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quarta-feira, agosto 22, 2012

E o futebol parece não ser o único a ter esticado o pernil...


O Futebol morreu. OK, enterre-se. O Cinema parece ir pelo mesmo caminho... {suspiro} Restam-nos a HBO e os milhentos documentaristas que por aí andam, por esse mundo fora. KUDOS. Ontem descobri esta pérola. Vejam-na. A sério. É tão "interessante" chegar à conclusão de que Chicago não está assim tão longe do Rio de Janeiro... :( Bem nos tentam "vender" o contrário, you know, land of oportunity and all that jazz, mas é todo um mundo {novo?} que se abre perante nós... Mas, no fundo, graças a Deus {ou whatever} existem os seres humanos!

domingo, janeiro 01, 2012

2012!

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Um ano entre linhas...



Comecei 2011 a ler o The Bell Jar e acabei 2011 a ler o The Catcher in the Rye. Foi, portanto, um belo ano, o de 2011. A sério. Belíssimo ano! Não podia começar, nem acabar, melhor. Bless you Plath, bless you Salinger.

sexta-feira, novembro 11, 2011

Quando já não houver chamas, mas apenas brasas...

É deixar cair, meus caros, é deixar cair. Um após o outro. Sem neuras. Até ao momento em que os "mercados" não vão ter mais ninguém a quem emprestar, de tanto recusarem. Nesse dia vão abrir a porta para ver o que se passa, para tentar perceber por que razão já ninguém bate mais à porta, e nós entraremos. E nos sentaremos todos à mesa. E brindaremos. E riremos de tanta parvoíce. De tanta inveja. De tanta ganância. De tanto ódio. E a isso se chama Amor.

quarta-feira, outubro 19, 2011

Dá cá 1, toma lá 1.027...



Eu percebo perfeitamente que aquele pessoal ali para os lados de Gaza não se possa dar ao luxo de recusar trocas destas, os tempos não estão fáceis, mas a meu ver isto é uma absoluta vergonha. Para uns e outros parece ser uma alegria, as televisões e os jornais fazem grandes parangonas, as famílias e as brigadas agradecem, mas eu só tiro uma única conclusão: para quem tivesse dúvidas, uma vida israelita vale, de facto, 1.027 vidas dos "outros". Triste miséria...


{Os números assim por extenso não têm o mesmo impacto {é clicar, senhores, é clicar} que ao vivo e a cores, pois não?}

quarta-feira, julho 20, 2011

Bons alemães



Também os há. Sempre os houve. E no dia em que se celebram {será?; e alguém celebra coisas destas?} os 67 anos passados sobre o atentado de Julho de 1944, deixo uma sugestão de serão. É ir ao Vuze e sacar o magnífico The Restless Conscience {1992}, de Hava Kohav Beller. É uma experiência muito boa. Garanto-vos. Gute Nacht!

sábado, julho 17, 2010

In Treatment



Uma vez mais a HBO não deixa um tipo descalço. Aqui em casa {acabadas que estão cinco temporadas de Grey's Anatomy... sim, amamos muito a nossa filha mais velha!} já só temos tempo para isto. Pequenos episódios de 25 minutos, um psicanalista, quatro pacientes e a própria psicanalista do psicanalista... em verdadeiros mano-a-mano de parlapiê... Muito bom!

sexta-feira, abril 30, 2010

Crazy



Assistir à perda da inocência por parte de alguns jovens holandeses é de uma ternura extrema. Mesmo quando tal momento crítico tem desfecho triste e deprimente na vida de uns e de outros, não deixa de ser uma experiência interessante. Na realidade, acredito que um tipo até podia passar-se da cabeça e achar que eles são é umas bestas de uns idiotas, sempre metidos na vida deles, e que se não percebem como as coisas são, então, é porque são mesmo burros. Mas, por outro lado, não é bem assim. Eles são inocentinhos, acreditam no serviço, nas boas intenções e na vida certa. Mas uma coisa é saber disso, ler acerca, ser ensinado para... outra coisa é sentir, passar por elas. Eles estão tão habituados ao conforto – sensorial, material, visual, cultural – que ao mínimo movimento disruptivo, kaboom, lá se vai a lição.

