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sábado, fevereiro 20, 2010

Farr Is Queer {e daí?}

Ao virar da esquina, mal saio de casa, está um mupi com a nova campanha da ILGA. Há umas semanas atrás, assim que lhe pus os olhos em cima, torci o nariz. Primeiro, simplesmente porque o cartaz é foleiro. A foto é, estou certo, actual e não, como é de supor, repescada dos "setentas". E foi tão mal escolhida e tão mal tratada que nem num qualquer genuíno carrossel Kodak tinha lugar. Mas torci essencialmente o nariz porque mal li o texto respondi de pronto à questão com um «É claro. É claro que mudava». Do refeitório ao recreio, passando pela paragem do autocarro e pela sala de espera do consultório da pediatra. E acabando, claro, e mais importante decerto, no silêncio do próprio quarto. Tudo seria diferente. Não que fosse um problema, maior ou diferente de uma série de outros, mas que tudo seria diferente lá isso seria. Para mim isto era claro. Logo, a campanha cheirou-me a treta. Colocava uma pergunta que, apesar de indiciar claramente uma resposta, despertava em mim a resposta oposta.



Mas depois vi o Victim {1961}. Não digo que seja um grande filme mas é, sem sombra de dúvida, um filme grande. Tem Dirk Bogarde, e quase que bastaria — Dirk rules! — além de estar recheado de personagens muito fascinantes. Filmado por Basil Dearden num tom british noir muito cool, muito acima da média mesmo. Como tema principal temos as infames leis britânicas anti-sodomia {«Someone once called this law against homosexuality the blackmailer's charter.», diz a certa altura o inspector de serviço} e a chantagem sobre homossexuais como modo de vida. E de morte. Bogarde interpreta o papel de um barrister, Melville Farr, que decide ir até ao fim, não ceder à chantagem e expor tudo, e a todos {a cena em que ele sai do armário perante a própria mulher é intensa}. No final — e aqui entra a ligação à história do cartaz da ILGA —, Farr, após decidir ir até ao fim, resolve abrir o jogo com o seu secretário de longa data, William Patterson. O velhote acompanha-o há muito anos na vida da advocacia e dos tribunais e Farr sabe que a vida dele vai mudar {lá está, como não?} assim que estoirar o "escândalo". Por isso passa-lhe para as mãos a fotografia {toda a relação do filme — i.e., a nossa relação — com a fotografia é notável} que está na base da chantagem — Farr e o amante, chorando, dentro de um carro. O velhote vê a foto e diz que percebe as implicações... Farr diz que esperava pelo menos uma pergunta {question}da parte dele. E William responde: «I believed in your integrity for ten years, Sir. I can see no reason to question it now». Nem mais. E aqui, na assertividade desta cena e destas palavras, percebi que a dita campanha está correcta. Esta é a resposta à pergunta do cartaz da ILGA. O cartaz não tem é, infelizmente, a mesma força da cena de Victim...

segunda-feira, julho 06, 2009

Salvação

Hoje aprendi que a Salvação surge de onde menos se espera. Uma mão na parede. Um despertar, um demolir paredes, um mundo novo que nos espera. Nina Simone, sweet music to my ears... Haja esperança.























{O Home fez-me lembrar o House, 1993, da Rachel Whiteread}

quarta-feira, junho 17, 2009

Dear John Deere

Ontem vi um homem morto matar dois dos seus vários filhos. Como dizia um dos que acabou por escapar à espiral de violência, «ele vai ser julgado pelo que fez de mal e não pelo bem que fez». As mães {biológicas} assistiam, impávidas e não tão serenas, à distância. Impressionante como um homem mesmo já morto detém ainda o poder da destruição. Como se da morte dele tivessem resultado ainda uma série de ondas concêntricas cheias de energia destruidora que, tal como uma pedrada num lago, gerassem eventos imprevisíveis. Felizmente que, tal como no lago assim é na vida, as ondas acabam sempre por se desvanecer na acalmia que as leis da física impõem.

