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quarta-feira, junho 24, 2009

Menina-Anjo-Bombista

Era uma menina muito linda e forte, com os olhos vivos e duas asinhas agitando-se ao nível dos ombros. Encontrei-a no pequeno jardim da grande cidade, extasiada com o movimento das folhas das árvores contra o azul do céu. Nas mãos, meia embrulhada numa fralda bordada, segurava uma bomba.
— Como podes tu, sendo Menina e Anjo, lançar uma bomba no Planeta? — perguntei eu.
— Não fales do que não sabes — respondeu ela. — Esta bomba não é para o Planeta, é só para a minha casa. E não é violenta, é uma bomba de Amor. Os meus pais e a minha irmã mais velha, os avós, tios e muitos primos, todos vão perceber a força desta bomba. Eu prometi, há muito tempo.
— Ai sim? — brinquei eu. — Conta lá isso.
Fechou o rosto. Ficou parada, por instantes. Logo abriu um doce sorriso condescendente.
— Tu já estás na lista, vais ser atingida. Andas há anos a ler livros que dizem que o Amor é a Maior Força do Universo, e ainda foi preciso vir eu com a minha Bomba!...


{pequeno texto da avó Lisete, que não resisti a publicar aqui}

sexta-feira, março 20, 2009

Ó pai, ó pai...

É impressão minha ou este ano o Dia do Pai ganhou uma dimensão anormalmente grande? A quantidade de blogs {alguns tão insuspeitos que até me surpreenderam...} que por aí fora fizeram questão de assinalar o dito dia é imensa. O ano passado este dia passou, mais ou menos, ao lado. Há dois atrás, não me dei ao trabalho de averiguar, mas suspeito que ainda mais em claro ficou. Explicação possível? Deve ser da crise... {já se sabe que quando a coisa aperta só resta o pai}. Ou será da histeria em torno do bicentenário de Darwin?


Pequena nota: Eu sou o que se poderia considerar um filho desnaturado. Nunca liguei muito a sério a este dia, bem pelo contrário; este ano até o deixei passar... Mas uma coisa é certa. Como não pensar no meu pai diariamente quando olho para a "minha" Júlia e só o vejo a ele, e à mãe dele, e ao pai dele?

sexta-feira, dezembro 12, 2008

terça-feira, dezembro 02, 2008

A little comfort...

Nos pequenos momentos {que não têm sido lá muitos} em que consigo resgatar resquícios daquilo a que cá em casa chamamos de "vida própria" ainda consegui iniciar, e dar alguma espécie de continuidade, ao The Naked and the Dead do falecido Norman Mailer. E, como se isso servisse de conforto..., lá vou pensando, noite adentro, quatro da manhã que podiam ser onze da noite ou mesmo, quem sabe?, dez da manhã, que se eu penso que isto das noites mal dormidas é difícil, o que pensar de estar desterrado, seminu e apavorado, a milhares de quilómetros de casa, cheirando mal e picado por bichos vários, sob a metralha e na vã esperança de se manter vivo até ao fim do dia? Sim, isso é difícil. Isto, é apenas divertido; é o que é.

Interregno...

Ainda há uma hora atrás a nossa querida Maria José nos afirmava, entusiasmada e encorajadora, que «o primeiro mês é para a Júlia, ela é que vos guia!». E isto, realmente, não tem andado fácil... São tantos os percalços, soluços, berreiros, alegrias e fervilhanços que não tem sido fácil sentar e escrever. A ver vamos se o Anauel {e os seus leitores, onde quer que estejam} aguentam tamanho hiato.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Círculo

O passado dia 23 viu, nas suas horas iniciais, a minha filha Júlia abrir os seus olhinhos ainda "inúteis" e viu, nas suas horas declinantes, o fechar dos olhos de um homem sensível e sabedor, Rogério Moura. Garanto-vos que sair de uma maternidade repleta de criaturas lactentes e ir directamente para um velório, o de um homem que muito tinha de menino e que, suspeito, foi um avô "à maneira", é uma verdadeira lição de vida. Um turbilhão de emoções, de uma clareza assertiva.

