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quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Gentrificação

A gentrificação mete-me nojo. A palavra, o processo, o motivo. É um termo tão abjecto que, mal o oiço, só me lembro de Endlösung. Hoje descobri {aqui} este pequeno documentário sobre o fim anunciado do Bairro da Luz em São Paulo. Triste.








"Die Jugend Marschiert", década de 1930.

domingo, julho 24, 2011

Lengalenga

Eu expludo,
Tu explodes,
Ele(a) explode,
Nós explodimos,
Vós explodis,
Ele(a)s explodem...

segunda-feira, abril 04, 2011

Vergonha...

Hoje à noite a nação benfiquista perdeu uma oportunidade de ouro. Quando hoje me desloquei ao Estádio da Luz fi-lo com a única intenção de averiguar se a íamos aproveitar ou não {o resultado era irrelevante; a meu ver, o FCP é campeão desde o jogo que ganhou em Guimarães}. Posso afirmar agora, neste momento, já no sofá e com um banho tomado, que a desperdiçámos. Hoje o Benfica e os seus adeptos comportaram-se vilmente. Ao mais baixo nível. Acho mesmo que desde o último SLB-FCP ocorrido no antigo Estádio da Luz, antes de começar a ser demolido, que não assistia a tamanha demonstração de ódio e de falta de civilidade. Desde as bolas de golfe dos NN, aos urros xenófobos do terceiro anel de cada vez que Hulk tocava na bola, passando naturalmente pelo apagão e molha finais. E tantas outras que nem vale a pena referir. Uma miséria. Várias vezes me apeteceu levantar-me e vir-me embora. Mas fui ficando. Sobretudo para ver como era experimentar assistir à sagração de campeão de um rival em nossa própria casa, algo a que nunca tinha assistido até hoje. E lá fiz o meu papel. Ouvi-os cantar, depois fui gradualmente desligando-me deles, um a um, até que passaram a ser apenas uma qualquer mole de adeptos, aos saltos, e finalmente apercebi-me de que não sentia uma pinga de ódio em direcção àquela curva do topo norte. Disso escapei. A vergonha não me pertence. Mas sinto-a um pouco. E isso entristece-me.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Feliz Ano Novo!



«Uma das mais características formalidades das associações estudantis eram as bebedeiras estritamente ritualizadas. Elas tinham uma longa história. As regras para beber cerveja nas festas das associações estudantis — o Bierkomment — eram o fruto tardio de uma tradição alemã que pode remontar, pelo menos, até ao século XVI ou XVII. Nesses tempos, numa época de guerras intermináveis em que a Alemanha acabou sendo a arena central para a violenta decisão final pelas armas de todos os maiores conflitos europeus, desenvolveu-se um tipo de epidemia de bebida que se alastrou por todos os territórios alemães. Não assumiu a forma do alcoolismo individualizado de hoje mas, antes, e de bebedeira coletiva. Nesse tempo, talvez a título de compensação pelos sofrimentos de uma guerra interminável, os rituais de beber à saúde dos convivas foram adotados até nas cortes, dando às bebedeiras como que o caráter de jogos de competição.» Norbert Elias, Os Alemães. A luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX, Jorge Zahar Editor, 1997.

terça-feira, maio 04, 2010

Tragédia

Passados já dois dias após o jogo no Porto e depois de visionadas imagens atrás de imagens, planos atrás de planos, zooms atrás de zooms, entrevistas atrás de entrevistas, análises atrás de análises, comentarices atrás de comentarices, ele eram bolas alvas pousadas na relva, ele eram adeptos raivosos a gritar impropérios a Jesus {sacrilégio!}, ele eram os cânticos ofensivos {e olhem que não é um sector, é o estádio inteiro}, ele era o Luisão a levar com um isqueiro {acreditam que ele acabou multado?}, ele era o excelente golo do Belluschi, ela era isto e aquilo... Pois a mim apenas uma imagem me ficou na retina, a do desespero da realidade. Explico melhor.

Primeiro acto. Mesmo no cair da primeira parte, Bruno Alves finta a defesa vermelha, eleva-se superiormente e mete o primeiro golo na baliza do Glorioso. O resto é sabido {que essas imagens estão em todo lado}, era a raiva, o coração, a garra, o ódio, a emoção nele espelhados. A boca escancarada, os músculos retesados até ao máximo, rodeado dos colegas. Uma cena heróica. Tinham marcado 1 golo ao Glorioso e festejavam como se estivessem a ganhar a Champions. Tudo bem. É delirante, mas tudo bem.

