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quinta-feira, outubro 09, 2008

Warren, my man...

Recentemente, a propósito da minha relação com os helicópteros, fui relembrar esse filme dos meus 12/13 anos, de seu nome Blue Thunder. Ao ler a respectiva ficha na IMDB descobri que esse tal Blue Thunder foi, não tenho dúvidas, e só por isso é filme a estimar, o meu primeiro contacto com Warren Oates. O filme data de 1983 e estreou já com Warren a ser repasto dos vermes há coisa de um ano. Foi o último filme de Warren Oates e o meu primeiro filme com Warren Oates! E desde então Warren Oates me persegue, me embala e me conta historietas. Abençoado seja.

segunda-feira, outubro 06, 2008

hélix + ptéryks

Desde sempre que este objecto, este animal de reino invulgar, este rotor assanhado, este amontoado de metal e coragem, me fascina. Se bem me lembro não devia ter mais de 5 ou 6 anos quando vi o primeiro helicóptero da minha vida. Foi num ambiente de concurso hípico {creio que em Vidago} e era um Alouette da Força Aérea, já batido pelo tempo e pela guerra, sem grande aura, mas que me impressionou deveras. Mais tarde, tenho memórias de um que tive para brincar. Numa escala bem à maneira, dava para pegar-lhe por uma pega que, com um gatilho, accionava as pás {fazendo em simultâneo o seu som característico; como eu adorava aquele som...} e com outro botão disparava rockets contra inimigos invisíveis. Claro, já mais tarde, também não fui insensível aos disparatados encantos do Blue Thunder {1983} e, ainda mais tarde, às misérias impostas pelas "valquírias" do Coronel Kilgore. Recentemente, não fiquei imune ao poder que emana de semelhantes bichos, ao ver um documentário no National Geographic {ou coisa que o valha...} sobre a linha de montagem do Apache que serve actualmente no Iraque. Mas hoje li uma das mais belas definições, inspirações, pensamentos sobre o assunto. Sobre essa dimensão estranha, onde forças contrárias, onde energias sobrehumanas desafiam as leis da natureza, e criam um estado fremente de sofrimento necessário à elevação. Hoje, ao ler estas palavras, senti o helicóptero tão próximo do ser humano...

«O helicóptero é um bicho que voa sem querer voar, porque ele tem tantos desgastes que é como se ele quisesse se autodestruir o tempo todo.» {Élson Sterque, Helipark}

{Vale bem a pena clicar na imagem, de modo a ampliá-la e poder desfrutar a fascinante complexidade destes bichos...}

domingo, setembro 28, 2008

Óbito

Paul Newman
26 de Janeiro, 1925 – 26 de Setembro, 2008




Ainda muito recentemente desanquei no homem, logo logo me redimi e agora presto-lhe a devida homenagem. Nunca foi um daqueles actores com lugar garantido no meu panteão pessoal mas sempre lhe admirei uma faceta que agora, olhando para ele, para o mosaico que a vida dele assenta, me salta à vista. Presumo que para mim Paul Newman só pode ser definido por uma palavra. Perigo. Perigo de dentro para fora. E de fora para dentro. Perigo tortuoso. Quase falta de confiança, o que não é o mesmo que desconfiança. Perigo ali no limite. Perigo característico desse outro forte elemento que é o Jogo. E quando um Perigo, assim nestes termos, define uma personagem, essa personagem garante poder, corpo, fascínio, brilho e uma dimensão para além do aceitável. Paul Newman reflectiu, viveu, deu tom, encarnou o Perigo. Mais do que uma, duas, três, vezes. Na vida e na película. Até ontem. RIP.

sexta-feira, setembro 05, 2008

«The man with the barbed wire soul!»

