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quarta-feira, julho 04, 2012

Descativado


Há duas noites atrás acordei, pelas 4:30 da matina, de sobressalto. Uma frase gravada na mente. De tal ordem viva, percebi que não era para deixar esvanecer; e logo a assentei num papelucho, não fosse ela desaparecer.

«Uma unidade que esteja sempre a querer voar, é uma unidade que estará sempre a cair no chão.»

Humberto Coelho, um dos vice-presidentes da FPF, todo ele sorridente, cínico, tonto, sentado atrás de uma mesa típica de conferência de imprensa, proferia semelhante máxima. Com tons de aviso.

O aviso foi levado a sério. Para mim é mais do que evidente. Este ano não renovo o meu cativo.

sábado, junho 16, 2012

Amanhã, que semblante?



Em 2008 Bert van Marwijk assumiu o comando da selecção holandesa. Esta selecção vinha de uma campanha absolutamente maravilhosa, sob o comando de San Marco, iniciada em 2006 {no Campeonato do Mundo} e terminada em 2008 {no Campeonato da Europa}. Na Alemanha, a selecção holandesa, após ter conseguido passar o "Grupo da Morte" {Argentina, Costa do Marfim, Sérvia}, caiu aos pés da selecção portuguesa {nesse infeliz jogo para sempre relembrado como a "Batalha de Nuremberga"}. Na Suiça, após ter conseguido passar o "Grupo da Morte" {França, Itália, Roménia}, a selecção holandesa caiu aos pés da selecção russa {nesse infeliz jogo das braçadeiras negras; o luto e a bola não jogam...}. Num caso ou noutro, a selecção holandesa caiu devido a factores {de peso} externos. Mas ainda assim {ou por assim ser}, quer em 2006 quer em 2008 {sobretudo em 2008, que loucura de jogos!}, a selecção holandesa brilhou acima da média, lembrando velhos tempos. Mas van Basten deu lugar a van Marwijk.
E com van Marwijk chegou à selecção holandesa o hocus-pocus mourinhesco. Do qual se paga a factura neste momento. A mentalidade ganhadora, o vencer a qualquer custo, o abafar da personalidade individual em favor da personalidade da equipa, o jogar feio se tal for necessário, toda essa palhaçada foi o dia-a-dia laranja nos últimos quatro anos. Mas, dirão os que apenas gostam de ganhar, em 2010 conseguiu-se chegar à final. Que bom! Lembram-se dos jogos? Pois... Tirando 45 minutos de grande luxo {contra o Brasil} nada mais a apresentar. Miséria miserável. Até contra o Japão, caramba, não fomos além de um triste 1 a 0! Em quatro anos apenas nos jogos amigáveis a selecção holandesa jogou bonito, empolgada e empolgante. Nos campos, quando a sério, vacilou sempre. Ou no estilo de jogo {mas conseguindo apesar de tudo garantir o resultado} ou mesmo nos resultados {conseguindo apenas humilhar-se perante o mundo}. A pressão é imensa. Bert van Marwijk instilou nos rapazes algo que demora em diluir. Mas ainda há esperança.
Os egos voltaram, ao que parece. E as vaidades. E as birras. Ao contrário do que se possa pensar, isso é bom. Isso é o clima holandês, desde sempre. O meio ambiente onde tudo se torna de repente possível. Até aqui têm andado todos muito manietados, todos a alinhar por um único discurso. A esperança reside no facto de o momento ser de tal ordem vulnerável, as coisas correram já tão mal, que a pressão pode já não importar, se notar. A ver vamos. Nos dois primeiros jogos, no túnel, quando as equipas estão alinhadas, as imagens são verdadeiramente esclarecedores. Heitinga é a bitola, acreditem. Estive a rever as imagens e confirmei o que sentira nesses momentos. Heitinga dá o mote. A pressão, o stress, a nervoseira, o medo {no jogo face à Alemanha o modo como o van der Wiel olha para Neuer diz tudo, pobre rapaz}. Amanhã, mal veja o semblante de Heitinga saberei se vamos ganhar ou não. Saberei se vamos em frente ou se voltamos para casa. Desta vez, ao contrário dos dois últimos torneios, serão decididamente os factores internos a ditar o resultado.

segunda-feira, maio 21, 2012

segunda-feira, maio 07, 2012

Ainda o Pingo Doce...