23 de Novembro de 2008—01h:03m—51,5cm—3,595gr

Sê bem-vinda a este planeta querida Júlia! Que a aventura te seja benéfica!

sexta-feira, novembro 21, 2008

Lightning Bolt

Domingo que vem, estes caramelos {que não têm outro nome} vão dar espectáculo num dos pisos do parque de estacionamento do Largo de Camões. Eu vou estar lá. Espero. Espero que a Júlia assim mo permita... Vê lá rapariga, ou antes ou depois, mas não durante, ok? Valeu.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Mas também existe a Julia Florida...

E esta, sim, é aquela melodia que lançamos ao ar quasi religiosamente, todos os dias, ao cair do dia e ao levantar da noite. Uma Julia para uma Júlia...

"Julia Florida", de Agustin Barrios Mangore, interpretada por David Russell




Update — Um enorme obrigado ao Luís por ter trazido esta Julia Florida até nós!

Júlia Florista

Daqui a dois meses, mais coisa menos coisa, a minha segunda filha abrirá os seus pequenos e virgens olhos para este mundo terreno. E com ela, bem do alto do seu cucuruto ainda molinho até às plantas dos pés encarquilhados, virá até ao seio familiar o sonoro nome de Júlia. Esta foi a escolha dos pais, será por ele que responderá, será ele que unirá os mais diversos ares/humores da miúda. Mas pensam, porventura, que Júlia tem sido um nome pacífico, que a escolha de Júlia tem arrancado {e não esperam todos os pais por isso?} grandes aplausos e encómios? Nada disso. Tem sido mais ais e uis do que outra coisa... Durante uns tempos ainda andei banzado. Como podia tanta gente torcer o nariz perante semelhante escolha por parte dos progenitores? E a par da suspeita vinha sempre a referência à Júlia Florista!... A Júlia Florista para aqui, a Júlia Florista para ali, sempre presente o raio da criatura, fosse uma tia, uma empregada, uma avó, uma bisavó, a comentar o nome da criança vindoura. Mas quem era, é, a Júlia Florista? Nada mais do que a alma de um típico faduncho lisboeta. Bom, fui ao soulseek {e como viver sem o soulseek?, pergunto eu} e saquei o dito fado, para sempre celebrizado por, quem mais?, Amália. Aí tudo fez sentido. Ao ouvir a letra daquele fado apercebi-me de como, apesar de já ter passado cerca de meio século sobre uma certa Lisboa e uma certa Júlia {a Florista}, ainda hoje a «chinela no pé» e o «ar de ralé» fazem mossa nas projecções dos ideais familiares de sucesso e nas ambições e aspirações a uma vida acima sabe-se lá do quê.

Pois nós, cá por casa, temos ouvido com enorme prazer o dito faduncho e aqui vos deixo esta preciosidade gravada no Grupo Desportivo da Mouraria em, pasmem-se!, Agosto passado. Numa tanto deliciosa e engraçada quanto bizarra e confrangedora versão interpretada por mais uma Júlia {Lopes} e uma Joana Veiga. A não perder! Aquele bater de pé no chão de madeira, bem lá no final, é genial.




E para não ficarem de certo modo defraudados, aqui fica a notável versão da grande Amália Rodrigues.

terça-feira, julho 22, 2008

Aceitam-se leituras e interpretações...

A Matilde deu os seus primeiros pontapés ao som de baleias, no escuro de uma sala do Cinema King, durante o genérico inicial do filme Os Mutantes (1998), de Teresa Villaverde. A Júlia deu os seus primeiros pontapés, domingo passado, em casa, ao som de Bob Dylan, algures durante essa cadeia de sons e imagens que é o último delírio de Todd Haynes, I'm Not There (2007).