora sim, pela primeira vez na história desta cidade, o rio, a zona ribeirinha, tenha de facto sido devolvida aos lisboetas? Sim, aquela malta que por lá anda neste momento também é lisboeta e está a viver o Tejo como ninguém! Pois, por mim, que o curtam. Finalmente a expressão faz sentido, tem razão de ser. Será que, finalmente, não a ouviremos mais?

segunda-feira, junho 02, 2008

Much ado about nothing...

Hoje fui à Feira do Livro. E sabem que mais? Aquela brincadeira da Leya {é aos alemães que eles andam a brincar, não é?}, aquela brincadeira ainda nos vai fazer perceber o quão simpáticas e funcionais são as barracas do costume...

quinta-feira, maio 15, 2008

Weird...

Primeiro os Sound Mirrors, depois, o Schwerbelastungskörper, agora isto... Que raio andará a aproximar de mim, nos tempos recentes, estas moles de cimento, de betão armado, e em formas tão irrecusáveis, tão poderosamente atraentes, quais sereias? Mas não dá para permanecer insensível. São monstros sagrados, restos de tempos, medos e ilusões passados, corpos abandonados, que pesam, aqui e ali, na crosta terrestre. Têm quase um quê de doenças. São eczemas, pontos negros, irritações, na face da Terra.




Uma vez mais via Pruned.

sábado, maio 10, 2008

If London Were Like Venice

E esta é outra história absolutamente deliciosa! {aqui ou aqui} A fazer lembrar esse outro delírio urbano que era o de Neu York... {aqui mencionada há uns tempos atrás} As montagens fotográficas são assustadoramente bem feitas, tendo em conta que datam de 1899... Depois apercebi-me de que a mesma revista fez, anos mais tarde, a mesma "brincadeira" com Londres e Nova Iorque. A ver aqui.


Tudo via Pruned.

sexta-feira, maio 02, 2008

WOW!


«During a seemingly endless nighttime hypertextual journey through Wikipedia — one that took us from Tempelhof to a crash course on Nazi architecture and to Hitler's imagined future capital, Welthauptstadt Germania, a city that became a ruin without first having existed, and to Albert Speer, whose post-war gardening activities are worth detailing, which we will in a future post, i.e., if we still have the stamina to trudge through his excruciatingly long diary for the few relevant entries, before looping back to the start to then read about the Berlin Airlift, whose infrastructural and spatial organization, including the three air corridors above the blockaded Soviet Occupied Zone, we find so utterly interesting — we discovered the Schwerbelastungskörper.
So what is it?
It's a massive cylindrical block of concrete, standing 18 meters high and weighing in at 12,560 metric tons. It is located in the Berlin neighborhood of Tempelhof, where the eponymous airport is found.
The name is translated as “heavy load-bearing body,” although someone in the discussion page has suggested that “heavy load-exerting body” might be more accurate. It was constructed in 1941 to test how well the marshy ground upon which Berlin sits could handle the massive projects planned for Germania. More specifically, it was built to see how the landscape would react to Hitler's gigantic Triumphal Arch, whose opening would have accommodated Paris' Arc de Triomphe.
The results were not encouraging: The Schwerbelastungskörper sank 7 inches in the three years it was to be used for testing, a maximum depth of 2.5 inches was allowed. Using the evidence gathered by these gargantuan devices, it is unlikely the soil could have supported such structures without further preparation.
Hitler dismissed these findings, perhaps confident that the landscape can be subjugated with fine Teutonic engineering. But Hitler's capital had to wait. There was a war to be waged.»

Via Pruned.

