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quarta-feira, maio 28, 2008

Como não tenho nada para oferecer, vendo-me.

Mas nem tudo são coisas boas... {ainda estou a vibrar, desde ontem... wada, wada, wada} Não. Também há cenas tristes... Esta cidade está à venda. Já repararam? Nao há rua em Lisboa que não ostente miseravelmente uma ou duas plaquitas informando (quem?, pergunto-me) de que aquele andar, aquela cave, aquela loja, se encontra à venda. Não há nada mais triste do que uma cidade vazia e praticamente sem interesses, nada mais triste excepto uma cidade vazia e praticamente sem interesses que, ainda por cima, acha que é vendável, que alguém quer comprar... Este país, que já foi de merceeeiros, é agora um país de agentes da Remax {atenção, podia ser outra qualquer}. Eu bem os vejo, ali em frente, da minha janela, todos excitados com a perspectiva de irem colocar mais uma plaquinha. Saem pela fresquinha, lavadinhos, o odor do cigarro e do café misturados ainda presente, nos seus Smarts enfeitados. Estas plaquinhas que aqueles tipos engravatados à la Rui Santos vêem como a face visível de um incrível negócio a mim só me parecem as lápides de um qualquer cemitério. Esta cidade está-se a tornar num gigantesco cemitério. Como eu dizia ainda há pouco, há cenas tristes.


Fui agora mesmo à janela ver se via um agente certificado e vi, antes, um par de andorinhas pura e simplesmente deliciosas a sobrevoar as copas das árvores da avenida. Uma cidade vazia e praticamente sem interesses que, apesar de tudo, ainda mantém umas quantas andorinhas em jogos e floreados não está perdida de todo...

sábado, maio 10, 2008

If London Were Like Venice

E esta é outra história absolutamente deliciosa! {aqui ou aqui} A fazer lembrar esse outro delírio urbano que era o de Neu York... {aqui mencionada há uns tempos atrás} As montagens fotográficas são assustadoramente bem feitas, tendo em conta que datam de 1899... Depois apercebi-me de que a mesma revista fez, anos mais tarde, a mesma "brincadeira" com Londres e Nova Iorque. A ver aqui.


Tudo via Pruned.

sexta-feira, maio 02, 2008

WOW!


«During a seemingly endless nighttime hypertextual journey through Wikipedia — one that took us from Tempelhof to a crash course on Nazi architecture and to Hitler's imagined future capital, Welthauptstadt Germania, a city that became a ruin without first having existed, and to Albert Speer, whose post-war gardening activities are worth detailing, which we will in a future post, i.e., if we still have the stamina to trudge through his excruciatingly long diary for the few relevant entries, before looping back to the start to then read about the Berlin Airlift, whose infrastructural and spatial organization, including the three air corridors above the blockaded Soviet Occupied Zone, we find so utterly interesting — we discovered the Schwerbelastungskörper.
So what is it?
It's a massive cylindrical block of concrete, standing 18 meters high and weighing in at 12,560 metric tons. It is located in the Berlin neighborhood of Tempelhof, where the eponymous airport is found.
The name is translated as “heavy load-bearing body,” although someone in the discussion page has suggested that “heavy load-exerting body” might be more accurate. It was constructed in 1941 to test how well the marshy ground upon which Berlin sits could handle the massive projects planned for Germania. More specifically, it was built to see how the landscape would react to Hitler's gigantic Triumphal Arch, whose opening would have accommodated Paris' Arc de Triomphe.
The results were not encouraging: The Schwerbelastungskörper sank 7 inches in the three years it was to be used for testing, a maximum depth of 2.5 inches was allowed. Using the evidence gathered by these gargantuan devices, it is unlikely the soil could have supported such structures without further preparation.
Hitler dismissed these findings, perhaps confident that the landscape can be subjugated with fine Teutonic engineering. But Hitler's capital had to wait. There was a war to be waged.»