Mas o mais interessante mesmo, para mim, foi ver como esse homem morto provisoriamente encarnou num tractor verde e amarelo que teimosamente insistia em não pegar. Como se quisesse evitar à força o tal julgamento de que falava o filho acima. Quando finalmente resolveu arrancar sons e vibração do seu motor, fumo negro subiu no ar, e a matança parou. Cada um seguiu, finalmente, o seu caminho pessoal e intransmissível. Cheio dos seus próprios erros e não mais dos erros alheios.

domingo, março 08, 2009

Some people never go crazy. What truly horrible lives they must lead.

Poucos filmes podem gabar-se de resistir desta maneira a 22 anos de vida. Esta história toda em redor do The Wrestler fez-me querer rever esse long time no see que é Barfly. Vi-o {há 22 anos...} com o camarada Serafim, na sala 3 do King, munidos de uma garrafa de aguardente de figo {caseira, feita pelo pai de um colega nosso}, e saímos para a luz assassina de um fim de tarde de Verão, Avenida de Roma abaixo, com uma das mais estranhas bebedeiras da minha vida. É estupendo como passados 22 anos este filme continua fresco, honesto, bem disposto, com uma energia rara. Diálogos do caraças, ambientes à maneira {as rajadas de luz de cada vez que alguém entra nos bares são geniais!}, um Rourke do melhor, um par de pernas como não há muitos {e fossem só as pernas... long live Faye!}, o irmão do Stallone {lindo!} e o grande Jack Nance; sem dúvida, o melhor Schroeder de todos. Grande filme.


PS – Bom, é verdade que não há grande pachorra para a lamechice à volta da tontinha da editora de poesia, a Tully Sorensen. Mas, ainda assim, um grande filme.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Óbito

Kathleen Byron
11 de Janeiro, 1921 – 18 de Janeiro, 2009



Como foi aqui que me dei conta da morte da sister Ruth, faço então minhas as simples mas certeiras palavras de Luís Miguel Oliveira — «Não sei se são mais admiráveis os actores que espalharam a sua imortalidade por cinquenta filmes se aqueles que a concentraram apenas num. Como Kathleen Byron, a freira alucinada do Black Narcissus

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Life is great. Without it you'd be dead.

Gummo. Sicko. Wacko. Psycho. Jesus. Pain. Hatred. Whoooa! Pervert. Bitch. Butch. Faggot. Kill. Arian blood. Jobless. Deadend. Time. Glue. Tape. Bullet. Laugh. Godforsaken shithole. Laugh. Tornado. Laugh. Incest. Kill. Bestiality. Slayer. Crime. Liquor. Disease. Pestilence. Bugs. Niggas? Well, you know, I just don't lik'em. Poison. Blow me. Bacon. Youth. Geriatrics. Dementia. Garbage. Sugar. Smokes. Petrol. Gas. Drunk and Drive. Midnight Hour. Voyeur. Tap dancer. Fascinating. Intoxicating. Horrifying. Life changing. Puta filme, dir-se-ia nos trópicos.



Nem que fosse pelo prazer de rever Linda Manz. Já não a adolescente revoltada de Out of the Blue, mas antes uma spaced out mom que faz sapateado com um par de sapatos quatro números acima numa cave cheia de desespero {e um filho incapaz de lhe devolver um sorriso}.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

The Happening

Digam lá o que disserem, e muito têm dito, uma coisa é certa – estivesse Hitchcock vivo {ou tivesse ele nascido mais tarde} e era algo de muito parecido com isto {para não dizer precisamente isto} que ele teria filmado. Este fotograma acima poderia muito bem ser retirado de um filme dele. Não há muitos {não me lembro de mais nenhum...} realizadores que possam ser considerados como a personificação {reencarnação?} de Alfred Hitchcock. Shyamalan pode. Só isto bastaria.

