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sábado, janeiro 05, 2008

Hier Starben für Deutschland



Occident I

We are still the fate of the world and alive
No need to lament our lot.
The mercenary fellows who credit only the foreign and false

Should hold their tongues,
Were our mothers whores, then —
That pride in our heritage should be contemptible?

Wherever greatness is still great and deed acknowledged
Never shall majesty be cowardly hypocritical.
For if Alexander was magnificient, Caeser powerful,
Plato wise and Achilles beautiful
Where would power, wisdom and magnificence,
Fame and beauty be found, if we did not have them —
We, the blond heirs to the Staufers and Ottonians.


Occident II

I love to delve into old tales of heroes
And feel akin to such noble deeds
And blood crowned with fame.

I could not do without the olden days
Where would I look to see my life
If not in the lives of the noblest?

For this I love the great men of bygone days
Under their spell barely palpably growing in will
No less born of God.



Como nunca é demais esquecê-los, e como o meu cunhado acabou de chegar de Berlim (danke pelas fotografias, Vasco), aqui ficam a perpétua coroa de flores no Bendlerblock e dois poemas escritos por Claus Stauffenberg em 1923 (aos 16 anos de idade, portanto) para o seu irmão Berthold. RIP

terça-feira, janeiro 01, 2008

Olímpio Ferreira, 1967-2007

Bom, é isto mesmo a vida... Ou seja, os anos passam (ainda ontem era 2007!), os minutos correm, a seiva escorre, os gatos miam, os bifes de seitan estorricam, sempre mas sempre, mas sempre, mas sempre, tudo, tudo, sempre tudo parido na mesma verdade inadiável, assombrosa, amorosa verdade, aquela que nos diz que a seguir a um instante vem outro, que a seguir a um suspiro vem uma dúvida, que após um dia bem vivido vem uma incógnita, que após uma vida vem outra... Até já Olímpio. Já não por essas vielas lisboetas, já não no rescaldo de algum preto e branco na Cinemateca, já não no fresco do Jardim da Parada, mas algures nessa certeza de que sempre, sempre, sempre algo sucede a um outro algo sucedido... A partir de hoje será noutra ficha técnica que te procurarei. Até sempre.




[outros mais sentem a tua falta; aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui]

sábado, dezembro 15, 2007

C O N T R O L


Uma coisa é certa, tanto os Joy Division como Ian Curtis (e dará para separá-los?) sempre se prestaram às mais variadas versões sobre factos, acontecimentos e humores. Aí reside, diria, um forte factor do seu sucesso, do seu encanto. Era epilepsia ou era esquizofrenia? Gostavam ou não dos Buzzcocks? E dos The Fall? A Divisão do Prazer era uma divisão feminina SS destinada a assegurar a espécie ou tratava-se da selecção das mais belas presas dos campos de concentração destinadas a assegurar prazer? E Ian Curtis viu, na noite da sua morte, Stroszek (Herzog) ou In A Lonely Place (Ray)? Versões. Control é uma versão. Aquela que vi ontem, à noite, com o meu amigo Alvim (numa sessão a lembrar tantas outras...) é boa, é óptima, é reconfortante. Control trata o assunto com uma delicadeza e uma humanidade de que não estava à espera. E se estava à espera de depressão (e motivos não faltam), ela fez-se rogada. Mais, e se estava à espera de passar por reminiscências (fazer o quê?, Joy Division faz parte da minha educação musical...) não estava à espera da sensação que foi a de estar a ver um filme sobre um antigo amigo meu. É o que dá ir ver filmes sobre bandas/músicos que nos formaram naqueles cruciais anos da adolescência. Foi bom voltar atrás. Foi bom rever Ian Curtis. Foram boas as histórias que ele me contou depois do filme, no Galeto, bebericando um Gin tónico...

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Kenneth Tynan

A magnífica (nunca é demais frisá-lo) revista Piauí levou-me até essa "louca" personagem que é (foi) Kenneth Tynan. O fascinante da vida é mesmo isto, a ideia de que há sempre a possibilidade da descoberta de personagens (ou factos e acontecimentos) destas e de estas se atravessarem no nosso caminho. Pode demorar mais, pode demorar menos, pode ser por acaso (pffff...), pode ser sugerida por alguém, mas é sempre fascinante dar de caras com personagens doidas como estas. Li hoje a tradução (da Piauí) de algumas das últimas entradas do seu Diário (com edição de John Lahr) e deixo aqui algumas pérolas.

