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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Coisas de que Obama se "esqueceu" de falar no seu inaugural speech (#2)

Os EUA estão desde o último quartel do século dezoito permanentemente envolvidos em acções militares, domésticas ou exteriores, em parcerias estratégicas ou isoladamente. Seja pela sua própria e legítima necessidade de sobrevivência, seja por via da famigerada Pax Americana ou através da nova War on Terror, os EUA são o país mais bélico que alguma vez habitou e governou à face deste planeta. Obama mencionou esta mancha, esta bloody frenzy que parece dominar as almas dos seus conterrâneos? Ponderou questionar as virtudes e vantagens de refrear e adocicar a seiva que lhes corre nas veias? Pois...

Coisas de que Obama se "esqueceu" de falar no seu inaugural speech (#1)

Os EUA são o país com a maior população prisional do mundo. Qualquer pesquisa, por mais superficial que seja, vos dirá isto. Os números variam, é certo, as abordagens também, mas uma coisa é inegável, nisto os EUA são campeões. Reparem que eles até séries televisivas fazem sobre o tema. Profissionais como ninguém. Mas Obama mencionou este vergonhoso estado da nação no seu discurso de ontem? É o mencionas.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Some notes on the Obama's inaugural...

1. Sim, papei a cerimónia de uma ponta à outra. Em directo, na BBC, para que conste. Há sempre uma primeira vez... Mas não é assim tão grave, é como fazermos a bela da directa para assistirmos à cerimónia da entrega dos Oscars ou assistirmos ao primeiro episódio do Big Brother. É tudo showbizz, nada mais.

2. Há oito anos atrás, no rescaldo do falhanço Gore/Lieberman, após as insólitas recontagens da Florida, quem diria que esse povo burro, estúpido, tonto e tão ridicularizado por esse mundo fora seria o mesmo que hoje faz história... Pois é, a memória é curta. Muita gente devia estar neste momento a pedir perdão aos norte-americanos pelos insultos. A não ser que eles continuem a ser um povo estúpido por ter eleito Obama... Decidam-se.

3. Acima de tudo, uma palavra é devida por muitos a Bush, pois sem Bush nada feito. Sem oito anos de Bush parece-me óbvio que Obama nunca teria sido eleito.

4. Um pastor evangelista de vómito a anteceder o juramento de Biden. E ainda há quem se atreva a falar de {e atacar} nações e povos fundamentalistas, daqueles que misturam "perigosamente" Deus e Política...

5. Um discurso miserável por parte de Obama. Pobre, pobre, pobre. Nada de interessante ali se esgravata. Já o contrário... E não podia discordar mais quando ele afirma que os EUA não têm nada de pedir perdão por perseguirem o seu estilo de vida, seja lá a quem for. Ai têm, têm... E hão-de percebê-lo, mais tarde ou mais tarde.

6. Curioso o facto de o juramento do Vice-Presidente e o do Presidente serem tão distintos. O Presidente jura: I do solemnly swear (or affirm) that I will faithfully execute the office of President of the United States, and will to the best of my ability, preserve, protect and defend the Constitution of the United States. Já o Vice-Presidente jura: I do solemnly swear (or affirm) that I will support and defend the Constitution of the United States against all enemies, foreign and domestic; that I will bear true faith and allegiance to the same; that I take this obligation freely, without any mental reservation or purpose of evasion; and that I will well and faithfully discharge the duties of the office on which I am about to enter. So help me God. Mais vital aquela jurada por Biden {e Cheney antes dele}, não? Como se o Vice-Presidente fosse mais importante, não é?

7. A limusina que transportou Obama até ao Capitólio é um Humvee e chama-se {tão engraçadinhos que nós somos...} The Beast... E ele sentou-se nela? Não exigiu nova viatura? Como se não chegasse o mau gosto, quer da viatura quer do epíteto, é um mau começo para quem promete fazer frente ao aquecimento global e pretende promover a criação de novos combustíveis.

8. Ou muito me engano ou não vai faltar muito para o surgimento de novos slogans, tipo Yes, We Thought We Could ou ainda Time for Disappointment.