Existe uma grande diferença entre condição e situação. Ao contrário do que pensa Pacheco Pereira*, aqueles portugueses que ali foram {porque foram, ninguém os obrigou}, que ali se sujeitaram {ao tempo, ao stress, à fome, à agitação, ao desespero; apesar de tudo, coisas muito distantes da humilhação, do espezinhamento, da agressão que tantos propalaram}, não sentiam {se sentiam; quando sentiam} vergonha da sua condição, antes da sua situação. A vergonha estava ali, com eles, de mão dada, ombro a ombro com a vergonha do vizinho. A vergonha é só mais um, no meio da maralha. E assim perde peso, não conta verdadeiramente. A vergonha não é para aqui chamada. Os portugueses são, no fundo, desavergonhados. Porque ignorantes, em geral. A vergonha de uma condição é resultado de inteligência, de análise, de ponderação, de discussão aos mais vários níveis. A vergonha de uma condição é um acto heróico, difícil para caraças, coisa rara. A vergonha de uma situação é a consequência do dia-a-dia, é assim mesmo, calha a todos {ainda ontem me tocou a mim...}. Aqueles portugueses ali, à espera do bónus de 50%, continuam a ser os mesmos toscos do costume, aqueles que acham que vivem no melhor dos países, que não há povo melhor. Lisboa é linda. E faz bom tempo. E que somos amáveis. Podemos ser porcos, ignorantes, broncos e não ter absolutamente nenhum respeito por nós mesmos, mas... Ai, este mas. Isto, sim, é uma condição. E aqui não há vergonha que leve a melhor. Há muito tempo que assim é, e cheira-me que por muito tempo assim será. Com crise, ou sem crise.

Mas, então, e a violência? E a polícia {a "tropa de choque", como dizia Daniel Oliveira...; meu Deus em que mundo vive a criatura?}, não foi chamada? E a confusão? O caos? Não contam? Primeiro, vimos o que nos mostraram. E o que quisemos ver do que nos mostraram. Segundo, o caos, não duvidemos, é apenas resultado {uma vez mais, e quantas mais daqui para a frente...} da junção da má organização e gestão de um evento {por parte do Pingo Doce} com a ignorância generalizada e a incapacidade de ler as situações {por parte da populaça}. É tão simples. É que é mesmo. Não vimos já isto na ponte, a caminho das praias? No Chiado, a caminho sabe-se lá do quê? Na Expo'98? Na Feira do Livro?

E por falar em livros. O que fazer em relação a um outro argumento tão abordado, aqui e ali, de que uma coisa é tolerar este tipo de situações por causa de comida e outra é tolerá-las por "cultura". Que uma coisa é sujeitar-mo-nos a uma fila para consumir livros na Feira/música no Pavilhão/gelado no Santini/iPad na Fnac e que outra coisa é fazer bicha no Pingo Doce para ter óleo de fritar a metade do preço. Bom, não é verdade. É tudo a mesma coisa. É consumo. Qual cultura, qual bens de primeira necessidade. É consumo. É identidade. É prazer. É «eu estive lá». Cheira-me que isto é o que verdadeiramente chocou tanta gente. Foi perceber que não há grandes diferenças {ui, olhai a vergonha a surgir...} entre uma coisa e outra, entre uns e outros. E só uma questão de grau. E que a liberdade de cada um gastar o seu tempo, o seu dinheiro, a sua vergonha, onde quiser, quando quiser e em que fila quiser é um direito valioso. E que uns não são mais desgraçados, por escolherem uma fila, nem os outros mais afortunados, por escolherem outra bicha. Bela lição, sim senhor.