No outro dia disse {aqui} mal do Paul Newman e agora, passados alguns dias de mal-estar {não dá para dizer assim tão mal do homem, pois não?}, redimo-me e tiro-lhe o chapéu. A propósito do muito interessante Hud {1963} que vi recentemente no canal Hollywood. Ascoroso deluxe. Cinco estrelas.

sábado, agosto 30, 2008

Pequeno balanço

A minha otite anual rebentou hoje de manhã {logo agora que já não estava a contar com ela...}, falta 1 hora e pouco para o derby {deste não conto com grande coisa...} e uma noite falta para o regresso da antropóloga cá de casa {por essa já contava, sim...}. Começa, assim, o fim de uma semana de isolamento quase total, fechado em casa, numa preguiça por vezes angustiante, frente ao televisor, comendo filmes atrás de filmes enquanto vejo saladas e arrozes de tomate e pastéis vários desfilar por mim. Também li e bebi vinhos, tinto e branco. Agora acabou-se, que vem aí o antibiótico. Passo sem grandes problemas, diga-se, ao concentrado de maracujá Cliper.

No princípio da semana tornei-me, pela terceira vez na vida, sócio do Blockbuster. Na condição de novo sócio tive direito a um aluguer grátis {olha que fixe!}. Aluguei então o belíssimo Pat Garret & Billy The Kid {1973} e, na boleia, o tanto bizarro quanto desnecessário, Boarding Gate {2007}. De seguida, o idiota Butch Cassidy and The Sundance Kid {1969} mais o decepcionante Indigènes {2006}. Hoje já vi o inócuo Kagen no tsuki {2004} e preparo-me {agora que o Glorioso já está a comer com 1 golo madrugador...} para ir ver o Zwartboek {2006}, que espero que seja tão bom quanto o Soldaat van Oranje {que nunca vi...}. O The Savages {2007} deixo-o para amanhã, que este é dos que a antropóloga gosta...

Não foi uma colheita excepcional; mas isso não é, nunca foi, um problema...

Ah!, também tive a oportunidade de ver o O Cheiro do Ralo {2006}, que não é assim tão mau como mo tinham pintado, e o Men In Black II {2002}, o que só vem provar que estou home alone...

sexta-feira, agosto 29, 2008

Oh!

Dou-me conta agora mesmo que só faltaria uma coisinha para o Pat Garrett & Billy The Kid ser perfeito, perfeito, perfeito... Warren Oates. O que eu daria para o ver ali, num papel pequeno que fosse. Que pena ele não ter participado neste filme tão próximo da perfeição.

Pat Garrett & Billy The Kid

Ontem vi o belíssimo, fenomemal, fabuloso, fantástico, genial, e demais adjectivação possível, Pat Garrett & Billy The Kid {1973}, do mister Sam Peckinpah, e hoje vi o idiota, para me poupar na adjectivação, Butch Cassidy and the Sundance Kid {1969}, de um tal de George Roy Hill. Não foi programado, mas aconteceu. Dois dias, dois westerns, próximos no tempo, sobre duas duplas de outlaws, sendo dois deles kids, e ficam-se por aqui as semelhanças... Pois se o James Coburn e o Kris Kristofferson são uma dupla do camandro, já o Paul Newman {a minha sogra que me perdoe} é um palhaço e o Robert Redford {a minha madrasta que me perdoe} um canastrão do piorio.

Com o segundo nem vou perder muito tempo, é idiota, e por aqui me fico. Além de que humor, piadinhas de caserna ou não, e westerns não combinam {excepção feita, claro está, ao Blazing Saddles... e... e...}, logo, aquela carinha laroca do Newman só mesmo para dar socos. Mas o primeiro, o do mestre Peckinpah, wow!, que pérola. A cena, junto ao rio, do marshal baleado e a sua esposa, e sua deputy, mexicana vendo-o ir-se, a pouco e pouco, no olhar, rio abaixo como ele desejava um dia ter feito, tivesse acabado de construir o seu barco, e tudo isto ao som, murmurado, de "Knocking on Heaven's Door" de Bob Dylan, meus amigos, isto é magia!, só esta cena valia a pena darem-se ao trabalho de ver o filme.


Mas também há este delicioso God fearing marshal...