«1975
7 de Junho
[a propósito de Profissão Repórter de Antonioni, que Tynan desprezou] A tarefa do crítico — pelo menos 90% dela — é abrir caminho para o que é bom, demolindo o que é ruim. No momento, Antonioni está bloqueando o trânsito na rua.

19 de Outubro
A influência mais poderosa sobre as artes no Ocidente é o cinema. Romances, peças e filmes estão cheios de referências, citações e paródias de velhos filmes. Dominam o subconsciente cultural porque os absorvemos nos nossos de formação (muito menos do que absorvemos livros, por exemplo) e tornamos a vê-los na televisão depois que crescemos. As primeiras duas gerações alimentadas basicamente por filmes chegaram agora a uma idade em que assumiram o comando dos meios de comunicação: é assustador ver como foi profunda — tanto no comportamento quanto no trabalho — a influência do cinema sobre elas. Ninguém levou em consideração o impacto imenso, que seria produzido pelo fato de os filmes serem permanentes e facilmente disponíveis da infância em diante. À medida que a quantidade de filmes aumenta, a sua influência aumentará, até que cheguemos a uma civilização totalmente moldada segundo valores e padrões de comportamento inspirados no cinema.

3 de Novembro
Um fin de semana dourado de outono com Kathleen e as crianças, num hotel da aldeia de Upper Slaughter, em Costwold. O vocabulário de Matthew vem crescendo depressa, e agora ele pode ser considerado uma pessoa com quem é possível conversar. Roxana já passou por essa prova há muito tempo. Os dois são simplesmente de tirar o fôlego pela sua beleza. Vendo Matthew comer patê (pelo qual, aos 4 anos, desenvolveu o gosto de um connaisseur) e ouvindo Roxana me pedir que lhe explique o conceito de democracia, surpreendi o olhar de K. do outro lado da mesa de almoço (rosbife e Borgonha) e senti, quase pela primeira vez, que éramos uma família — isto é, que cada qual tinha com os outros três laços robustos e duráveis de afeto, que ele/ela nunca sentiria por outra pessoa.

15 de Dezembro
Observação, vendo o péssimo trabalho de uma actriz num filme: "Ela representa tão mal que precisaram dobrar até os seus passos".

1976
4 de Abril
O rádio do carro toca. Percebo que, durante a II Guerra Mundial, o foco da nostalgia de todo o mundo era a América do Sul. Uma Noite no Rio, todo o culto de Carmen Miranda — eram um reflexo do quanto desejávamos uma área razoável do planeta onde ninguém estivesse sendo bombardeado ou invadido e onde nada fosse mais importante do que rimar "casal apaixonado" com "um céu estrelado".

20 de Maio
Fui com K. (no vestido de Garbo de Como Me Queres, que mandei copiar para ela) a um baile inspirado nos anos 20. Eu vestia um peignor de lamê azul, com lantejoulas, calções, suspensórios, meias pretas de mulher e uma peruca arrumada no estilo de Louise Brooks. (...) Raspei as pernas para a ocasião. Embora eu jamais fosse querer ser mulher, adoro a ideia de transar com uma delas vestido de mulher, e prefiro muito mais a sensação das minhas pernas sem pêlos. O que não me transforma num travesti, mas significa que gosto de explorar possibilidades sexuais que estão fora do alcance de machões de calças jeans e camiseta. (Considero uma falha na minha formação nunca ter ficado excitado com visão ou com a ideia de um homem.)

7 de Novembro
Na Califórnia, vivo num óasis cercado de carros usados e vou a festas no alto das colinas, onde senhoras de meia-idade conversam sobre masturbação. E penso: o que este homem estará fazendo nesse cenário, e quem vai pagar o aluguel?