Esta delírante introdução a propos de mais um documentário da grande Heddy Honigmann. Já de 1999, Crazy fala-nos das experiências traumáticas, em cenários de guerra e desolação, de alguns soldados {capacetes azuis, não soldados regulares} holandeses ao longo dos tempos, ao longo do globo. De como o enfrentar a dura realidade da miséria humana alheia os fez mudar. De crenças, de vida, de hábitos. De como tudo isto é {pode ser} triste. Um enorme ponto de interrogação paira por cima daquelas cabecinhas. E ninguém como Heddy para filmar essa gigante marca de vida. De dúvida. De remorso. De culpa. Mas também de saudade {e que ninguém acredite que a saudade é algo exclusivamente português, que mais ninguém tem, que é intraduzível... balelas}. De bons velhos tempos. Aqueles rapazes e raparigas fazem lembrar personagens de romances. Por vezes, aquilo é tudo tão irreal, tão ilusório, tão vago, tão enervante. Mas depois vem o momento em que percebemos que não, que aquilo é humano, é sensível, é palpável. E que deve ser extremamente difícil ouvir o respirar das emoções quando nos encontramos rodeados de tamanho conforto, de tantas certezas. E voltam as interrogações.

Ponto alto do documentário é sem dúvida a música. O papel vital que determinada música tem na vida daquelas pessoas, quando em relação com a experiência traumática. Heddy conseguiu descobrir que todos aqueles soldados tinham uma música de eleição, uma música que os levava de volta ao teatro de operações. E decidiu ouvi-la com eles, em silêncio, filmando-os. Pergolesi, Seal, U2, pimba sérvio-croata, folk cambodjano, uma balada de intervenção holandesa... Esses grandes planos são magistrais, intensos. Pouca gente faz isto tão bem. Gefeliciteerd!





PS — E como hoje é koninginnedag, Lang leve the koningin!

domingo, abril 25, 2010

Cromos

Quem me conhece sabe que eu sou muito crítico, bastante, demais, em relação a Portugal. E que não perco uma oportunidade para malhar, diminuir e arruinar este país, os portugueses, a loserfonia, a mediocridade nacional. Sempre que posso. Isto não vale grande coisa, e não vale a pena escondê-lo. É {muito provavelmente} verdade que se é mais feliz não acreditando nisso, encolhendo os ombros e vivendo de acordo com os hábitos do resto da maralha. Mas... nem sempre é fácil, ou possível, ou exequível. Mas quem me conhece também sabe que quando há que reconhecer valor também o faço, e com prazer, e com vigor, e muito exagero, God knows how I love superlatives! E ontem, uma vez mais, me apercebi que há coisas que este país faz, produz, cria e alimenta como nenhum outro. O mitra, o mangas, o burlão, o city dweller, o cromo, o agarrado, o bêbado. E o que dizer desta capacidade lusitana de mesclar humor com sordidez? Poucos países constroem estes personagens como Portugal. Atenção que não estou a ser cínico. Não estou. Isto é, de facto, um elogio. Reconheçamos, pois, o que de bom fazemos. Gratidão.

Isto a propósito do excelente documentário que apanhei ontem à noite na RTP2, de seu nome Esta Rua É Minha, de Gonçalo Mégre. Muito agradável surpresa.



