
Recentemente tive a oportunidade de ver dois documentários que, vistos assim de seguida, se complementaram de forma interessantíssima. Por um lado, o brasileiro
Fala Tu {2003} e as desventuras de Thogum, Macarrão e Combatente. Por outro lado, o norte-americano
Rize {2005} e as desventuras de Tommy, La Niña, Dragon, Miss Prissy e outros tantos
clowns e
krumpers. Por um lado, um documentário muito bem preparado previamente, visivelmente bem investigado e guiado por dois tipos {Guilherme Coelho e Nathaniel Leclery} oriundos de meios exteriores ao cinema e na sua primeira experiência de realização. Por outro lado, um documentário super bem filmado, a câmara sempre no local certo, do já mais que reconhecido, fotógrafo David LaChapelle. Pesem embora as diferenças, de produção, de
budget, de estilo, ambos os documentários são exercícios muito interessantes sobre as estratégias da malta que vive a rua em zonas abandonadas, pobres e perigosas, quer seja no grande Rio de Janeiro quer seja na grande Los Angeles. Em ambos os documentários, e em ambas as cidades, a cultura Hip Hop serve como escape e tentativa de melhoria da vida de cada um. Num é o Rap, noutro é a Dança. Entre as balas perdidas e a ralação da vida quotidiana; uns cantam, outros dançam. Mas, e pormenor muito curioso, em ambos os documentários, em ambas as cidades {e no México, e em Lima, e em Nairobi, e algures no Oriente; atrevo-me a sugerir} um elemento é constante, um elemento sempre cativa um ou outro
rapper,
krumper,
whatever e os dirige na vida – Cristo, a espiritualidade, sob múltiplas formas. Seja o Santo Daime, seja uma qualquer
evangelical church. Dá que pensar.