E a intensa cena final em que Pat acaba com o Kid e se vê forçado a assinar a sua própria death sentence...


Atenção, se tiverem acesso à edição do duplo DVD, só vale a pena verem a Turner Preview Version, a versão de 1988. A versão de 2005 é pura banhada. Tem menos 6 minutos apenas, mas altera, mutila e destrói o genérico, os diálogos, em suma, o filme. Quem avisa amigo é.

sábado, agosto 23, 2008

Wir Waren Wie Brüder

E se em vez do inglês fosse antes falado o alemão?
E se em vez de Toccoa fosse antes o vale de Salzach?
E se em vez de Currahee eles subissem antes ao Torrener Joch?
E se em vez da Easy Company do 506.º fosse antes a SS-Gebirgs-"Nord"?
E se em vez do major R. Winters fosse antes o SS-Hauptsturmführer Gottlieb Renz?
E se em vez de "Bill" Guarnere fosse antes o Johann Voss?
E se em vez da quasi-xaropada do génerico inicial fosse antes o Ich hatt' einen Kameraden?

Ui, era lindo não era? Para quando uma série televisiva nestes moldes? Dificilmente acontecerá, eu sei. Mas que seria bem interessante, lá isso seria. Então não? Bom, chega de delírios...

sexta-feira, agosto 22, 2008

Lacombe, Lucien

E há uns dias ainda mais atrás revi o Lacombe, Lucien {também de 1974}, de Louis Malle. Tinha-o visto há muito, muito, tempo e desta vez desfez-se a ideia de que não era um grande filme {para mim, claro está}. Não, antes pelo contrário, é um grande filme. Muito bom mesmo. Para além de ter sido o primeiro filme francês {esta atribuição é discutível, pelo que me apercebi} a abordar criticamente o papel da colaboração francesa durante a WWII, é um filme esteticamente muito bem conseguido. A paixão de Louis Malle pelos EUA é notória e neste caso ela topa-se na curiosa utilização da ambiência dos filmes noir de gangsters na abordagem ao tema, tão francês, tão campagne. É-me fácil perceber agora o quão difícil teria sido eu ter gostado deste filme então. Não é um filme linear {e como podia sê-lo, marcado que está pela ordem precisa do apelido primeiro que o nome?}, simples, directo. O ódio e a desumanidade habitam por ali, roçando-se pelas paredes, numa dança um tanto ou quanto estranha; num ambiente onírico, apsicanalisado q.b., assistimos a desvios, abusos e crimes. A intromissão, em vagas sucessivas e crescentes, por parte de Lucien, na vida doméstica da família judia e a estranha relação que este mantém com os três foragidos é particularmente bem conseguida {a fazer lembrar, a espaços, o fenomenal Gruppo di famiglia in un interno, curiosamente também ele de 1974...}. Uma belíssima (re)descoberta. O regresso de férias não está mal, não senhor...


O ódio que albergamos facilmente nos transforma em cães. Daí para a tortura e para a desumanização é um passo. O que nos vale é que a mudança, a alquimia dos sentidos e dos sentimentos, é sempre possível.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Como?

Como estar num momento, no sofá, calor do caraças lá fora, lado a lado com a filhota, em frente ao maravilhoso You Can't Take It With You e, momentos depois, sair à rua e ler na primeira página do Público e que Cristiano Ronaldo sente muita honra em poder jogar mais uma temporada pelo ManU? Como?

terça-feira, julho 22, 2008

Paulo César Pereio

Paulo César Pereio dentro do vestido que Sónia Braga vestia em Eu Te Amo.

Depois desta recente barrigada de filmes brasucas, uma ideia que há muito se vinha formando se confirmou nesta minha cabecinha amante do cinema e das personagens que por lá pululam. Essa ideia tem um nome. Paulo César Pereio. Este tipo é o maior. Um grandecíssimo bacana. Está em todo o lado; está em 3 dos 4 filmes do post anterior; está no fabuloso Iracema {ver aqui}; está em mil e um filmes {na realidade são cem; 100!} ainda por descobrir.