PS - Ah, parece que o Márinho tem um blog...

sábado, fevereiro 20, 2010

Farr Is Queer {e daí?}

Ao virar da esquina, mal saio de casa, está um mupi com a nova campanha da ILGA. Há umas semanas atrás, assim que lhe pus os olhos em cima, torci o nariz. Primeiro, simplesmente porque o cartaz é foleiro. A foto é, estou certo, actual e não, como é de supor, repescada dos "setentas". E foi tão mal escolhida e tão mal tratada que nem num qualquer genuíno carrossel Kodak tinha lugar. Mas torci essencialmente o nariz porque mal li o texto respondi de pronto à questão com um «É claro. É claro que mudava». Do refeitório ao recreio, passando pela paragem do autocarro e pela sala de espera do consultório da pediatra. E acabando, claro, e mais importante decerto, no silêncio do próprio quarto. Tudo seria diferente. Não que fosse um problema, maior ou diferente de uma série de outros, mas que tudo seria diferente lá isso seria. Para mim isto era claro. Logo, a campanha cheirou-me a treta. Colocava uma pergunta que, apesar de indiciar claramente uma resposta, despertava em mim a resposta oposta.



Mas depois vi o Victim {1961}. Não digo que seja um grande filme mas é, sem sombra de dúvida, um filme grande. Tem Dirk Bogarde, e quase que bastaria — Dirk rules! — além de estar recheado de personagens muito fascinantes. Filmado por Basil Dearden num tom british noir muito cool, muito acima da média mesmo. Como tema principal temos as infames leis britânicas anti-sodomia {«Someone once called this law against homosexuality the blackmailer's charter.», diz a certa altura o inspector de serviço} e a chantagem sobre homossexuais como modo de vida. E de morte. Bogarde interpreta o papel de um barrister, Melville Farr, que decide ir até ao fim, não ceder à chantagem e expor tudo, e a todos {a cena em que ele sai do armário perante a própria mulher é intensa}. No final — e aqui entra a ligação à história do cartaz da ILGA —, Farr, após decidir ir até ao fim, resolve abrir o jogo com o seu secretário de longa data, William Patterson. O velhote acompanha-o há muito anos na vida da advocacia e dos tribunais e Farr sabe que a vida dele vai mudar {lá está, como não?} assim que estoirar o "escândalo". Por isso passa-lhe para as mãos a fotografia {toda a relação do filme — i.e., a nossa relação — com a fotografia é notável} que está na base da chantagem — Farr e o amante, chorando, dentro de um carro. O velhote vê a foto e diz que percebe as implicações... Farr diz que esperava pelo menos uma pergunta {question}da parte dele. E William responde: «I believed in your integrity for ten years, Sir. I can see no reason to question it now». Nem mais. E aqui, na assertividade desta cena e destas palavras, percebi que a dita campanha está correcta. Esta é a resposta à pergunta do cartaz da ILGA. O cartaz não tem é, infelizmente, a mesma força da cena de Victim...

terça-feira, setembro 01, 2009

Ouroboros


Foi há 70 anos. O princípio do fim. Foi há uma vida.

sábado, agosto 15, 2009

Férias de quê?

Às vezes consigo ser um chato do caraças, a pain in the ass, uma verdadeira besta, um idiota. Pergunto-me, por vezes, como consegue a Susana aturar-me. Ou a Matilde, que já tem corpinho para apanhar comigo. Até já a Júlia deve ter cheirado um pouco a fumaça... Mas depois vêm as vezes, que isto é como as ondas, em que eu domino a coisa, miro o céu e vejo-me de lá, entendo coisas que nunca entenderia antes de, e torno-me mais humano um pouquinho, e fundo-me, deixo de ser um palerma.

No outro dia pensava, em jeito de epifania, no bom que era eu não ter poder, verdadeiro poder, de espécie alguma. Tivesse eu poder e seria a desgraça, correriam as multidões, escorreria sangue vário, ruiriam construções e erguer-se-iam ideias erradas e perigosas {em forma de monumentos sinistros, concerteza}. Mas depois pensei, «Olha lá, mas tu tens poder. Tu tens poder sobre ti. No fundo, esse é o verdadeiro poder. E, bem vistas as coisas, até nem tens feito um mau trabalho. Bom, é certo que és o teu maior carrasco, mas também te tens mostrado por demais vezes capaz de te amares. Olha, deixa-te de tretas e vai em frente. Olha, olha para a Júlia». E assim tem sido nos últimos dias. É isto que trago de férias. Nada mal. Fui para elas com menos.

segunda-feira, junho 29, 2009

And that lock is open...