9. Vão ser 4 anos muito interessantes.

10. No fundo, no fundo, a tomada de passe de Obama foi como a comida norte-americana, foi como os cenários dos talkshows norte-americanos, como a construção e mediação imobiliária norte-americana, como a ida à Lua {dizem alguns...}, como as mamas das boazonas norte-americanas, ou seja, fake, fake, fake...

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Can they...?

Amanhã começaremos a observar se a Obamerica vai mesmo começar a mudar ou se, à semelhança da Janine {ver post anterior}, apenas vai começar a perder peso... Embora, a mim, me cheire mesmo mais é a facelifting. A ver vamos.

domingo, janeiro 18, 2009

— People can change, and I'm changing.
— You're not changing, Janine, you're just losing weight.



Pequena jóia dessa muito interessante e saborosa série/telefilme/filme/seriado da HBO que dá pelo nome de Empire Falls. Recheada de bons actores {tiro aqui novamente o chapéu a Paul Newman!}, cheia de histórias obscuras e gente retorcida, repleta desses deliciosos desentendimentos que ocorrem por vezes entre entre o passado e o presente de uns e de outros. Tudo passado num Maine absolutamente deslumbrante quanto misterioso e, mesmo, perigoso. Poder e submissão, com algum amor e misoginia pelo meio e mais um pouco de manipulação e desvio. Lovely, portanto.

terça-feira, novembro 11, 2008

E à 44.ª vez...


Por muitas dúvidas que eu tenha acerca do futuro aberto pela eleição, e sobretudo pela emoção gerada em torno da eleição, de Barack Obama, uma coisa é certa – contra factos não há argumentos. Além de que a ilustração está muito boa; está muito, como dizer?, ilustrada...

{Via}

quarta-feira, novembro 05, 2008

Bater no ceguinho...

Nada mais triste do que os elogios a que tenho assistido em relação a McCain e ao seu discurso de derrota. Típico da maledicência profissional que esculhamba a torto e a direito, esmifra o pobre do homem e a louca do Alaska e, depois de ganho o jogo, bom, lhe tira o chapéu e reconhece que o homem é capaz de ser nobre. Se fossem um pouco mais honestos berravam: «É bem feito! Toma! Engole, porco!». Mas não. Afinal, o coitado até que se portou bem.

Eu a leitura que faço do dito discurso é esta: até McCain gostou de ver Obama eleito. Atenção, não por se ver ele livre de tal cargo {como vi por aí várias vezes apregoado}, não, acho que ele acredita mesmo que Obama é melhor escolha. O que, bem vistas as coisas, não abona muito a favor de Obama, não é?

Os males de Morales...

Eu bem que gostava de ter visto ou ouvido tamanha comoção acerca das questões da raça, e de como é bonito e histórico e comovente ver alguém de uma outra cor ser eleito, quando Evo Morales foi eleito Presidente da Bolívia há dois anos atrás. Mas uns são mais pretos que os pretos, isto é, são índios. É a vida.