Se à pergunta «qual o teu actor preferido norte-americano?» eu teria de responder, sem hesitações, Warren Oates; então à pergunta «qual o teu actor preferido brasileiro?» eu teria de responder, sem dúvidas, Paulo César Pereio. Sei que estas escolhas são imprudentes, ousadas, ultrajantes e sei lá mais o quê... mas são verdadeiras. São gajos completos que figuram em filmes que, mesmo não constando de um eventual top ten, serão sempre filmes que me marcam de maneiras bem concretas e directas. São tipos que fazem com que a minha vida, enquanto amante do cinema, não seja mais a mesma depois de ter conhecido Bennie {Bring Me The Head of Alfredo Garcia} e Tião "Brasil Grande" {Iracema, Uma Transa Amazônica}...

Aceitam-se leituras e interpretações...

A Matilde deu os seus primeiros pontapés ao som de baleias, no escuro de uma sala do Cinema King, durante o genérico inicial do filme Os Mutantes (1998), de Teresa Villaverde. A Júlia deu os seus primeiros pontapés, domingo passado, em casa, ao som de Bob Dylan, algures durante essa cadeia de sons e imagens que é o último delírio de Todd Haynes, I'm Not There (2007).

Filmes em português

Sempre que vejo filmes brasileiros faço por me convencer de que me encontro a ver não filmes brasileiros mas, antes, filmes em português, numa escandalosa e horrrenda tentativa de usurpação, numa derradeira esperança de que o cinema português se reflicta, partilhe e vibre também um pouco às custas desse primo afastado que lhe escreve, de vez em quando, do outro lado do Atlântico. Nos últimos dias banhei-me um pouco mais nesse mar que é o cinema brasileiro. De uma assentada foram três Arnaldos Jabor, um Joaquim Pedro de Andrade e um exercício da mais pura propaganda espírita.


Toda Nudez Será Castigda {1973}, Eu Sei Que Vou Te Amar {1986} e Eu Te Amo {1981} foram os Jabor em causa. Toda Nudez Será Castigada é pura e simplesmente genial, do ponto de vista do guião, um texto original de Nelson Rodrigues, esse mestre dos amores truculentos. O filme cumpre, não desapontando o belíssimo texto que tem como base e chega mesmo a ter cenas muito boas mesmo. Certos momentos aqui e ali do Rio dos anos 70 e toda a cena decorrida dentro da cela prisional {por muito deslocada que possa parecer em relação ao tom do resto do filme} valem bem o filme; mesmo que numa cópia um tanto ou quanto manhosa {a que eu vi, pelo menos}. Um Paulo Porto muito bom, uma Darlene Glória sofrível e um fantástico Hugo Carvana {numa hilariante cena} também ajudam à festa. E, claro está, o melhor do filme, o ladrão boliviano! E mais não digo...

Eu Sei Que Vou Te Amar foi o segundo momento e, bem, hum..., quase me fez deitar tudo a perder... Não há pachorra, senhores. De tal maneira que até seguiu em andamento rápido, para a frente, até ao finalzinho do DVD só mesmo para ver se eles se matavam um ao outro no fim... Booooriiiiing!


Mas o Eu Te Amo, bem, esse, é uma pedra, uma doideira bem à maneira, um filmaço. Louco, louco. Nudez {de Paulo César Peréio, Sónia Braga e Vera Fischer} do princípio ao fim numa cornucópia de filmagens homevideo, luzes fluorescentes, sacanagem com frutas tropicais à mistura, negócios e amores falidos, facas apontadas à genitália; tudo remisturado numa fenomenal penthouse sobre a lagoa Rodrigo de Freitas. Tudo muito à la Brian de Palma meets Coppola?... e estou a pensar no Dressed To Kill e no One From The Heart {sendo que este é posterior...}. Maybe. Mas está muito bom, sim senhor. Um bom Jabor. Tenho ali ainda o Opinião Pública e o Tudo Bem para ver; que é para ver para onde vai pender o fiel da balança...