É belo, nem que seja pelo serviço que presta. Marc Weber Tobias até pode muito bem não se dar conta disso, mas presta um serviço à humanidade. Por nos forçar a ver que apenas uma coisa é segura neste mundo, a insegurança. A noção de insegurança, não a insegurança em si. Pois ausente a noção {logo, o medo} de insegurança, a insegurança não existe mais. A realidade do "não existe mais" é bela. E não há chave que nos valha.

sábado, março 14, 2009

ZÁS, SMAS, PÁS

Ouvir a Ana afirmar, na televisão, que trabalhar no atendimento ao público nos SMAS lhe fez muito bem, sim senhora, foi algo de muito interessante.

domingo, março 08, 2009

Some people never go crazy. What truly horrible lives they must lead.

Poucos filmes podem gabar-se de resistir desta maneira a 22 anos de vida. Esta história toda em redor do The Wrestler fez-me querer rever esse long time no see que é Barfly. Vi-o {há 22 anos...} com o camarada Serafim, na sala 3 do King, munidos de uma garrafa de aguardente de figo {caseira, feita pelo pai de um colega nosso}, e saímos para a luz assassina de um fim de tarde de Verão, Avenida de Roma abaixo, com uma das mais estranhas bebedeiras da minha vida. É estupendo como passados 22 anos este filme continua fresco, honesto, bem disposto, com uma energia rara. Diálogos do caraças, ambientes à maneira {as rajadas de luz de cada vez que alguém entra nos bares são geniais!}, um Rourke do melhor, um par de pernas como não há muitos {e fossem só as pernas... long live Faye!}, o irmão do Stallone {lindo!} e o grande Jack Nance; sem dúvida, o melhor Schroeder de todos. Grande filme.


PS – Bom, é verdade que não há grande pachorra para a lamechice à volta da tontinha da editora de poesia, a Tully Sorensen. Mas, ainda assim, um grande filme.

domingo, fevereiro 22, 2009

O Amor é...

Esta discussão em redor do casamento entre pessoas do mesmo sexo tem sido muito interessante. A mim agrada-me este tipo de situação em que a discussão de um tema, de uma causa fracturante como alguns gostam tanto de afirmar, não nos deixa em paz durante uns tempos. No sentido em que enquanto o tema é debatido vão sendo levantadas questões íntimas, que nos confrontam com preconceitos que desconhecíamos {em nós e nos outros}, que nos fazem questionar ideias e posições tidas como certas {ou erradas}. E queremos, e procuramos, respostas. E depois há coisas que lemos e ouvimos e que nos fazem confusão, que nos fazem torcer o nariz.

Nada tenho contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se o Governo de Sócrates o aprovar, tudo bem. Se Pacheco Pereira e os seus amiguinhos levaram em diante o infâme referendo, também. Levanto-me e vou votar {a favor, note-se}. Se do casamento decorrer a adopção {como, de resto, deve decorrer}, na boa. Adoptem. Se querem saber, até com o maior medo dos opositores – falo, claro está, da extinção a longo prazo da populaça {absurdo dos absurdos} – eu não tenho problemas. Extinga-se. Quem disse que temos de ficar por aqui eternamente?

Mas tenho questões, ai tenho, tenho. E estas prendem-se com duas situações, a saber, o casamento poligâmico e o casamento incestuoso. [Aliás, antes mesmo de entrar pelo assunto dentro, permitam-me a sugestão de que daqui em diante se substitua o termo "casamento incestuoso" por "casamento entre familiares". Porque se se entende {e eu passei a entender} que se deve falar de "casamento entre pessoas do mesmo sexo" e não de "casamento homossexual", então... Casamento entre familiares it is.] Mais, também não consigo entender o argumento {que é, de resto, utilizado para rebater a comparação com estas duas outras formas de casamento} de que a homossexualidade é uma "orientação sexual" e não uma "opção sexual". Em suma, uma questão identitária. Como tal, diferente da poligamia e do incesto.