Obama

Não me consigo emocionar com a eleição de Obama. Primeiro, porque o cargo é sujo por natureza e é ele que agora o preenche. É por isso legítimo perguntarmo-nos se será bom vermos alguém que estimamos e em quem depositamos esperança ocupar {é mais ser ocupado...} tal cargo. Além do mais, não acredito que Obama, só por si, chegue para limpar o cargo de tamanha herança {veremos quem se segue na lista de nomeações}. Segundo, porque aquilo que para muita gente parece ser já uma grande, enorme, vitória {black power!? mas andam a brincar?}, a eleição, para mim, é apenas o início. A coisa começa agora, ou não? Ou acham que acabou? O tipo já está eleito e nós já podemos dormir descansados? Não creio. Porque, terceiro, mais do que saber se ele é preto, ou se acabou, como se diz aqui, com a Guerra Civil norte-americana {está bem, está}, o que me interessa realmente saber é se ele é inteligente, competente, civilizado e honesto e, por conseguinte, saber: se ele vai anular o infame Patriot Act {é o vais}; se ele vai fechar Guantanamo e julgar em tribunais civilizados os seus detidos {deve ser, deve}; se ele vai finalmente classificar o waterboarding como uma forma de tortura e bani-la de uma vez por todas; se ele vai deixar de atacar países como tem sido, infelizmente, a tradição {mas essa vem de longe, não é?}; se ele vai deixar de se imiscuir nos assuntos internos dos mais variados países a sul do seu próprio país {ai, a tentação...}; se ele vai fazer algo de concreto para evitar que as corporations continuem a envenenar, nas mais variadas frentes, os seus próprios concidadãos {e muitos outros por tabela}; se ele sabe verdadeiramente ler as várias comunidades e sentimentos afro-americanos e, sabendo-o, representá-las e dar um passo em direcção ao apaziaguamento da brutal guerra racial que por lá se desenrola; se ele vai afirmar um dia legalize it! e reforma a DEA de uma vez por todas; se ele vai fazer a tal diferença no processo israelo-palestiniano {ou o sonho é só ao nível interno?; aqui já crescem dúvidas...}; se ele vai dar a mão à palmatória e admitir e corrigir o gigantesco erro que foi, e continua a ser, a invasão, bombardeamento e o infeliz dia-a-dia iraquiano; se ele vai, acima de tudo {e porque tudo é business, tudo é showbizz e ele sabe-o melhor que ninguém...}, pontapear nos tomates todo e qualquer CEO aldrabão, ganancioso e fora-da-lei. São muitos ses, caramba. E é por todas as respostas a estas interrogações estarem ainda tão longe, e por eu não acreditar que Obama tenha coragem, capacidade, oportunidade, suporte para as fornecer, que continuo sem conseguir emocionar-me com o homem e a sua eleição. Para mim, Obama é mais um porteiro contratado para abrir as portas desse enorme edifício que dá pelo nome de corporation. E, vistas bem as coisas, não há nada assim de tão histórico em contratar um preto para porteiro...


P.S. — Ainda bem que este blog apenas é lido por amigos, conhecidos e desconhecidos civilizados. Se não fosse assim ainda me arriscava a ter de ler comentários deste nível aqui. É certo que o tipo esticou-se mas ter de ler «Ó meu granda camafeu ignorante...» {Barack anónimus, lol} não deve ser fácil.

sábado, outubro 25, 2008

Waterboarding e o silêncio dos inocentes...

Em Fevereiro de 2008 o editor-chefe da revista Vanity Fair desafiou Christopher Hitchens a submeter-se a uma sessão de waterboarding. O tipo aceitou passar pela experiência e escrever sobre a mesma. Em Maio, num ambiente altamente controlado e sob espécie alguma de violência adicional, Hitchens deitou-se na famigerada tábua inclinada, deixou-se amarrar e sujeitou-se à prática infame. Resistiu 12 segundos e, devido a uma espécie de embaraço..., sujeitou-se e resistiu ainda a uns adicionais 19 segundos. E concluiu, como não podia deixar de ser, e tomando o pensamento de Lincoln sobre a escravatura uns tempos atrás, que se o waterboarding não é tortura, então nada é tortura.

A filmagem da experiência aqui em baixo e o artigo subsequente aqui.


Mas o estranho mesmo, para mim, é que aqui no burgo {e falo exclusivamente da blogosfera} ninguém tenha dado atenção à coisa. Ninguém postou, ninguém criticou o mérito ou o disparate da coisa, ninguém esbracejou, ninguém gritou «eu não disse?», ninguém acautelou um «olhe que não, olhe que não» que fosse. Fui ao blogsearch da Google e pesquisei os termos "Hitchens + waterboarding" para blogs escritos em língua portuguesa, entre Janeiro e a data de hoje. Resultados aqui. Bom, apenas nove blogs e todos brasileiros. Bizarro, não?

segunda-feira, outubro 13, 2008

The best show on television, period.

Fartei-me de esperar por alguém que me ouvisse. Já papei a first season, estou na second season e a third season espera por mim, ali em cima da mesa. As duas primeiras vieram via Pirate Bay {you're the man, ingekul!} enquanto a terceira veio via Amazon. Ainda não pensei o que fazer em relação às fourth e fifth seasons, mas não perdem pela demora.