Bom, mas e então o dumping? E o respeito pela lei? Nas conversas, consoante os argumentos vão fraquejando, parece-me que se chega sempre a este ponto. Se este é o ponto {e eu até acho que é}, então que se discuta logo este ponto. Esqueçam lá o lumpen e dediquem-se ao dumping. Há muito tempo que estes senhores praticam as maiores barbaridades, há muito tempo que é sabido que o meio ambiente do retalho/atacado/grossista/distribuição é do mais insalubre que existe, há muito tempo que é sabido que os produtores são verdadeiros escravos nesta máquina infernal. Falemos disto, pois. Mas hoje, e amanhã, e depois. Não apenas quando o Pingo Doce decide "dar" uma borla de 50%.


* E não só pensa como se regala, num exercício de onanismo dos mais bizarros a que tenho assistido recentemente. Os seus olhinhos sábios até brilhavam de tanto prazer ao descrever a "suposta" miséria dos outros...

quinta-feira, maio 03, 2012

quarta-feira, abril 11, 2012

Ainda o derby...

Não há nada mais triste do que uma equipa de futebol que começa a pensar como os seus adeptos. "De todos um" {bem sabemos}, mas a cada um responsabilidades diferentes. Este tipo de osmose é uma tentação, mas não é aconselhável de todo. Talvez até funcione bem quando em júbilo. Mas, e quando em apuros? e quando sob pressão? e quando é preciso dar resposta? Os adeptos podem {devem} esbracejar, gritar, protestar, insultar, mentir, cair em engano. Os atletas não. Quem porta o manto sagrado tem de ter uma outra atitude. Quem defende um clube, em campo, tem de mostrar outra capacidade de discernimento. E essa outra atitude é, sempre, lutar até ao fim. Contra qualquer adversário {aqui, o Sporting}, e contra qualquer adversidade {aqui e quase sempre, a podridão do futebol nacional}. Quando um adepto vê uma equipa de arbitragem não assinalar um penalty claríssimo {aos 2 minutos de jogo} sobre um jogador da sua equipa, para passados 16 minutos assistir ao mais ridículo penalty da época {sim, nem alguns dos assinalados sobre Hulk são tão ridículos} ser assinalado contra a sua equipa, um adepto, dizia eu, sente-se roubado, revoltado, incomodado, perseguido, insultado, o que se queira, o que ele queira. Uma equipa não. Um conjunto de 11 jogadores não. Não têm esse direito. Quando isso acontece está tudo perdido. Entregue. Para o ano há mais.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Semper Stultus

Primeiro saiu a bronca. Depois saiu a desculpa. Afinal, para além de broncos também são ignorantes. Mas, espera... Para ignorantes souberam escolher bem o tipo de letra. Tivessem escolhido eles algum destes abaixo e talvez — talvez! — acreditasse nestas bestas. Assim sendo, siga a destruição e a mortandade. Parabéns, são já 10 anos e alguns meses.

Calibri

Times New Roman

Verdana

Stencil

Poster Bodoni

Kids

Romantiques

Frankfurter

sábado, dezembro 31, 2011

2012?

sexta-feira, novembro 11, 2011

Quando já não houver chamas, mas apenas brasas...

É deixar cair, meus caros, é deixar cair. Um após o outro. Sem neuras. Até ao momento em que os "mercados" não vão ter mais ninguém a quem emprestar, de tanto recusarem. Nesse dia vão abrir a porta para ver o que se passa, para tentar perceber por que razão já ninguém bate mais à porta, e nós entraremos. E nos sentaremos todos à mesa. E brindaremos. E riremos de tanta parvoíce. De tanta inveja. De tanta ganância. De tanto ódio. E a isso se chama Amor.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Obaço



Este homem é um anormal. Um perigo. Uma besta. Um filho-da-puta. Um criminoso. Tenho {grandes} amigos que se incomodam {visivelmente} quando {quando} me expresso nestes termos. A mim incomoda-me {imenso} que a eles lhes incomode assim tanto. Não consigo entender onde lhes toca esta minha agressão. Work in progress as usual...

