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sábado, setembro 15, 2012

15 de Setembro de 2012


O que fazer com este dia? Isto é, tendo em conta os moldes em que ele nos é exposto? Sinceramente, não quero que a troika se lixe. Nem o FMI. São 80 mil milhões de euros (é muita massa!) e dão jeito a muita gente (e a alguma gentalha, é certo). Por outro lado, a minha vida não pertence a ninguém, muito menos às troikas/governos deste mundo. Não preciso, pois, que ma devolvam. Mais. Não estou indignado (nada disto é verdadeiramente uma surpresa). Estou mais pobre, mas não indignado. Precário? Sou recibo verde por opção, com a maior determinação. Mesmo com todos os inconvenientes (e são muitos, e bem graves) que daí decorrem. Depois há tudo o que concorre paralelamente, e que não ajuda à equação. As panelas? Ok, tábem. Aquele texto que, lá do alto, se tornou viral? Uma patetice pegada. É muito fácil corrê-los todos a dedo. Olhar para fora. Por falar nisso, também não considero a Islândia um exemplo. Longe disso. Mais perto, não me sinto confortado porque a CGTP também apoia a manifestação. Nem o BE, nem o PC, nem, nem, nem... A mim só me move um motivo. O sucesso deste dia (isto é, uma multidão na rua) será certamente um fracasso do actual governo. Uma machadada na coligação PSD/PP. Basta-me. Este governo é um dos mais cretinos e incompetentes governos dos últimos tempos (um dos, sejamos justos, não esqueçamos Santana Lopes...). Este governo alberga gente como Paulo Portas, Miguel Relvas, Miguel Macedo, Paula Teixeira da Cruz, Pedro Mota Soares. O Moedas. O Gaspar. O Coelho. O tipo da Médis de que estranhamente ninguém parece querer falar. E uns outros tantos, certamente. Mas a mim basta-me. Podem achar pouco, mas para mim é mais do que suficiente. Porque se respeito o direito ao voto (e respeito-o exercendo-o), pois é ele que nos permite lutar/contribuir/eleger um determinado governo; então também exijo o direito contrário, o da rua, que é aquele que nos permite lutar/denunciar/derrubar um determinado governo. Eu respeito e aceito que algumas largas centenas de milhar de portugueses tenham querido eleger Pedro Passos Coelho (nem queriam assim tanto, o que eles queriam mesmo sabemos nós...), mas eles também têm de respeitar e aceitar que outras tantas vão fazer tudo por tudo para que ele abandone o cargo. Na rua. Hoje. 15 de Setembro de 2012.

quarta-feira, agosto 22, 2012

E o futebol parece não ser o único a ter esticado o pernil...


O Futebol morreu. OK, enterre-se. O Cinema parece ir pelo mesmo caminho... {suspiro} Restam-nos a HBO e os milhentos documentaristas que por aí andam, por esse mundo fora. KUDOS. Ontem descobri esta pérola. Vejam-na. A sério. É tão "interessante" chegar à conclusão de que Chicago não está assim tão longe do Rio de Janeiro... :( Bem nos tentam "vender" o contrário, you know, land of oportunity and all that jazz, mas é todo um mundo {novo?} que se abre perante nós... Mas, no fundo, graças a Deus {ou whatever} existem os seres humanos!

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Gentrificação

A gentrificação mete-me nojo. A palavra, o processo, o motivo. É um termo tão abjecto que, mal o oiço, só me lembro de Endlösung. Hoje descobri {aqui} este pequeno documentário sobre o fim anunciado do Bairro da Luz em São Paulo. Triste.








"Die Jugend Marschiert", década de 1930.

sexta-feira, março 25, 2011

O Negro e o Branco

Ontem à tarde dei-me conta de que Campo de Ourique foi invadida por cartazes negros. Colados em caixas de electricidade, ao nível da cintura para baixo, desfilamos perante uma série — incompleta? apanhei estes, não sei se há mais — de mensagens, de rasgos, de gritos de revolta, de pensamentos e desabafos. Eu gosto de Campo de Ourique e ontem fiquei a gostar um pouco mais. Não gosto particularmente dos cartazes, mas eu não tenho de gostar de tudo o que é bom. E isto é bom. Parece-me.