Mas uma coisa é certa, caros amigos. Todas as expectativas foram não só comprovadas como amplamente superadas. The Wire é, pura e simplesmente, do melhor que tenho visto em televisão; e olhem que já muita televisão passou por estes olhinhos. Dos vários textos, aqui e ali, que já tinha lido sobre a série, a conclusão mais comum, para além dos contínuos elogios, era a de que a série estava decalcada da realidade com uma eficiência considerável. O trabalho de campo, a investigação e a entrega aos assuntos abordados tinham sido levados muito a sério, quase parecendo, em certos momentos, mais um documentário do que uma série televisiva. A malta da rua, os agentes dos narcóticos e os dos homicídios, os estivadores, a Lei, todos eles representavam crivelmente a realidade. A ideia, diz Simon David algures, era que um qualquer estivador de um qualquer porto norte-americano que visse a série se identificasse automaticamente com Sobotka. O mesmo aconteceria com um qualquer McNulty que, do balcão de um bar qualquer, desse uma espreitadela para a televisão em mute, lá no canto. O mesmo já não diria de qualquer dealer afro-americano de uma qualquer esquina, pois essas tribos fazem ponto de honra em se diferenciar umas das outras. Mas os afro-americanos de Baltimore revêm-se certamente; um Omar ou um Wee-Bey não serão difíceis de encontrar.

A série é, por vezes, muito pouco série, pois tem uma dimensão muito própria, uma noção de ritmo pouco usual, onde a acção por vezes se arrasta ou se demora em pormenores ou diálogos que noutros formatos, e para outros públicos, não se aguentaria. A cidade, a rua, os vários segmentos da sociedade, estão definidos e presentes em The Wire de uma forma muito interessante; a própria forma como no site da HBO o elenco da série é apresentado é testemunha disso. Tal como o é a própria forma como a série foi pegando nestes segmentos, nestas instituições da city life {e lembro-me do sticker de Bunk que diz "I love city life"...}, a Rua, a Polícia, a Lei, a Escola, os Media, e as foi distribuíndo pelas várias, cinco {acabou este ano nos EUA}, épocas em que a série se desenrolou. Esta noção de proximidade com a realidade, esta veia documental, parece que deve muito à mini-série que a precedeu, The Corner — que acabei agora mesmo de ripar para um DVD, que segue por sua vez para fila de espera... —, trabalho que abordava apenas a rua, a esquina, e os "mitras" que a habitam. The Wire e, presumo, The Corner, em suma, o trabalho de David Simon e da sua equipa fazem-me lembrar, em certos momentos, o trabalho de Studs Terkel, esse incontornável e incansável divulgador do average american e das suas histórias e hábitos, o que é sempre bom.

E já referi que o cenário onde a acção se desenrola é a cidade de Baltimore? Eis outra das boas marcas de qualidade da coisa, Baltimore. Quem se lembraria de Baltimore? Bom, os carolas por detrás da escrita da série, que são de lá. O que torna a coisa ainda mais perfeitinha, convenhamos. Não há cá New York, nem Chicago, nem San Francisco, nem Las Vegas, nem Miami, nem LA. Não, os locais são mesmo estes aqui.

E quem quiser ler um pouco mais, pode fazê-lo aqui {só para assinantes...}, aqui, aqui e aqui. E volto a divulgar essa bela conversa entre David Simon e Nick Hornby.

domingo, outubro 12, 2008

The Garden

Isto deve ser bom. Cheira-me. Interessante, sem dúvida. É esperar que cá chegue.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Fala Tu / Rize


Recentemente tive a oportunidade de ver dois documentários que, vistos assim de seguida, se complementaram de forma interessantíssima. Por um lado, o brasileiro Fala Tu {2003} e as desventuras de Thogum, Macarrão e Combatente. Por outro lado, o norte-americano Rize {2005} e as desventuras de Tommy, La Niña, Dragon, Miss Prissy e outros tantos clowns e krumpers. Por um lado, um documentário muito bem preparado previamente, visivelmente bem investigado e guiado por dois tipos {Guilherme Coelho e Nathaniel Leclery} oriundos de meios exteriores ao cinema e na sua primeira experiência de realização. Por outro lado, um documentário super bem filmado, a câmara sempre no local certo, do já mais que reconhecido, fotógrafo David LaChapelle. Pesem embora as diferenças, de produção, de budget, de estilo, ambos os documentários são exercícios muito interessantes sobre as estratégias da malta que vive a rua em zonas abandonadas, pobres e perigosas, quer seja no grande Rio de Janeiro quer seja na grande Los Angeles. Em ambos os documentários, e em ambas as cidades, a cultura Hip Hop serve como escape e tentativa de melhoria da vida de cada um. Num é o Rap, noutro é a Dança. Entre as balas perdidas e a ralação da vida quotidiana; uns cantam, outros dançam. Mas, e pormenor muito curioso, em ambos os documentários, em ambas as cidades {e no México, e em Lima, e em Nairobi, e algures no Oriente; atrevo-me a sugerir} um elemento é constante, um elemento sempre cativa um ou outro rapper, krumper, whatever e os dirige na vida – Cristo, a espiritualidade, sob múltiplas formas. Seja o Santo Daime, seja uma qualquer evangelical church. Dá que pensar.

