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quarta-feira, outubro 21, 2009
quarta-feira, outubro 14, 2009
Mas e se for para mim? Aí tenho de me decidir, e rápido. Uma coisa é não me importar de morrer já amanhã porque tive uma vida perfeita e em pleno. Outra coisa é não me importar de morrer já amanhã porque a minha tendência niilista me diz que pffff. Parece que não importa, mas importa. E muito. Tenho de me decidir.
terça-feira, julho 28, 2009
A Vida de morte em morte...
Se no episódio relatado no post anterior as importantes palavras surgiam de manhã, dou-me agora conta de que na noite anterior outras palavras tinham sido ditas e que, sim, umas estão relacionadas com as outras. No final de uma noite de jantarada e de copos, em casa de uma amiga felizmente recém-encontrada, no final de uma noite, dizia eu, que acabou em torno do tema morte, já estava eu de pé, casaco na mão, o pessoal a desmobilizar, por entre procuras simultâneas de objectos deslocados, onde estão as chaves de casa?, e os cigarros?, ouvi-me dizer, já a meio-gás, quase na certeza de que ninguém ouviu, que «no fundo, no fundo, um bom passo será sempre o de contrariarmos as nossas certezas, as nossas crenças, as nossas particularidades». Se tivermos a capacidade de contrariar o nosso sistema de crenças, se tivermos a coragem para nos interrompermos, se levarmos a cabo estas pequenas mortes {não confundir com la petite morte} de nós mesmos, então a vida cresce em nós. Matar, pouco a pouco, certas prisões de nós mesmos, liberta-nos. A minha mente, o meu desejo, diz-me «não vás ao baptizado, foda-se, era o que faltava agora ir perder o meu tempo com um baptizado, ainda por cima de fato e gravata, caramba, e o calor que está?»? Pois eu digo {e faço} «vou ao baptizado!». Fui.
sexta-feira, junho 26, 2009
Dos 10 aos 14
Os meninos e as meninas dos 10 aos 14 têm coisas em comum. Têm medo de morrer, da morte antes do tempo. Também não querem que sucedam coisas chatas aos seus pais e familiares próximos. Alguns também estendem estes mesmos medos relativamente ao planeta Terra. Isto é bom. Por estranho que possa parecer, isto é bom, muito bom.
quarta-feira, junho 17, 2009
Dear John Deere
Ontem vi um homem morto matar dois dos seus vários filhos. Como dizia um dos que acabou por escapar à espiral de violência, «ele vai ser julgado pelo que fez de mal e não pelo bem que fez». As mães {biológicas} assistiam, impávidas e não tão serenas, à distância. Impressionante como um homem mesmo já morto detém ainda o poder da destruição. Como se da morte dele tivessem resultado ainda uma série de ondas concêntricas cheias de energia destruidora que, tal como uma pedrada num lago, gerassem eventos imprevisíveis. Felizmente que, tal como no lago assim é na vida, as ondas acabam sempre por se desvanecer na acalmia que as leis da física impõem.
Mas o mais interessante mesmo, para mim, foi ver como esse homem morto provisoriamente encarnou num tractor verde e amarelo que teimosamente insistia em não pegar. Como se quisesse evitar à força o tal julgamento de que falava o filho acima. Quando finalmente resolveu arrancar sons e vibração do seu motor, fumo negro subiu no ar, e a matança parou. Cada um seguiu, finalmente, o seu caminho pessoal e intransmissível. Cheio dos seus próprios erros e não mais dos erros alheios.
Mas o mais interessante mesmo, para mim, foi ver como esse homem morto provisoriamente encarnou num tractor verde e amarelo que teimosamente insistia em não pegar. Como se quisesse evitar à força o tal julgamento de que falava o filho acima. Quando finalmente resolveu arrancar sons e vibração do seu motor, fumo negro subiu no ar, e a matança parou. Cada um seguiu, finalmente, o seu caminho pessoal e intransmissível. Cheio dos seus próprios erros e não mais dos erros alheios.