1978
Maio-Setembro
(...) Em maio, passei quatro dias felizes em Rochester, no estado de Nova York, com Louise Brooks, que era uma alegria — inválida, mas parecendo um passarinho, hilariantemente indiscreta (afirma que, quando se masturba, mesmo aos 71 anos, "eu me sento naquele sofá e a minha boceta jorra líquido até aquele toca-discos, do outro lado do quarto. São mais de 5 metros!", junto com histórias detalhadas de seus casos com Chaplin, Hearst, Pabst!, etc.

1980
29 de Janeiro
Das Confissões, de Somerset Maugham (a propósito de Rousseau): "Existe um tipo de homem que não dá atenção às boas açoes que pratica, mas é atormentado pelas más. Esse é o tipo que, na maioria dos casos, escreve sobre si mesmo. Ele deixa de fora suas qualidades positivas e, assim, nos parece apenas fraco, vicioso e desprovido de princípios". Cairei nessa armadilha?»


A avaliar pela amostra o livro deve ser excelente. Essencialmente crítico teatral, mas crítico sempre, homem das artes e do glamour e das festas, Tynan foi o primeiro indivíduo a proferir a palavra fuck na televisão britânica, gostava de dar palmadas nos rabiosques das amigas (e estamos a falar de actividade sexual, não de reprimendas...), partilhava festas loucas com Vidal, Brando, Burton e Taylor, um Beatle aqui, um Stone ali, e tantos outros, e admitiu que a sua maior falha era nunca ter conseguido realizar um filme pornográfico... Um homem que misturou (nem sempre na perfeição, queixam-se posteriormente os seus filhos) a vida conjugal e uma vida amorosa sui generis, a "sanidade" e a "insanidade", o "belo" e o "hediondo". Um homem e uma vida a descobrir.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Konrad Maria Stauffenberg — RIP

E como hoje é o dia em que faz 100 anos que morreu Konrad Maria, e como a morte de Konrad Maria está definitivamente ligada à vida de Claus Phillip, aqui fica registada a memória de Konrad.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Claus Phillip Maria Schenk Graf von Stauffenberg, 1907-2007

Há 100 anos atrás, em Jettingen (perto de Günzburg), Alemanha, ao oitavo mês da sua gravidez, Caroline Stauffenberg deu à luz os gémeos Claus Phillip e Konrad Maria. Um dia depois Konrad faleceu. Trinta e sete anos depois foi a vez de Claus.

Tivesse a bomba tido efeito, e houvesse saudinha, e hoje Claus faria 100 anos! Parabéns, pois, a Claus Phillip Maria Schenk Graf von Stauffenberg! Esteja ele onde estiver, nunca as suas acções serão esquecidas.


Claus Stauffenberg junto ao seu grande amigo e compagnon de route (literalmente) Mertz von Quirnheim. Esta fotografia é uma delícia e este sorriso deslumbra-me. Ach!



Aproveito ainda para promover o blog Es Lebe Unser Geheimes Deutschland que, umas vezes parado outras andando, lá vou mantendo sempre com carinho e dedicação. Este blog está em permanente construção e quem quiser participar é sempre bem-vindo.

terça-feira, novembro 13, 2007

Óbito

Norman Mailer
31 de Janeiro, 1923 – 10 de Novembro, 2007



Nunca é tarde para se falar dos mortos... Três dias depois aqui fica o meu último adeus a esse grande senhor das letras norte-americanas. Dele apenas li o Harlot's Ghost (1991) e tenho ali, bem à minha vista, em lista de espera, o The Castle in the Forest (2006). Mesmo na literatura os meus gostos pessoais (a CIA num caso, Hitler no outro) ditam hábitos e costumes... deixando a leitura da literatura pela literatura sempre em maus lençois. Mas lembro-me com carinho dele e das suas tiradas num óptimo documentário, que eu juraria ser de Richard Copans (mas que o IMDB insiste em não lhe atribuir...), sobre os malefícios do plástico (em especial dos tupperwares) na nossa sociedade e nas nossas relações pessoais, isto tudo com o oceano e a neblina de Cape Cod em pano de fundo. Mailer é especial também por ter um dia despoletado em mim a ideia de que também eu poderia escrever, ser escritor. A vida encarregou-se de o desmentir, mas um escritor que opera tal ideia em alguém tem de ser especial... para esse alguém. Por isso mesmo RIP Norman Mailer.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Óbito