Hoje de manhã dei-me conta {thanks Gonçalo} destes senhores {maismenos}. Também eles se mascaram de preto. Também eles procuram o branco onde o pensamento possa surgir, nesse breve momento. As letras destes tipos são negras, e não brancas como as do loner de Campo de Ourique, mas mais parecem brancas dado o negro negro negro da realidade circundante onde são apostas. Estes são mais consistentes. Procuram mais além. E, acima de tudo, não tratam mal a língua portuguesa... Bem pelo contrário.

sexta-feira, março 11, 2011

Eu não vou, porque eu já lá estou!

Faço minhas algumas das palavras do João Nuno Martins...

«Mas esta mudança que eu desejo nunca acontecerá se não soubermos e estivermos absolutamente convictos do que queremos. E acima de tudo não se fará se não tivermos consciência de que temos que ser nós os primeiros a mudar. Cada um de nós. Na sua casa. No seu condomínio. No seu emprego. Na sua cidade. Na sua Rua. No seu grupo de amigos. No seu íntimo. Na sua mentalidade.»

O texto do homem é longo, e nem sempre concordo com tom da coisa, mas a ideia geral aproxima-se em muito da minha. Sobretudo esta ideia primordial, a deste parágrafo, em que ele coloca a tónica em nós próprios. Sempre achei isto, sempre me pautei por estas linhas, e é nas minhas acções e nos meus passos que me concentro, diariamente. E nunca esperei que governo algum me viesse dizer como é que é ou não é. Nunca esperei respostas e soluções de governo algum. Porque se o fizesse, mais cedo ou mais tarde, estaria na rua a berrar contra ele. Não me iria restar alternativa. Só que isso não é vida, muito menos o suficiente para eu ir à Avenida. Um dia, e esse dia é o próximo dia 12, vai a Avenida estar cheia de gente que, estando o programa em aberto, são A4s em branco, não vai ter outra alternativa senão estar contra alguém {leia-se Sócrates}, este ou aquele {leiam-se os administradores das empresas públicas... e privadas}, aquilo {o PS} ou aqueloutro {o PSD}. E eu gostaria era de ver a Avenida cheia de gente que está a favor de si e do outro. Nesse dia eu vou estar lá.

domingo, setembro 12, 2010

Sete dias em solo belga; pequenas notas soltas...