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Óbito
Kathleen Byron
11 de Janeiro, 1921 – 18 de Janeiro, 2009
11 de Janeiro, 1921 – 18 de Janeiro, 2009

Como foi aqui que me dei conta da morte da sister Ruth, faço então minhas as simples mas certeiras palavras de Luís Miguel Oliveira — «Não sei se são mais admiráveis os actores que espalharam a sua imortalidade por cinquenta filmes se aqueles que a concentraram apenas num. Como Kathleen Byron, a freira alucinada do Black Narcissus.»
quinta-feira, janeiro 22, 2009
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Coisas de que Obama se "esqueceu" de falar no seu inaugural speech (#2)
Os EUA estão desde o último quartel do século dezoito permanentemente envolvidos em acções militares, domésticas ou exteriores, em parcerias estratégicas ou isoladamente. Seja pela sua própria e legítima necessidade de sobrevivência, seja por via da famigerada Pax Americana ou através da nova War on Terror, os EUA são o país mais bélico que alguma vez habitou e governou à face deste planeta. Obama mencionou esta mancha, esta bloody frenzy que parece dominar as almas dos seus conterrâneos? Ponderou questionar as virtudes e vantagens de refrear e adocicar a seiva que lhes corre nas veias? Pois...
sábado, dezembro 27, 2008
Harold and Maude
Harold — You sure have a way with people.Maude — Well, they're my species!
Harold — Maude.
Maude — Hmm?
Harold — Do you pray?
Maude — Pray? No. I communicate.
Harold — With God?
Maude — With life.
Maude — You know, at one time, I used to break into pet shops to liberate the canaries. But I decided that was an idea way before its time. Zoos are full, prisons are overflowing... oh my, how the world still dearly loves a cage.
Só pelas falas da Maude vale a pena ver Harold and Maude {1971}. De resto, diga-se em abono da verdade, não é lá grande espingarda. Sobretudo dada a fama de filme de culto que o mesmo carrega. E o que dizer da musiqueta desse tipo horrendo que dá pelo nome de Cat Stevens? Total downer!
segunda-feira, novembro 24, 2008
Círculo
O passado dia 23 viu, nas suas horas iniciais, a minha filha Júlia abrir os seus olhinhos ainda "inúteis" e viu, nas suas horas declinantes, o fechar dos olhos de um homem sensível e sabedor, Rogério Moura. Garanto-vos que sair de uma maternidade repleta de criaturas lactentes e ir directamente para um velório, o de um homem que muito tinha de menino e que, suspeito, foi um avô "à maneira", é uma verdadeira lição de vida. Um turbilhão de emoções, de uma clareza assertiva.
Rogério Mendes de Moura
Perdeu-se um Senhor. Mais não é preciso dizer neste momento. Até mais, amigo.
domingo, setembro 28, 2008
Óbito
Paul Newman
26 de Janeiro, 1925 – 26 de Setembro, 2008
26 de Janeiro, 1925 – 26 de Setembro, 2008

Ainda muito recentemente desanquei no homem, logo logo me redimi e agora presto-lhe a devida homenagem. Nunca foi um daqueles actores com lugar garantido no meu panteão pessoal mas sempre lhe admirei uma faceta que agora, olhando para ele, para o mosaico que a vida dele assenta, me salta à vista. Presumo que para mim Paul Newman só pode ser definido por uma palavra. Perigo. Perigo de dentro para fora. E de fora para dentro. Perigo tortuoso. Quase falta de confiança, o que não é o mesmo que desconfiança. Perigo ali no limite. Perigo característico desse outro forte elemento que é o Jogo. E quando um Perigo, assim nestes termos, define uma personagem, essa personagem garante poder, corpo, fascínio, brilho e uma dimensão para além do aceitável. Paul Newman reflectiu, viveu, deu tom, encarnou o Perigo. Mais do que uma, duas, três, vezes. Na vida e na película. Até ontem. RIP.
segunda-feira, junho 23, 2008
Acabou-se...
