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quinta-feira, junho 26, 2008

Mais perspectivas...

Os jogos de futebol são um pouco como os filmes... devem ser vistos e revistos, várias vezes. A meu ver um jogo de futebol não se esgota no momento em que ocorre. Aliás, um jogo de futebol nunca é apenas e somente um jogo de futebol... Num jogo de futebol podem ver-se comportamentos humanos, dinâmicas de grupo, "fezadas" grupais, auto-imagens de sucesso, desejos inconcialiáveis, momentos únicos das histórias dos povos. Até a nós próprios nos podemos ver ali reflectidos... Por isso, quando possível, devemos rever os grandes jogos da nossa vida.

Ontem à noite revi grande parte do recente Holanda-Rússia, no Eurosport. A primeira conclusão foi a de que a Holanda não jogou assim tão mal como eu imaginava {e porque imaginava eu tal coisa, veremos já a seguir...}. Por um lado, isto abona um pouco mais a favor dos russos, pois afinal não bateram em ceguinhos...; por outro, comprova que foi a total falta de eficácia holandesa no último toque, no remate, no desvio para a rede, a par do que já aqui mencionei, os dois motivos fortes para o desaire. A Holanda massacrou mesmo em certos momentos. Mas não foi feliz. E contudo quem me lê neste momento, e viu o jogo então, não reconhece nada disto... Porque, e aqui entra a segunda conclusão {e a explicação para o recurso à imaginação ser tão frequente...}, a maior parte das pessoas vê os jogos com os ouvidos. Estamos em frente ao televisor, vemos os tipos a esfalfarem-se no relvado, mas onde estamos mesmo concentrados é nos comentários, nas observações, nas resenhas do que é suposto estarmos a ver... Bizarro, não é? Mas é verdade. E se ao vermos um jogo estivermos em grupo, cervejas à mistura, confusão geral, ainda menos objectivos somos e ainda mais destes paliativos nos socorremos. Porque eu, ontem, ao ver o jogo na Eurosport vi outro jogo, e em muito, apercebi-me, devido aos novos comentadores e respectivos comentários. No sábado passado eram os tipos da TVI, agora eram os da Eurosport. Aqueles tipos do Eurosport {e nem está em questão a qualidade de uns e de outros; embora estes sejam muito melhores...} tornaram possível outra leitura do jogo. Mas a grande questão é porque terão estes tipos, os comentadores, tamanha interferência, importância, na nossa percepção do jogo? Porque não conseguimos neutralizá-los? Como fazê-lo? E na impossibilidade de os neutralizar como fazer de modo a escolhê-los? Pagava para saber...

Porque no sábado a Rússia era um portento, uma pérola do futebol europeu, uma potência que só na final pararia. Ontem ao rever o jogo já não foi nada disso que vi. Vi antes uma cambada bem organizada, fisicamente dura e apostada única e exclusivamente no contra-ataque. E hoje, o que se viu? Bom, isso e uns três golos sem resposta...

E agora, que já não há Turquia nem Rússia? E, sobretudo, que já só há Alemanha {valha-nos Deus, diz o Sr. Manel} e Espanha {cruzes canhoto, devolve a Dona Emília}. Como ficam, com quem ficam, as apetências, as fabulações, os devaneios dos portugueses? Acabou-se, não é? Que comecem, então, os fogos florestais.

quarta-feira, junho 25, 2008

Perspectivas...

O curioso dos momentos mencionados nos dois posts anteriores é o timing, daí o serem tão interessantes. Dava mesmo a sensação que, caso o jogo tivesse mais 5 horas de duração, a cada observação feita com a intenção de diminuir a Alemanha, esta marcaria mais um golo. Totalmente confrangedor.

Mas estas observações que referi não foram casos isolados. Não. O tipo {o da TVI mesmo; que o L. Sobral até tentava dar crédito aos alemães; ele sabe mais... muito mais} esteve o jogo todo a fazer o jogo dos turcos. É impressionante a falta de objectividade desta gente. Uma vez Portugal fora da competição, estes bizarros personagens vestem a pele da equipa mais fogacheira, mais improvável, mais "raçuda", mais sortuda, mais desequilibrada e mais mal preparada das que seguem em frente, isto é, a mais parecida com Portugal. Porque é disso que se trata, não é? Portugal é uma espécie de Turquia e a Turquia é uma espécie de Portugal. A grande diferença é que Portugal já "enganou" a União Europeia há mais tempo... A grande semelhança é que ambas perdem com a Alemanha... e pelo mesmo resultado.

Note-se que o tipo da TVI não é, também ele, um caso isolado. Não. Desde quinta-feira passada que é notório que uma grande parte dos portugueses está {estava} com a Turquia, e que a outra parte está {ainda} com a Rússia. É esta a sina dos pequenos. Escolher alianças fracas. Só não consigo bem perceber com que vero sentido. Se numa de empatia pura e simples, tipo "estar com os mais fracos". Se numa de estando pela Turquia, torcendo para que a Turquia ganhe o torneio, os portugueses garantem que o campeão foi, ao menos, vencido por Portugal. Ha ha ha. Ou se mesmo por vingança básica e primária {e inclino-me mais para esta versão}, tipo "a Alemanha ganhou-nos e agora estamos por qualquer um que a derrote".

Uma sondagem da Newcom Research afirma que metade dos holandeses está, desde sábado, com a Rússia. Conseguiriam estar os portugueses pela Alemanha até ao fim? Bom, é verdade que esta pergunta é muito difícil... Pela Alemanha só mesmo os alemães, não é? Brutos dum catano! Aqueles tipos são uns gestores em calções... Raios os partam!

sábado, junho 21, 2008

Blog fechado para balanço

A neura é tão grande tão grande tão grande que vai daqui até Vladivostok!

Totialy Futibialy

Enquanto estamos ainda a algumas boas horas do encontro aqui fica um interessante artigo {do Guardian, claro está} sobre os estilos de futebol holandeses e russos {soviéticos, em parte}, e de como eles não são assim tão distantes, e de como apenas os treinadores holandeses vingam na Rússia. E os comentários? Os comentários aos artigos do Guardian são sempre um complemento interessantíssimo. Os ingleses podem não jogar porra nenhuma, mas falar sobre o como a bola é redonda, lá isso, eles fazem-no bem... lol

quarta-feira, junho 18, 2008

Grande Mãe Rússia!

Boa! 1-0 aos 23 minutos. Em frente, na direcção da Holanda. Era a meia-final que eu desejava. E é um bom castigo para a Suécia pelo modo vergonhoso e calculista com que encarou o jogo frente à Espanha.

E cheira-me que ainda levam mais...