Eu vi o "Prós & Contras" de uma ponta à outra {pela primeira vez, note-se}, tenho andado pela blogosfeira, oiço e leio aqui e ali, acompanho por alto a discussão. E fui notando que havia ali algo de comum a eles todos {os apoiantes do casamento entre pessoas do mesmo sexo} no discurso, nos conceitos que abordavam, até no modo como os defendiam. Como se tivessem lido o mesmo manual antes de iniciarem os debates, como se estivessem todos afinados por uma mesma bitola. Havia ali uma concordância {para além do tema propriamente dito, claro está} que me soava estranha. Pois há uns dias atrás, o MVA deu-me a perceber a origem de tal metrónomo ao mencionar e postar o parecer jurídico "Um símbolo como bem juridicamente protegido" de Pedro Múrias {descarregar aqui}. Estava encontrado o cerne da coisa, desta estranheza. Era este o documento, a palavra. Saquei-o da net e li-o. Como não tenho problemas com a questão de fundo, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e as suas consequências, absti-me de ler atentamente as questões legais, jurídicas, etc. da questão e centrei-me praticamente naquilo que dizia respeito às minhas dúvidas, isto é, aquilo que no parecer são denominadas por analogias inevitáveis. Note-se, desde já, a ausência de uma analogia inevitável, mas aqui "esquecida", que é a do casamento poligâmico. Mas atentemos às outras {e todas as citações são do citado parecer}.

1.ª analogia
«A semelhança entre a «questão» do casamento civil e a «questão» do casamento entre pessoas do mesmo sexo sugere, é claro, uma outra analogia. Uma eventual supressão do casamento civil, hoje, quiçá num «regresso às origens» da figura, seria uma amputação gratuita de um direito fundamental. A negação do casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma amputação idêntica. Entre o surgimento do casamento civil e o do casamento gay ou lésbico há, entretanto, a diferença histórica de mais de um século. O que foi político e, inclusive, revolucionário, é agora assente e constitucional. O casamento homossexual é apenas o último estádio do casamento civil.»
Como se pode pretender, assim tão peremptoriamente, que este seja o último estádio do casamento civil? Parece-me extremamente abusivo. Além de redutor. Não há nada mais além?

2.ª analogia
«Mais importante é a analogia entre a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a proibição do casamento entre pessoas de raças diferentes. A homologia dos argumentos históricos e possíveis e das explicações aceitáveis chega aos pormenores mais ínfimos. Em ambos os casos, a proibição resulta, sociologicamente falando, de um preconceito estabelecido e de uma atitude de distinção opressiva de grupos de pessoas. O racismo, num caso, a homofobia, no outro.»

«Por seu lado, o racismo e a homofobia são em si mesmos homólogos absolutos. São sistemas de opressão com um passado e algum presente de violência extrema, estruturados, na sua forma prototípica, através da identificação indelével de grupos de pessoas consideradas piores e repugnantes.»

Se o argumento anterior me parecia abusivo e redutor, este parece-me mesmo absurdo e causa-me estupor. Comparar sexo {sexo, relações e apetites sexuais; não é género} e raça/etnia vai além da minha compreensão. Estão mesmo a falar sério?


3.ª analogia
«A analogia é invocada pelos opositores do casamento homossexual no sentido de que, tal como a proibição do incesto é constitucionalmente válida, também a proibição do casamento homossexual assim seria. Por outras palavras, se a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo fosse inconstitucional, teríamos de concluir pelo absurdo de também a proibição do incesto o ser.»

«O incesto promove juízos negativos sobre actos, só mediatamente sobre as pessoas que os praticam, ao contrário do racismo e da homofobia. Simetricamente, mas mais importante, um afecto incestuoso não é uma condição identitária, ao contrário da raça e da orientação sexual. A orientação sexual, como a etnia, identifica cada pessoa como membro de um grupo socialmente distinto e permanece, tendencialmente, ao longo de toda a vida dessa pessoa. Faz parte daquilo a que cada um chama a sua natureza. A autocensura de um amor incestuoso corresponde ao juízo de que se comete um erro; a autocensura de um amor homossexual corresponderia ao juízo de que se é um erro.»