Ainda hoje não sei o que se passou, o que se terá passado... Não alinho com a ideia de que os russos desbaratinaram os holandeses. Que cilindraram. Que isto e que aquilo. Não faz sentido algum. É óbvio que a Rússia ganhou, categoricamente, sem espinhas, e fê-lo muito bem {podia até tê-lo feito por mais...}. Mas não foi por ser um espectáculo de organização ou de futebol avassalador {e isso vai ver-se mais à frente}. Fê-lo porque a Holanda desapareceu, pura e simplesmente. E nem foi no sábado, frente aos russos, que desapareceu. Não, ela desapareceu entre o jogo da Roménia e o jogo dos quartos-de-final. Porque no jogo frente à Rússia já lá não estava. Era mais do que óbvio que a Holanda nunca seria apanhada desprevenida pela Rússia. Sabem preparar os jogos, acompanharam a progressão da Rússia ao longo do torneio, conhecem inclusivamente o seu treinador {um holandês...}, logo, a surpresa nunca seria um factor. Surpresa, surpresa, foi o verdadeiro apagão da Holanda. O que nunca se esperou foi que a Holanda não jogasse, não pressionasse, não atacasse, não jogasse em grupo. Como o fez nos primeiros 3 jogos! Surpresa não seria ver a Rússia a jogar à holandesa {aliás o meu último post antes do jogo referia-o...}; não, surpresa foi ver a Holanda a jogar a sei lá o quê...
O choque por aqui foi tão grande que só hoje me atrevo a encarar o teclado, não li quase nada sobre o jogo, não procurei explicações e justificações; desculpas sequer. Mas consoante o tempo passa mais me convenço de que a explicação só pode estar nas faixas pretas. Sim, parece-me agora mais do que evidente que a Holanda nunca devia ter entrado em jogo com o peso das braçadeiras pretas. O luto por Anissa devia ter sido espiado de outro modo. Ou internamente e ponto final. Ou com um minuto de silêncio ao abrir do jogo. Nunca assim. A Holanda não merecia carregar aquele luto daquela maneira. Como sorrir naquelas vestes? Como encarar aquele jogo à semelhança dos outros jogos? Nos 3 jogos iniciais não houve jogador que não ostentasse um largo sorriso, que não destilasse alegria enquanto corria pelo relvado. Era o prazer pelo prazer. Como fazê-lo naquela noite? Eram energias distintas, antagónicas, incompatíveis. Só lhes restou arrastar a carcaça. Tentar resolver individualmente. Esbracejar. Penar. Adiar o inadiável.
Henk Kesler, o presidente da KNVB {o Madaíl holandês...}, declarou logo no dia seguinte que os holandeses não irão trabalhar no dia 23 {hoje} com a alegria e o brilho nos olhos das semanas anteriores. E que as vitórias e as derrotas, no desporto {como na vida, acrescento eu} estão ligadas intimamente. C'est la vie, já tinham dito os franceses uns dias antes...
E a tristeza que invade o corpo daqui para a frente? A cada ataque espanhol ou italiano uma alfinetada. De cada centro dos pés de Torres ou de cada corte de Aquilani uma dor de alma. A Holanda já não os enfrenta na quinta-feira que vem... Além do que o estúpido do homem não pára com a cena de que a Rússia espera pacientemente no sofá... No sofá? O gajo é mesmo imbecil! No sofá estou eu... enterrado, apático, triste.
Acabou. Já não há verdadeiro prazer na coisa. Quando isso acontece, a Alemanha vem e ganha. É esse o estratagema, sacanas... Campeões europeus pela quarta vez.
O choque por aqui foi tão grande que só hoje me atrevo a encarar o teclado, não li quase nada sobre o jogo, não procurei explicações e justificações; desculpas sequer. Mas consoante o tempo passa mais me convenço de que a explicação só pode estar nas faixas pretas. Sim, parece-me agora mais do que evidente que a Holanda nunca devia ter entrado em jogo com o peso das braçadeiras pretas. O luto por Anissa devia ter sido espiado de outro modo. Ou internamente e ponto final. Ou com um minuto de silêncio ao abrir do jogo. Nunca assim. A Holanda não merecia carregar aquele luto daquela maneira. Como sorrir naquelas vestes? Como encarar aquele jogo à semelhança dos outros jogos? Nos 3 jogos iniciais não houve jogador que não ostentasse um largo sorriso, que não destilasse alegria enquanto corria pelo relvado. Era o prazer pelo prazer. Como fazê-lo naquela noite? Eram energias distintas, antagónicas, incompatíveis. Só lhes restou arrastar a carcaça. Tentar resolver individualmente. Esbracejar. Penar. Adiar o inadiável.