Segundo acto. Mesmo no cair do pano, após o apito final do árbitro, a câmara assenta novamente em Bruno Alves e filma o vão. Cabisbaixo, numa lentidão estranha, limpando o suor à camisa, Bruno Alves mostra-nos {e estas, sim, são imagens que não estão em todo o lado...}, em todo o seu esplendor, a dura realidade. De que o esforço de pouco valeu. De que, no fundo, o terror, a vitória, as bolas de golfe, os 3 golos, a verborreia, de nada valeram. Aqueles 4 dedos em riste, há uns meses atrás, no Algarve, falam mais alto naquele momento na cabeça de Bruno Alves. Dizem-lhe que, sim, são 4, mas não vão ser 5.

Já uma vez aqui tinha abordado esta dualidade tão característica do FCP. Esta esquizofrenia clubística. O antagonismo como plâncton predilecto de um monstro já difícil de controlar. Tragicamente cheira-me que isto não vai parar por aqui. Como poderia?

sábado, abril 24, 2010

Calhauismos

Não falta gente por aí a atirar pedras. São os juízes, são os jornalistas, é o Papa, é o 25 de Abril, é o PEC, é a Grécia, é a pataqueopôs, são os bloggers de esquerda, e mais os da direita, e os tortos, é o andor, e mais os túneis e a putaqueospariuatodos. Tanta mágoa, tanto rancor, tanto bolor. Tanta gente a achar que, como dizia o caramelo azedo, francês mas azedo, oinfernosãoosoutros. Acreditem, sei do que falo, é tão mais fácil {não é nada, mas era bom que fosse...} vermos o quão fácil é sermos apedrejados... É pá, isto faz lembrar aquela coisa do quemnuncapecouqueatireaprimeirapedra... Mas não tem servido de muito, pois não?

terça-feira, abril 13, 2010

«No lado certo da vida errada»



Para aqueles {e será que existem?} poucos que aqui vêm na esperança de mais uma transcrição do fascinante mundo da Lingua Tertii Imperii {vd label LTI}, a esses apenas peço que descansem. Não acabei com a série, somente a suspendi. A ela voltarei.

E a culpa é do Juliano, a.k.a. Marcinho VP. E da Luz, e do Raimundinho, e do Cabeludo, e do Careca, e do Paulista, e da Zulá, e da Zuleika, e do Nein, e da Mãe Brava, e do Comando Vermelho, e do Terceiro Comando, e do Maifrendi, e de tantos outros... E sobretudo de Caco Barcellos, que escreveu o livro Abusado. O dono do Morro Dona Marta, que, feito malandro, se meteu pelo meio e não dá tréguas. Estou apaixonado {se é que tal se pode afirmar em relação a um tema como o tratado aqui} pela favela de Santa Marta, pelos seus traficantes, pelos seus desamores, intrigas e vinganças, verdadeira tragédia grega, putaquepariu. Aquela fatia roubada à floresta, aquele rectângulo ingreme e anárquico ali encalhado, que a Rua Jupira olha de esguelha, é foda. Se há livro que se encaixa perfeitamente na categoria dos page turner é este. Não percam.

quarta-feira, março 17, 2010

Good morning life... la-la-la-la-la...



Absolutamente fantástico. Lindo, lindo, lindo.
LOGORAMA.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Pára-arranca-vota-arranca-compra-pára-suborna-mandacalar-arranca...

Depois de 30 minutos, sim, leram bem, 30 minutos de excruciantes pára-arranca-pára-arranca na A5, pergunto-me, que importância podem ter as {ditas} manobras de Sócrates no sentido de controlar a comunicação social?!?! Pois...

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Moeda ao ar














Dois braços. O mesmo homem. Duas faces da mesma moeda. A má moeda? Muito provavelmente. A famosa "garra" dos jogadores do FCP tem este outro lado. "Vestir a camisola" também é isto. "Comer a relva" pode ter várias interpretações. Há que ter cuidado. É toda uma cultura, toda uma linguagem, todo um programa. Que passa, claro, por negar o inegável. Pela fuga em frente. É uma tristeza, é o que é.

segunda-feira, setembro 21, 2009

A fama e o proveito, a cada um o seu...