Lee Hazlewood
09 de Julho, 1929 – 04 de Agosto, 2007



Acabo de descobrir (mais de um mês depois; é o que dá ir de férias e não andar antenado...) que morreu um dos meus músicos de eleição. O grande Lee Hazlewood! Portador de um dos melhores bigodes de sempre, Lee foi (é!) um dos melhores crooners que alguma vez ouvi. A solo ou em dueto com a sua parceira de sempre, Nancy Sinatra, este homem marca defitivamente a música norte-americana para sempre. O mundo ficou um pouco mais silencioso a partir de 4 de Agosto passado... May you rest in Peace, sweet Lee!


"Summer Wine".


"These Boots Are Made For Walking", o hit theme de Nancy Sinatra, composto por Lee Hazlewood.


"Love And Other Crimes".








"Big Red Balloon"
[ah, como esta música pode tornar a A2 numa aventura empolgante...]








"The Girls In Paris"
[provavelmente a minha primeira experiência com Lee Hazlewood...]


Esta noite deito-me triste. Gostava mesmo dele. Bummer.

terça-feira, julho 31, 2007

Óbito

Michelangelo Antonioni
27 de Setembro, 1912 – 30 de Julho, 2007


Óbito

Ingmar Bergman
14 de Julho, 1918 – 30 de Julho, 2007


«Film as dream, film as music. No art passes our conscience in the way film does, and goes directly to our feelings, deep down into the dark rooms of our souls.»
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quinta-feira, abril 26, 2007

Forever

Passa hoje à tarde (Cinema Londres, 15:45), em sessão do Indie Lisboa, o último documentário dessa notável mulher que dá pelo nome de Heddy Honigmann. O tema central é o cemitério parisense de Père-Lachaise e seja lá o que for deve ser bom, como de resto são os documentários desta holandesa.

segunda-feira, abril 23, 2007

No mundo de hoje, capacitemo-nos disso, morre-se de mais algumas maneiras...

Uma jovem num autocarro, a caminho de Times Square (local onde daí a nada se vai fazer explodir; a ela e aos outros), vai murmurando para si mesmo, meio ladaínha, meio reza, motivos pelos quais as pessoas morrem. Tipo «algumas pessoas morrem atropeladas, algumas são atacadas por cães, outras morrem no sono, outras no chuveiro, outras de psoríase, outras ainda morrem em colisões frontais, outras nos hospitais, e eu, eu escolho esta forma, é uma forma como qualquer outra de ir». Nem mais, hoje em dia temos de nos capacitar de que isto é verdade both ways. Uns escolhem ir desta maneira, outros vão desta maneira (sem escolher, tal como já acontecia com todos os exemplos acima mencionados).
E capacitemo-nos que morrer porque alguém explodiu ao nosso lado é exactamente a mesma coisa que morrer no chuveiro. O que não é exactamente igual é uns terem chuveiro e outros não. Os que se fazem explodir já perceberam isto, nós não. Os que são explodidos ainda preferem pensar que eles são doidos e fundamentalistas (logo sem salvação possível) e que o que realmente interessa é o tamanho/preço das torneiras misturadoras das nossas banheiras...

Isto a propósito de ter ido, tipo ao calhas, ver Day Night Day Night (2006) de Julia Loktev. Gostei, não é famoso, mas gostei. E nunca é demais perceber quais as opções em cima da mesa para se ir desta para melhor.

