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quinta-feira, março 24, 2011

Bela merda...



Ontem, na Assembleia da República, PSD, CDS-PP, PCP (PEV) e BE rejeitaram o PEC 4. Ao fazerem-no, aprovaram o PEC 5. Isto é, aprovaram 2 a 3 meses da mais pura e abjecta campanha eleitoral, onde certamente assistiremos ao grau zero da política nacional {sim, acreditem, este ainda não foi atingido...}. Depois do acto eleitoral, onde certamente os do costume não vão votar {e a ver vamos se não aumentam...}, deixando novamente tudo na mão de poucos, logo veremos se o país resiste ou não ao PEC 6.


{encimar uma pintura de Francis Bacon com o termo merda é praticamente sacrilégio... bem sei, mas os tempos andam difíceis...}

quarta-feira, março 23, 2011

Mas...

... meus meninos, senhores e senhoras, por favor, indignados da vida, espoliados, enrascados e quejandos, prestem muita atenção, para o ano que vem, tudo o que for abaixo de 500.000 na Avenida é miserável, só dá para rir, é andar a brincar com o resto da malta! Ouviram bem?

Vão-se predispondo...

Vão-se prevenindo...

Vão-se mentalizando...

Vão-se amanhando...

Vão-se compondo...

Vão-se resignando...

Vão-se resolvendo...

Vão-se dispondo...

Vão-se preparando...

Vão-se habituando...

Vão-se acostumando...

Quiseram castigar, acabaram castigados...



Os portugueses são maus. Atrasados, pouco esclarecidos, medrosos, não sabem ler, estacionam em cima das passadeiras. Não vivem o país, utilizam-no. Usam e abusam-no. Um país que sempre os tratou mal. Lá isso é verdade. Mas o país são eles. E mesmo assim, sempre que podem, tratam mal esse país, tratam-se mal a eles próprios e aos seus vizinhos, e a quem tiver a lata de levantar a garimpa. E assim foi, uma vez mais, em Setembro de 2009. Os portugueses quiseram castigar o partido do Governo, sobretudo o seu líder Sócrates, aquele a quem tinham dado certo dia uma maioria absoluta. Quiseram castigar a acabaram castigados. Todos aqueles {e, infelizmente, mais uns quantos...}, indignados da vida, que há um ano e tal atrás festejaram a derrota da maioria, a nefasta maioria, que juntos conspiraram e deixaram de rastos a besta socialista, que exultaram com o fim do posso-quero-e-mando rosa, todos eles continuam castigados. E ainda vão ser mais castigados. É só deixar ver quem se segue... De facto, os portugueses são maus.

sexta-feira, março 18, 2011

Recibo Verde me confesso...

Há já uns bons tempos que os Recibos Verdes andam pela rua da amargura. Alvo fácil de ataques constantes, de todos os quadrantes. Porque são isto, porque são aquilo, é uma injustiça, é um descalabro, uma falcatrua. Mas deviam ter mais cuidado com esses ataques, pois há quem se sinta incomodado com a situação. Eu, por exemplo. Não continuem, por favor, a insistir no erro de meter tudo no mesmo saco. Há que separar as águas. Nem tudo é igual. Nem tudo é ilegal. Se querem atacar as injustiças laborais, tudo bem, contem comigo. Atacar a Precariedade, sim senhor, vamos a isso. Mas daí a generalizar e a declarar guerra aos Recibos Verdes... Sinceramente, a mim chateia-me esta situação de todos os dias ouvir dizer mal dos Recibos Verdes. Há quem seja Recibo Verde com muito prazer. Eu sou. Foi a melhor coisa que me aconteceu. Deixem os Recibos Verdes em paz! Ataquem antes os Recibos Verdes Falsos, ataquem a Precariedade. Deixem os Recibos Verdes seguir o seu caminho. Tem sido, de resto, um caminho muito interessante. Agora até já são electrónicos... E não se esqueçam de colocar, muito importante!, o Falso no final. Ah, e já agora, não se esqueçam igualmente do e a seguir ao i, no meio de Precariedade... ;)


Já foi azulado, esverdeado, em escudos, em euros, com as mais variadas taxas e isenções,
e agora até é electrónico... mas continua a ser feio, feio, feio. 


segunda-feira, março 14, 2011

Geração à Rasca, uma ilha rodeada de Portugal (2)

População da Islândia: 318.452 (wikipedia)
Manifestantes Geração à Rasca: 280.000 (Lisboa e Porto, segundo o Expresso)

A Islândia, ao longo dos anos, criou o mais completo mapa genético de sempre. Toda a sua população está inventariada, dando mesmo para saber as linhagens todas até ao mais remoto momento.