Digam lá o que disserem, e muito sempre há para dizer, uma coisa eu sei. Uma coisa é certa e não há jeito de desmenti-la – o PS está sempre nas bocas do mundo, que faz isto e aquilo, que é este e aquele, que compra fulano e beltrano, que despede ou pressiona fundos e mundos, mas quando soa a hora da verdade, quando a marosca é desmontada, quando the shit hits the fan, é sempre o PSD que lá está, no banco dos réus, na 1.ª página dos jornais, na verdadeira boca do mundo. Uns têm a fama e outros o proveito, lá diz o povo. É tipo aquele estafado discurso, sabem?, do SLB sempre a ser levado ao colo mas os campeonatos sempre a caírem no saco do FCP. {Aliás, cheira-me, não deve tardar muito para mais uma vez essa cantilena aparecer aqui e ali.} Voltando ao PS e ao PSD, e continuando com a analogia futebolística, como eu sou um tipo que acredita sempre nas reviravoltas, confesso que ainda nutro aquela esperança da maioria absoluta novamente. É esperar e ver. Entretanto... PS Absoluto! Absolutamente Sócrates!


PS - E os professores, e os juízes, e os carpinteiros, e os jornalistas, e os adjuntos, e os outros todos, que não quiserem perceber isto, então é porque são muito estúpidos e aí, bom, sejam-no. Cá estarei no dia 28 para os mandar à merda.

segunda-feira, julho 06, 2009

Salvação

Hoje aprendi que a Salvação surge de onde menos se espera. Uma mão na parede. Um despertar, um demolir paredes, um mundo novo que nos espera. Nina Simone, sweet music to my ears... Haja esperança.























{O Home fez-me lembrar o House, 1993, da Rachel Whiteread}

terça-feira, março 31, 2009

De útrás a kreppa é só um instantinho...

Belíssima reportagem de João Moreira Salles sobre a recente perda da inocência da Islândia, e dos islandeses, e da sua atribulada aventura financeira, cultural e social. Uma história absolutamente fantástica, que daria sem sombra de dúvida um belíssimo romance {e não páro de pensar que Michel Tournier seria ideal para tal empresa}.

Ah, claro, e onde é que se pode ler tal peça de jornalismo à maneira? Na Piauí, como não podia deixar de ser. Vale mesmo a pena. É só seguir o link. A Piauí actualmente exige registo no site para se poder ler certos artigos, mas é gratuito e vale bem o esforço.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Life is great. Without it you'd be dead.

Gummo. Sicko. Wacko. Psycho. Jesus. Pain. Hatred. Whoooa! Pervert. Bitch. Butch. Faggot. Kill. Arian blood. Jobless. Deadend. Time. Glue. Tape. Bullet. Laugh. Godforsaken shithole. Laugh. Tornado. Laugh. Incest. Kill. Bestiality. Slayer. Crime. Liquor. Disease. Pestilence. Bugs. Niggas? Well, you know, I just don't lik'em. Poison. Blow me. Bacon. Youth. Geriatrics. Dementia. Garbage. Sugar. Smokes. Petrol. Gas. Drunk and Drive. Midnight Hour. Voyeur. Tap dancer. Fascinating. Intoxicating. Horrifying. Life changing. Puta filme, dir-se-ia nos trópicos.



Nem que fosse pelo prazer de rever Linda Manz. Já não a adolescente revoltada de Out of the Blue, mas antes uma spaced out mom que faz sapateado com um par de sapatos quatro números acima numa cave cheia de desespero {e um filho incapaz de lhe devolver um sorriso}.

sábado, outubro 25, 2008

Waterboarding e o silêncio dos inocentes...

Em Fevereiro de 2008 o editor-chefe da revista Vanity Fair desafiou Christopher Hitchens a submeter-se a uma sessão de waterboarding. O tipo aceitou passar pela experiência e escrever sobre a mesma. Em Maio, num ambiente altamente controlado e sob espécie alguma de violência adicional, Hitchens deitou-se na famigerada tábua inclinada, deixou-se amarrar e sujeitou-se à prática infame. Resistiu 12 segundos e, devido a uma espécie de embaraço..., sujeitou-se e resistiu ainda a uns adicionais 19 segundos. E concluiu, como não podia deixar de ser, e tomando o pensamento de Lincoln sobre a escravatura uns tempos atrás, que se o waterboarding não é tortura, então nada é tortura.