quinta-feira, março 01, 2007

Óbito

Bento – A fera das balizas
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A rigidez da sua expressão nunca enganou ninguém. O seu sorriso, de quando em vez amanhecido, também não. Manuel Bento sempre foi, desde a nascença até ao dia do seu falecimento (aos 58 anos, vítima de doença súbita), uma pessoa humilde e dono de uma simpatia muito própria e, acima de tudo, sincera. Talvez as suas origens o expliquem. Ainda miúdo, já Bento “partia pedra”, conhecendo o duro mundo das obras. O sustento da família era mais importante, naquela altura, do que outras levezas da vida. Leve, leve-zinho, Bento começou, nessa altura, a despertar uma outra paixão: o futebol. Aos 15 anos deu um novo rumo à sua obra e estreou-se com a camisola do Riachense. Mas não se fale em sonhos. Bem pelo contrário, a realidade de Bento continuava a ser dura, visto que cada treino era uma travessia de quilómetros (feitos, por norma, de bicicleta). A arte de pedreiro, juntamente com a condição física de “ciclista”, complementaram a qualidade que guardava entre mãos. Leve, levezinho (pelo menos para um guarda-redes), Bento pecava pela escassez de centímetros (não era um guardião muito alto), mas sobrava-lhe quilómetros de qualidade. Por isso mesmo, novo, novinho, transferiu-se para o Goleganense, clube da sua terra.
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A estória de uma paixão “encarnada”
As suas defesas voaram até Lisboa, onde o Sporting demonstrou interesse. Mas Bento não gostou da forma como os dirigentes leoninos quiserem vê-lo desvinculado do seu clube de sempre e não foi de modas: regressou a casa. Quem aproveitou tal brinde foi o Barreirense. Corria o ano de 1966, andava a Selecção Nacional a encantar meio mundo em terras de Sua Majestade, e o menino Bento tornava-se num reforço da turma da margem sul, satisfazendo o desejo do guardião, ou seja, ressarcindo o Goleganense. Passaram-se dois anos até que Bento obtivesse uma simbólica vitória ao serviço da turma do Barreiro: nem mais, diante do Sporting.
Bento tornou-se, indirectamente, num dos obreiros de mais um título do Benfica – visto que os “leões” até estavam bem lançados para tentar alcançar o ceptro máximo – e desde então que não mais os “encarnados” deixaram de lançar sérias propostas ao Barreirense, tendo em vista a contratação de Manuel Bento. Em Agosto de 1971, finalmente, chegou ao Benfica, já depois de ter participado na festa de homenagem a Mário Coluna, onde teve o prazer de substituir Lev Yashin. Curioso como, no lugar do melhor guarda-redes de sempre, Bento dava o primeiro passo para se tornar no melhor guardião português de todos os tempos (trata-se de uma opinião que pode ser discutida, claro).
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Pela “porta grande”
Felino, guerreiro e uma das caras (e mãos) da mística do Benfica, Manuel Bento tornou-se no senhor das redes do Glorioso ao longo de quase duas décadas, tendo conquistado, no total, 16 títulos. Razão para dizer que é... obra. E só não ganhou, igualmente, a Taça UEFA, porque o Benfica perdeu a final diante do Anderlecht, no início da década de 80. Seria o merecido reconhecimento europeu para uma brilhante carreira onde, entre milagrosas defesas, conseguiu estar 1290 minutos consecutivos sem golos sofrer. Mas mais que sofrer, até chegou a marcar golos (de penalty) em eliminatórias europeias.
O “Homem de Borracha”, como lhe chamavam os jornalistas britânicos também se tor-nou conhecido pelo mundo fora, tendo defendido as redes lusas no electrizante EURO 84 e no Mundial 86, embora aí tenha vivido a fase mais melindrosa da sua carreira, quando contraiu uma grave lesão num dos treinos realizados após a vitória por 1-0 sobre a Inglaterra. Rude golpe para uma Selecção que não mais se endireitou, perdendo com a Polónia e Marrocos e regressando a casa sob o estigma de “Saltillo”. A sua carrei-ra “durou” até à década de 90, despedindo-se dos relvados, mas seguindo o seu caminho no mundo do futebol enquanto treinador. Reencontrou, no entanto, a felicidade ao serviço do futebol juvenil do Benfica, onde era treinador de guarda-redes. Fica a sensação que tudo acabou cedo demais, mas se olharmos bem para os 58 anos de vida e mais de 40 de carreira de Manuel Bento, então não podemos deixar de concluir que se despediu da vida pela “porta grande”.
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Para a história
Manuel Galrinho Bento - Guarda-redes
18 épocas no Benfica (1972-90); 466 jogos; 8 Campeonatos Nacionais; 6 Taças de Portugal e 2 Supertaças; 63 Internacionalizações.
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Texto: Ricardo Soares
Bibliografia: “Grande Enciclopédia DN dos Europeus de Futebol”; “100 Anos, 100 Troféus”; “Memorial Benfica - 100 Glórias”; “História de 50 Anos do Desporto Português de A Bola” e “The World Encyclopedia of Football”.

