sexta-feira, março 09, 2007

RTP(rateleira)

Toda a minha vida ouvi falar das prateleiras da RTP. Que, numa dança cíclica, para elas iam uns e delas saíam outros, que eram, no fundo, um posto como qualquer outro. Que era assim, pronto. Recentemente, num verdadeiro assomo de serviço público, estes programas autocelebratórios da RTP têm-nos mostrado, finalmente, que elas existem e que são muitas e enormes. E que se recomendam... não se sabe bem é a quem.

quarta-feira, março 07, 2007

Robben



É um prazer ver este rapaz jogar!
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[pena é que sirva um emblema tão foleiro...]
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terça-feira, março 06, 2007

ISIS

E na sequência do post anterior (irritou-me, pá...), só me resta badalar aos 4 ventos, uma vez mais, o poder dos ISIS. Estes sim, são grandes! Só falta mesmo alguém trazer esses gajos cá... em Abril!



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Arcade Fire

Pois, não dá para fugir à coisa. Estou a ouvir neste momento o último dos Arcade Fire e não posso senão concordar com o Covas Dauro. Isto não é lá grande coisa, pois não? Para mim o que estes gajos conseguiram foi condensar num só disco, melhor, num só som (até porque o outro disco era melhor, parece-me; este é mais do mesmo), as vibrações, as espectativas, as alegrias e as tristezas, os feelings dos sons vários dos idos de 80. Sacaram o melhor de um leque vasto e capaz dos anos 80 e fizeram isto. Como quem está, de momento, nos lugares do soundbite e da crítica nos media, nesta altura da vida, são os tipos que viveram os Anos 80 intensamente (desesperadamente, como se nada mais houvesse; mas não é assim com todas as adolescências?) é, pois, compreensível que ande tudo doido com os canadianos. Isto é música para os ouvidos dos "oitentóctones" (e esta definição, linda definição!, é da Susana). Nada mais certo. Certo? Mas nada mais que isso.
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[Além do mais só oiço o pessoal a falar dos Talking Heads, mas a mim aquilo que me soa mais é a Waterboys. E esses, porra, não dá!]

Roses are roses....

Estava eu a descer a Calçada da Estrela (pois, ia no 28...) e, numa das breves paragens que pontuam a viagem, algo me chamou a atenção. Tratava-se da montra de uma florista que anunciava a proximidade do Dia Internacional da Mulher (8 de Março). Nada mais natural. Há que vender flores e nada melhor que este dia. Mas algo me chamou ainda mais a atenção. «Espera aí, aquela ali é a Pam Grier...» pareceu-me. E era. Um poster com o elenco do L Word (algo semelhante ao que aqui coloco) servia para vender flores no próximo dia 8. Fantástico. Se a dona da florista é lésbica, a cena é linda. Delicioso. Parabéns! «Mas e se a senhora (se calhar é um senhor...) não sabe quem colocou na montra?», pensei já o 28 andava calçada abaixo. Estes são tempos difíceis de ler e interpretar... Mas fantástico, anyway. O ponto está feito e certeiro.

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28










Eu ando no 28. Quer isto dizer que utilizo o eléctrico 28. Na realidade, «eu ando no 28» quer dizer (para mim) muito mais. Basta dizer que esse foi o meu primeiro meio de transporte público. Foi devido a ele que eu tirei o meu primeiro passe, que ostentava ao peito, todo orgulhoso, a caminho do colégio. Foi nele que me esfolei todo, uma e outra vez, ao tentar descer em andamento. Era nele que andava "à penda" vezes sem conta. Vivi durante anos e anos junto à estação terminal do 28 (nos Prazeres) e estudei e trabalhei em pontos da cidade servidos pela travessia deste eléctrico. A travessia, este termo é excelente! Sim, o 28 é propenso a travessias. E as colinas que atravessa, as vagas certamente.
De há um ano para cá voltei a servir-me (servir-se de um transporte; outra concepção notável) do 28 com regularidade (o meu novo poiso profissional trouxe-me ao Chiado). Quando utilizamos um meio de transporte público regularmente (e, sobretudo, em horários consistentes) começamos a ter uma noção da população desse meio de transporte público e de certa secção da cidade. Na realidade, tornamo-nos parte dessa população. Essa é que é essa. Pois na minha secção da cidade, no meu bairro transportado colectivamente, há um crescente número de malta a cheirar a mijo. Não era assim este eléctrico. Não. Carteiristas, sempre houve, desde que me conheço. Velhotas chatas, sim, também. Agarrados, bem, poucos. Turistas, porra, demais. Mas malta a cheirar a mijo, essa para mim é nova. E bem chata. E como está frio a malta inibe-se com as janelas abertas... E como começam a ser muitos torna-se difícil memorizar os seus horários, de modo a contorná-los. Alguns são certinhos e eu já sei que, por exemplo, se falho o 28 das 09:00 já vou apanhar com o "pinguinhas" das 09:15. Isto não é vida para ninguém. Muito menos para estes indivíduos, naturalmente. É tramado quando um tipo se apercebe que o país anda ao ritmo do 28!