1. Eu gosto do Sol e do céu azul. E de uma banhoca salgada no Atlântico. Mas sempre que vou lá acima sinto sempre que trocava tudo isso por aqueles céus. Ninguém tem aqueles céus da Flandres. Nem aquele fresco, aquela chuvinha. E tudo o que vem por acréscimo.
2. Isto é, os bares, os interiores, o quentinho, as cervejas, os cafés e os chás, os broodjes. As passas, os frutos secos. Os queijos. Os confortos.
3. A qualidade de vida, o luxo de se poder ter calma na vida {eles não se irritam... eles não se desviam... eles não sorriem...}, a certeza de que aquilo funciona {o nível de sofisticação e de eficiência da empresa que alugava bicicletas em Gent era assustador...}. Apesar da qualidade na vida, e dos fenomenais céus!, e embora me tivesse acontecido trocar o nome de uma pelo nome da outra, a Bélgica pouco tem em comum com a Holanda.
4. Os belgas são estranhos. Parecem doentes. Do foro psiquiátrico. Parecem personas divididas. Fendidas. Fracturadas. Não parecem ser capazes da felicidade. E não é do tempo, e da chuva, e do frio... Não, é mesmo outra coisa qualquer lá deles. {E é óbvio que generalizo...}
5. A pedofilia está escancarada diariamente nos jornais. Os bispos, os padres, os cardeais. E as vítimas. Slachtoffers.
6. Também a hipótese da divisão do país em dois inunda as páginas dos diários. Na rua não se sente. Como se tal divisão não fosse nada, comparada com a outra divisão já mencionada...
7. Não me parece que queira voltar à Bélgica. Gent encheu-me as medidas. Muito. Mas sinto que Gent é uma excepção. Bom, talvez, um dia, as Ardenas...
8. Brussel é Brussel. Não presta. {O Museu Magritte não foi mau de todo...}
9. Brugge é Brugge. Um cartão postal. {Dá para passear de bicicleta, o que já não é mau de todo...}
10. A bicicleta está longe de ser considerada e respeitada por todos {mais uma grande diferença em relação ao vizinho de cima}. Mas a liberdade proporcionada por duas rodas, pedais e correias de transmissão está lá. E é divinal. Ó se é.
11. E as cervejas? Bebi uma dúzia delas, mas não explorei ao máximo, nem ao mínimo, a coisa. Não esquecer que fiz férias em família, como pai de família. Conheço tão bem os parques infantis em Gent e arredores como as cervejas belgas em geral. São cerca de 350 variedades. Eu fiquei-me por uma mão cheia delas. Todas boas, algumas especiais. Acima de tudo a Piraat {triple beer, 10 graus, não experimentar beber mais de 3 seguidas...}. A Orval segue-a de perto. A fiel Hoegaarden mantém-se, bom, fiel.
12. O Manteca é o local ideal para uma cerveja, um cigarro e dois dedos de conversa. Tudo embebido em meia-luz e sonoridade jazística. Uma cidade que tem um Manteca tem tudo.
13. As crianças não são só slachtoffers... As crianças até aos 12 anos de idade não pagam comboio, não pagam museus, não pagam isto nem aquilo, em alguns restaurantes até 10% de desconto têm... Sabe bem ver isto posto em prática. Não é condescendente, é responsável e entusiasmante. As crianças belgas têm uma autonomia {assim à primeira vista} muito interessante e intensa.
14. Os gentenaars {a malta do Norte em geral} vivem a cidade de um modo muito especial e intenso. A cidade é deles e eles sabem-no. Cuidam dela e ela cuida deles.
15. Também eles, os belgas, têm o leão rampante! Gosto do leão rampante!

domingo, abril 25, 2010

Cromos

Quem me conhece sabe que eu sou muito crítico, bastante, demais, em relação a Portugal. E que não perco uma oportunidade para malhar, diminuir e arruinar este país, os portugueses, a loserfonia, a mediocridade nacional. Sempre que posso. Isto não vale grande coisa, e não vale a pena escondê-lo. É {muito provavelmente} verdade que se é mais feliz não acreditando nisso, encolhendo os ombros e vivendo de acordo com os hábitos do resto da maralha. Mas... nem sempre é fácil, ou possível, ou exequível. Mas quem me conhece também sabe que quando há que reconhecer valor também o faço, e com prazer, e com vigor, e muito exagero, God knows how I love superlatives! E ontem, uma vez mais, me apercebi que há coisas que este país faz, produz, cria e alimenta como nenhum outro. O mitra, o mangas, o burlão, o city dweller, o cromo, o agarrado, o bêbado. E o que dizer desta capacidade lusitana de mesclar humor com sordidez? Poucos países constroem estes personagens como Portugal. Atenção que não estou a ser cínico. Não estou. Isto é, de facto, um elogio. Reconheçamos, pois, o que de bom fazemos. Gratidão.

Isto a propósito do excelente documentário que apanhei ontem à noite na RTP2, de seu nome Esta Rua É Minha, de Gonçalo Mégre. Muito agradável surpresa.



PS - Ah, parece que o Márinho tem um blog...

quinta-feira, março 11, 2010

Oh, la, la, ça c'est super...