Henk Kesler, o presidente da KNVB {o Madaíl holandês...}, declarou logo no dia seguinte que os holandeses não irão trabalhar no dia 23 {hoje} com a alegria e o brilho nos olhos das semanas anteriores. E que as vitórias e as derrotas, no desporto {como na vida, acrescento eu} estão ligadas intimamente. C'est la vie, já tinham dito os franceses uns dias antes...
E a tristeza que invade o corpo daqui para a frente? A cada ataque espanhol ou italiano uma alfinetada. De cada centro dos pés de Torres ou de cada corte de Aquilani uma dor de alma. A Holanda já não os enfrenta na quinta-feira que vem... Além do que o estúpido do homem não pára com a cena de que a Rússia espera pacientemente no sofá... No sofá? O gajo é mesmo imbecil! No sofá estou eu... enterrado, apático, triste.
Acabou. Já não há verdadeiro prazer na coisa. Quando isso acontece, a Alemanha vem e ganha. É esse o estratagema, sacanas... Campeões europeus pela quarta vez.
quinta-feira, junho 19, 2008
2 minuten stilte a.u.b.
Morreu, prematuramente, Anissa, a filha de Khalid Boulahrouz e de sua esposa Sabia. As nossas sentidas condolências àquele que tem sido um dos mais influentes e importantes jogadores da elftal até então.
segunda-feira, março 17, 2008
E quem diz ciclistas...
... diz velhotes, crianças, cegos, pedestres em geral. Porque, como já aqui lembrei uma vez, todos nascemos pedestres. Por favor, vejam o filme, façam o teste e ganhem um poucachinho mais de awareness.
(via 5 Dias)
(via 5 Dias)
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
As Benevolentes
É-me impossível não escrever um pouco que seja sobre este livro, sobre esta personagem que dá pelo apelido de Aue, sobre esta energia que consumiu os meus vários tempos durante estes dois últimos meses. Além do mais, é uma obra que se prestou e presta a valentes dissecações e eu não fujo à regra. De lápis em punho foi marcando aqui e ali. Aqui ficam, pois, algumas notas.

1. O livro é do c......!
2. É grande? Tem 884 páginas (na edição portuguesa da Dom Quixote)? So what? São poucas, digo eu... Também é verdade que, caso se retirassem todas as patentes ali impressas antes dos nomes de todo e qualquer soldado e oficial, bem, o livro ficaria com bem menos uma centena ou duas de páginas...
3. O livro não merecia o Goncourt ou o Grande Prémio da Academia Francesa? Não me interessa minimamente. O livro é excelente. Se está repleto de inexactidões, de atentados, relativamente à língua francesa (logo, não merecia os ditos prémios) tivessem reparado nisso antes. Ou deixem de dar importância aos prémios... É irrelevante para o ponto de vista do leitor. Mas não deixa de ser fascinante todo o trabalho de dissecação da obra, todo o bando de detractores e, logo, de apoiantes do autor, basta uma pequena pesquisa na net para nos apercebermos da dimensão da coisa.
4. Palavra exageradamente utilizada ao longo do livro – volutas. Embora se desculpe, a palavra é linda!
5. Incongruência indesculpável – página 83. Max Aue não se recordar do nome do local onde ocorreu a sua primeira participação numa execução de judeus em massa. E logo numa mata, esse elemento tão caro a Max.
6. Excesso de zelo do tradutor (e único verdadeiro apontamento da minha parte; o resto parece intocável) – página 118. Traduzir Babi Yar... Babi Yar é Babi Yar!
7. Como as coisas boas são como as cerejas, vêm em cachos, As Benevolentes trouxeram-me Couperin e Rameau. Bravo!
8. E a promessa de Pechorin, em Um Herói do Nosso Tempo do escritor russo Mikhail Lermontov. Mal posso esperar...
9. Momento místico-mágico puramente irresistível, a lembrar saudavelmente Corto Maltese – todo o epísódio à volta de Nahum ben Ibrahim (pp. 259-265).
10. Detalhe delicioso que desconhecia – na frente, todos os relógios dos elementos da Wehrmacht estavam acertados pela hora de Berlim...
11. Latrinenparolen e Sprachregelungen, lindo! Aliás, o momento dedicado às palavras (pp. 574 e 575) é todo ele muito bom. E a fazer lembrar uma outra leitura decerto valiosa e já bastante adiada, o Lingua Tertii Imperii do valente Victor Klemperer.