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Foto do eléctrico de © hughshaw/FOTOLIA

segunda-feira, março 05, 2007

!!! GLORIOSO !!!

Já me estava a esquecer de "postar" mais uma vitória do Glorioso... E que bem que soube esta última. Nuno Gomes a marcar novamente (num golo tão bem desenhado; à ganda Miccoli!), vencer a cima do Mondego (para quem dá importância às tretas inventadas pela imprensa escrita cá do burgo), o FCP continua a sentir o nosso calorzinho na nuca (e que jogão vai ser o da Luz daqui a umas semanas...) e o SCP volta a patinar e diz (digo eu) adeus ao título deste ano. Jogámos mal, dizem alguns. Pois. Mas não costuma ser sempre assim?... Não é o que estão sempre a dizer? Gostam de se repetir... 'Tá bem abelha! Cheira-me que esta época vamos ser outra vez campeões na secretaria...

Blodeio-te!

Porque haverá tanto ódio e rancor na blogosfera?, pergunto-me, por vezes, enquanto passeio ela.

Abril, concertos mil...

Fiquei hoje a saber que o grande, o enorme, Bonnie "Prince" Billy vai juntar-se aos Red Sparowes, à Deolinda, aos Pelican e aos Cult of Luna nessa enchente de concertos em Abril que vem. Não se pode querer mais! Vai ser um mês "pádesgraça"...