«ViderParis is a series of computer altered images of the streets of Paris. All traces of life are removed from the images: vegetal, urban furnishings, pedestrians, cars, etc. All the buildings are sealed with sheets of concrete up to the second floor. The series of images are programmed to project randomly from a computer software.»

Vider Paris {1998-2001}, de Nicolas Moulin.

terça-feira, março 02, 2010

Admiro tipos destes...



Tipos como John Downer, artífices, a vida passa por eles, ou eles pela vida, certamente de modo bem diferente de como passa pelo restante de nós. A tensão, a respiração, o mundo lá fora, passando em segundo plano, uma buzinadela, um riso, um avião, enquanto, apoiados no vidro, num equilíbrio particular, assistem, no sentido de ajudar, socorrer, ao nascer de algo único.


Reserve Glass Gilding by John Downer from Reserve LA on Vimeo.

domingo, março 08, 2009

Some people never go crazy. What truly horrible lives they must lead.

Poucos filmes podem gabar-se de resistir desta maneira a 22 anos de vida. Esta história toda em redor do The Wrestler fez-me querer rever esse long time no see que é Barfly. Vi-o {há 22 anos...} com o camarada Serafim, na sala 3 do King, munidos de uma garrafa de aguardente de figo {caseira, feita pelo pai de um colega nosso}, e saímos para a luz assassina de um fim de tarde de Verão, Avenida de Roma abaixo, com uma das mais estranhas bebedeiras da minha vida. É estupendo como passados 22 anos este filme continua fresco, honesto, bem disposto, com uma energia rara. Diálogos do caraças, ambientes à maneira {as rajadas de luz de cada vez que alguém entra nos bares são geniais!}, um Rourke do melhor, um par de pernas como não há muitos {e fossem só as pernas... long live Faye!}, o irmão do Stallone {lindo!} e o grande Jack Nance; sem dúvida, o melhor Schroeder de todos. Grande filme.


PS – Bom, é verdade que não há grande pachorra para a lamechice à volta da tontinha da editora de poesia, a Tully Sorensen. Mas, ainda assim, um grande filme.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Life is great. Without it you'd be dead.

Gummo. Sicko. Wacko. Psycho. Jesus. Pain. Hatred. Whoooa! Pervert. Bitch. Butch. Faggot. Kill. Arian blood. Jobless. Deadend. Time. Glue. Tape. Bullet. Laugh. Godforsaken shithole. Laugh. Tornado. Laugh. Incest. Kill. Bestiality. Slayer. Crime. Liquor. Disease. Pestilence. Bugs. Niggas? Well, you know, I just don't lik'em. Poison. Blow me. Bacon. Youth. Geriatrics. Dementia. Garbage. Sugar. Smokes. Petrol. Gas. Drunk and Drive. Midnight Hour. Voyeur. Tap dancer. Fascinating. Intoxicating. Horrifying. Life changing. Puta filme, dir-se-ia nos trópicos.



Nem que fosse pelo prazer de rever Linda Manz. Já não a adolescente revoltada de Out of the Blue, mas antes uma spaced out mom que faz sapateado com um par de sapatos quatro números acima numa cave cheia de desespero {e um filho incapaz de lhe devolver um sorriso}.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

«Devolver o rio aos lisboetas.»