Via Pruned.

sábado, abril 26, 2008

Sistemas de Transportes

E por falar nas paragens de autocarro de Mário Moura (ver post anterior), nem de propósito dou de caras com uma muito interessante (sobretudo pelos links, pelas múltiplas direcções em que nos pode levar) e, diga-se, extenso artigo de Gordon Ross no City of Sound.

segunda-feira, março 31, 2008

Iracema, uma transa amazónica

Iracema, uma transa amazónica (1976), de Jorge Bodanzki e Orlando Senna. Este filme é muito bom! Grande país, grande filme. Grande país, grande miséria. Grande país, grande estrada. Grande país, grande transa. A transamazónica (a estrada que liga a cidade à selva; o progresso; um novo desconhecido) em comparação, em resultado, em trocadilho irónico, com a transa amazónica, com aquela sexualidade desbragada, revolta, de pelagem exótica tão característica dos trópicos e que nos intriga tanto, e há tanto tempo, a nós, europeus... A condição do índio, da mulher e da criança quando lançados às feras, aos "brutos", à "civilização", sem regras, sem grande moral, sem sentido aparente. A desmatação, a poluição, a prostituição, a estrada, enfim, o progresso. Desordem e Progresso. Um daqueles filmes meio alucinados, que mistura muito bem o registo ficcional, cinematográfico, com o registo mais "real", documental. E que nos garante, dias depois, ainda uma sensação amarga, um incómodo perante a vida e a condição humana. O que é bom, certo?

{Tião (personagem e tanto!) conversando com um madeireiro junto ao Amazonas, enquanto lhe carregam o camião de pranchas de madeira}

T — Como tá a coisa aí, pelo rio?
M — Tá maravilhoso, tá ótimo...
T — A natureza...
M — É, a natureza. Mãe que cria todo o mundo...
T — Natureza é mãe coisa nenhuma, rapaz. Fica essa gente aí esperando uma correnteza...
M — ...
T — Natureza é mãe coisa nenhuma. A natureza é o meu caminhão, rapaz. A natureza é a estrada.
M — A natureza é essa baía, tudo maravilhoso...
T — Natureza que nada... Não cria nada. Não vê que tá tudo mirrado...
M — Que nada, todo o mundo vem para cá e cria tudo. Isto é uma terra rica...
T — Que nada, isso é uma terra pobre... Vai ficar rica...
M — ...
T — Mãe só tem uma... Mãe é a mãe da gente, não tem nada desse negócio da natureza ser mãe, não.
M — A mãe não é só aquela de que a gente nasce. Nós temos a outra. A maior mãe nossa é a nação...
T — A nação brasileira...
M — Que nos cria...
T — É, essa nação que está crescendo, que está progredindo...
M — Isso. Essa é que é a mãe, a verdadeira mãe.
T — Onde tem madeira, tem dinheiro. Meu negócio é esse mesmo. Eu estou atrás é do dinheiro, da grana. Só não se dá bem nesse país quem não sabe se virar. Quem não tem cabeça. Podicrê. Eu sou mais eu. Eu sou o Tião. Tião "Brasil Grande". Podicrê. Eheheheh.... Vamo lá pessoal, vamo lá, que ainda essa noite eu quero cair na putaria... ehehehe...»







{Esta cena final, uma orgia demente de beira de estrada, o encontro de umas putas com outras, o álcool e a puta da vida num só e desfigurando as almas acabadas de uns e de outros é pura e simplesmente genial.}

segunda-feira, março 17, 2008

E quem diz ciclistas...

... diz velhotes, crianças, cegos, pedestres em geral. Porque, como já aqui lembrei uma vez, todos nascemos pedestres. Por favor, vejam o filme, façam o teste e ganhem um poucachinho mais de awareness.