terça-feira, setembro 30, 2008

Sweet music to my ears...

Obama gosta dos Wilco e os Wilco gostam de Obama. Tocaram para ele recentemente em Chicago, trocaram piadinhas sobre o teor do ipod de Obama e oferecem, no site deles, um tema à borla {"I Shall Be Released" de Bob Dylan} a quem for votar no próximo dia 4 de Novembro. Circus aside a fotografia é deliciosa. Quase dá vontade de acreditar.

{Via}

quarta-feira, setembro 24, 2008

Ainda o defensor da grande pátria...

Apercebi-me no outro dia do que tanto me agrada em Hugo Chávez. Não são as boutades, nem os afrontamentos verbais ao Señor Peligro aka Mister Danger. Não são os ideais de esquerda, muito menos quando aplicados e ao serviço da visão da grande pátria em que, ele, Hugo "Bolivar" Chávez será o farol a mirar. Nem é o "Aló Presidente". Nem é o facto de ele ser muito mais inteligente e interessante do que a maior parte das pessoas está disposta a admitir. Também não é a profusão do vermelho. Não. O que verdadeiramente me agrada em Hugo Chavez é ele tornar visível aquilo que muitas vezes teima em permanecer invisível. Isto é, a falta de tolerância, a falta de bom senso, a falta de honestidade, por parte da Europa, dos EUA, do Ocidente esclarecido {presume-se}. A arrogância e a ignorância com que o Ocidente fala e aborda as questões venezuelanas, para não dizer mundiais {no sentido "do resto do mundo"}, são candidamente expostas pelos discursos de Chávez. Não pelas suas palavras, não pelo seu programa e conteúdo, mas antes pelas reacções às suas palavras. Não pelos seus gestos e grimaces, mas antes pelo asco e pela repulsa que despoletam. Porquê tanto ódio e tanta desconfiança perante o outro, aquele outro? Essa, sim, é a pergunta intrigante. Mais do que os porquês e comos da eleição de semelhante personagem. O abuso de poder, a idiotice desbragada, a prepotência, a falta de sentido das mais elementares noções de civilidade, e tantas outras falhas que usualmente lhe apontam, bom, eu descubro tudo isso e todas elas nos seus detractores. No fundo, o que Chávez me diz constantemente é «mira alrededor, Carlos». E eu olho, se olho.

terça-feira, setembro 16, 2008

E os ouvidos também...

E depois admiram-se que surjam, aqui e ali, e aqui, e ali, e ainda lá, ali mesmo, não vêem? {hão-de ver...}, uns tipos, ou ainda outros, que só tenham vontade de gritar {e enquanto for a gritar, tudo bem...}

VAYANSE AL CARAJO, CIEN VECES!


Abram os olhos, pá...

O povo anda apavorado com os desaires da economia-farol. E com as manobras incompreensíveis de uns tantos irmãos {já foram os Dalton, já foram os Metralha e agora são os Lehman} nesses mercados sinistros que supostamente nos fazem bem. E o povo, enquanto espera pela queda, ou não, da segunda peça {esta do efeito-dominó é de morrer a rir}, o povo lá vai tentando completar o habitual esgar {com que encara a vida em geral} com mais um esgar habitual {aquele com que perpetua a sua própria morte em leasing}, num «enquanto há vida há esperança» desesperado. E quando não há vida? Mas, antes, cegueira? Bolas, a mim parece-me simples. Caramba, os tipos devem ser mesmo imbecis. Eu se estivesse estado lá estes anos todos, tinha certamente lido correctamente o painel. Há que saber lê-lo, pois é no painel que estão valores. Os valores faciais, atenção, não os morais {hã?; que é isso?; dá para trocar por milhas aéreas?}. E nas entrelinhas aprende-se sempre muito. Não tenham dúvidas disto.



sábado, setembro 13, 2008

E daí talvez não...

