terça-feira, julho 17, 2007

Floresta da Tijuca (1)

Ontem fomos passear na Floresta da Tijuca, esse monstruoso colosso de verde que domina a cidade. Debaixo de chuvisco e neblina, os animais escondiam-se de nós mas não a cidade lá em baixo.


Manuel Bandeira

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Porquinho-da-Índia
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!

Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...

— O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.


Teresa
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.


Madrigal tão engraçadinho
Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje na minha vida, inclusive o porquinho-da-índia que me deram quando eu tinha seis anos.


Tragédia brasileira (1933)
Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.
Conheceu Maria Elvira na Lapa — prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e apolícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

sábado, julho 14, 2007

Petrópolis

Hoje saímos, feitos turistas, em direcção à Áustria tropical. De carro, serra acima, fomos conhecer Petrópolis, a cidade de veraneio do Imperador Pedro II. Verdadeira Áustria, Baviera, Westphalia, whatever, ali enterrada entre a selva, nas montanhas, no fresco. A arquitectura, a comida, as origens familiares da Imperatriz, a catedral gótica ali construída, tudo puxa o feeling para uma espécie de Música no Coração em versão sul-americana. Tudo, portanto, para ser um bom passeio!

Devo confessar que quanto ao Palácio do Imperador propriamente dito, surpreendeu-me pela positiva. Deixei de lado (já ía avisado...) a sua pequenez, a sua fraca sumptuosidade, e concentrei-me no conteúdo. Que é interessante, diga-se. A sala onde podemos observar as coroas, essa, é notável. A coroa de Pedro II cheia de brilhantes e a de Pedro I (seu pai)... despida deles. Na altura da sucessão utilizaram os mesmos brilhantes! Não quiseram fazer uma nova e tiraram de uma para colocar na outra!

A casa de Alberto Santos Dumont vale, sem sombra de dúvida, a visita. Desenhada e erigida pelo próprio nela podemos ver maquetas, fotos, documentos, a vida meio asceta que o cara levava enquanto sonhava com o espaço e o primeiro avião de sempre:
o 14 Bis.
















A casa de Stefan Zweig, essa, encontra-se em vias de recuperação e de futura abertura ao público. Pena.

Visto no Saara

Visto na Lapa

Escadaria Selarón

Ontem passeámos no Centro e para lá chegarmos utilizámos a bela e curiosa Escadaria Selarón. Selarón, artista chileno radicado no Brasil, e morador nesta mesma escadaria, resolveu um dia iniciar a cobertura dos seus degraus por azulejos (inteiros e escaqueirados). Com 215 degraus e 125 metros de comprimento esta escadaria conta já com mais de 2.000 azulejos diferentes, oriundos de mais de 60 países.

Selarón.


A escadaria.


O Glorioso!

Escutado aqui e ali (03)

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«E aí, eu detonei.»
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sexta-feira, julho 13, 2007

Iguarias (05)

Um suco de abacaxi. A qualquer hora. Em qualquer lugar. Com ou sem menta.

Escutado aqui e ali (02)

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«Abssuuurdo!» / «Mas que absurdo.» / «Isso é um absurdo!»
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Casa Paladino

A Casa Paladino já teve direito a entrar na série "Iguarias" mas tem forçosamente de ter um post próprio. Lugar mágico, encontra-se na Rua Uruguaiana, 226, bem no Centro do Rio de Janeiro. Misto de Mercearia e Bar, resiste ao passar do tempo e mantém na cidade fervorosos clientes e defensores. Quem achar, como eu acho, que a comida (e o acto de comer) é um meio tão bom, ou melhor, que ver monumentos ou vistas de modo a conhecer povos e cidades, este é um lugar a não perder. No Rio come-se bem, muito bem, e neste lugar a comida dá-nos mais, algo mais. Não se trata tanto da qualidade mas sim da intensidade. Uma fritada ou uma sanduíche ali tragadas fazem-nos sentir a história de toda uma cidade, de todo um tempo que parecia perdido.
Só a experiência de parar por momentos, lá fora, no passeio, a centímetros das divisórias de madeira, e ficar a escutar o burburinho lá dentro é uma viagem!

Iguarias (04)

Uma Sanduíche Tripla (Provolone, Presunto [fiambre] e Ovo) e um chope claro. Na Casa Paladino. Em pé.

quinta-feira, julho 12, 2007

Como em tudo neste país, as polaridades, os extremos, manifestam-se.












................O Cauê...............................O Cauê de Fuzil

Desgraças e Graças

Stefan Zweig escreve: «Cette chance – on ne saurait assez répéter que toutes les catastrophes du Portugal on été des chances pour le Brésil – ...».

Senão, vejamos estes dois exemplos.
1. Desgraça: Portugal perde a sua independência para a Espanha de 1578 a 1640. Graça: Os Holandeses sentem-se à vontade para pôr os pés e as mãos no Brasil. Com a chegada do humanista Maurice de Nassau o Brasil vê pela primeira vez a organização económica. Na busca da conquista da "Het Zuikerland" (a Terra do Açúcar) chegam ao Brasil astrónomos, botânicos, técnicos, engenheiros e sábios. Um mundo novo se abriu então. Graça adicional: após 1640 Portugal dispõe-se a retomar o Brasil para si, mas hesita, e negoceia, e hesita novamente. Não querendo esperar mais, pela primeira vez, ergue-se uma identidade nacional e são os brasileiros que defendem o Brasil correndo com os Holandeses.
2. Desgraça: Napoleão às portas de Lisboa. Graça: D. João VI parte para o Brasil. Entre perder Portugal e o Brasil, D. João VI prefere guardar aquela que, percebe ele então, é a sua maior jóia. E parte para o Rio de Janeiro levando com ele dinheiro, a nobreza, a magistratura, o clero, os generais. E depois, lá instalado, a banca, a imprensa, as artes, a ciência, a indústria.

Como diz o povo: há males que vêm por bem.

Brasil x Argentina

Domingo tem final da Copa América, Brasil x Argentina.

Como cantou Wilson Simonal:
Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol
Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol

quarta-feira, julho 11, 2007

Jockey Club do Rio de Janeiro

Há uns dias atrás fomos ao Jockey Club do Rio de Janeiro. Era um desejo de há muito. Apostámos e perdemos. Na boa. Vimos os cavalos e os viciados. Aqui ficam uns e outros.