Outra vez a raça e o sexo... E esta implicação com o termo orientação como sendo antípoda do termo opção. Orientação, orientação, orientação. A mim parece-me nitidamente uma opção. Mais levada a sério, mais levada levianamente, mas sempre opção. Eu conheço pessoas que viviam uma relação heterossexual e passaram a viver uma relação homossexual. Conheço pessoas que viviam uma relação homossexual e passaram a viver uma relação heterossexual. E quando falo em viver uma relação, falo em viver debaixo do mesmo tecto, partilhar a cama, as refeições e as contas ao fim do mês. Até os filhos. Nunca vi, ou soube, ou consigo imaginar sequer, casos semelhantes implicando a raça/etnia... Mas depois vem o parecer jurídico e reforça a ideia de... natureza!? Tipo "não tenho palavras, é mais forte do que eu...»? E o que será isso do grupo socialmente distinto? Terá um alimentação também ela distinta, tipo a comida kosher dos judeus? Sinceramente, não entendo.

«O incesto é tema literário e académico, não é objecto de perseguições organizadas nem bandeira de movimentos reivindicativos.»
Tema literário e académico? Não foi em tempo a homossexualidade entendida nestes termos? Não aprendemos nada? Os polígamos e familiares enamorados deste mundo não estão organizados em movimentos reivindicativos? Porque será...? Bom, é como diz o parecer: «Não se discute o casamento entre pessoas no mesmo sexo na Arábia Saudita, nem na Inglaterra vitoriana. Numa sociedade em que a identidade homossexual e as relações amorosas homossexuais forem vistas como a mais natural das coisas, tal como a identidade e as relações amorosas heterossexuais, o casamento para ambos os grupos será um produto esperável.» {substitua-se "homossexual" por "polígamo", p. ex.}

Volto a lembrar que uma quarta analogia, a do casamento poligâmico, foi deixada de lado pelo parecer. Continuo sem saber porquê. Bom, até percebo. É verdade que os movimentos LGBT não têm que andar a defender os interesses e as lutas de outros grupos e movimentos {inexistentes, latentes ou em vias de organização}. É verdade. Mas também seria desejável que não os segregassem de modo a poderem levar as suas causas avante. Não aceitar que a poligamia e o casamento entre familiares possam ter a ver com esta discussão é errado e pouco honesto.

De modo a finalizar a minha posição e as minhas dúvidas, eis novamente as palavras do parecer: «A importância do casamento é a ligação indissociável deste, na cultura que temos, aos factores emocionais decisivos referidos ao longo do parecer. A limitação do acesso ao casamento é a supressão de uma possibilidade de sucesso emocional. A proibição do casamento homossexual viola, pois, o direito ao livre desenvolvimento da personalidade e o art. 26.º, n.º 1, da Constituição». É por acreditar que o que interessa aqui é o tal sucesso emocional e o tal livre desenvolvimento da personalidade, e por acreditar que o amor toma as formas mais díspares, que não posso concordar com o "afastamento" do casamento entre familiares e do casamento poligâmico da discussão. São formas de relacionamento amoroso tão legítimas quanto as que estão agora em debate. Desde que – e friso sempre e com convicção estas duas condições inatacáveis – se verifique que as partes são {1} maiores de idade e que estão {2} de livre vontade na relação. Verificadas estas condições, o que poderá obstar ao casamento de duas {ou mais} pessoas, do mesmo ou de sexos diferentes?

terça-feira, fevereiro 17, 2009

You can run but you cannot hide...