Ciclicamente surge-nos esta expressão aos ouvidos, aos olhos. Na imprensa, na rádio, na televisão. Desde sempre que a oiço, surgindo a propósito do negócio dos contentores, da generosidade do POZOR, de um projecto megalónomo, de uma nova licença de um novo restaurante/museu/concessionário automóvel, whatever. Garanto-vos que nunca a entendi. Mais, que sempre me irritou solenemente. Que treta é essa de devolver o rio aos lisboetas? Quando é que eles o viveram realmente? Em que época de ouro? E quando é que foram espoliados de semelhante valor? Deve ter sido um trauma espectacular! De tal ordem que ainda hoje tal vaticínio salvífico se mantém — havemos um dia de devolver o rio aos lisboetas. Ah, dream on, dream on. Mas a expressão e a quimera lá vão persistindo. Ano após ano. Década após década. Século após século.
Pois bem, desta vez foi no Público do último dia do ano de 2008 que ela se fez sentir. Era grande o artigo sobre o caos que grassa nessa zona nobre da cidade que é o intervalo entre a Praça do Comércio e o Cais do Sodré. Que era Feios, Porcos e Maus, que era Kusturica, que era uma vergonha. Que está repleta de indigentes que ali acampam e secam os seus trapos ao ar livre {Aldeia da Roupa Branca reloaded, topam?}, que tem fogareiros improvisados, que não é segura. Que não é modo de tratar aquela zona da cidade. Pois bem, malta. Primeira chamada à realidade — há 37 anos, pelo menos, que aquela zona da cidade é assim, suja, feia, inóspita e desagradável. Sempre mal tratada, sempre habitada por tipos suspeitos. Lembram-se do café que servia a antiga estação fluvial, o Wagon-Lit, ou lá o que era? Lembram-se? Aquilo era pura e simplesmente intragável, infecto. E quantos anos não esteve aquilo para ali, aberto, ao serviço? Para não falar de um posto de gasolina que por lá andou, logo a seguir, anos a fio, entaipado, envergonhado. Dava muito jeito, sim senhor, mas era uma vergonha tê-lo ali. Se calhar, ainda lá está... E o Tolan? Sim, aquele tabuleiro ali à beira-rio, tão digno da cidade, ficará para a história como a plateia dos mirones do espectáculo da remoção do Tolan! Lembram-se? Eu estive lá, com o resto dos papalvos... {e não estive sozinho, que estas fotografias não são minhas...} Segunda chamada à realidade — já vos passou pela cabeça que agora sim, pela primeira vez na história desta cidade, o rio, a zona ribeirinha, tenha de facto sido devolvida aos lisboetas? Sim, aquela malta que por lá anda neste momento também é lisboeta e está a viver o Tejo como ninguém! Pois, por mim, que o curtam. Finalmente a expressão faz sentido, tem razão de ser. Será que, finalmente, não a ouviremos mais?

segunda-feira, outubro 13, 2008

The best show on television, period.

Fartei-me de esperar por alguém que me ouvisse. Já papei a first season, estou na second season e a third season espera por mim, ali em cima da mesa. As duas primeiras vieram via Pirate Bay {you're the man, ingekul!} enquanto a terceira veio via Amazon. Ainda não pensei o que fazer em relação às fourth e fifth seasons, mas não perdem pela demora.

Mas uma coisa é certa, caros amigos. Todas as expectativas foram não só comprovadas como amplamente superadas. The Wire é, pura e simplesmente, do melhor que tenho visto em televisão; e olhem que já muita televisão passou por estes olhinhos. Dos vários textos, aqui e ali, que já tinha lido sobre a série, a conclusão mais comum, para além dos contínuos elogios, era a de que a série estava decalcada da realidade com uma eficiência considerável. O trabalho de campo, a investigação e a entrega aos assuntos abordados tinham sido levados muito a sério, quase parecendo, em certos momentos, mais um documentário do que uma série televisiva. A malta da rua, os agentes dos narcóticos e os dos homicídios, os estivadores, a Lei, todos eles representavam crivelmente a realidade. A ideia, diz Simon David algures, era que um qualquer estivador de um qualquer porto norte-americano que visse a série se identificasse automaticamente com Sobotka. O mesmo aconteceria com um qualquer McNulty que, do balcão de um bar qualquer, desse uma espreitadela para a televisão em mute, lá no canto. O mesmo já não diria de qualquer dealer afro-americano de uma qualquer esquina, pois essas tribos fazem ponto de honra em se diferenciar umas das outras. Mas os afro-americanos de Baltimore revêm-se certamente; um Omar ou um Wee-Bey não serão difíceis de encontrar.

