quinta-feira, julho 05, 2007

Lagoa Rodrigo de Freitas, lusco-fusco



Seis jesuítas

Stefan Zweig fala-me da expedição ao Brasil (1549) do 1º Governador do Brasil, Tomé de Sousa. Numa derradeira tentativa de salvar o que se havia descoberto (já que a anterior divisão do território em 12 capitanias havia falhado), Tomé de Sousa chega acompanhado de 600 soldados e 400 degredados que posteriormente se instalariam pelo país fora. Mas, diz Zweig, da comitiva o mais importante a reter são os seis "soldados de Cristo", os seis jesuítas nas suas vestes negras, liderados por Manuel da Nóbrega. Pois esses seis homens, mais do que a força e a autoridade, levavam com eles o bem mais precioso que um país e um povo necessitam: uma ideia. Neste caso, a ideia criadora do Brasil.

Não sei se vieram juntos ou espalhados por várias embarcações. Mas agrada-me a ideia de seis jesuítas juntos num navio rumo ao território virgem. Um fantástico romance poderia ser escrito sobre a experiência de viagem desses homens que, pela primeira vez, vieram trazer e não buscar (nas palavras de Zweig)! Que conversas terão tido os seis jesuítas destinados ao Brasil? Que dúvidas, receios, medos? Que estratégias terão delineado a bordo da nau em que viajavam? Que sonhos, que ilusões, que ideias, ideais, traçaram olhando o mar em volta? O relato dessas longas semanas no mar dava um belo livro!

Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Escutado aqui e ali (01)

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«Não tem condição!»
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Não há mais barrrratoooo!



Um funcionário, de microfone em punho, promovendo carnes mais baratas no Mundial (um Minipreço gigante) da Lapa, Rio de Janeiro.

quarta-feira, julho 04, 2007

Stefan Zweig

Iniciei hoje a leitura do livro que trouxe comigo para o Brasil – Le brésil, terre d'avenir, de Stefan Zweig. Ainda só estou na Introdução e já estou a gostar do que leio. Desconhecia que o tipo tinha vindo aqui morrer (suicidou-se em Petropólis um ano depois de ter escrito este mesmo livro), não sabia da sua relação com o Brasil. Hei-de voltar a ele aqui, estou certo. Para já, deixo o meu obrigado ao João e à Teresa.

Iguarias (02)

Sanduíche de filé com queijo e abacaxi acompanhado de alguns garotinhos (pequenas imperiais), tragados na Belmonte (Ipanema).

Ipanema

Inverno. 25º. Terça-feira. Praia cheia de caras jogando conversa fora, batendo bola, bebendo água de côco. Quem tem Ipanema tem tudo.




















Fotografias de Susana Durão.

Iguarias (01)

Suco de abacaxi com hortelã mais uma sandes beirute na Polis Sucos (Ipanema).

domingo, julho 01, 2007

Florescência

Uma das coisas que (em 2004) me emocionou no Rio de Janeiro foi a força da Natureza. A Natureza tem uma presença constante no Rio de Janeiro. A vegetação disputa fortemente o espaço com o betão, a bicharada disputa-o com os habitantes (e visitantes). Se é da qualidade da terra, se da força das chuvas, se da música ambiente, se é pura e simplesmente fruto das bênçãos de Deus, não sei. Mas que o verde está lá, ao virar de qualquer esquina, pronto a espraiar-se, lá isso está. Sempre atento, numa verdadeira performance de florescência.

Talvez esse fenómeno da florescência explique o facto de 12 minutos após eu ter finalizado o meu penúltimo post este ter tido um comentário de um carioca. Num minuto escrevo um pequeno texto sobre como é bom regressar a esta terra, 12 minutos depois tenho um carioca a desejar-me uma boa estada! Florescências...

Lagoa Rodrigo de Freitas

Tal como em 2004, é na Lagoa Rodrigo de Freitas (se exceptuarmos as noites de Santa Teresa de Portas Abertas....) que inicio o meu périplo pela cidade maravilhosa. Hoje dei a volta inteira (7.400 metros) à lagoa com o meu amigo Zé em passo acelerado. De penthouse em penthouse, passando pelas sedes do Botafogo, do Flamengo e do Vasco, entre nuvens cinzentas quentes, o domingo de manhã carioca é algo de bom. Muito bom.

Rio de Janeiro

Após 9 horas e 15 minutos, a 11.000 metros de altitude, a uma velocidade acima dos 850 km/h, enrolado numa manta que não fazia esquecer os 45º negativos lá fora, aterrei no Rio de Janeiro. A sensação de familiariedade que em 2004 me assaltou ainda hoje se mantém. Regresso hoje como se ontem tivesse partido.

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terça-feira, junho 26, 2007

B(althus)





















Hoje fui na onda e fui ver a Colecção Berardo. Com a minha filha de férias e eu a meio-gás, fomos de manhã à Costa da Caparica, almoçámos no MacDonalds, passeámos na relva e fomos ver as obras do madeirense.
Digam lá o que disserem, questionem-se os critérios, os dinheiros, os timings, uma coisa é certa: ter o Portrait de Femme en Robe Bleue (1935) de Balthus aqui mesmo à mão de semear, poder ir vê-la sempre que nos apetecer, é algo francamente positivo. E por tal congratulo-os. Ao Balthus e ao Berardo.

Bênçãos!

Nunca é demais agradecer. Agradecer a bênção que é poder ser parte dessa experiência que dá pelo nome de Quinta da Pateira. Obrigado ao Xico, ao Jorge, ao Zé Ricardo, à Zeca e a todos os animais que por lá andam. O final do dia, calor laranja, exposto ao vento, na garupa da Safira, galopando em círculo, por entre pardais, é uma das melhores experiências que há. Obrigado vida!