Se é pelos termos, se é por mim, bom, caramba, sim, por vezes exagero, so what? Se é pela personagem, e imagino que seja {fosse o Putin, um Bokassa da vida ou o Alberto João Jardim e não se incomodariam tanto}, então não entendo mesmo. E olhem que nem é pessoal. É mesmo o cargo. Não há presidentes dos EUA bons. Period.

domingo, outubro 16, 2011

Quanto valem 99% de 99%?

O mais trágico no meio disto tudo é que me parece que o real problema não está no 1%. Mas sim nos 99%. Mais concretamente nos 99% dos 99%. Se é indesmentível que 1% dos 100% andam a escavacar o planeta, também me parece inegável que apenas 1% dos 99% se dão conta disso. Daí o termo trágico inicial. Bem podemos {sim, passe a imodéstia, aqui considero-me 1%ista} pregar, gritar, apedrejar, escrever, sair à rua, cuspir, indignar, que os 99% dos 99% continuam adormecidos. Inquietos, mas adormecidos. Ínsones. Dolentes. Com apenas a força de vontade de 1% dos 99% e com a "ajuda" dos 99% dos 99% vai ser difícil... Mas como dizia o meu avô {em contexto absurdamente oposto}, «Isto vai!».

sexta-feira, outubro 14, 2011

15 de Outubro



Amanhã a indignação sai à rua. Eu nunca alinhei com os indignados da vida. Chateiam-me os indignados deste país, porque geralmente passam por poetas. Mas a poesia não choraminga. Com os precários também não vou à bola. Há que ter cuidado com as palavras. E geralmente escrevem muito mal. Aos esquerdalhos conheço-os bem. Sim, do pêcê ao bloco gritam e defendem as ditas causas. Muitas merecem mesmo quem as grite e as defenda, é certo. Mas o grau de organização, muitas vezes a raiar o terrorismo, sempre tão maniqueísta, não me move. No fundo, para ser sincero, não tenho tido o hábito, a pachorra, a vontade, o impulso, das passeatas. Muito menos com estas companhias. Porque um saco de batatas será sempre um saco de batatas. E muita batatada surge sempre nestas ocasiões. E a batata engorda... E porque não consigo estar contra. E estar contra é condição. E é tão fácil estar contra. Só que faz muito mal à saúde, vos garanto.

Mas como dizia, e bem, o meu amigo Gonçalo no outro dia, amanhã não há como não sair. Mesmo contrariado, mesmo sabendo que muito disparate vai ser gritado ao horizonte, não há como não sair. Vou lixado com as desigualdades, vou entristecido com a falta de respeito e consideração de cima para baixo, vou inquieto com a falta de energia e de mundo deste triste país que dá pelo nome de Portugal, vou a pensar nas falcatruas e em como elas teimam em persistir, vou piurço com o facto de má gestão e a fraca qualidade dos políticos portugueses terem como consequência evidente uma redução significativa no erário familiar, e vou com este enorme incómodo na mente {perdoem-me, bem sei que é bizarro, mas não me sai da cabeça}, aquele que me diz que mais de metade do pessoal que ali vou encontrar amanhã ainda há uma semana atrás chorava e velava um dos mais bem sucedidos CEOs do mundo... Há coisas do arco-da-velha. Mas vou. Tenho de ir. Não há como não ir.

segunda-feira, setembro 19, 2011

domingo, setembro 11, 2011

Lengalenga

Eu onzedesetembro,
Tu onzedesetembras,
Ele(a) onzedesetembra,
Nós onzedesetembramos,
Vós onzedesetembrais,
Ele(a)s onzedesetembram...

domingo, julho 24, 2011

Lengalenga

Eu expludo,
Tu explodes,
Ele(a) explode,
Nós explodimos,
Vós explodis,
Ele(a)s explodem...