Bom, mas para não deixar o princípio do post anterior assim sem conclusão, sim, também eu concordo com que pessoas do mesmo sexo possam casar civilmente {e civilizadamente} neste país ou em qualquer outro. Mas, sim, também {?} eu acho que tal passo abre, como não pode deixar de abrir {e ontem já se falou nisso}, caminho ao casamento entre familiares ou à poligamia, ou ainda a quaisquer outras formas ainda mais "estranhas" e "bizarras" de duas {ou mais} pessoas se amarem que se possam imaginar. Assim é e assim deve ser. Desde que as premissas ontem apontadas como fundamentais sejam observadas {ser-se maior de idade e estar-se de livre vontade nessa relação} nada obsta à realização de qualquer forma de relação amorosa. Seja ela qual for e presumindo-se que realização aqui signifique casamento. Pena é que os defensores do sim de ontem não o tenham mencionado. Percebe-se que não o tenham feito {a luta é dura e renhida}. Mas é pena. Pois trazia mais verdade à discussão {o que é sempre bom} e talvez lhes desse um pouco mais da perspectiva da posição de quem se opõe. Isto porque a repulsa que muitos defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo possam sentir {e muitos a sentirão certamente} pelo casamento de um irmão com uma irmã {por exemplo} é basicamente a mesma que as pessoas que protestavam ontem à noite sentem pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo. Pois. Talvez então D.O. perceba o que os faz correr...


PS - Mas gostei muito, como não poderia deixar de ser, de ouvir MVA. Começou muito bem, com um discreto mea culpa, e acabou magnífico, sem hesitações, claro como a água – ou é a igualdade ou não é nada! Nem mais.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Life is great. Without it you'd be dead.

Gummo. Sicko. Wacko. Psycho. Jesus. Pain. Hatred. Whoooa! Pervert. Bitch. Butch. Faggot. Kill. Arian blood. Jobless. Deadend. Time. Glue. Tape. Bullet. Laugh. Godforsaken shithole. Laugh. Tornado. Laugh. Incest. Kill. Bestiality. Slayer. Crime. Liquor. Disease. Pestilence. Bugs. Niggas? Well, you know, I just don't lik'em. Poison. Blow me. Bacon. Youth. Geriatrics. Dementia. Garbage. Sugar. Smokes. Petrol. Gas. Drunk and Drive. Midnight Hour. Voyeur. Tap dancer. Fascinating. Intoxicating. Horrifying. Life changing. Puta filme, dir-se-ia nos trópicos.



Nem que fosse pelo prazer de rever Linda Manz. Já não a adolescente revoltada de Out of the Blue, mas antes uma spaced out mom que faz sapateado com um par de sapatos quatro números acima numa cave cheia de desespero {e um filho incapaz de lhe devolver um sorriso}.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

The Happening

Digam lá o que disserem, e muito têm dito, uma coisa é certa – estivesse Hitchcock vivo {ou tivesse ele nascido mais tarde} e era algo de muito parecido com isto {para não dizer precisamente isto} que ele teria filmado. Este fotograma acima poderia muito bem ser retirado de um filme dele. Não há muitos {não me lembro de mais nenhum...} realizadores que possam ser considerados como a personificação {reencarnação?} de Alfred Hitchcock. Shyamalan pode. Só isto bastaria.

A grande questão é – tendo tanto de bom, tendo tanto de absolutamente intenso e perturbador, tendo tanto de tão incrivelmente bem filmado, tendo tanto de som, imagem e respiração tão bem misturados, tendo tanto de grandes momentos, grandes imagens, grandes stills {a jeffwallização no seu melhor!} , porque, então, não é o The Happening {2008} um grande filme? Tipo, um grande filme mesmo. Atrevo-me a pensar que pela simples razão de Shyamalan não ter tido a coragem {que, de resto, também Hitchcock alguma vez teria...} de matar toda a gente no final. Aquele filme pedia o desastre total, a ausência de tréguas. Houve ali certamente muito compromise. É pena. Perdeu-se um grande filme.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

We're All Gonna Die



Fragmentos de uma fotografia {100m x 0,78m} absolutamente genial. Não percam a experiência no site do fotógrafo, Simon Høgsberg. Isto in loco deve ser uma experiência e tanto.