sábado, março 03, 2007

quinta-feira, março 01, 2007

Óbito

Bento – A fera das balizas
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A rigidez da sua expressão nunca enganou ninguém. O seu sorriso, de quando em vez amanhecido, também não. Manuel Bento sempre foi, desde a nascença até ao dia do seu falecimento (aos 58 anos, vítima de doença súbita), uma pessoa humilde e dono de uma simpatia muito própria e, acima de tudo, sincera. Talvez as suas origens o expliquem. Ainda miúdo, já Bento “partia pedra”, conhecendo o duro mundo das obras. O sustento da família era mais importante, naquela altura, do que outras levezas da vida. Leve, leve-zinho, Bento começou, nessa altura, a despertar uma outra paixão: o futebol. Aos 15 anos deu um novo rumo à sua obra e estreou-se com a camisola do Riachense. Mas não se fale em sonhos. Bem pelo contrário, a realidade de Bento continuava a ser dura, visto que cada treino era uma travessia de quilómetros (feitos, por norma, de bicicleta). A arte de pedreiro, juntamente com a condição física de “ciclista”, complementaram a qualidade que guardava entre mãos. Leve, levezinho (pelo menos para um guarda-redes), Bento pecava pela escassez de centímetros (não era um guardião muito alto), mas sobrava-lhe quilómetros de qualidade. Por isso mesmo, novo, novinho, transferiu-se para o Goleganense, clube da sua terra.
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A estória de uma paixão “encarnada”
As suas defesas voaram até Lisboa, onde o Sporting demonstrou interesse. Mas Bento não gostou da forma como os dirigentes leoninos quiserem vê-lo desvinculado do seu clube de sempre e não foi de modas: regressou a casa. Quem aproveitou tal brinde foi o Barreirense. Corria o ano de 1966, andava a Selecção Nacional a encantar meio mundo em terras de Sua Majestade, e o menino Bento tornava-se num reforço da turma da margem sul, satisfazendo o desejo do guardião, ou seja, ressarcindo o Goleganense. Passaram-se dois anos até que Bento obtivesse uma simbólica vitória ao serviço da turma do Barreiro: nem mais, diante do Sporting.
Bento tornou-se, indirectamente, num dos obreiros de mais um título do Benfica – visto que os “leões” até estavam bem lançados para tentar alcançar o ceptro máximo – e desde então que não mais os “encarnados” deixaram de lançar sérias propostas ao Barreirense, tendo em vista a contratação de Manuel Bento. Em Agosto de 1971, finalmente, chegou ao Benfica, já depois de ter participado na festa de homenagem a Mário Coluna, onde teve o prazer de substituir Lev Yashin. Curioso como, no lugar do melhor guarda-redes de sempre, Bento dava o primeiro passo para se tornar no melhor guardião português de todos os tempos (trata-se de uma opinião que pode ser discutida, claro).
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Pela “porta grande”
Felino, guerreiro e uma das caras (e mãos) da mística do Benfica, Manuel Bento tornou-se no senhor das redes do Glorioso ao longo de quase duas décadas, tendo conquistado, no total, 16 títulos. Razão para dizer que é... obra. E só não ganhou, igualmente, a Taça UEFA, porque o Benfica perdeu a final diante do Anderlecht, no início da década de 80. Seria o merecido reconhecimento europeu para uma brilhante carreira onde, entre milagrosas defesas, conseguiu estar 1290 minutos consecutivos sem golos sofrer. Mas mais que sofrer, até chegou a marcar golos (de penalty) em eliminatórias europeias.
O “Homem de Borracha”, como lhe chamavam os jornalistas britânicos também se tor-nou conhecido pelo mundo fora, tendo defendido as redes lusas no electrizante EURO 84 e no Mundial 86, embora aí tenha vivido a fase mais melindrosa da sua carreira, quando contraiu uma grave lesão num dos treinos realizados após a vitória por 1-0 sobre a Inglaterra. Rude golpe para uma Selecção que não mais se endireitou, perdendo com a Polónia e Marrocos e regressando a casa sob o estigma de “Saltillo”. A sua carrei-ra “durou” até à década de 90, despedindo-se dos relvados, mas seguindo o seu caminho no mundo do futebol enquanto treinador. Reencontrou, no entanto, a felicidade ao serviço do futebol juvenil do Benfica, onde era treinador de guarda-redes. Fica a sensação que tudo acabou cedo demais, mas se olharmos bem para os 58 anos de vida e mais de 40 de carreira de Manuel Bento, então não podemos deixar de concluir que se despediu da vida pela “porta grande”.
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Para a história
Manuel Galrinho Bento - Guarda-redes
18 épocas no Benfica (1972-90); 466 jogos; 8 Campeonatos Nacionais; 6 Taças de Portugal e 2 Supertaças; 63 Internacionalizações.
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Texto: Ricardo Soares
Bibliografia: “Grande Enciclopédia DN dos Europeus de Futebol”; “100 Anos, 100 Troféus”; “Memorial Benfica - 100 Glórias”; “História de 50 Anos do Desporto Português de A Bola” e “The World Encyclopedia of Football”.

Saquei o texto do site do SLB. Espero que não levem a mal. E viva o Bento!

!!! GLORIOSO !!!

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O SLB está de parabéns!
Já cá cantam 103 aninhos nesta longa vida de glórias e lágrimas.
Ninguém pára o Benfica!!!
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Todos os Livros

Covas Dauro já tinha posto no mundo o Escape From Noise.
Agora lança o Todos os Livros.
Boas leituras!

As minhas noites não têm sido tão belas quanto os vossos dias...

Hoje já dormi mais tranquilo. De saída já de uma série de noites agitadas e repletas de imagens, sons e sofrimentos vários. Desde um amigo meu estupidamente humilhado por mim, a um tumor na cabeça do tamanho de uma bola de golfe, passando por um auto-carro despenhado e submerso nas águas de um rio, e acabando num acordar com os pés para a cabeça e a cabeça para os pés, as últimas noites não têm sido pacíficas. Terá sido o meu tio Telmo (ver post anterior) a resgatar-me desta turbulência recente?
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E que papel terá nisto tudo esse filme, que acaba de me vir à memória, esse filme notável (cheio de mistérios e dores abafadas; tão onírico todo ele) que é o Mes Nuits Sont Plus Belles Que Vos Jours (Andrzej Zulawski, 1989)?

(tio) Telmo

Hoje acordei com saudades do meu tio Telmo. Tio de empréstimo (amigo e não de sangue) mas figura de sobeja importância na minha infância. O seu volume, o seu bigode, o timbre da voz, a sua magnífica colecção da National Geographic e tudo o que me ensinou dia após dia. Senti sobretudo saudades da minha tarefa de escudeiro desse cavaleiro regressado de uma África longínqua. Todos os dias de manhã, e ao fim do dia, e sempre que fosse necessário, era eu quem o ajudava a colocar ou retirar a prótese que lhe fazia a vez de uma perna amputada. Com essa prótese aprendi o conceito de vácuo... Por onde andarás tu, Telmo?