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domingo, abril 25, 2010

Cromos

Quem me conhece sabe que eu sou muito crítico, bastante, demais, em relação a Portugal. E que não perco uma oportunidade para malhar, diminuir e arruinar este país, os portugueses, a loserfonia, a mediocridade nacional. Sempre que posso. Isto não vale grande coisa, e não vale a pena escondê-lo. É {muito provavelmente} verdade que se é mais feliz não acreditando nisso, encolhendo os ombros e vivendo de acordo com os hábitos do resto da maralha. Mas... nem sempre é fácil, ou possível, ou exequível. Mas quem me conhece também sabe que quando há que reconhecer valor também o faço, e com prazer, e com vigor, e muito exagero, God knows how I love superlatives! E ontem, uma vez mais, me apercebi que há coisas que este país faz, produz, cria e alimenta como nenhum outro. O mitra, o mangas, o burlão, o city dweller, o cromo, o agarrado, o bêbado. E o que dizer desta capacidade lusitana de mesclar humor com sordidez? Poucos países constroem estes personagens como Portugal. Atenção que não estou a ser cínico. Não estou. Isto é, de facto, um elogio. Reconheçamos, pois, o que de bom fazemos. Gratidão.

Isto a propósito do excelente documentário que apanhei ontem à noite na RTP2, de seu nome Esta Rua É Minha, de Gonçalo Mégre. Muito agradável surpresa.



PS - Ah, parece que o Márinho tem um blog...

sábado, abril 24, 2010

Calhauismos

Não falta gente por aí a atirar pedras. São os juízes, são os jornalistas, é o Papa, é o 25 de Abril, é o PEC, é a Grécia, é a pataqueopôs, são os bloggers de esquerda, e mais os da direita, e os tortos, é o andor, e mais os túneis e a putaqueospariuatodos. Tanta mágoa, tanto rancor, tanto bolor. Tanta gente a achar que, como dizia o caramelo azedo, francês mas azedo, oinfernosãoosoutros. Acreditem, sei do que falo, é tão mais fácil {não é nada, mas era bom que fosse...} vermos o quão fácil é sermos apedrejados... É pá, isto faz lembrar aquela coisa do quemnuncapecouqueatireaprimeirapedra... Mas não tem servido de muito, pois não?

segunda-feira, setembro 21, 2009

A fama e o proveito, a cada um o seu...

Digam lá o que disserem, e muito sempre há para dizer, uma coisa eu sei. Uma coisa é certa e não há jeito de desmenti-la – o PS está sempre nas bocas do mundo, que faz isto e aquilo, que é este e aquele, que compra fulano e beltrano, que despede ou pressiona fundos e mundos, mas quando soa a hora da verdade, quando a marosca é desmontada, quando the shit hits the fan, é sempre o PSD que lá está, no banco dos réus, na 1.ª página dos jornais, na verdadeira boca do mundo. Uns têm a fama e outros o proveito, lá diz o povo. É tipo aquele estafado discurso, sabem?, do SLB sempre a ser levado ao colo mas os campeonatos sempre a caírem no saco do FCP. {Aliás, cheira-me, não deve tardar muito para mais uma vez essa cantilena aparecer aqui e ali.} Voltando ao PS e ao PSD, e continuando com a analogia futebolística, como eu sou um tipo que acredita sempre nas reviravoltas, confesso que ainda nutro aquela esperança da maioria absoluta novamente. É esperar e ver. Entretanto... PS Absoluto! Absolutamente Sócrates!


PS - E os professores, e os juízes, e os carpinteiros, e os jornalistas, e os adjuntos, e os outros todos, que não quiserem perceber isto, então é porque são muito estúpidos e aí, bom, sejam-no. Cá estarei no dia 28 para os mandar à merda.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Berlim, 1945

«Aprés s'être tues si longtemps, ces grands-mères meurtries qui, dans leur maisons de retraite, sont prises de panique lorsqu'elles entendent des aides-soignantes parler russe ou lorsqu'on veut leur poser une sonde urinaire, sont-elles prêtes, au terme de leur vie, à raconter leur grand secret?»

A propósito de Anonyma, eine Frau in Berlin que o mais certo é ser uma banhada {trailer aqui}, mas sobre o qual, e cujo tema, o artigo do Le Monde de hoje levantou pontas perturbantes como a das linhas acima. A imagem é assustadora, não é? Quase que dá para cheirar a alcatifa e o rasto de sangue que a História vela, dia após dia.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Bater no ceguinho...