12. Para aqueles que ainda o forem ler, quando chegarem à parte do discurso de Himmler em Posen/Poznan, recomendo vivamente que, nesse momento, façam uma pausa e se dirijam aqui É verdadeiramente enriquecedor da experiência, pois dá-nos uma perspectiva sonora da coisa...
13. «Era uma balbúrdia magnífica.» Assim descreve Max Aue a sua chegada à Hungria em 1944. Parece estranho, mas esta simples descrição é fascinante à quintessência; 1944 deve muito bem ter sido assim.
14. Momento mais olfactivo – página 779. «... tinha náuseas diante da minha máquina de escrever.»
15. Factor de irritação generalizada e avassaladora – A insistência de Aue com os vinhos. Porra, estão francamente a mais as referências a castas e colheitas...
16. O final é fraco, rápido, acelerado nos acontecimentos, meio decepcionante? É um pouco. É pena. Uma experiência destas merecia melhor fecho.
17. A Guerra e o Sexo, a Morte e a Vida. A Guerra exterminando para além do aceitável, o Sexo desejando para além do aceitável. Solução final, no exterior, desejo de incesto desejado, no interior. Para mim, fez todo o sentido. Por vezes extenso, mas sempre sexo do bom...
18. Último lamento – a superficialidade com que Maximilien Aue aborda Stauffenberg, quando Stauffenberg é parente do marido da sua irmã. Parece-me pouco provável.
19. Grande dúvida – Este livro tem tido vendas anormais. Corresponderão elas a leitores satisfeitos? Ou a grandes desilusões e abandonos? A mim quer-me parecer que ou se tem grande estofo e vai-se em frente pelo amor à leitura, ou tem de se gostar muito da temática para aguentar semelhante livro...
20. Ponto final – foi uma experiência e tanto. Obrigado Jonathan Littell.
Fotografia de Benjamim Loyseau.

1. O livro é do c......!
2. É grande? Tem 884 páginas (na edição portuguesa da Dom Quixote)? So what? São poucas, digo eu... Também é verdade que, caso se retirassem todas as patentes ali impressas antes dos nomes de todo e qualquer soldado e oficial, bem, o livro ficaria com bem menos uma centena ou duas de páginas...
3. O livro não merecia o Goncourt ou o Grande Prémio da Academia Francesa? Não me interessa minimamente. O livro é excelente. Se está repleto de inexactidões, de atentados, relativamente à língua francesa (logo, não merecia os ditos prémios) tivessem reparado nisso antes. Ou deixem de dar importância aos prémios... É irrelevante para o ponto de vista do leitor. Mas não deixa de ser fascinante todo o trabalho de dissecação da obra, todo o bando de detractores e, logo, de apoiantes do autor, basta uma pequena pesquisa na net para nos apercebermos da dimensão da coisa.
4. Palavra exageradamente utilizada ao longo do livro – volutas. Embora se desculpe, a palavra é linda!
5. Incongruência indesculpável – página 83. Max Aue não se recordar do nome do local onde ocorreu a sua primeira participação numa execução de judeus em massa. E logo numa mata, esse elemento tão caro a Max.
6. Excesso de zelo do tradutor (e único verdadeiro apontamento da minha parte; o resto parece intocável) – página 118. Traduzir Babi Yar... Babi Yar é Babi Yar!
7. Como as coisas boas são como as cerejas, vêm em cachos, As Benevolentes trouxeram-me Couperin e Rameau. Bravo!
8. E a promessa de Pechorin, em Um Herói do Nosso Tempo do escritor russo Mikhail Lermontov. Mal posso esperar...
9. Momento místico-mágico puramente irresistível, a lembrar saudavelmente Corto Maltese – todo o epísódio à volta de Nahum ben Ibrahim (pp. 259-265).
10. Detalhe delicioso que desconhecia – na frente, todos os relógios dos elementos da Wehrmacht estavam acertados pela hora de Berlim...
11. Latrinenparolen e Sprachregelungen, lindo! Aliás, o momento dedicado às palavras (pp. 574 e 575) é todo ele muito bom. E a fazer lembrar uma outra leitura decerto valiosa e já bastante adiada, o Lingua Tertii Imperii do valente Victor Klemperer.