A série é, por vezes, muito pouco série, pois tem uma dimensão muito própria, uma noção de ritmo pouco usual, onde a acção por vezes se arrasta ou se demora em pormenores ou diálogos que noutros formatos, e para outros públicos, não se aguentaria. A cidade, a rua, os vários segmentos da sociedade, estão definidos e presentes em The Wire de uma forma muito interessante; a própria forma como no site da HBO o elenco da série é apresentado é testemunha disso. Tal como o é a própria forma como a série foi pegando nestes segmentos, nestas instituições da city life {e lembro-me do sticker de Bunk que diz "I love city life"...}, a Rua, a Polícia, a Lei, a Escola, os Media, e as foi distribuíndo pelas várias, cinco {acabou este ano nos EUA}, épocas em que a série se desenrolou. Esta noção de proximidade com a realidade, esta veia documental, parece que deve muito à mini-série que a precedeu, The Corner — que acabei agora mesmo de ripar para um DVD, que segue por sua vez para fila de espera... —, trabalho que abordava apenas a rua, a esquina, e os "mitras" que a habitam. The Wire e, presumo, The Corner, em suma, o trabalho de David Simon e da sua equipa fazem-me lembrar, em certos momentos, o trabalho de Studs Terkel, esse incontornável e incansável divulgador do average american e das suas histórias e hábitos, o que é sempre bom.

E já referi que o cenário onde a acção se desenrola é a cidade de Baltimore? Eis outra das boas marcas de qualidade da coisa, Baltimore. Quem se lembraria de Baltimore? Bom, os carolas por detrás da escrita da série, que são de lá. O que torna a coisa ainda mais perfeitinha, convenhamos. Não há cá New York, nem Chicago, nem San Francisco, nem Las Vegas, nem Miami, nem LA. Não, os locais são mesmo estes aqui.

E quem quiser ler um pouco mais, pode fazê-lo aqui {só para assinantes...}, aqui, aqui e aqui. E volto a divulgar essa bela conversa entre David Simon e Nick Hornby.

domingo, outubro 12, 2008

The Garden

Isto deve ser bom. Cheira-me. Interessante, sem dúvida. É esperar que cá chegue.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Aos tipos que decidem estas coisas...

!?!?!?!?!?!?!?!
PARA QUANDO EM PORTUGAL
A SÉRIE TELEVISIVA
THE WIRE
!?!?!?!?!?!?!?!


Por favor, senhores executivos, what's the big fucking deal?, decidam-se, encham-se de coragem e deixem-nos curtir a série. Pleeeease! Há gente já com dores de tanto esperar...

The Wire {site oficial}
The Wire {wiki}
The Wire {entrevista de Nick Hornby a David Simon, criador do The Wire}

quinta-feira, agosto 14, 2008

Bom...

... a capital está imunda, deprimente, estranhamente habitada. Acho que vou subir novamente a A8.

sexta-feira, julho 04, 2008

Žižek {e assim junto-me à malta...}

Eu ando curioso, malta. Dou voltas por aqui e por ali, na blogosfera, e em todo o lado {bom, quase todo lado} só vejo referências ao Zizek. Eu não sei quem é o Zizek, e fico logo a achar que devia. Toda a gente {bom, quase toda a gente} fala dele, e eu começo a achar que devia saber o que é, quem é, como é. É que um tipo sente-se assim que, digamos, excluído, blogoexcluído. Um Zizek come-se? Veste-se? Dá para ganhar dinheiro com um Zizek? É uma daquelas cenas que se colocam nas Crocs? É ser vivo? Ou inanimado? Há mais na praia ou no campo? No Norte da Europa ou no Sul? Zizeka-se de alguma forma? Tem a ver com carros {é que de carros não percebo nada...}? Ou vai-se para lá, de férias? Zizekem-me, por favor. Ou, como dizia o outro, zizeka-mos... ;)



Slavoj Žižek

terça-feira, julho 01, 2008

HOLY FUCK!

Isto já era fantástico, mas isto é abissal...

quinta-feira, junho 12, 2008

O futebol manda, a gente obedece...