Provavelmente era mesmo no McCain... Então não é que o Obama é objecto de devoção por parte de Nobre Guedes?! Yikes!

Oxalá me engane...

Eu gostava, a sério que gostava, de embarcar nesta barcaça da esperança que é a candidatura, e eventual eleição, de Obama como próximo Presidente dos EUA. Mas não consigo. E porquê? Bom, porque, e não esqueçamos o essencial, ele vai {porque vai, não vai?} ser eleito Presidente dos EUA. O pessoal fala dele, e da esperança que ele vende, como sendo alguém de bem, alguém em quem possamos confiar, alguém de quem possamos esperar coisas boas e reveladoras. Esperar isto tudo, e mais alguma coisinha, do Presidente dos EUA?! O pessoal endoideceu? O lugar é sinistro por natureza. E só lá cabe alguém sinistro, dúbio e encarneirado. Mas como o pessoal está tão desenfreadamente assustado, cansado, desesperado e revoltado {ao ponto de para alguns até o Pato Donald ser voto viável...} o pessoal vai-se estampar. Ai vai, vai. Ou pensam que o tipo vai iluminar a Pennsylvania Avenue todinha até ao Capitólio? E depois do Hill o mundo! Deve ser, deve. Cheira-me que o pessoal à custa de tanto desespero vai é encher-se de mais um totó. Por vezes, chego mesmo a pensar se seria possível colocar desesperos à parte e, numa de racional, tentar perceber se McCain seria ou não {e eu acho que acho que não...} uma opção mais viável e lúcida. E se ele fosse? Já repararam o erro que tudo isto pode ser? O facto é que eu olho para os dois e aquele que mais me enerva é Obama. Aquele que mais me parece produto do mais puro branding é Obama. Aquele que mais cheira a corporation friendly é Obama. Aquele que menos parece surpreender é Obama. E isso não é bom, pois não? Mas sabem o que é mesmo mau? É que, pudesse eu, provavelmente votaria no tipo...

sexta-feira, agosto 29, 2008

Pat Garrett & Billy The Kid

Ontem vi o belíssimo, fenomemal, fabuloso, fantástico, genial, e demais adjectivação possível, Pat Garrett & Billy The Kid {1973}, do mister Sam Peckinpah, e hoje vi o idiota, para me poupar na adjectivação, Butch Cassidy and the Sundance Kid {1969}, de um tal de George Roy Hill. Não foi programado, mas aconteceu. Dois dias, dois westerns, próximos no tempo, sobre duas duplas de outlaws, sendo dois deles kids, e ficam-se por aqui as semelhanças... Pois se o James Coburn e o Kris Kristofferson são uma dupla do camandro, já o Paul Newman {a minha sogra que me perdoe} é um palhaço e o Robert Redford {a minha madrasta que me perdoe} um canastrão do piorio.

Com o segundo nem vou perder muito tempo, é idiota, e por aqui me fico. Além de que humor, piadinhas de caserna ou não, e westerns não combinam {excepção feita, claro está, ao Blazing Saddles... e... e...}, logo, aquela carinha laroca do Newman só mesmo para dar socos. Mas o primeiro, o do mestre Peckinpah, wow!, que pérola. A cena, junto ao rio, do marshal baleado e a sua esposa, e sua deputy, mexicana vendo-o ir-se, a pouco e pouco, no olhar, rio abaixo como ele desejava um dia ter feito, tivesse acabado de construir o seu barco, e tudo isto ao som, murmurado, de "Knocking on Heaven's Door" de Bob Dylan, meus amigos, isto é magia!, só esta cena valia a pena darem-se ao trabalho de ver o filme.


Mas também há este delicioso God fearing marshal...

E a intensa cena final em que Pat acaba com o Kid e se vê forçado a assinar a sua própria death sentence...


Atenção, se tiverem acesso à edição do duplo DVD, só vale a pena verem a Turner Preview Version, a versão de 1988. A versão de 2005 é pura banhada. Tem menos 6 minutos apenas, mas altera, mutila e destrói o genérico, os diálogos, em suma, o filme. Quem avisa amigo é.