Nada mais triste do que os elogios a que tenho assistido em relação a McCain e ao seu discurso de derrota. Típico da maledicência profissional que esculhamba a torto e a direito, esmifra o pobre do homem e a louca do Alaska e, depois de ganho o jogo, bom, lhe tira o chapéu e reconhece que o homem é capaz de ser nobre. Se fossem um pouco mais honestos berravam: «É bem feito! Toma! Engole, porco!». Mas não. Afinal, o coitado até que se portou bem.

Eu a leitura que faço do dito discurso é esta: até McCain gostou de ver Obama eleito. Atenção, não por se ver ele livre de tal cargo {como vi por aí várias vezes apregoado}, não, acho que ele acredita mesmo que Obama é melhor escolha. O que, bem vistas as coisas, não abona muito a favor de Obama, não é?

quarta-feira, agosto 13, 2008

A este nunca ninguém {ou quase ninguém...} apontou o dedo...

Este foi o único brasileiro que realmente andou a roubar {e descaradamente} os portugueses anos a fio e, contudo, vejam bem, pasmemo-nos, ninguém {ou quase ninguém...} protestou, incendiou, cuspiu de raiva...

terça-feira, julho 22, 2008

Filmes em português

Sempre que vejo filmes brasileiros faço por me convencer de que me encontro a ver não filmes brasileiros mas, antes, filmes em português, numa escandalosa e horrrenda tentativa de usurpação, numa derradeira esperança de que o cinema português se reflicta, partilhe e vibre também um pouco às custas desse primo afastado que lhe escreve, de vez em quando, do outro lado do Atlântico. Nos últimos dias banhei-me um pouco mais nesse mar que é o cinema brasileiro. De uma assentada foram três Arnaldos Jabor, um Joaquim Pedro de Andrade e um exercício da mais pura propaganda espírita.


Toda Nudez Será Castigda {1973}, Eu Sei Que Vou Te Amar {1986} e Eu Te Amo {1981} foram os Jabor em causa. Toda Nudez Será Castigada é pura e simplesmente genial, do ponto de vista do guião, um texto original de Nelson Rodrigues, esse mestre dos amores truculentos. O filme cumpre, não desapontando o belíssimo texto que tem como base e chega mesmo a ter cenas muito boas mesmo. Certos momentos aqui e ali do Rio dos anos 70 e toda a cena decorrida dentro da cela prisional {por muito deslocada que possa parecer em relação ao tom do resto do filme} valem bem o filme; mesmo que numa cópia um tanto ou quanto manhosa {a que eu vi, pelo menos}. Um Paulo Porto muito bom, uma Darlene Glória sofrível e um fantástico Hugo Carvana {numa hilariante cena} também ajudam à festa. E, claro está, o melhor do filme, o ladrão boliviano! E mais não digo...

Eu Sei Que Vou Te Amar foi o segundo momento e, bem, hum..., quase me fez deitar tudo a perder... Não há pachorra, senhores. De tal maneira que até seguiu em andamento rápido, para a frente, até ao finalzinho do DVD só mesmo para ver se eles se matavam um ao outro no fim... Booooriiiiing!


Mas o Eu Te Amo, bem, esse, é uma pedra, uma doideira bem à maneira, um filmaço. Louco, louco. Nudez {de Paulo César Peréio, Sónia Braga e Vera Fischer} do princípio ao fim numa cornucópia de filmagens homevideo, luzes fluorescentes, sacanagem com frutas tropicais à mistura, negócios e amores falidos, facas apontadas à genitália; tudo remisturado numa fenomenal penthouse sobre a lagoa Rodrigo de Freitas. Tudo muito à la Brian de Palma meets Coppola?... e estou a pensar no Dressed To Kill e no One From The Heart {sendo que este é posterior...}. Maybe. Mas está muito bom, sim senhor. Um bom Jabor. Tenho ali ainda o Opinião Pública e o Tudo Bem para ver; que é para ver para onde vai pender o fiel da balança...


Depois vieram Os Inconfidentes {1972}, de Joaquim Pedro de Andrade, o homem por detrás de dois grandes filmes brasileiros – Garrincha, Alegria do Povo {1962} e Macunaíma {1969}. Que neste caso nos narra uma interessante abordagem ao episódio histórico de revolta contra o jugo lusitano por parte do famoso Tiradentes e seus compadres. História de gente cheia de ideais e de sonhos futuros que os troca num ápice por uma garantia de mais umas respirações nesta terrena existência. Em plena ditadura e cheio de plenas referências. Aposto que foi censurado até mais não e por muito tempo. A ver. Esteticamente muito interessante.

Ah, é verdade, falta a peça propagandística espírita... Bom, só tenho uma palavra para vosotros: Joelma, 23.º Andar. Delirante!