Saquei o texto do site do SLB. Espero que não levem a mal. E viva o Bento!

quarta-feira, novembro 29, 2006

Óbito

Jack Palance
18 de Fevereiro, 1919 – 10 de Novembro, 2006


Para sempre se recordará o seu papel de estreia no cinema (como Blackie) no negro Panic in the Streets (1950) de Elia Kazan e para sempre o lembrarei como o "Tiralinhas" de uma das aventuras de Lucky Luke devorada num Verão já longínquo, em Sesimbra. Mas para mim Palance será sempre o tipo que em 1969 fugiu das luzes dos estúdios de Hollywood e rumou a Nashville onde acabou por gravar um fantástico álbum de música country (à falta de melhor termo...). Para quem gosta incondicionalmente de Lee Hazlewood e Johnny Cash como eu, este é um álbum a obter. Eu descobri-o há poucos meses na fluor (entrei e Palance piscou-me o olho...) mas para quem o queira sem sair do lugar é só clicar na capa. Ah,... e obrigado Jack.


quarta-feira, novembro 22, 2006

Óbito

Robert Altman
20 de Fevereiro, 1925 – 20 de Novembro, 2006


Naturalmente que há o The Player (1992), Short Cuts (1993), Come Back to the Five and Dime, Jimmy Dean, Jimmy Dean (1982), Nashville (1975) e McCabe & Mrs. Miller (1971). Mas também há The Long Goodbye (1973), provavelmente o melhor Phillip Marlowe de sempre (Elliott Gould no seu melhor). Aqui fica o trailer.


quinta-feira, novembro 02, 2006

Óbito

23 de Agosto, 1926 — 30 de Outubro, 2006


«... I don't think relativists are like communists, anti-relativists are like anti-communists, and that anyone (well... hardly anyone) is behaving like Senator MacCarthy. One could construct a similar parallelism using the abortion controversy. Those of us who are opposed to increased legal restrictions on abortion are not, I take it, proabortion, in the sense that we think abortion a wonderful thing and hold that the greater the abortion rate the greater the well-being of society; we are "anti anti-abortionists" for quite other reasons I need not rehearse. In this frame, the double negative simply doesn't work in the usual way: and therein lies its rhetorical atractions. It enables one to reject something without thereby commiting oneself to what it rejects. And this is precisely what I want to do with anti-relativism.»

«What the relativists, so-called, want us to worry about is provin-cialism – the danger that our perceptions will be dulled, our intellects constricted, and our sympathies narrowed by the overlearned and overvalued acceptances of our own society. What the anti-relativists, self-declared, want us to worry about, and worry about and worry about, as though our very souls depended upon it, is a kind of spiritual entropy, a heat death of the mind, in wich everything is as significant, thus as insignificant, as everything else: anything goes, to each is own, you pays your money and you takes your choice, I know what I like, not in the south, tout comprendre, c'est tout pardonner.
As I have already suggested, I myself find provincialism altogether the more real concern so far as what actually goes on in the world.»

«It would seem, in short, that a number of serious adjustments in thought must occur if we, philosophers, anthropologists, historians, or whoever, are going to have something useful to say about the disassembled, or anyway disassembling, world of restless identities and uncertain connections. First, difference must be recognized, explicitly and candidly, not obscured with offhand talk about the Confucian Ethic or the Western Tradition, the Latin Sensibility of the Muslim Mind Set (...) Second, and more important, difference must be seen not as the negation of similarity, its opposite, its contrary, and its contradiction. It must be seen as comprising it, concretizing it, giving it form. The blocs being gone, and their hegemonies with them, we are facing an era of dispersed entanglements, each distinctive. What unity there is, and what identity, is going to have to be negotiated, produced out of difference.»


on Philosophical Topics, Princeton University Press, 2000.