quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Bizarro

Ontem à noite apanhei o Paulo Portas na RTP1 a defender o voto em D. João II (para a paródia dos Grandes Portugueses). Mentalmente, deixei de visualizar a cabeça do homem e passou a estar na televisão... o Otelo Saraiva de Carvalho! Virei-me para a minha querida esposa, com uma expressão de surpresa, e ela confirmou que estava a pensar exactamente no mesmo. Tapei a cara do Paulo Portas (com a palma da mão entre mim e o televisor) e lá estava o Otelo... Há coisas do arco da velha. O pior é que não sei o que achar disto tudo... Achar que aqueles dois são lados da mesma moeda parece-me um tanto ou quanto abusivo e rebuscado, mas que estavam os dois no mesmo plano lá isso estavam. Tipo aquelas imagens (aquelas com risquinhas... sabem?) que ganham movi-mento consoante nós mexemos a nossa cabeça em relação a elas... Estão a topar? Se me mexo para a direita vejo o Paulo Portas. Se me mexo para a esquerda vejo o Otelo Saraiva de Carvalho. Bizarro.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

31 de Maio de 2007 no Santiago Alquimista (Lisboa)...

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!!! Pelican !!!
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Para terem uma ideia, pequena que seja, do que aí vem,
vejam o post emprestado pelo Escape From Noise.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

E já agora...

... um manguito para essa besta que é o Al Gore que vem a público (depois de tanto alarido sobre "a verdade incoveniente" que lhe dá o Oscar) dizer que a questão do Ambiente não é uma questão política mas sim moral. Boa!

Na realidade...

... não aguento e tenho de dizer que estou muito feliz pela Helen Mirren.

Está decidido...

... não falo dos Oscars!

domingo, fevereiro 25, 2007

Galopar

Se há uma semana foi o trotar, hoje foi o galopar. E a lição agarrada ao galope (que com esta coisa da equitação vêm sempre muitas lições agarradas...) foi esta frase lapidar: «Carlos, você agora já não tem controlo nehum. Deixe-se ir, deixe o cavalo galopar. Coloque os ombros para trás e deixe-se ir.» E assim foi (ou pretendeu ser, pois nem sempre correu na perfeição...) durante uns bons 5 minutos (o que, convenhamos, é uma eternidade; para nós, a turma, foi a primeira vez que tal aconteceu). E foi tão, tão, tão bom. Acabei a aula feliz da vida, a escorrer água da testa, agarrado ao Quixote, a escorrer água da tábua (o pescoço). E deixei-me ir. E quando tal aconteceu foi do caraças. Obrigado Jorge, obrigado Quixote, obrigado Carlos.

sábado, fevereiro 24, 2007

Deoliiiiiiinda, olhó Melro!

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Ontem, finalmente, consegui assistir, ao vivo, a uma das mais fantásticas cenas musicais deste país. Deolinda de seu nome. Já tinha referido aqui este projecto, já tinha ficado de olho aberto e ontem, no Cefalópode, pude confirmar aquilo que acabo de dizer.
A cena Deolinda é composta por Ana Bacalhau (na voz; e que voz!), por Zé Pedro Leitão (no contrabaixo) e por Pedro da Silva Martins e Luís José Martins (ambos nas guitarras clássicas). A cena Deolinda gosta de se definir como sendo a fusão do Fado com o Urânio Enriquecido. E bem enriquecido! À mente saltam-me ingredientes como, por exemplo, O'Neill, Zeca, A Caixa (do Oliveira), ginginhas bebidas com prazer, vinho marado bebido para ter alguma espécie de prazer, Romeu e Julieta, o Mercado da Ribeira, as Variações de Goldberg, chuva e sol no mesmo dia, Joana Vasconcelos, gaiolas nas beiradas das janelas, Vasco Santana, Pessoa, manjericos e sei lá que mais!
A todos vós que por aqui passam vos digo, podem vê-los e ouvi-los (e escangalhar-se de riso; ponto muito importante nos espectáculos da Deolinda) nos próximos dias: 17 de Março, no Incrível Almadense (Almada); 14 de Abril [a confirmar], no Cabaret Maxime (Lisboa); e 21 de Abril, na Associação Guilherme Cossoul (Lisboa).
A não perder! Nenhum deles. Destes tipos dá vontade de ser groupie...
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(Ilustração de João Fazenda)

A minha filha está com sede...

Ontem a minha filha disse à mãe dela, enquanto lavavam os dentes, que era bom que ela, a mãe, se fosse preparando, pois ela, a filha, estava prestes a querer saber muitas coisas sobre o mundo e a vida. Que sentia que tinha muitas perguntas para fazer. «São tantas coisas que eu nem sei bem por onde começar...» confessou a princesa com os olhinhos a brilhar.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O bigodes aterrou...









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O homem é um espectáculo!
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(ver posts anteriores, este e este)
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quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Diogo Gonçalves de Travassos (parte 2)

No fim-de-semana passado regressei ao Mosteiro de Alcobaça. Em post anterior tinha mencionado a descoberta, neste templo, da campa de Diogo Gonçalves de Travassos. De como era pura e simplesmente uma jóia. Mas as imagens que deviam, então, ter acompanhado o post não estavam aceitáveis. Desta vez saíram bem e aqui ficam elas (clicar para ver num formato maior).


A campa, rasa, mesmo à entrada da Capela do Fundador.



O "D" radiante de Diogo, motivo central da lápide.