Portugal, ao longo dos tempos, criou o mais complexo mapa frenético de sempre. Toda a sua população despreza a classe política, dando para saber facilmente quem é quem, quem mama aonde, desde quando e por quanto.

A realidade é dura.

Geração à Rasca, uma ilha rodeada de Portugal (1)

População da Islândia: 318.452 (wikipedia)
Manifestantes Geração à Rasca: 280.000 (Lisboa e Porto, segundo o Expresso)

Quando os 300.000 islandeses acordam e olham em seu redor, o que vêem são litros e litros e litros e litros e litros de água gelada.

Quando os 280.000 manifestantes acordam e olham em seu redor, o que vêem são 9.700.000 portugueses.

A realidade é dura.

domingo, março 13, 2011

A4s



Pergunta inocente, alguém levou os tais A4s? Alguém os entregou a alguém? E e eles vão mesmo ser juntinhos em caixotes e entregues na Assembleia da República? Ou já não interessam? É nestes momentos que quase me dava vontade de ser jornalista {cruzes credo!}. Eu não largava de jeito nenhum esta história dos A4s. Porque era ali que residia a justificação para uma ausência de programa, atenção. O movimento apenas era laico, pacífico e apartidário {hum... hum...}, nos A4s é que viriam as ideias. Os A4s é que iriam desabrochar numa miríade de ideias luminosas que nos levariam, como povo unido como nunca, a um futuro garantido. Sigam os A4s, digo eu!


Update _ fui ao perfil do movimento no facebook e afinal agora basta enviar um e-mail... lá se foi toda a imagem de protesto liceal... :(

Das duas, uma...

Muito sinceramente, custa-me bastante assistir ao contentamento de muita da malta que foi ontem à passeata na Avenida. Muitos dos que foram são meus amigos e conhecidos. Muitos são pessoas que tenho em conta e estima. Que sei serem inteligentes. Que conheço há já uns tempos. Que têm mundo. Como é possível entenderem que foi um sucesso? Como é possível virem a terreiro afirmar que estava compacta, que vibrava {como se isso fosse difícil de conseguir}, que hoje será um dia diferente, que não é mais possível assobiar para o lado? Como?!

O que eu vi foi 200 mil pessoas a descerem a Avenida, ventilando descontentamentos vários {na boa, é para isso mesmo que a Avenida serve}, naquela cadência típica da Avenida, e, por fim, desaguarem nos Restauradores e ficarem entregues àquelas 3 alminhas! Meu Deus! Acho que foi um andar para trás muito lamentável. Não há muito tempo atrás, quando o pessoal descia a Avenida sabia que no fim estavam lá os profissionais. Eram os do costume, ok, eram os da cassete, os dos sindicatos, os desalinhados, os combatentes, os resistentes, whatever, mas eram os profissionais da coisa. Agora, desceram, berraram e ficaram ali encostados a um palanque improvisado com 3 alminhas que não sabiam bem o que fazer, o que dizer. À rasca.

Só vejo uma conclusão: ou o descontentamento não era assim tão grande, ou o contentam-se com pouco.

sexta-feira, março 11, 2011

Eu não vou, porque eu já lá estou!

Faço minhas algumas das palavras do João Nuno Martins...

«Mas esta mudança que eu desejo nunca acontecerá se não soubermos e estivermos absolutamente convictos do que queremos. E acima de tudo não se fará se não tivermos consciência de que temos que ser nós os primeiros a mudar. Cada um de nós. Na sua casa. No seu condomínio. No seu emprego. Na sua cidade. Na sua Rua. No seu grupo de amigos. No seu íntimo. Na sua mentalidade.»

O texto do homem é longo, e nem sempre concordo com tom da coisa, mas a ideia geral aproxima-se em muito da minha. Sobretudo esta ideia primordial, a deste parágrafo, em que ele coloca a tónica em nós próprios. Sempre achei isto, sempre me pautei por estas linhas, e é nas minhas acções e nos meus passos que me concentro, diariamente. E nunca esperei que governo algum me viesse dizer como é que é ou não é. Nunca esperei respostas e soluções de governo algum. Porque se o fizesse, mais cedo ou mais tarde, estaria na rua a berrar contra ele. Não me iria restar alternativa. Só que isso não é vida, muito menos o suficiente para eu ir à Avenida. Um dia, e esse dia é o próximo dia 12, vai a Avenida estar cheia de gente que, estando o programa em aberto, são A4s em branco, não vai ter outra alternativa senão estar contra alguém {leia-se Sócrates}, este ou aquele {leiam-se os administradores das empresas públicas... e privadas}, aquilo {o PS} ou aqueloutro {o PSD}. E eu gostaria era de ver a Avenida cheia de gente que está a favor de si e do outro. Nesse dia eu vou estar lá.