A grande questão é – tendo tanto de bom, tendo tanto de absolutamente intenso e perturbador, tendo tanto de tão incrivelmente bem filmado, tendo tanto de som, imagem e respiração tão bem misturados, tendo tanto de grandes momentos, grandes imagens, grandes stills {a jeffwallização no seu melhor!} , porque, então, não é o The Happening {2008} um grande filme? Tipo, um grande filme mesmo. Atrevo-me a pensar que pela simples razão de Shyamalan não ter tido a coragem {que, de resto, também Hitchcock alguma vez teria...} de matar toda a gente no final. Aquele filme pedia o desastre total, a ausência de tréguas. Houve ali certamente muito compromise. É pena. Perdeu-se um grande filme.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Alquimia

The Pirate Bay, Vuze {formerly Azureus}, P2P, BitTorrent, Opensubtitles, AVI, DIVX, SRT, Subtitle Creator, Btjunkie e tantos outros estão a mudar a minha vida. Não esquecendo, naturalmente, todos esses seeders e leechers por esse mundo fora. O meu bem-hajam desde já! Os caprichos cinéfilos, a pesquisa elaborada, a procura mais estranha, a "formação" da criança mais velha, o revisitar velhos momentos e emoções, tudo isto agora é mais possível, mais certo, mais ali à distância de um click. E isso é bom, muito bom. Razão tinha o meu amigo Rui ao afirmar que eu só tinha de colocar os meus padrões de qualidade um pouco de lado e tirar o maior proveito da coisa. Foi o que fiz, é o que estou a fazer; só tenho de me controlar um pouquinho {como sempre, de resto} que isto parece já estar a começar a perder o pé... Feitas as contas, toda esta monstruosa base de dados de película transmutada em bits digitais acabou por matar um blog que eu cá tenho. Mas eu não me importo, pois na realidade cheira-me que ele sempre foi um nado-morto...

sábado, fevereiro 07, 2009

Ainda em descanso...


Tanta coisa para dizer e, contudo, nunca nada tão importante quanto a sobriedade e o poder de umas nuvens passageiras. Não que tenha medo que me {quem?} caiam em cima, mas é temerosa a gravidade de neste momento só me apetecer mesmo é ver-vos todos pelas costas... É tramado quando um tipo chega ao ponto de preferir estar com Bert Haanstra, ou Fons Rademakers, ou Paul Verhoeven, ao invés de carregar consigo e com os outros. O cinema é a maior droga que este planeta em crise alguma vez produziu! E, como dizia o outro, se a droga fosse uma coisa boa não se chamava assim... Oh, vida!


Mas eu volto...

domingo, janeiro 18, 2009

— People can change, and I'm changing.
— You're not changing, Janine, you're just losing weight.



Pequena jóia dessa muito interessante e saborosa série/telefilme/filme/seriado da HBO que dá pelo nome de Empire Falls. Recheada de bons actores {tiro aqui novamente o chapéu a Paul Newman!}, cheia de histórias obscuras e gente retorcida, repleta desses deliciosos desentendimentos que ocorrem por vezes entre entre o passado e o presente de uns e de outros. Tudo passado num Maine absolutamente deslumbrante quanto misterioso e, mesmo, perigoso. Poder e submissão, com algum amor e misoginia pelo meio e mais um pouco de manipulação e desvio. Lovely, portanto.

sábado, janeiro 17, 2009

Há coisas pelas quais vale a pena esperar

Andei anos a namorar esta fantástica edição da Criterion nas prateleiras da Fnac {Chiado} e ontem, finalmente, adquiri-a. Em saldos! Redução de 50%. Lindo. Neste filme tudo é bom. Sobretudo a banda sonora, de Miles Davies, de qual aqui deixo um cheirinho. E hoje, chuva molha-tolos lá fora, um nevoeiro do caraças, o dia não podia estar mais apropriado para me encafuar no elevador... Going up!

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Hell of a Western!