quinta-feira, julho 07, 2011

Lixarada

Lixo na banca.
Lixo nos sentimentos.
Lixo na rua.
Lixo na repartição.
Lixo na praia.
Lixo no luxo.
Lixo à mesa.
Lixo no IC19.
Lixo nos correios.
Lixo na Carris.
Lixo na Assembleia da República.
Lixo nos rios.
Lixo nas serras.
Lixo na Federação Portuguesa de Futebol.
Lixo na miséria.
Lixo na cultura.
Lixo na lota.
Lixo no jardim.
Lixo no livro escolar.
Lixo no escritório.
Lixo na livraria.
Lixo no Chiado.
Lixo na Rua da Prata.
Lixo na redacção.
Lixo no teleponto.
Lixo na entrevista.
Lixo no luto.
Lixo na condecoração.
Lixo a prestações.
Lixo no QREN.
Lixo co-financiado.
Lixo laureado.
Lixo centenário.
Lixo nas drogas.
Lixo no bairro.
Lixo no lago.
Lixo no Alfeite.
Lixo no desfile.
Lixo nas permutas.
Lixo nas queimas.
Lixo nos alugueres.
Lixo na obra.
Lixo na passadeira.
Lixo no túnel.
Lixo no semáforo.
Lixo no panteão.
Lixo no Lux.
Lixo light.
Lixo na escrita.
Lixo na dita.

Been there. Done that. Tell me something new.

É lixado!

Mas afinal o que nos custa assim tanto? Ouvir a Moody's, a Fitch e a Standard & Poor's chamar-nos de lixo? Ou sabermos, lá no fundo, que as ditas agências até têm razão e que não passamos de lixo? Infelizmente, uma vez mais, trata-se da primeira. É a indignaçãozinha do costume. Fosse a segunda e talvez pudéssemos um dia deixar de o ser. Mas, como sempre, a solução mais fácil, mais imediata, tão imediata que é já natural, é a do ofendido, a do pequeno injustiçado, e nunca a daquele que aproveita o golpe para se recolocar em posição. Ainda ontem lia na caixa dos comentários de um qualquer post recheado de indignação a seguinte invectiva: «Eles nem sabem com que povo se meteram!». Sabem, sabem, caro compatriota desiludido. E por isso mesmo saiu aquela nota. Ou pensa que eles lá nas agências não sabem que por cá os futuros magistrados da nação copiam nos exames? Sabem, sabem, pequeno guerreiro luso {sem poção mágica, felizmente...}. Ou pensa que eles lá nas agências não sabem que isto é um país de merceeiros, lápis atrás da orelha, discurso eternamente saudosista e um porradão de favorzinhos a mover a economia? Pois. Tivéssemos a coragem de olhar para os nossos defeitos, de encarar os nossos medos, os nossos vícios e as nossas deficiências e muito provavelmente não estaríamos nesta situação. Mas não. A indignação grassa. Logo, afasta-nos do problema, melhor, retira-nos, desresponsabilizando-nos, do problema. O problema já não somos nós, mas sim o insulto, a ousadia da agressão. A indignação está infinitamente mais bem cotada do que a vergonha em terras lusas. Não interessa saber se há um mínimo de justificação nisto tudo {quem de perfeito juízo emprestaria dinheiro a Portugal sem garantias atrás de garantias?!}; há, pelo contrário, que encontrar rapidamente o objecto da nossa revolta, da nossa indignação. É sempre a mesma história, há sempre um responsável, nunca nós, sempre alguém; já foi o Platini, já foram os finlandeses, os holandeses, a Merckel... Há uns meses atrás foi fácil, eram já seis anos seguidos de Sócrates, o nazi, o monstro, o drácula, o arrogante, e foi correr com ele {graças a Deus existem as eleições...}. Agora, são as agências, os especuladores, os capitalistas selvagens, os tais meninos depilados a laser que têm de pagar a coca que consomem nas festas. Mas quem vai correr com as agências? Pois, também me parece. Aqui não há eleições que nos valham. Aliás, para piorar ainda mais a nossa situação de indignado aldrabão, nunca antes nos passou pela cabeça desejá-las. Nunca antes as agências foram um problema, pois não? É que enquanto nos avaliavam bem {na realidade, mal} tudo estava bem {na realidade, mal}. Agora que nos avaliam {finalmente} bem, tudo está mal {pensamos nós}... É lixado!

sexta-feira, junho 17, 2011

Expliquem-me, por favor, bem explicadinho, como se eu fosse assim mesmo estúpido...