Depois vieram Os Inconfidentes {1972}, de Joaquim Pedro de Andrade, o homem por detrás de dois grandes filmes brasileiros – Garrincha, Alegria do Povo {1962} e Macunaíma {1969}. Que neste caso nos narra uma interessante abordagem ao episódio histórico de revolta contra o jugo lusitano por parte do famoso Tiradentes e seus compadres. História de gente cheia de ideais e de sonhos futuros que os troca num ápice por uma garantia de mais umas respirações nesta terrena existência. Em plena ditadura e cheio de plenas referências. Aposto que foi censurado até mais não e por muito tempo. A ver. Esteticamente muito interessante.

Ah, é verdade, falta a peça propagandística espírita... Bom, só tenho uma palavra para vosotros: Joelma, 23.º Andar. Delirante!

quinta-feira, julho 17, 2008

La Zona

Enquanto ainda anda por aí tudo em amenas {ou não tão amenas assim...} cavaqueiras sobre as virtudes {ou os defeitos} de Tropa de Elite, eu deito uma acha nessa fogueira político-filosófica-crítico-de-cinema-quando-me-apetece-e-a-globalização-é-uma-treta e, vai daí, aconselho vivamente o filme La Zona {e uma vez mais, ufa, agradeço ao companheiro Ribas...}. A sugestão parece-me válida, pois ambos os filmes e respectivos realizadores parecem ter tantas similitudes que eu diria mesmo corresponderem às duas faces de uma mesma moeda, a do jovem realizador esquerdalho sul-americano {ui, bem sei que um é mexicano, logo...; mas ainda assim}. Atenção, nada de mal com isso, antes pelo contrário. Adiante. Os dois filmes são do mesmo ano {2007}, ambos os senhores têm à data três filmes realizados {o Tropa de Elite de Padilha é o seu terceiro filme; Plá já se encontra a realizar o seu terceiro}, ambos devem pertencer à mesma geração {mas não cosegui comprovar isto} e para ambos estes são o seu primeiro filme "a sério" {sendo que Rodrigo Plá começou por uma curta-metragem e Padilha por um documentário} deixando antever mais e bons filmes nm futuro próximo. Aliás, cá para mim, se Padilha pode vir a ser o próximo Meirelles, parece-me também óbvio que Plá pode muito bem vir a ser o próximo Iñárritu.

Mas o que tem La Zona de tão especial? Bom, "La Zona" é um bairro residencial altamente fortificado algures na cidade do México {presumo}. Uma cidade dentro da cidade, rodeada de favelas a perder de vista, e simultaneamente bem fora da cidade, e da realidade do mundo. Ali se vive um dia-a-dia asséptico, controlado, climatizado e feliz. Até ao dia em que a contaminação {como eu odeio esta palavra...; mas vai surgir inevitavelmente} toma lugar... Não digo mais {seria spoiler} mas digo que um dos méritos do La Zona é deslocar, e de uma maneira incómoda o suficiente, e isso é bom, não é?, o foco da nossa atenção da favela para o condomínio, do "bandido" para o economista/professor/arquitecto, da rua suja e putrefacta para a alameda florida e asfaltada, do caos urbano para o caos sensorial. E fá-lo bem, muito bem. Se Padilha vai em cima da relação policial/bandido e fá-lo na realidade das favelas cariocas {que, acredito, devam ser mais acessíveis que as mexicanas}, Plá parte para cima da relação classe média-alta consigo mesma e no inferno em que ela própria escolheu viver. Um filme a ver.

Depois também vi, nos extras, a primeira experiência de Rodrigo Plá, El Ojo en la Nuca {2001}, uma curta bem esgalhada, com um jovem Gael G. Bernal, sobre as consequências da repressão militar no Uruguai. Dá para ver um pouco de Montevideo, que parece ser um estranho lugar {mas um bom estranho...}.



O trailer é uma merda, eu sei; é mais uma similitude com Tropa de Elite...

segunda-feira, junho 30, 2008

Happiness is only real when shared...