Tenho andado arredado destas lides, tenho andado "cansado", mais para lá do que para cá {mas num bom sentido, atenção...} e, apesar de tudo, sempre com uma vontade dos diabos de tirar as aventesmas do post anterior da vista de quem aqui regressa na esperança de algo novo. Hoje, finalmente, as enormidades sobre as relações católicos/muçulmanos proferidas pela besta, perdão, bispo Policarpo tinham tudo para ser o motivo certo e ideal, pareciam talhadas para arrancar este blog do marasmo. Mas não, nem isso. Quero é que o homem se vá catar, mais às suas ovelhinhas. O que tenho para vocês é isto — A Gunfight {1971}.
Mais um de 1971. Não é um western genial, é certo. Mas tem um enorme Johnny Cash {os minutos iniciais em que ele anda por ali, empoeirado e barbudo e gadelhudo, são muito bons}, tem um Kirk Douglas igual a si mesmo {ele não é lá grande coisa, pois não?; mas porque é que sabe sempre bem vê-lo...?}, tem a estreia do jovem Keith Carradine {a par de McCabe e Mrs. Miller, do mesmo ano} e tem uma mulher de armas, que sabe o que quer e que não hesita em expressá-lo {Nora Tenneray, a mulher de Kirk}, o que é sempre bom num western. Mas tem acima de tudo um belíssimo texto, muito bem esgalhado, recheado de falas muito bem sacadas. A ver, sem sombra de dúvida.



Também vi um outro western de 1971 recentemente — que isto dos westerns parece que vêm aos pares... — Soleil Rouge, de Terence Young.
Bom, este tem Charles Bronson {é preciso dizer algo mais...?}, tem Ursula Andress {é só manha, o raio da hellcat...} e tem um par de actores estrangeiros, exóticos, que não estamos habituados a ver com paisagens poeirentas em pano de fundo, nomeadamente Toshiro Mifune e Alain Delon! O samurai está caricato mas Delon então está muito curioso, no seu papel de pistoleiro canhoto, o Gauche, que numa onda toda estilosa lá se vai escapulindo com as massas do herói..

É ou não é melhor estar a ver filminhos deste calibre, do que estar a dar demasiada importãncia às tiradas do bispo Mentecapto, perdão, Policarpo? Ah, pois é...

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Race With The Devil



O filme é manhoso, mas é daqueles que um tipo vê por obrigação e por atenção para com Warren Oates. Que, diga-se em abono da verdade, tirando uma boca foleira ou outra não vai lá grande coisa. Nem o Peter Fonda, de resto. Mas esta sequência de potenciais filhos do Diabo que a loira histérica de serviço observa das águas da piscina é muito bem esgalhada. Aqui ficam eles. E o Obama que se cuide, se pensa que estes tipos já não andam por cá. Esta América, a que o filme tenta apontar o dedo, ainda existe.

sábado, dezembro 27, 2008

Harold and Maude

Harold — You sure have a way with people.
Maude — Well, they're my species!

Harold — Maude.
Maude — Hmm?
Harold — Do you pray?
Maude — Pray? No. I communicate.
Harold — With God?
Maude — With life.

Maude — You know, at one time, I used to break into pet shops to liberate the canaries. But I decided that was an idea way before its time. Zoos are full, prisons are overflowing... oh my, how the world still dearly loves a cage.



Só pelas falas da Maude vale a pena ver Harold and Maude {1971}. De resto, diga-se em abono da verdade, não é lá grande espingarda. Sobretudo dada a fama de filme de culto que o mesmo carrega. E o que dizer da musiqueta desse tipo horrendo que dá pelo nome de Cat Stevens? Total downer!

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Berlim, 1945

«Aprés s'être tues si longtemps, ces grands-mères meurtries qui, dans leur maisons de retraite, sont prises de panique lorsqu'elles entendent des aides-soignantes parler russe ou lorsqu'on veut leur poser une sonde urinaire, sont-elles prêtes, au terme de leur vie, à raconter leur grand secret?»

A propósito de Anonyma, eine Frau in Berlin que o mais certo é ser uma banhada {trailer aqui}, mas sobre o qual, e cujo tema, o artigo do Le Monde de hoje levantou pontas perturbantes como a das linhas acima. A imagem é assustadora, não é? Quase que dá para cheirar a alcatifa e o rasto de sangue que a História vela, dia após dia.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Boas companhias...