sexta-feira, abril 11, 2008

The Servant

Há filmes que quando são grandes são grandes. Não há volta a dar. Há filmes que não perdem nada com o tempo, apenas ganham. Esses filmes são aqueles que a cada visionamento nos dão um filme inteiramente novo. Nunca são o mesmo. Tal como nós, mudam, crescem, reconhecem, enganam, mistificam. The Servant (1963) de Joseph Losey é um desses filmes. Ontem revi-o sei lá pela "qual" vez... Foi uma revisão da revisão da revisão da revisão e, ainda assim, foi uma moca nova! Ontem aquilo que me fascinou foi a mestria de Losey no que diz respeito aos planos. Não (ou não somente) os planos de câmara, se são de conjunto, closeups, americanos ou o que seja, mas os planos materiais, os da perspectiva, os da arquitectura*, os da profundidade de campo, os planos do ponto de fuga. E são de mestre, e são constantes, e poderosos. Losey joga constantemente com estes planos, dando-nos um foco de atenção logo ali à frente, escarrapachado, sem rodeios, mas pedindo-nos constantemente para que nos concentremos no que está lá atrás, em segundo plano, escondido, meio velado ou obscenamente exposto. E nós vamos oscilando entre um plano e outro, para a frente, para trás, numa espécie de enjoo, dividindo atenções, observando o que se passa junto a nós e escutando o que está lá atrás, noutra mesa, noutro canto. E quando nos "obriga" a procurar o ponto de fuga, o cerne da questão, o elemento do choque, do incómodo (invariavelmente, o sinistro Barrett), num plano aparentemente inócuo? O recurso aos espelhos, sobretudo o redondo com a moldura pirosa, verdadeiro ex-libris do filme, é muito bem esgalhado, mas o plano do sonso Dirk Bogarde chamando a sua "irmã" através de uma balão de conhaque é pura e simplesmente genial!


* E não por acaso, lembro-me de um amigo meu me falar de um exercício que teve numa cadeira do curso de Arquitectura, em que o professor pedia aos jovens futuros arquitectos que visionassem o The Servant e reconstruissem/refizessem/montassem a maquete da casa de Tony...

quinta-feira, março 13, 2008

The Street as Platform


Grande texto este — The Street as Platform, de Dan Hill. {Via Reactor; muito agradecido pelo texto e pelo City of Sound}

«The way the street feels may soon be defined by what cannot be seen with the naked eye.» Assim começa o texto. É longo, é. Mas é mandatory. A primeira parte do texto é Neuromancer sempre a abrir... A segunda parte levanta questões muito interessantes sobre a gestão e partilha de toda a informação invisível, privada ou não, que calcorreia as ruas das nossas cidades, lado a lado com os nossos corpos. E quais as estratégias a ter em conta (pelo Estado, pela iniciativa privada), num futuro não tão distante assim, de modo a não perdermos o controlo (a alma?) perante tanto tráfego (tráfico?). Gramei especialmente a imagem do caminho "rasgado" na relva em frente à Biblioteca Pública... Muito interessante toda a perspectiva, toda a ideia futura, sobretudo como contraponto muito válido às, já quase estafadas e deprimentes, teorias da perda de privacidade, do big brother insensível, dos dados expostos... safa. É reconfortante saber que há sempre alguém a pensar sobre isto tudo. Nada está perdido.

Dan Hill é o responsável pelo blog City of Sound e pode ver-se aqui algo mais sobre o seu percurso.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

As Benevolentes

É-me impossível não escrever um pouco que seja sobre este livro, sobre esta personagem que dá pelo apelido de Aue, sobre esta energia que consumiu os meus vários tempos durante estes dois últimos meses. Além do mais, é uma obra que se prestou e presta a valentes dissecações e eu não fujo à regra. De lápis em punho foi marcando aqui e ali. Aqui ficam, pois, algumas notas.