Também vi o último filme de Sean Penn, Into the Wild {2007} e devo admitir que também me fez bem...

quarta-feira, maio 28, 2008

A verde e branco...

Isto é bom, muito bom. E sei de uma senhora que há-de gostar de aqui vir...


E não deixa de ser intrigante/interessante/emocionante reparar como as cores-chave da pintura de Denis se encontram condensadas/concentradas/essenciadas {isto diz-se?} nos dois automóveis de Hitchcock... Bizarro.

segunda-feira, maio 05, 2008

Teresa Prata

Nunca tinha ouvido falar da senhora (é mais uma das que anda lá por fora...), nunca vi nenhum dos filmes dela (curtas e médias, porque só agora se estreou com uma longa), mas acabei de a ouvir na TSF a afirmar que se tivesse que escolher o filme da vida dela, escolheria o Idi I Smotri. {!!!!!!!!!!} Temos mulher, apetece dizer. Não é todos os dias que ouvimos tal escolha. Eu descobri-o no estertor do ano passado e foi imediatamente para o top 10!



E, confesso, agora fiquei curioso com o tal do Terra Sonâmbula (a partir do romance homónimo de Mia Couto), filme que lhe custou sete anos a sair do lombo e que, não tarda nada, estará por aí. Aguardemos.

domingo, abril 20, 2008

Je vous souhaite une bonne nuit...

No rescaldo de tanto ódio e vitriol, de tanta patacoada de um lado e do outro, no final de mais uma época de jornadas de ódio e maledicência, de tanta ignorãncia e energia mal gasta, faço minhas as palavras deste senhor...... a propósito deste outro...«Il ne faut offenser personne, même un ennemi.» Era bom que assim fosse. É difícil, bem sei, mas ainda assim...


{paroles e photos retirados desse grande filme que é o Le Silence de la Mer.}

sábado, abril 19, 2008

Video Store Clerk

Ainda o mês passado andei aí uns dias meio fascinado com este artigo da Wired, sobre o prémio de 1 milhão de dólares oferecido pela Netflix a quem melhore em 10% o seu algoritmo de classificação, atribuição de estrelas e, logo, de recomendação de filmes. Tudo o que isso envolve e as dinâmicas de competição que surgiram, para além do fascínio inerente aos exercícios mentais deste género... e tudo por mais 10% de resultados!

Hoje deparei-me, via The Ironic Sans, com este interesantíssimo jogo destinado a um fim em tudo similar. Trata-se do Video Store Clerk e a ideia é fazermos de empregado de balcão de um vídeoclube e adivinharmos (7 em 10) qual a classificação que um cliente faz de determinado filme, baseando-nos nas 3 últimas classificações desse mesmo cliente. É lindo!

Aditivo quanto baste... Sem ajuda do IMDB e apenas à segunda tentativa consegui um honroso 6.º lugar do corrente dia (existem a lista geral e a lista diária) mas ainda, devo confessar, a léguas (muitas léguas) dos lugares cimeiros. Também só explorei duas ou três categorias de filmes, e são várias. Para quem ama filmes (desde a comédia mais bacoca ao Kurosawa mais inóspito; porque aqui o objectivo não são os nossos gostos mas sim adivinhar o gosto alheio...), para quem curte a cena dos jogos online (qual online... jogos, pura e simplesmente), para quem algum dia sonhou em trabalhar num vídeoclube (...), este jogo é indispensável. Amanhã volto lá!

sexta-feira, abril 18, 2008

Sacré Bleu!


Hoje de manhãzinha, no balcão da estação de correios mais próxima de mim (graças a Deus existe o eBay!), chegou-me esta bela coisa às mãos – La Silence de la Mer (1949). Mon Dieu! Nunca mais é sábado para correr as persianas, ajeitar-me no sofá, um copinho de Asbach Uralt à mão e poder deleitar-me a rever Werner von Ebrennac lutando com o silêncio reservado à sua qualidade de ocupante! Ach!