Ainda há pouco, enquanto embalava a pequena Júlia junto às estantes dos DVDs, reparei com alegria que o Master and Commander: The Far Side of the World se encontra entalado entre os filmes do Visconti e os do Welles. Não está mal acompanhado, não senhor. Ainda bem para ele. E olhem que não se trata de aproveitar as boas companhias para a admissão de alguma espécie de guilty pleasure, não, não, gosto mesmo daquele enorme bicho de madeira e cordame a vogar pelo mundo fora.

sábado, outubro 25, 2008

Fanny och Alexander

Uma lasca de olhar, eclipse de pessoa.

Reflexos de traços negros que pautam o caos.

Antecipando, na antecâmara, na passagem,

a fresta das frestas...

Visionada a fresta que não está lá,

surge então a fissura social, sentimental.

Que só a fresta redentora apazigua.



Delírio surgido após visionamento — finalmente! — de Fanny och Alexander {1982}, de Ingmar Bergman. Filme há muito em lista de espera, filme há muito desejado, filme há muito em muito imaginado. Nada do que estava à espera, contudo. Twisted, sofrido, asfixiante, perverso e no entanto... graças a Deus há suecos neste planeta! Hemsk film! ;{}

sexta-feira, outubro 10, 2008

Meryl, the blonde...

Mas o Still of the Night não trouxe só o Roy Scheider, também trouxe alguém mais, a tal loira de serviço. Meryl Streep. Sim, também ela entrou na minha vida via Still of the Night. Caramba, sempre se tratava de uma jovem rapariga atraente em início de carreira e já com três filmes "proibidos" em carteira {embora tenha sérias dúvidas acerca desta minha percepção então...}. Filmes "proibidos" eram todos aqueles filmes que, quando miúdos, ouvíamos os adultos à nossa volta comentarem, de brilho nos olhos, excitação mais que visível, vezes sem conta, na sala, no café ou no trabalho, e que não nos deixavam ver, nem pensar nisso!, de modo nenhum, ou porque eram violentos ou porque tinham sacanagem ou porque, bom, ambos. A Meryl Streep tinha passado pelo The Deer Hunter {1978} {o filme "proibido" dos filmes "proibidos"!}, pelo Kramer vs. Kramer {1979} e pelo The French Lieutenant's Woman {1981}; e o Still of the Night foi a chance, a oportunidade aceite.

No fundo, o engraçado nisto tudo é como foram os maus filmes a servirem de apresentação a óptimos actores – falo, claro está, de Oates e Streep; que o Scheider é um acidente de percurso, poor guy... {embora Jaws, Klute e French Connection possam ser considerados atenuantes} Seja como for, Blue Thunder trouxe-me Warren Oates e Still of the Night trouxe-me Meryl Streep. Não está mal, não senhor.

Scheider, the guy next door...

Mas o Blue Thunder não tinha só o Warren Oates {do qual, na realidade, nem me lembrava}. O Blue Thunder tinha, e foi este o actor que sempre associei ao filme, Roy Scheider. O Roy Scheider era, para mim, naqueles idos de 80, um tipo que eu associei sempre ao capitão Furillo de Hill Street Blues {que eu via, naturalmente, mas não curtia assim tanto}, mas ao qual dava mais crédito, que sempre achei superior, que me fascinava mais. E grande parte desta superioridade justificava-se essencialmente, e também só me dou conta disto agora, porque um ano antes de Blue Thunder tinha havido Still of the Night. Que filmaço esse Still of the Night! Um dos filmes marcantes da minha vida de pré-adolescente. Lembro-me de, naquela altura, o ter visto mais do que uma vez e de todas elas me surpreender e apaixonar ainda mais pelo filme. O enredo policial, o suspense, a sensualidade da loira de serviço, os ambientes dark foram para mim, naquele momento, uma verdadeira revolução.