Em que é que isto...
Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho
Ministro de Estado e das Finanças - Vítor Gaspar
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros - Paulo Portas
Ministro da Defesa Nacional - José Pedro Aguiar Branco
Ministro da Administração Interna - Miguel Macedo
Ministra da Justiça - Paula Teixeira da Cruz
Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares - Miguel Relvas
Ministro da Economia e do Emprego - Álvaro Santos Pereira
Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Território - Assunção Cristas
Ministro da Saúde - Paulo Macedo
Ministro da Educação, do Ensino Superior e da Ciência - Nuno Crato
Ministro da Solidariedade e da Segurança Social - Pedro Mota Soares

... é melhor/preferível/aceitável/mais de confiança que isto?!
Primeiro-Ministro, José Sócrates
Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado
Ministro de Estado e das Finanças e da Admin. Pública, Fernando Teixeira dos Santos
Ministro da Defesa Nacional, Augusto Santos Silva
Ministro da Administração Interna, Rui Pereira
Ministro da Justiça, Alberto Martins
Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, Dulce Pássaro
Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, Vieira da Silva
Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, António Serrano
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça
Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Helena André
Ministra da Saúde, Ana Jorge
Ministra da Educação, Isabel Alçada
Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago
Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas
Ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão

quinta-feira, junho 09, 2011

Portugloat



Agora que já passaram alguns dias sobre o nefasto acto eleitoral, agora que a poeira começa a assentar {para logo, logo, iniciar nova revoada...}, só me apetece mencionar isto: domingo passado, Portugal e os portugueses uma vez mais demonstraram que são ignorantes, pouco esclarecidos, maus e mesquinhos. É verdade que são mal tratados por tudo e por todos. É verdade que o sistema eleitoral não presta, não há verdadeira representação. Pagar impostos é uma verdadeira chatice. O poleiro é só para alguns e nunca mais chega a nossa vez. Yada, yada, yada... O que é certo é que uma vez mais votaram para castigar. Os portugueses usam o seu voto como uma mãe usa a sua mão para dar açoites num filho que a desaponta. É triste, triste, triste. Votar para castigar é, de facto, o grau zero da política. Mas enfim... O mais desgraçado mesmo é o após. A emoção que surge após o tal do açoite. Seria de esperar um certo desconforto, a vergonha maternal, a culpa paternal, whatever. Mas não, é mesmo é a seiva a brotar. Vigorosa. Mazinha. O tradutor da Google sugere regozijar como a tradução possível de gloat. Nunca esteve tão longe; e não assistiu certamente ao rescaldo da noite eleitoral... «To observe or think about something with triumphant and often malicious satisfaction, gratification, or delight "gloat over an enemy's misfortune"» diz-nos, antes, o Merriam-Webster. Este sabe do que fala e não esquece aquele malicious, tão crucial... É que nem sequer se trata de ressentimento em relação a quem ganha e a quem perde — a sério, acreditem, os cães ladram e os PMs passam... e já cá andamos há pelo menos 900 anos... — é o próprio exercício que é triste e revelador de uma falta de civismo. Não há capacidade de abstracção, não há sentido de pragmatismo, não há ver-os-outros-além-de-mim. O ódio e a raiva acumulados por tanto tempo, dissolveram-se finalmente e poluíram a noite de domingo. Este já está. Venha o próximo. Portugal tritura políticos. Portugloat.

domingo, junho 05, 2011

Legislativas 2011


Ao que tudo indica, amanhã esse país que teima em persistir vai sair à rua vitorioso. Eu já não vou sentir vergonha, já dei para esse peditório. Sobrevivi a Cavaco Silva, a Durão Barroso e a Santana Lopes. Vou certamente sobreviver a Passos Coelho.