Um dos "D" laterais, numa verdadeira aplicação de copy/paste. A simplificação do motivo, por força da sua redução, é notável. Note-se a redução do número de raios (de 36 para 20) de modo a não perder o efeito e, sobretudo, a simplificação da própria letra – o serife superior (de algo rebuscado e irregular para algo simples e claro) e a trans-formação (de formas curvas para formas em diamante) dos elementos que ladeiam o corpo da letra.

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Naturalmente que continuo interessado em saber mais sobre esta personagem. Para não falar do artífice que fez a campa. Assim sendo, se alguém souber onde buscar informação adicional sobre um e outro, deixe um comentário por favor.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Contentinho

Hoje vou jantar a um restaurante que não conheço. É da idade ou isto é um acontecimento?

Tristinho

Já lá vão praticamente três meses desde o seu nascimento e nem um comentário recebi. Nada. Será que não há malta interessada na filmografia de 1971? Vá lá, vamos a trocar filmes!
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A princesa não anda por cá...

Ter uma filha a 80,40 quilómetros ou a 1771,25 quilómetros não é, de facto, a mesma coisa. Não digo que as saudades e a estranheza da não presença da criança sejam proporcionais ao aumento da distância, mas que é diferente é. A mãe dela também acha. E a avó. Que seja feliz, a criança, dizemos nós.

domingo, fevereiro 18, 2007

Trotar

Hoje de manhã, depois de uma semana de intervalo, voltei à equitação. Calhou-me a Safira. E com ela trotei (por instantes) feliz da vida. Hoje, pela primeira vez, o trote levantado saiu-me natural, tudo parecia querer sair bem, as costas estavam direitas, o equilíbrio estava lá, o dar com os pés surgiu (ao fim de algumas aulas à nora) e eis senão quando... A Safira baixava a cabeça (levando-me com ela...) a torto e a direito, o professor Jorge chamava-me à atenção de que não segurava correctamente as rédeas, que isto e que aquilo... Pois, a vida é assim. Quando achamos que já está, que já estamos a chegar lá, o lá pira-se e põe-nos aqui, donde na realidade ainda não saímos. Devia ter respirado mais e pensado menos. Consolo tenho no facto de não ter posto as culpas na Safira. Coitada, ter de apanhar comigo... o seu a seu dono. O nabo sou (fui) eu.

sábado, fevereiro 17, 2007

Lady in the Water

Devo confessar que parti para este filme com três ou quatro filmes anteriores do Shyamalan vistos e não gostados. Talvez o Unbreakable me tivesse agradado um pouco, mas no big deal. Também estava presente o facto de o filme ter sido um desastre financeiro nos EUA e de a crítica ter demolido o filme, sem tréguas. Devo mesmo confessar que esse foi um argumento forte que me levou a ver o filme (dado que já tinha desistido do homem por alturas de A Vila, que não vi), pois se a crítica foi assim tão crítica é porque o filme até deve ser bom, pensei. Pois se quando a crítica elogiou sem fim (casos anteriores) eu não gostei... Mas agora que o vi, pergunto-me: como é possível ter-se maldito tanto este filme? E concluo, tristemente: ainda temos (humanidade) um longo caminho pela frente...
Ao contrário dos fimes anteriores de Night Shyamalan, todos eles muito elogiados e todos eles muito "do sobrenatural", este Lady in the Water (2006) foi mal recebido por ser, na minha opinião, mais "do espiritual". Com o sobrenatural podemos nós bem. Agora, quando se trata de encontrarmos em nós um outro lado da nossa natureza, não outra natureza (sobrenatural; extra-terrestre; x-files alike) mas outra versão da nossa natureza, bem, aí a coisa já não é assim tão simples. Logo, no ringue, no embate sobrenatural versus espiritual ainda há muito round pela frente.
A maneira que Shyamalan encontrou para nos mostrar o processo de dor e cura, muito pessoal, da personagem de Giamatti (como diz o meu cunhado, um dos grandes dos nossos tempos... e quem sou eu para o contradizer) é deliciosa e enternecedora (será isto que a malta não aguenta...?). O modo como se aborda a tristeza muito profunda de uma das personagens e o modo como se nos explica que a tristeza de um encontra sempre eco e enredo nas vidas dos outros é belíssima. A imagem é bela, a câmara está colocada em espaços escolhidos a dedo e, porra, muito bem escolhidos. A cor é fantástica. O resto das personagens é fantástico (de fantasia!) e o modo como Shyamalan as faz preencher o espaço e o ecrã é notável. O homem é bom.
E deve ser um bom pai! Pois tudo começou como uma "história de boca" que ele foi contando aos seus filhos, dia após dia. Até se tornar neste filme. Dá para perceber que Shyamalan sabe que fez um filme a pensar nos que aí vêm e nos que já começaram a chegar. As crianças, e o modo particular que têm de ver a vida (e prova disso temos no miúdo que faz de Intérprete), estão muito presentes no discurso e sentir deste filme e é mais do que certo que as teorias acerca das Crianças Índigo não são desconhecidas a Shyamalan. Aliás, o fecho do filme vai nesse sentido quando Shyamalan nos brinda com o tema Times Are Changing, de Bob Dylan (numa versão muito inspirada, interpretada pelos "A Whisper in the Noise"), já para não falarmos da frase promocional do filme: A Classic Bedtime Story For A New Generation.
Eu gostei, e muito. E dou agora crédito a Bénard da Costa quando, há muitos anos atrás, escreveu (se me lembro bem, ainda n'O Independente) que este Shyamalan era a melhor coisa que tinha acontecido ao mundo do cinema, que ela era um génio, que era o verdadeiro herdeiro e substituto de Hitchcock, isto e aquilo, à la Bénard. Torci o nariz na hora e assim o mantive até hoje à tarde... Times are changin...