(via 5 Dias)

quinta-feira, março 13, 2008

The Street as Platform


Grande texto este — The Street as Platform, de Dan Hill. {Via Reactor; muito agradecido pelo texto e pelo City of Sound}

«The way the street feels may soon be defined by what cannot be seen with the naked eye.» Assim começa o texto. É longo, é. Mas é mandatory. A primeira parte do texto é Neuromancer sempre a abrir... A segunda parte levanta questões muito interessantes sobre a gestão e partilha de toda a informação invisível, privada ou não, que calcorreia as ruas das nossas cidades, lado a lado com os nossos corpos. E quais as estratégias a ter em conta (pelo Estado, pela iniciativa privada), num futuro não tão distante assim, de modo a não perdermos o controlo (a alma?) perante tanto tráfego (tráfico?). Gramei especialmente a imagem do caminho "rasgado" na relva em frente à Biblioteca Pública... Muito interessante toda a perspectiva, toda a ideia futura, sobretudo como contraponto muito válido às, já quase estafadas e deprimentes, teorias da perda de privacidade, do big brother insensível, dos dados expostos... safa. É reconfortante saber que há sempre alguém a pensar sobre isto tudo. Nada está perdido.

Dan Hill é o responsável pelo blog City of Sound e pode ver-se aqui algo mais sobre o seu percurso.

terça-feira, março 11, 2008

Lira d'Ouro

Hoje descobri o Lira d'Ouro, o restaurante Lira d'Ouro. Isto dito assim não parece nada de muito interessante. Mas, acreditem, é. Há anos que passo na sua porta, para cá e para lá, ele situa-se num eixo (num daqueles eixos...) da minha vida, rua essencial dos meus circuitos lisboetas, e há anos que digo para mim mesmo «tenho de ir almoçar ali». Hoje foi, pois, o dia.

O Lira d'Ouro fica ali à Escola Politécnica, na Rua Nova de São Mamede, no n.º 10. E tem portas de batente em madeira. E os vidros das portas e da montra misturam o transparente e o translúcido. E porque é que isto é importante? Porque restaurantes que tenham portas de batente (em madeira e vidro) e montras que alternem vidro transparente e translúcido são bons restaurantes, isso é certo. Acreditem que é verdade. Se até hoje isto não passava de uma teoria cá do rapaz, hoje deixei de ter dúvidas e, assim sem puxar muito pelo caco, junto o Lira d'Ouro ao Restaurante da Trindade, à Mimosa do Camões (antes da remodelação, claro está) e à Gruta Velha (idem, idem, aspas, aspas) e da teoria faço um facto, um tratado. Puxando um pouco mais pelo caco ainda junto ao lote esse fantástico restaurante, em Alcobaça, que dá pelo nome de Corações Unidos. Eu suspeito que esta relação entre as portas de batente (ao jeito de casa de pasto) e a boa comida tem, em muito, a ver com os Galegos, fruto de uma imigração muito forte e constante ao longo de vários séculos, personagens que muito deram a esta cidade e que são sinónimo de boa cozinha. Se a relação é sustentável ou não, bom, não sei. Para mim faz sentido.

Hoje entrei (pelas portas de batente, claro está), sentei-me (as cadeiras são de tempos idos, lindas), comi (sem pressas, com o tempo), senti-me em casa (e esse é outro traço comum a todos estes restaurantes, são familiares, neles podemos criar raízes se assim o entendermos), paguei (não tem multibanco, ficam avisados). Escolhi o que comi com o claro intuito de testar o Lira d'Ouro, não fosse a minha teoria perder-se precisamente hoje... Comi meia-dose de pastéis de bacalhau com arroz e salada. Os pastéis (assunto delicado) estavam mais que satisfatórios, cheios de pimenta, com espinhas à mistura (daquelas que fritam e depois acabam por se comer...). A salada marchou todinha, o que nem sempre acontece, sendo por isso um bom sinal. E o arroz, com uma textura pouco habitual, dando aqui e ali a alegre surpresa de um pedacinho de migas/açorda que, supostamente, acompanhavam um outro prato do dia mas que, por movimentos migratórios próprios de uma cozinha, escaparam para a minha travessa. Eu gosto dessas misturas e aprovei. A imperial (pastéis de bacalhau pedem imperial) estava bem tirada e fresca. Como sobremesa, uma prova difícil, superiormente ultrapassada. O leite-creme. Vem do frio e leva com o açúcar antes de cair na nossa frente. Misturam-se as temperaturas na boca e está feito o almoço. Quanto ao café (ponto, ainda, essencial), terá de ficar para a próxima... Como não tinham multibanco e eu só tinha comigo 8,50 euros e a conta eram 8,10 euros, tive de optar por uma de duas – ou pedia para ficar a dever 10 cêntimos e bebia o café ou deixava 40 cêntimos de gorjeta. Optei pela última. Suspeito que fiz bem. Porque vou lá voltar, é certo, e porque também faz parte da minha teoria, perdão, tratado, o facto de que o café é geralmente mau neste género de restaurantes.