É tramado como o futebol {o viver do futebol, para ser mais correcto} mina tudo à volta, seca, drena, impede, atazana a vida mais real, mais palpável, aquela das sensações inadiáveis. Desde que começou o Euro2008, e sobretudo desde que este blog se vestiu de laranja {o folclore nunca se deu bem com a seriedade objectiva}, que se tem tornado virtualmente impossível, quase penoso, escrever sobre outro algo. E muito haveria...

Por exemplo, apeteceu-me já várias vezes escrever sobre a estranha sensação, infusora de um medo forasteiro, constrangedora da respiração mais elementar, que é a sensação que me invade de cada vez que cruzo, que passo, que torneio, que detecto uma {duas, três, mais} mancha de sangue na calçada portuguesa. Já vos aconteceu, decerto. A mim invade-me uma tristeza, uma angústia muito segura de si que me agarra não sei bem onde... O sangue alheio {criança, gorda, velho?}, sem nome {sem-abrigo?}, sem cara {nariz esmurrado?}, é-me difícil de encarar. O medo funciona assim, de resto. É pérfido. Baseia-se, sustenta-se, alimenta-se e fortalece-se da total e simples ignorãncia, suspeição e conjectura. Sem estes três ingredientes o medo não se move. Neste caso não é bem um medo-medo, mas antes um medo-tristeza. Um medo-dor. Mas é qualquer-coisa-medo...

Também já me apeteceu falar das prateleiras vazias de legumes, fruta e bens perecíveis {os frémitos que este termo provoca no(a)s jornalistas...} e das bombas de gasolina secas, sequinhas, como pequenos alentejos de bolso ali na cidade, esvaídos, à vista de todos. E de como isso não me incomodou quase nada, para além do facto de ter ido a um supermercado onde não teria ido antes {erradamente, diga-se} e de ter descoberto que, como comedor de rúcula, estarei sempre safo. Essa alface esquisita parece não entrar na dieta dos portugueses e haverá sempre um ou dois saquinhos à minha espera... Mas não é estranho ver supermercados vazios, em standby, suspensos, com relato televisivo de República Checa-Portugal como banda sonora, gritos e suspiros em contratempo, e não estranhar por aí além? E achar que é só um primeiro sopro do que ainda poderá vir aí? Tragédia? Redesenho. Ontem na TSF, num fórum bolístico, e a propósito das paralisações e consequentes falhas de distribuição, um tipo dizia que Portugal mais parecia o Brasil da Europa. Bom, eu não tenho problemas com isso {já tive, já tive...], o meu receio é que os portugueses não consigam vir a ser os brasileiros europeus...

E as bandeiras nacionais que agora fazem companhia às tabuletas das Remaxes da vida? Também já me apeteceu escrever sobre isso... Duetos miseráveis, parelhas de maltrapilhos. Vizinhos insuportáveis, é o que são! Tristes ruas as desta vida lisboeta...

Mas como a bola é ominipresente e omnipotente, acabo por escrever sobre os euros oriundos dos negócios escuros de leste que a partir de ontem parecem valer mais do que os euros dos papalvos lusitanos. Pois, parece que o homem se vai pirar a seguir ao Euro2008 para terras de Sua Majestade. Estou mortinho por vê-lo aguentar-se à brocha com aquela imprensa cocksucker {esta ele já deve saber dizer...} a morder-lhe as canelas a propósito de toda e qualquer decisão {ou não decisão} que o brasileiro fascista protagonizar. Só mesmo um russo novo-rico e ignorante e um clube pequeno como o Chelsea para acharem que isto vai dar bom resultado...

segunda-feira, junho 02, 2008

Much ado about nothing...

Hoje fui à Feira do Livro. E sabem que mais? Aquela brincadeira da Leya {é aos alemães que eles andam a brincar, não é?}, aquela brincadeira ainda nos vai fazer perceber o quão simpáticas e funcionais são as barracas do costume...