A filmagem da experiência aqui em baixo e o artigo subsequente aqui.


Mas o estranho mesmo, para mim, é que aqui no burgo {e falo exclusivamente da blogosfera} ninguém tenha dado atenção à coisa. Ninguém postou, ninguém criticou o mérito ou o disparate da coisa, ninguém esbracejou, ninguém gritou «eu não disse?», ninguém acautelou um «olhe que não, olhe que não» que fosse. Fui ao blogsearch da Google e pesquisei os termos "Hitchens + waterboarding" para blogs escritos em língua portuguesa, entre Janeiro e a data de hoje. Resultados aqui. Bom, apenas nove blogs e todos brasileiros. Bizarro, não?

segunda-feira, outubro 13, 2008

The best show on television, period.

Fartei-me de esperar por alguém que me ouvisse. Já papei a first season, estou na second season e a third season espera por mim, ali em cima da mesa. As duas primeiras vieram via Pirate Bay {you're the man, ingekul!} enquanto a terceira veio via Amazon. Ainda não pensei o que fazer em relação às fourth e fifth seasons, mas não perdem pela demora.

Mas uma coisa é certa, caros amigos. Todas as expectativas foram não só comprovadas como amplamente superadas. The Wire é, pura e simplesmente, do melhor que tenho visto em televisão; e olhem que já muita televisão passou por estes olhinhos. Dos vários textos, aqui e ali, que já tinha lido sobre a série, a conclusão mais comum, para além dos contínuos elogios, era a de que a série estava decalcada da realidade com uma eficiência considerável. O trabalho de campo, a investigação e a entrega aos assuntos abordados tinham sido levados muito a sério, quase parecendo, em certos momentos, mais um documentário do que uma série televisiva. A malta da rua, os agentes dos narcóticos e os dos homicídios, os estivadores, a Lei, todos eles representavam crivelmente a realidade. A ideia, diz Simon David algures, era que um qualquer estivador de um qualquer porto norte-americano que visse a série se identificasse automaticamente com Sobotka. O mesmo aconteceria com um qualquer McNulty que, do balcão de um bar qualquer, desse uma espreitadela para a televisão em mute, lá no canto. O mesmo já não diria de qualquer dealer afro-americano de uma qualquer esquina, pois essas tribos fazem ponto de honra em se diferenciar umas das outras. Mas os afro-americanos de Baltimore revêm-se certamente; um Omar ou um Wee-Bey não serão difíceis de encontrar.

A série é, por vezes, muito pouco série, pois tem uma dimensão muito própria, uma noção de ritmo pouco usual, onde a acção por vezes se arrasta ou se demora em pormenores ou diálogos que noutros formatos, e para outros públicos, não se aguentaria. A cidade, a rua, os vários segmentos da sociedade, estão definidos e presentes em The Wire de uma forma muito interessante; a própria forma como no site da HBO o elenco da série é apresentado é testemunha disso. Tal como o é a própria forma como a série foi pegando nestes segmentos, nestas instituições da city life {e lembro-me do sticker de Bunk que diz "I love city life"...}, a Rua, a Polícia, a Lei, a Escola, os Media, e as foi distribuíndo pelas várias, cinco {acabou este ano nos EUA}, épocas em que a série se desenrolou. Esta noção de proximidade com a realidade, esta veia documental, parece que deve muito à mini-série que a precedeu, The Corner — que acabei agora mesmo de ripar para um DVD, que segue por sua vez para fila de espera... —, trabalho que abordava apenas a rua, a esquina, e os "mitras" que a habitam. The Wire e, presumo, The Corner, em suma, o trabalho de David Simon e da sua equipa fazem-me lembrar, em certos momentos, o trabalho de Studs Terkel, esse incontornável e incansável divulgador do average american e das suas histórias e hábitos, o que é sempre bom.