Na net ainda procurei uma ou outra imagem do dito restaurante, mas nada. Fiquei, contudo, a saber que um tal de LPontes ali ía por volta de 1960 comer o que então era uma raridade, o churrasco. E fiquei a saber aqui que o grande O'Neill também o frequentava, o que não me espanta nem um pouco. É fácil imaginar uma boa parte dessa Lisboa já em vias de extinção a passar por ali; o O'Neill a beber umas imperiais ali, de pé, mangas enroladas e os braços no frio daquela pedra negra, daquele belíssimo balcão, logo à entrada. Sim, é possível. E é precisamente por isso que estes locais são encantandores. Por último, fiquei a saber (pelo primo David, que ali almoça diariamente) que a quinta-feira é o dia do cozido. Ui. Essa sim, é a prova definitiva. Lá estarei.



{pequena actualização}
1. Não se chama Restaurante Lira d'Ouro mas sim Casa Lira d'Ouro. E faz toda a diferença. Casa é muito mais familiar, certo? Está explicado.
2. Foi fundada em 1962 (lá se vai a teoria dos galegos...). Mas, cá para mim, já lá devia existir antes algum restaurante, quem sabe... de galegos.
3. O cozido é um espectáculo! E as pataniscas de bacalhau com arroz de feijão também.
4. Não se fuma.

domingo, fevereiro 24, 2008

Pedestres

Todos nascemos pedestres.
Todos somos pedestres.

Via Panóptico.

sábado, fevereiro 23, 2008

[SAFE]


Ontem à noite revi este filme (Safe, 1995). Treze anos volvidos (vinte e um, se levarmos em conta aépoca retratada...) e continua um grande filme, sempre actual. Incómodo, tortuoso, cine-eczema! Muito bom. Todd Haynes em grande.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Parkour











Por Lisboa...


Em Telheiras...


E o meu favorito... Parkour lituano (Vilnius)

Update

O sturmbannführer Aue continua imparável e não me deixa respirar livremente, logo, não me dá muita margem de manobra, logo, o Anauel fica refém, melhor, órfão. Mas consegui escapar-me por uns momentos (deixei-o debruçado num relatório...) e aqui vos deixo alguns apontamentos do que tem acontecido por aqui ultimamente (nos entrementes).

O Parkour veio dar comigo em encontros interessantíssimos (num parque infantil de Telheiras e nos equipamentos exteriores do Museu Nacional de Etnologia...) e não posso deixar de me emocionar com tal actividade, com tal apropriação, relação amorosa quase, com a cidade. Parkour rules!

O Carnaval é, nas palavras sábias do amigo Silva, um coisa grotesca! Tanta energia, tanto dinheiro, tanta pele eriçada do frio, tanta movimentação de portugueses nas estradas e... tão pouca diversão!!!

Uma óptima notícia! Os Cult of Luna estão em estúdio! Ainda na fase de composição mas à qual se seguirá, certamente, a gravação e, finalmente, o nosso deleite. Yesss!

Dois grandes filmes, antigos e contudo tão actuais!, vistos e apreciados largamente – Johnny Got His Gun e La Battaglia di Algeri. Falarei deles quando me for possível (e me apetecer...).