1. O livro é do c......!
2. É grande? Tem 884 páginas (na edição portuguesa da Dom Quixote)? So what? São poucas, digo eu... Também é verdade que, caso se retirassem todas as patentes ali impressas antes dos nomes de todo e qualquer soldado e oficial, bem, o livro ficaria com bem menos uma centena ou duas de páginas...
3. O livro não merecia o Goncourt ou o Grande Prémio da Academia Francesa? Não me interessa minimamente. O livro é excelente. Se está repleto de inexactidões, de atentados, relativamente à língua francesa (logo, não merecia os ditos prémios) tivessem reparado nisso antes. Ou deixem de dar importância aos prémios... É irrelevante para o ponto de vista do leitor. Mas não deixa de ser fascinante todo o trabalho de dissecação da obra, todo o bando de detractores e, logo, de apoiantes do autor, basta uma pequena pesquisa na net para nos apercebermos da dimensão da coisa.
4. Palavra exageradamente utilizada ao longo do livro – volutas. Embora se desculpe, a palavra é linda!
5. Incongruência indesculpável – página 83. Max Aue não se recordar do nome do local onde ocorreu a sua primeira participação numa execução de judeus em massa. E logo numa mata, esse elemento tão caro a Max.
6. Excesso de zelo do tradutor (e único verdadeiro apontamento da minha parte; o resto parece intocável) – página 118. Traduzir Babi Yar... Babi Yar é Babi Yar!
7. Como as coisas boas são como as cerejas, vêm em cachos, As Benevolentes trouxeram-me Couperin e Rameau. Bravo!
8. E a promessa de Pechorin, em Um Herói do Nosso Tempo do escritor russo Mikhail Lermontov. Mal posso esperar...
9. Momento místico-mágico puramente irresistível, a lembrar saudavelmente Corto Maltese – todo o epísódio à volta de Nahum ben Ibrahim (pp. 259-265).
10. Detalhe delicioso que desconhecia – na frente, todos os relógios dos elementos da Wehrmacht estavam acertados pela hora de Berlim...
11. Latrinenparolen e Sprachregelungen, lindo! Aliás, o momento dedicado às palavras (pp. 574 e 575) é todo ele muito bom. E a fazer lembrar uma outra leitura decerto valiosa e já bastante adiada, o Lingua Tertii Imperii do valente Victor Klemperer.
12. Para aqueles que ainda o forem ler, quando chegarem à parte do discurso de Himmler em Posen/Poznan, recomendo vivamente que, nesse momento, façam uma pausa e se dirijam aqui É verdadeiramente enriquecedor da experiência, pois dá-nos uma perspectiva sonora da coisa...
13. «Era uma balbúrdia magnífica.» Assim descreve Max Aue a sua chegada à Hungria em 1944. Parece estranho, mas esta simples descrição é fascinante à quintessência; 1944 deve muito bem ter sido assim.
14. Momento mais olfactivo – página 779. «... tinha náuseas diante da minha máquina de escrever.»
15. Factor de irritação generalizada e avassaladora – A insistência de Aue com os vinhos. Porra, estão francamente a mais as referências a castas e colheitas...
16. O final é fraco, rápido, acelerado nos acontecimentos, meio decepcionante? É um pouco. É pena. Uma experiência destas merecia melhor fecho.
17. A Guerra e o Sexo, a Morte e a Vida. A Guerra exterminando para além do aceitável, o Sexo desejando para além do aceitável. Solução final, no exterior, desejo de incesto desejado, no interior. Para mim, fez todo o sentido. Por vezes extenso, mas sempre sexo do bom...
18. Último lamento – a superficialidade com que Maximilien Aue aborda Stauffenberg, quando Stauffenberg é parente do marido da sua irmã. Parece-me pouco provável.
19. Grande dúvida – Este livro tem tido vendas anormais. Corresponderão elas a leitores satisfeitos? Ou a grandes desilusões e abandonos? A mim quer-me parecer que ou se tem grande estofo e vai-se em frente pelo amor à leitura, ou tem de se gostar muito da temática para aguentar semelhante livro...
20. Ponto final – foi uma experiência e tanto. Obrigado Jonathan Littell.



Fotografia de Benjamim Loyseau.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Parkour











Por Lisboa...


Em Telheiras...


E o meu favorito... Parkour lituano (Vilnius)

quinta-feira, janeiro 31, 2008

«Hum, hum, e qual é o n.º da porta...?»

Ontem passei no 4.º D e deparei-me com este post superinteressante. Hoje voltei lá e topei que os contributos são já numerosos, e que só aumentam o interesse. Engraçado como algo que sempre achei (na realidade, não se pensa lá muito nisso, pois não?) ser tão pacífico, algo que imaginaria ter 3 ou 4 modelos, é afinal um mundo de soluções. A solução japonesa, essa então, parece-me mesmo à japonês, ou seja, uma loucura pegada. Eu cá sei muito bem quem não desejaria ser carteiro no Japão...