12. Para aqueles que ainda o forem ler, quando chegarem à parte do discurso de Himmler em Posen/Poznan, recomendo vivamente que, nesse momento, façam uma pausa e se dirijam aqui É verdadeiramente enriquecedor da experiência, pois dá-nos uma perspectiva sonora da coisa...
13. «Era uma balbúrdia magnífica.» Assim descreve Max Aue a sua chegada à Hungria em 1944. Parece estranho, mas esta simples descrição é fascinante à quintessência; 1944 deve muito bem ter sido assim.
14. Momento mais olfactivo – página 779. «... tinha náuseas diante da minha máquina de escrever.»
15. Factor de irritação generalizada e avassaladora – A insistência de Aue com os vinhos. Porra, estão francamente a mais as referências a castas e colheitas...
16. O final é fraco, rápido, acelerado nos acontecimentos, meio decepcionante? É um pouco. É pena. Uma experiência destas merecia melhor fecho.
17. A Guerra e o Sexo, a Morte e a Vida. A Guerra exterminando para além do aceitável, o Sexo desejando para além do aceitável. Solução final, no exterior, desejo de incesto desejado, no interior. Para mim, fez todo o sentido. Por vezes extenso, mas sempre sexo do bom...
18. Último lamento – a superficialidade com que Maximilien Aue aborda Stauffenberg, quando Stauffenberg é parente do marido da sua irmã. Parece-me pouco provável.
19. Grande dúvida – Este livro tem tido vendas anormais. Corresponderão elas a leitores satisfeitos? Ou a grandes desilusões e abandonos? A mim quer-me parecer que ou se tem grande estofo e vai-se em frente pelo amor à leitura, ou tem de se gostar muito da temática para aguentar semelhante livro...
20. Ponto final – foi uma experiência e tanto. Obrigado Jonathan Littell.
Fotografia de Benjamim Loyseau.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Hanna Reitsch

Há já muito tempo que me apetecia escrever algo sobre esta mulher. Ela é a prova viva que mesmo as personagens mais hediondas — e, em parte, ela foi-o — também conseguem ser charmosas, avassaladoras nas suas peculiaridades, determinantes na escrita da História, elegantes nas acções e vigorosas na passada das mesmas. Hanna Reitsch (1912-1979) foi tudo isto. Uma mulher dos diabos, uma mulher do aparelho, uma fervorosa entusiasta do movimento nacional socialista, uma espécie de Leni Riefenstahl da aeronaútica, uma amazona movida a querosene.
Esta mulher foi, muito provavelmente, a última pessoa (do eixo, claro) a operar um aparelho aeronáutico sobre o espaço aéreo de uma Berlim a ferro e fogo, poucos dias antes do fim. Num voo histórico, no comando de um Fieseler Fi 156 Storch, Hanna Reitsch entrou em Berlim para levar Ritter von Greim a uma última reunião com Adolf Hitler. Após a reunião, ao que consta, Greim e Reitsch demonstraram o forte desejo de permanecerem até ao fim no bunker, tendo sido finalmente dissuadidos pelo próprio führer) a partirem o quanto antes. E como a palavra do führer era para cumprir, lá foi novamente Hanna Reitsch sobrevoar, na maior das dificuldades e perigos, uma Berlim em agonia...
Deixo aqui vinte e poucos minutos de uma longa e fantástica história. O tipo no Youtube não permite o embed dos filmes, por isso, ficam os links.
1.ª Parte
http://www.youtube.com/watch?v=utWz_e1BFu4
2.ª Parte
http://www.youtube.com/watch?v=W9brBjsdAAU
3.ª Parte
http://www.youtube.com/watch?v=xG-CnQDLMKI
domingo, janeiro 06, 2008
Óbito
Luiz Pacheco
7 de Maio, 1925 – 5 de Janeiro, 2008
7 de Maio, 1925 – 5 de Janeiro, 2008

Morreu. Mainada. Táfeito. A mim só me apetece recordar e agradecer-lhe (caso ele ainda esteja a atrasar o apanhar do comboio) o facto de me ter acrescentado novas dimensões, novas direcções, a uma boa duma erecção. O que não é nada pouco, convenhamos. Morra Pacheco como viveu! Com encómios e bordoadas!
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