E já referi que o cenário onde a acção se desenrola é a cidade de Baltimore? Eis outra das boas marcas de qualidade da coisa, Baltimore. Quem se lembraria de Baltimore? Bom, os carolas por detrás da escrita da série, que são de lá. O que torna a coisa ainda mais perfeitinha, convenhamos. Não há cá New York, nem Chicago, nem San Francisco, nem Las Vegas, nem Miami, nem LA. Não, os locais são mesmo estes aqui.

E quem quiser ler um pouco mais, pode fazê-lo aqui {só para assinantes...}, aqui, aqui e aqui. E volto a divulgar essa bela conversa entre David Simon e Nick Hornby.

domingo, outubro 12, 2008

The Garden

Isto deve ser bom. Cheira-me. Interessante, sem dúvida. É esperar que cá chegue.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Fala Tu / Rize


Recentemente tive a oportunidade de ver dois documentários que, vistos assim de seguida, se complementaram de forma interessantíssima. Por um lado, o brasileiro Fala Tu {2003} e as desventuras de Thogum, Macarrão e Combatente. Por outro lado, o norte-americano Rize {2005} e as desventuras de Tommy, La Niña, Dragon, Miss Prissy e outros tantos clowns e krumpers. Por um lado, um documentário muito bem preparado previamente, visivelmente bem investigado e guiado por dois tipos {Guilherme Coelho e Nathaniel Leclery} oriundos de meios exteriores ao cinema e na sua primeira experiência de realização. Por outro lado, um documentário super bem filmado, a câmara sempre no local certo, do já mais que reconhecido, fotógrafo David LaChapelle. Pesem embora as diferenças, de produção, de budget, de estilo, ambos os documentários são exercícios muito interessantes sobre as estratégias da malta que vive a rua em zonas abandonadas, pobres e perigosas, quer seja no grande Rio de Janeiro quer seja na grande Los Angeles. Em ambos os documentários, e em ambas as cidades, a cultura Hip Hop serve como escape e tentativa de melhoria da vida de cada um. Num é o Rap, noutro é a Dança. Entre as balas perdidas e a ralação da vida quotidiana; uns cantam, outros dançam. Mas, e pormenor muito curioso, em ambos os documentários, em ambas as cidades {e no México, e em Lima, e em Nairobi, e algures no Oriente; atrevo-me a sugerir} um elemento é constante, um elemento sempre cativa um ou outro rapper, krumper, whatever e os dirige na vida – Cristo, a espiritualidade, sob múltiplas formas. Seja o Santo Daime, seja uma qualquer evangelical church. Dá que pensar.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Ainda o defensor da grande pátria...

Apercebi-me no outro dia do que tanto me agrada em Hugo Chávez. Não são as boutades, nem os afrontamentos verbais ao Señor Peligro aka Mister Danger. Não são os ideais de esquerda, muito menos quando aplicados e ao serviço da visão da grande pátria em que, ele, Hugo "Bolivar" Chávez será o farol a mirar. Nem é o "Aló Presidente". Nem é o facto de ele ser muito mais inteligente e interessante do que a maior parte das pessoas está disposta a admitir. Também não é a profusão do vermelho. Não. O que verdadeiramente me agrada em Hugo Chavez é ele tornar visível aquilo que muitas vezes teima em permanecer invisível. Isto é, a falta de tolerância, a falta de bom senso, a falta de honestidade, por parte da Europa, dos EUA, do Ocidente esclarecido {presume-se}. A arrogância e a ignorância com que o Ocidente fala e aborda as questões venezuelanas, para não dizer mundiais {no sentido "do resto do mundo"}, são candidamente expostas pelos discursos de Chávez. Não pelas suas palavras, não pelo seu programa e conteúdo, mas antes pelas reacções às suas palavras. Não pelos seus gestos e grimaces, mas antes pelo asco e pela repulsa que despoletam. Porquê tanto ódio e tanta desconfiança perante o outro, aquele outro? Essa, sim, é a pergunta intrigante. Mais do que os porquês e comos da eleição de semelhante personagem. O abuso de poder, a idiotice desbragada, a prepotência, a falta de sentido das mais elementares noções de civilidade, e tantas outras falhas que usualmente lhe apontam, bom, eu descubro tudo isso e todas elas nos seus detractores. No fundo, o que Chávez me diz constantemente é «mira alrededor, Carlos». E eu olho, se olho.