domingo, janeiro 27, 2008

Picadeiro

Hoje, depois de uma belíssima aula em cima do Aladino (em mais um baptismo bem sucedido), ao preparar-me para me ir embora, desloquei-me ao interior do picadeiro para depositar o meu stick e, ali, sozinho, perante um picadeiro vazio, de areia revolta (ainda (ou já) com uma ou duas aulas em cima), mas vazio, cheiros e emoções passadas, bem distantes, memórias vivas de um tempo em que menino pisei picadeiros entretanto esquecidos, vieram, em catadupa, à minha presença. Ali, hoje de manhã, um domingo. Um picadeiro vazio ostenta uma poderosa camada de história, luz e som que poucos locais (quando vazios) ostentam. Na realidade, um picadeiro vazio é algo que não existe. Um picadeiro é um ser vivo(*) que se exercita quando cheio e que retoma energias quando vazio, mas sempre, sempre respirando e marcando o tempo. Quando vazio, retira-se, introspecto, e mantém-se em vigília. Quando penetrei nele hoje de manhã, ele sobresaltou-se ligeiramente e iniciou um processo de sussurros. Falou comigo e eu escutei-o. É difícil não ouvir o silêncio de um picadeiro, um silêncio composto de luz (se o corpo humano é 70% de água, um picadeiro é 70% de luz), de insterstícios (da madeira? de outra matéria?), de movimento quasiperpétuo, circular, em serpentina, a passo, a riso (ou choro). E se um picadeiro em descanso tiver (como hoje teve), aqui e ali, como que a marcar um tempo ou um ritmo, como se de um metrónomo dos seus sinais vitais se tratasse, o chilrear feliz e cristalino de um pardal, bem, aí tanto melhor. Bênçãos!


(*) A propósito desta noção de um espaço ser como um ser vivo e de necessitar de momentos de acção e de descanso, vêm-me à memória as excelentes palavras do arquitecto paisagista holandês Dirk Sijmons sobre a Arena (estádio actual do Ajax), e que não resisto a transcrever (do livro Brilliant Orange, de David Winner). «"The old Ajax stadium was too small and it was not a beauty by any standard [...] But it was nice and cozy. And it was built for football rather than for making money. [...] ... the Arena is not a home. They play there on a Sunday. But then there is a Rolling Stones concert. Then a big congress. Then the unveiling of the new Mitsubishi space-car. Then, after seven days, Ajax are allowed to go and play football again. [...] This Dutch multi-functional obsession of making money with the same building in many ways [...] that kind of thing... It is a very brilliant idea, of course, but it squeezes the life out of what a football stadium is. A stadium has to rest between matches too. It should wait empty for a week before the game, before the next flow of people arrives. A stadium somehow needs to meditate."» Nem mais.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

E se isto não é lindo, o que é lindo?


Através do Stalker (blog muito interessante do muito interessante Simon Crab) vou dar aos Sound Mirrors da costa inglesa. E outros que tais. Vale a pena ir lá dar uma saltada e, uma vez lá, seguir outros links que ele lá pôs.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Architecture influences behavior; it does not determine it.

Como sempre, o blog Architectures of Control continua do melhor. Desta vez Dan Lockton faz uma recensão do artigo "Architecture as Crime Control", de Neal Katyal, publicado há uns anos no Yale Law Journal. Deixo aqui o resumo do artigo, embora o texto de Dan Lockton valha, ele todo, a pena.

Building on work in architectural theory, Professor Katyal demonstrates how attention to cities, neighborhoods, and individual buildings can reduce criminal activity. The field of cyberlaw has been transformed by the insight that architecture can regulate behavior in cyberspace; Professor Katyal applies this insight to the regulation of behavior in real space. The instinct of many attorneys is to focus on criminal law as the dominant method of social control without recognizing physical constraints--constraints that are sometimes even shaped by civil law. Ironically, even an architectural problem in crime control--broken windows--has prompted legal, not architectural, solutions. The Article considers four architectural concepts: increasing an area's natural surveillance, introducing territoriality, reducing social isolation, and protecting potential targets. These mechanisms work in subtle, often invisible, ways to deter criminal activity and, if employed properly, could stymie the need for architectural self-help solutions that are often counterproductive because they increase overall crime rates.
Professor Katyal then illustrates specific legal mechanisms that harness the power of architecture to prevent crime. Distinguishing situations where the government acts as a builder, as a civil regulator, and as a criminal enforcer, the Article suggests solutions in a variety of legal fields, drawing on property, torts, taxation, contracts, and criminal law. Procurement and taxation strategies can promote effective public architecture; crime impact statements, zoning, tort suits, and contractual regulation may engender private architectural solutions as well. Criminal law, particularly through forfeiture, may also play a role. Several problems with architectural regulation are considered, such as the extension of social control and potential losses in privacy. Professor Katyal concludes by suggesting that local jurisdictions devote more attention to architecture as a constraint on crime instead of putting additional resources toward conventional law enforcement.


E destaco esta deliciosa sugestão de Katyal de como a simples adição de um arco a uma zona residencial pode mudar os comportamentos de quem não lá reside. Isto é, dos indesejados. Porque a arquitectura, embora não determine, influencia os comportamentos. Não o esqueçamos.